DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/05/2026
Página 75, Coluna 1
Indexação
22ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 12/5/2026
Palavras do deputado Doutor Jean Freire
O deputado Doutor Jean Freire – Boa tarde, Sr. Presidente. Boa tarde, deputado Ricardo, a quem agradeço por ceder seu momento. Boa tarde, deputados presentes, servidores desta Casa e público que nos acompanha pela TV Assembleia e pelas redes sociais desta Casa e do nosso mandato. Colegas deputados, hoje subo a esta tribuna para lembrar, relembrar, parabenizar a enfermagem. Hoje, 12 de maio, é o Dia Internacional da Enfermagem, deputado Ricardo. Aliás, hoje também, o presidente Lula assina, cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Também temos, nesta Casa, um projeto de lei, de nossa autoria, criando o Dia Estadual em Memória das vítimas da Covid-19. Eu teria muitos motivos – eu tenho, na verdade – para falar aqui da enfermagem.
A enfermagem é aquela profissão representada pelo técnico de enfermagem, pelo enfermeiro ou pela enfermeira com curso superior; é aquela profissão que se faz presente por meio daquele ser que está ali 24 horas ao lado do paciente. Falo com conhecimento de causa. Falo emocionado, porque a enfermagem me ensinou muito, a enfermagem me ensinou muito! E que possamos nos lembrar da enfermagem não só neste dia.
Eu quero mandar um abraço a cada técnico de enfermagem deste país, onde quer que esteja, no PSF, no posto de saúde, na UPA, no hospital, na emergência do hospital, na enfermaria, no CTI, no resgate aéreo, no Samu, em cada lugar deste país onde haja um técnico de enfermagem ou um enfermeiro. Eu quero que se sinta abraçado.
Como eu disse, falo com conhecimento de causa. Eu tenho a felicidade de, antes de ser médico, ter sido atendente de enfermagem aos meus 16 anos de idade. Fui o atendente mais novo do Estado de Minas Gerais a receber a autorização para exercer a profissão e ter o Coren. Há poucos anos, recebi novamente a minha carteirinha, mas quero tirar, nos próximos dias, a nova via da minha carteira do Coren, o nosso Conselho de Enfermagem.
Quero parabenizar e abraçar esses guerreiros e essas guerreiras que enfrentaram a pandemia, colocando a sua vida em risco para cuidar de outras vidas. Quero dizer que todo servidor e toda profissão que cuida é importante, mas eu aprendi a cuidar foi com a enfermagem. Eu me lembro do primeiro livro que li nessa área – Deontologia de enfermagem – e que me ensinou muito. É a arte de cuidar e de olhar para o próximo, entendendo ser uma alma tocando em outra alma. Aprendi muito com a enfermagem! Foi com a enfermagem que aprendi a fazer a escuta, em uma anamnese, da história de um paciente. Ao escutar um paciente, ele pode nos dizer muito e nos ensinar muito.
A enfermagem, graças a muitas lutas, conseguiu a vitória do piso salarial, mas nós ainda temos espaços que não o respeitam. A enfermagem está na luta pelas 36 horas semanais, então contem com este deputado, com este mandato. Apesar de ser uma pauta votada no Congresso Nacional, contem conosco não por ter sido da enfermagem, até porque uma vez pertencente a essa classe sempre permanecerá nessa classe. Hoje não existe mais atendente de enfermagem. Todos tiveram que se transformar em auxiliares e depois técnicos. E eu, nesses momentos, já estava me preparando para entrar na universidade, para entrar na faculdade de medicina. Mas às vezes eu fico me perguntando: que médico seria eu se não houvesse passado pela enfermagem?
Em muitos espaços, se aprende humanização, sem sombra de dúvida. A arte de cuidar também é aprendida em muitos lugares, mas à enfermagem eu devo muito. À enfermagem eu devo muito do que aprendi para me desenvolver como médico, para me desenvolver como médico, estar ao lado de um paciente 24 horas por dia, ouvir suas dores e seus amores 24 horas por dia, em um tempo inclusive que o salário de um técnico, de um auxiliar, de um atendente, na época, era um salário-mínimo, um salário-mínimo. Mas como essa profissão me ensinou. Ela não me ensinou só a trocar curativos, um ato que acho que as universidades não ensinam tanto como a enfermagem ensina. Ela não me ensinou só ministrar medicamentos, e é importante que cada médico saiba fazer isso. Ela não me ensinou somente atos que podem parecer simples, mas que, para o paciente, significam muito, como oferecer uma comida ao paciente ou sentar ao lado do leito de um paciente e o oferecer comida. Se eu tivesse que destacar um ponto que a enfermagem me ensinou muito, muito mesmo, eu diria: escutar. Escutar a história de cada um que procura um hospital, de cada um que chega a um hospital. E por mais que alguém possa dizer que esse caso não precisava vir ao hospital, eu costumo dizer que quem procura atendimento é porque precisa. Precisa de um diálogo, de uma conversa, precisa ser escutado, ouvido verdadeiramente. E foi a enfermagem que me ensinou isso, amigos e amigas. E não foi nem no curso. Eu fiz o curso de atendente de enfermagem. Eu comecei na época a trabalhar de maneira prática, sem inclusive ter feito o curso.
Lembro-me, como hoje, de quando recebi autorização para trabalhar, pois já tinha alguns anos de prática, que fiz o curso oficialmente de atendente de enfermagem no Hospital Santa Rosália, em Teófilo Otoni, com as enfermeiras Fabiane e Josefina, que me ensinaram muito, muito. Fiquei feliz; destaquei-me em primeiro lugar no curso, mas o que mais me ensinou… O curso me ensinou muito tanto na parte teórica quanto na parte prática, mas estar com o paciente no dia a dia foi o que me ensinou mais. E ali, naqueles momentos, eu tinha certeza absoluta – absoluta – de que escolheria seguir a vida na profissão de cuidar, de cuidar do outro, de cuidar do próximo. Mesmo na posição de médico, devo muito à enfermagem. Imagina o que seria de um plantão sem a enfermagem; sem nos chamar, colegas médicos, a atenção para determinado caso; sem nos chamar a atenção de que o batimento cardiofetal está diminuindo; sem nos chamar a atenção de que um paciente ou uma paciente não está sentindo ânimo para o alimento e está recusando a medicação. Vocês, técnicos e enfermeiros, são fundamentais no cuidado.
A equipe é formada de muita gente: de fisioterapeutas, de médicos, de fonoaudiólogos, mas hoje quero falar da enfermagem. Eu, que tantas vezes subi aqui e relembrei Florence Nightingale e Anna Nery, que foram figuras fantásticas na história mundial e nacional da enfermagem, quero hoje me lembrar muito do técnico e da técnica, quero me lembrar muito do enfermeiro e da enfermeira; ou seja, daquele que, neste momento, está numa ambulância do Samu, no hospital e no PSF, colhendo uma história e fazendo uma triagem para que o paciente chegue ao médico – como diz a palavra “triagem” – com um histórico e alguns pontos para os quais deve ser chamada a atenção. Graças a vocês da enfermagem – e eu me incluo porque também tenho Coren – um plantão médico num PSF tem muito mais chance de ser vitorioso. Graças a vocês da enfermagem, que, geralmente, são os primeiros a receber o paciente trazido por outro colega da enfermagem do Samu, que são os primeiros a segurar a maca e levá-lo até a sala vermelha, que são os primeiros a conduzi-lo para a enfermaria e que são os primeiros, num momento de medo, a recebê-lo em bloco cirúrgico, o tratamento fica mais humanizado, a dor fica menos dolorosa e o cuidado fica mais doce.
Então eu queria que cada colega da enfermagem deste Estado de Minas Gerais se sentisse, neste momento, abraçado por este médico, que – repito –, antes de ser médico, foi atendente de enfermagem. Por isso, um forte abraço afetuoso! Parabéns! Muito obrigado por defender o SUS, muito obrigado por defender a saúde, muito obrigado por defender a vida, por defender a vida! Muito obrigado a cada um que chega a um plantão e permanece nele doando a sua vida para defender a vida. Parabéns por este dia!