Pronunciamentos

DEPUTADA LENINHA (PT), presidenta "ad hoc", autora do requerimento que deu origem à homenagem

Discurso

Presta homenagem à Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas – Rede – pelos 40 anos de existência e pelo fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar e urbana na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na região Leste de Minas Gerais.
Reunião 11ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/05/2026
Página 2, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16259 de 2026

11ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 8/5/2026

Palavras da presidenta (deputada Leninha)

Muito obrigada. Mais uma vez, que todos sejam bem-vindos e retornem mais vezes a esta Casa. Eu quero cumprimentar todos vocês que estão aqui presentes, nesta manhã, e aqueles que também nos acompanham pelos canais de comunicação da Assembleia. Quero cumprimentar, de modo muito especial, a nossa coordenadora-executiva da Rede, Danielle Cristina de Paula; o vereador Pedro Patrus; o nosso querido amigo e promotor de Justiça Paulo Cesar, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Apoio Comunitário, Inclusão e Mobilização Sociais do Ministério Público de Minas Gerais; a querida vereadora Rayline Paula André; e o nosso superintendente da Conab, meu amigo Luiz Dumont.

Daqui eu vejo muitos rostos, gente, e quero pedir desculpas, porque gostaria de saudar muita gente com quem compartilhei muitos momentos na Rede. Há muitos anos, eu era da coordenação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, nessa grande Rede PTA, na Articulação Nacional de Agroecologia, na Articulação Mineira de Agroecologia, espaços onde contribuí durante toda a minha vida. Daqui eu vejo... Estou falando de alguns que já citamos, como o Edmar Gadelha e o Celso Marcatto; a minha amiga Juliana e o Marquinho, a quem chamávamos de Marquinho da Rede – a identidade era tão forte que era Marquinho da Rede; o Farinhada, nosso amigo educador popular, que também é um agroecologista importante na luta; a Dani Adil; a Anna Crystina, que também contribui e contribuiu muito na Articulação Mineira de Agroecologia; o nosso amigo Paraná, que veio lá de Diamantina; o Marcinho, nosso querido amigo; o Ronaldo; a Sãozinha Menezes. Vejo também o Vitório, da Emater; o Zé, que já foi da Rede e, atualmente, está na Emater; a nossa Angela Gomes – a Anjinha –, que também fez parte da equipe da Rede. Estou citando alguns, mas, na pessoa desses, cito todo mundo que já passou pela Rede, contribuiu e continua contribuindo na Rede.

A minha equipe escreve as coisas; contudo, não gosto de falar o que está escrito, mas, sim, o que está no coração. De coração e de afeto, fiquei muito feliz de propor esta sessão solene, porque aqui, minha gente, há muitas sessões solenes e homenagens aos grandes, aos empresários. Não é que não tenha de haver isso para eles, mas o nosso povo, a nossa gente é pouco lembrada em sessões do Parlamento, porque somos sub-representados. Somos poucos aqui para enxergar o trabalho que as nossas organizações realizam pelo Estado de Minas Gerais. Eu acompanho a Rede e já participei de várias assembleias e reflexões ajudando a construir alternativas e sinais – não é, Marluce, lá do CTA, que também está aqui presente? –, assim como o CTA. Essa grande Rede faz parte daquilo em que acredito: uma sociedade onde temos a relação com a natureza do sagrado e não enxergamos a natureza como recurso somente financeiro mas também como um recurso natural que devemos preservar, do qual devemos cuidar.

Por isso sou autora de uma proposta de lei que se chama Direitos à Natureza, que ainda não andou nesta Casa, mas espero que ande, porque precisamos dizer à sociedade o que fazemos da agroecologia: que é ciência – e aqui há muitos pesquisadores –, que é movimento – e há muitas organizações de movimentos da agroecologia –, mas principalmente que a agroecologia é uma prática. Vivam os agricultores e a agricultoras agroecológicas que estão aqui e praticam a agroecologia nas suas propriedades! Um viva porque é a partir da prática deles e delas que conseguimos sistematizar na ciência e no movimento. Sem eles, não haveria agroecologia.

Então somos isso tudo, ou seja, essa mistura de gente que faz lá na terra, que cuida das sementes crioulas, que protege a biodiversidade, que cuida das águas e dos bichos. Nós temos gente também na academia para validar esse conhecimento comum que as comunidades possuem. Nós somos organizações em movimento e em luta por outro modelo de desenvolvimento: a agroecologia. É nisso em que eu acredito. Isso também foi a minha prática durante muitos anos e é o que defendo aqui, no Parlamento, todos os dias. Digo sempre que sei do lado de onde eu vim. E por que estou aqui? É para não deixar que avancem leis que autorizem drones de venenos pelas lavouras afora; é para não deixar que a nossa legislação avance sobre as águas, os rios e as comunidades tradicionais; é para lutar bravamente e dizer que existimos e que estamos fazendo coisas sem financiamento. Por quê? Porque o financiamento público para as atividades agroecológicas ou de transição agroecológica é difícil de ser executado. O dinheiro público não chega à roça nem à comunidade. Outros recursos públicos chegam com muita facilidade.

Então estamos aqui para tentar desburocratizar e pegar o dinheiro que é nosso e investir naquilo que fazemos e em que acreditamos. Que a gente possa, cada vez mais, fazer a aquisição – não é, Eduardo Dumont? – de sementes crioulas – inclusive, a Conab tem o edital aberto para comprar sementes crioulas – para irmos reproduzindo e protegendo as nossas variedades. Nós estamos tendo informações de enormes contaminações por agrotóxicos e venenos das sementes, alterando a sua composição genética e comprometendo as vidas futuras. Queremos colocar na mesa das pessoas comida saudável e que as pessoas tenham saúde a partir da comida que produzimos. Esse é um debate sério sobre a saúde pública.

É por isto que a gente está aqui: para dizer que a agroecologia, mais do que prática, ciência e movimento, precisa ser uma política pública apoiada pelo setor público, para que a gente tenha mais experiências agroecológicas; para que a gente tenha uma produção suficiente para ir para os mercados e aumentar a renda das nossas famílias; e para que a gente melhore, inclusive, Juliana, a tecnologia, porque a tecnologia sempre é para o agronegócio. Recentemente – inclusive é uma parceira –, nós temos trabalhado com tecnologias para a pequena agricultura, para a agricultura familiar. Queremos pesquisa para a agricultura familiar, queremos desenvolvimento de tecnologia para a agricultura familiar, queremos o apoio das prefeituras, porque é lá que a vida acontece, mas também o apoio do Estado de Minas Gerais.

Então, minha gente, parabéns a vocês – viu, Dani? –, que constroem a Rede, a todos vocês que indiretamente deixaram suas histórias e continuam deixando rastros neste caminho que fazem. Sei que quem passa pela Rede, onde quer que esteja, continua mantendo a ética e o compromisso com a agroecologia e com a vida futura. Parabéns mais uma vez. Sintam, neste Parlamento, não só eu, mas vários parlamentares – não é, Pedro Patrus? –, a nossa luta pela agroecologia. A gente espera que vocês continuem fazendo e que a gente continue lutando e fazendo aqui também a agroecologia. Um grande abraço, e que Deus nos abençoe! Vida longa à Rede por mais 40 anos!