Pronunciamentos

DEPUTADA LENINHA (PT), presidenta "ad hoc"

Discurso

Presta homenagem ao rapper, escritor e compositor mineiro Gustavo Pereira Marques, o Djonga, por sua trajetória artística singular, marcada pela luta contra as desigualdades e o racismo e pela celebração da força e da resistência da população negra, bem como por sua relevante contribuição para a difusão e a valorização da cultura e da identidade das comunidades das periferias do Município de Belo Horizonte, projetando a arte do Estado para o País e o mundo.
Reunião 12ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/05/2026
Página 6, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 10254 de 2025

12ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 11/5/2026

Palavras da presidenta (deputada Leninha)

Boa noite, mais uma vez, para todos e todas, para aqueles também que nos acompanham pelos canais de comunicação da Casa. O presidente tinha um outro compromisso, mas a gente está aqui para fazer a representação das mulheres negras do Parlamento. Por isso começo agradecendo muito à nossa companheira e amiga, deputada Ana Paula Siqueira. Como ela mesma disse, somos poucas, Djonga, mas somos parceiras da luta contra aqueles que querem nos tornar invisíveis num mundo que estamos dizendo que somos gente. Precisamos de cuidado, de atenção.

A Ana Paula, com a sua sensibilidade, propôs esta reunião. Claro, tenho uma alegria enorme em presidi-la. Aliás, eu presido várias reuniões, mas achei esta muito especial, em razão do homenageado, das pessoas que aqui estão. Fiz questão de participar, de estar aqui, nesta noite. A gente viu, no cerimonial, um jovem negro, funcionário desta Casa, que entregou a placa. Isso representa um pouco o que somos aqui, bem como a nossa resistência, luta, bravura e coragem para seguir lutando. Ana Paula, parabéns por essa homenagem que você propôs. Você foi a autora do requerimento. Acho que 80%, 90% dos parlamentares desta Casa assinou o requerimento, reconhecendo a importância desse artista, desse criador, dessa pessoa tão importante para Minas Gerais, para o Brasil e para o mundo.

De maneira especial, queria saudar a nossa companheira e amiga Duda Salabert, também parceira de muitas lutas que a gente trava não só em Minas, mas também no Brasil. É uma pessoa muito importante para a nossa luta política, para a prática da boa política, não só representando, mas também lutando bravamente pelos nossos direitos.

Cumprimento o Txai Silva Costa, jovem prefeito de Nova Era, que está presente. De maneira muito carinhosa, quero saudar a nossa cantora, compositora e diretora da União Brasileira de Compositores, Fernanda Takai. Muito obrigada pela presença.

Antes de pronunciar as palavras do presidente, que vou falar entre aspas – é uma palavra breve –, queria render algumas palavras ao nosso homenageado Gustavo Pereira Marques, Djonga. É uma alegria muito grande presidir essa homenagem ao Djonga. Ele transformou, como a gente já viu em muitas falas, vivência em arte, dor em consciência e palavra em ferramenta de mudança. Fez da periferia centro de criação, pensamento e futuro. E fez tudo isso sem nunca abrir mão das suas origens, de sua memória e também de sua gente.

É isto que a gente diz sempre: a gente sabe de onde a gente veio. A gente sabe por que estamos aqui fazendo luta, mesmo sendo minoria. A gente não se curva, a gente não silencia, a gente não se cala frente ao racismo, frente a todos os tipos de preconceito e perseguição contra nós, mulheres negras das periferias. O hip-hop sempre foi muito mais do que música, um instrumento muito potente de denúncia, pertencimento, autoestima e formação política. Reconhecer o Djonga nesta Assembleia é também reconhecer a legitimidade da cultura negra, periférica como produção de conhecimento e de transformação social.

Como mulher negra, que vem das Gerais, pelo interior deste estado, sei muito bem da importância de a gente se manter firme. Eu sei o quanto ainda tentam dizer ao nosso povo quais são os lugares que devemos ocupar. Por isso, uma homenagem como esta tem um significado muito profundo para mim e para toda a população negra deste estado.

Farei a leitura do pronunciamento do presidente. O presidente Luiz Tadeu Leite mandou a seguinte mensagem. Abrem-se aspas: “É com grande satisfação que, em nome da Assembleia de Minas Gerais, prestamos esta homenagem ao Sr. Gustavo Pereira Marques, o Djonga, nascido e criado na região Leste da capital mineira, filho de D. Rosângela Pereira Marques e do seu Ronaldo Marques, e pai de Jorge e de Holanda.

Nosso homenageado descobriu ainda bem jovem seu talento para unir o ritmo e a poesia. Ao expressar suas rimas potentes em uma performance fulgurante, tem colocado a força do hip-hop a serviço das causas sociais da maior relevância em nosso país. Suas letras afirmam a dignidade, os direitos e a resistência da mulher, do trabalhador e trabalhadora, do povo negro, despertando consciências e esperando atitudes. Ao manifestar sua reverência aos ancestrais e sua lealdade aos vínculos de amor, fraternidade e companheirismo, esse grande artista constitui um exemplo vivo de valores igualmente fundamentais nesses tempos tão difíceis que temos vivido. Sua arte tem sido reconhecida por grandes expoentes da canção brasileira, muitos dos quais se tornaram seus parceiros musicais, como Milton Nascimento, Jorge Aragão e Samuel Rosa.

Mesmo tendo alcançado tanto renome nacional e internacional, ao longo desses 14 anos de carreira, Djonga sempre se manteve fiel às suas raízes negras, periféricas e mineiras. São muito merecidos, portanto, o agradecimento e a admiração que o povo mineiro nutre pela trajetória pessoal e artística do nosso agraciado. Por todos esses motivos, saudamos Djonga calorosamente, em nome do Parlamento mineiro, reiterando os nossos votos de mais pleno sucesso pelos tempos que ainda virão. Cumprimentamos também seus familiares, amigos, colegas, todas e todos, desejando-lhes muita saúde, paz e prosperidade hoje e sempre. Muito obrigado”. Obrigada.