DANIELLE CRISTINA DE PAULA, coordenadora-executiva da Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas – Rede
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/05/2026
Página 4, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16259 de 2026
11ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 8/5/2026
Palavras da Sra. Danielle Cristina de Paula
Bom dia a todas e todos. Em primeiro lugar, nosso profundo agradecimento à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, às suas servidoras e aos seus servidores pela realização desta homenagem que muito nos honra. Deputada Leninha, 1ª-vice-presidenta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e sua equipe, muito obrigada pela iniciativa e pelo reconhecimento de uma trajetória construída coletivamente. Exmo. Sr. Vereador Pedro Patrus, de Belo Horizonte; Exmo. Sr. Paulo Cesar Vicente de Lima, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Apoio Comunitário, Inclusão e Mobilização Sociais, do Ministério Público de Minas Gerais; Exma. Sra. Vereadora Railyne Paula André, de Simonésia; Exmo. Sr. Luiz Eduardo Marques Dumont, superintendente da Conab; demais autoridades públicas presentes que acreditam na nossa história, o nosso muito obrigado por compartilharem este momento conosco. Nós também gostaríamos de agradecer a algumas pessoas que fazem parte da história da organização e que devem receber uma salva de palmas: os sócios-fundadores da Rede, representados por Edmar Gadelha, Crispim Soares, Celso Marcatto, Adriana Silveira, Márcio Andrade e todos os outros que estão aqui; os integrantes do Conselho Diretor e do Conselho Fiscal da Rede; todos e todas que hoje são e já foram sócios e sócias da Rede; e todos e todas que fazem parte da atual equipe da Rede e também já fizeram parte no passado. Não podemos deixar de mencionar também, neste momento especial, as nossas parceiras e os nossos parceiros de caminhada: agricultores e agricultoras familiares e urbanas, povos e comunidades tradicionais, representantes de organizações religiosas, organizações da sociedade civil, articulações e redes, movimentos sociais, iniciativas comunitárias, cooperativas, sindicatos, estudantes, professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores, instituições governamentais e financiadoras, mandatos, assessorias, apoios políticos institucionais, mães, pais, filhas, filhos, familiares da Rede e tantas outras parcerias que constroem no dia a dia essa trajetória conosco. Uma grande salva de palmas para todos nós.
Há um provérbio de origem africana que diz: “Eu sou porque nós somos”. Talvez não exista uma forma mais simples e verdadeira de traduzir o que esta homenagem representa para nós. Recebê-la nesse marco de 40 anos da Rede nos toca profundamente não apenas por reconhecerem a nossa instituição, mas por iluminarem uma trajetória construída por muitas mãos, em muitos territórios, e ao longo de diferentes gerações. É uma trajetória que, com persistência e aprendizado contínuo, buscou contribuir para uma construção de vidas mais dignas tanto no campo quanto na cidade; é uma trajetória comprometida com a soberania e a segurança alimentar das nossas comunidades, especialmente aquelas mais vulnerabilizadas; é uma trajetória que aposta no encontro entre as culturas tradicionais, os conhecimentos populares e os saberes técnico-científicos a fim de encontrar soluções mais justas e conectadas com a realidade; é uma trajetória que investe em processos formativos, preparando promotoras e promotores da agroecologia para multiplicar conhecimentos dentro das suas próprias comunidades; é uma trajetória que contribui para fortalecer articulações e construir políticas públicas, sabendo que transformar a realidade exige ação coletiva e incidência.
Receber esta homenagem, portanto, não é um ponto de chegada. É um momento de pausa para reconhecer o caminho percorrido, valorizar quem caminhou junto e reafirmar o nosso compromisso com o que ainda está por vir. Se os últimos 40 anos foram de construção, os próximos serão de continuidade. E talvez este seja o nosso maior desafio: seguir cultivando a esperança num tempo em que às vezes ela parece ameaçada. É por isso que voltamos o nosso olhar para a infância e para as juventudes: para as crianças que, desde cedo, já se tornam guardiãs de sementes junto às suas famílias e aprendem o valor desse trabalho, passado de geração em geração; para as juventudes que colocam a mão na terra e acreditam no futuro da agricultura, especialmente aquelas das Escolas Família Agrícola, com quem trabalhamos de perto. São justamente as infâncias e as juventudes que darão continuidade ao trabalho da agroecologia.
Para nos inspirar, lembremos as palavras do mineiro Ailton Krenak: “Se pudermos contar mais uma história, estaremos adiando o fim”. Queremos seguir ajudando a contar essas histórias, reunindo diferentes gerações. Recebemos esta homenagem com muita gratidão e também com a responsabilidade de seguir cultivando a vida em todas as suas dimensões. Quando caminhamos juntos, é possível transformar realidades. Muito obrigada.