Pronunciamentos

VINÍCIUS PEREIRA GUIMARÃES, pesquisador e chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo

Discurso

Agradece a homenagem recebida pelo 50º aniversário de fundação da Embrapa Milho e Sorgo.
Reunião 13ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2026
Página 5, Coluna 1
Indexação

13ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 15/5/2026

Palavras do Sr. Vinícius Pereira Guimarães

Exmo. Sr. Deputado Antonio Carlos Arantes, autor do requerimento que deu origem a esta homenagem, neste ato, representando o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Leite; Exmo. Sr. Diretor de Responsabilidade Social e Agroambiental da Alagro, Enio Fonseca, representando também a Superintendência Federal da Agricultura de Minas Gerais e a Alagro, Academia Latino-Americana do Agronegócio; chefe do Departamento de Pesquisa da Epamig, Cristiane Viana Ladeira, representando a presidente, Profa. Nilda de Fátima Ferreira; diretor administrativo e financeiro da Emater, Sr. Éverton Ferreira, representando a referida empresa; relações institucionais da Ocemg, Sr. Geraldo Magela, representando o presidente da Ocemg, Ronaldo Scucato; meus caros colegas e funcionários da Embrapa; demais autoridades aqui presentes; produtores rurais; parceiros da academia e do setor privado; senhoras e senhores, muito bom dia.

É com profundo sentimento de honra e responsabilidade que ocupo esta tribuna hoje. Estar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para celebrar o Jubileu de Ouro da Embrapa Milho e Sorgo não é apenas um ato protocolar. Como bem disse o nobre deputado, é o reconhecimento de uma trajetória que se confunde com o próprio desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e a modernização do campo brasileiro. Guimarães Rosa, deputado, mestre das nossas letras, dizia que “Sete Lagoas é a boca do sertão”. E foi justamente ali, naquele portal do Cerrado mineiro, há cinco décadas, que fincamos os pilares de uma instituição que viria a provar para o mundo a viabilidade da agricultura tropical em larga escala.

Embora celebremos 50 anos da unidade instalada em 1976, a semente da pesquisa em Sete Lagoas é centenária. Nós herdamos a coragem de pioneiros que, em 1924, na antiga estação experimental, já buscavam soluções para o solo mineiro. Mas essa celebração pertence verdadeiramente às pessoas, como bem dizia o vídeo. Nenhuma inovação nasce isolada em um laboratório. Ela é fruto do intelecto, do suor e da resiliência de gerações de brasileiros. Refiro-me aos nossos pesquisadores, analistas, técnicos, assistentes – e por que não incluir os nossos estudantes, bolsistas e demais parceiros? Refiro-me àqueles que passaram noites debruçados sobre microscópios para entender uma praga e aos que caminharam quilômetros nas nossas estações experimentais para garantir que a semente que chega ao produtor fosse sinônimo de sucesso. Foi essa dedicação que permitiu que o Brasil multiplicasse por sete a nossa produção de milho, desde a nossa fundação.

Saímos de um cenário de importação e insegurança alimentar para nos tornarmos o maior produtor de alimento do mundo. Para Minas Gerais, a Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, é um ativo estratégico. Atuamos em sistemas integrados, em cadeias do leite, carne, grãos, pilares da nossa economia estadual. E não é à toa que o agro hoje tem feito muito bonito na economia de Minas Gerais. Nossa missão sempre foi muito clara: transformar ciência em comida na mesa e riqueza no campo. E fizemos isso através de parcerias sólidas com as universidades mineiras, com a Epamig, com a Emater e com o setor privado, criando um ecossistema de inovação que é referência global.

Contudo, o passado nos honra muito, mas o futuro nos convoca. Ao olharmos para os próximos 50 anos, a pergunta que o mundo nos faz mudou. Não basta mais produzir em quantidade, é preciso produzir com integridade. A Embrapa Milho e Sorgo que projetamos hoje é para ser a líder da agricultura sustentável e regenerativa, deputado. Estamos na vanguarda da economia de baixo carbono. Nossos programas de certificação de Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono não são apenas selos que iremos lançar muito em breve. São passaportes para que o agronegócio mineiro e brasileiro acessem os mercados internacionais que são mais exigentes. Ser competitivo, de agora em diante, significa ser sustentável por princípio, cuidando da saúde do solo, da biodiversidade e da eficiência hídrica, um grande desafio que nós temos hoje com as mudanças climáticas.

Para concluir a minha fala, eu gostaria de reafirmar que a inovação só faz sentido quando melhora a vida de quem produz e de quem consome. O legado que celebramos aqui hoje, na Casa do povo mineiro, é um compromisso renovado, o compromisso de que a ciência continuará sendo o farol da nossa agricultura.

Agradeço a cada funcionário da Embrapa Milho e Sorgo, do campo ao laboratório, e a todos aqueles que colaboraram conosco ao longo destes anos. Vocês são o motor dessa história. Agradeço muito a esta Assembleia, na pessoa do deputado Antonio Carlos Arantes, por este reconhecimento, que nos dá ainda mais fôlego para seguir inovando. Desejamos que os próximos 50 anos sejam marcados pela mesma ousadia que nos trouxe até aqui, pela ciência que inspira e pela inovação que transforma. Muito obrigado a todos vocês. Vida longa à Embrapa Milho e Sorgo!