Pronunciamentos

ADRIANO FRUCTUOSO DA COSTA, Gen.-Div., comandante da 4ª Região Militar do Exército Brasileiro

Discurso

Agradece a homenagem recebida pelo transcurso do Dia do Exército, celebrado em 19 de abril, em homenagem à Batalha de Guararapes.
Reunião 7ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/04/2026
Página 5, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 17049 de 2026

7ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 16/4/2026

Palavras do Gen.-Div. Adriano Fructuoso da Costa

Muito boa noite a todos. Para nós, é uma grande honra estar na Casa do povo mineiro tendo a nossa instituição, o Exército Brasileiro, homenageada. Faço um agradecimento e um reconhecimento ao deputado estadual Coronel Henrique, por nos permitir ter esta noite tão memorável, tão agradável, em homenagem à nossa instituição, uma instituição de altíssima credibilidade no nosso país e que, no seu dia a dia, como o senhor disse nas suas palavras, prima pela lealdade, pela vontade em cumprir missão, fazendo a diferença naquilo que se propõe. Então muito obrigado pela deferência, muito obrigado pelo carinho e pela homenagem.

Gostaria de saudar o senhor e todos os que compõem a nossa Mesa, todos os que fazem parte da Assembleia e os nossos amigos que estão aqui presentes. Com o brado… O senhor quebrou o protocolo dando o brado “Montanha”, e eu vou homenagear e agradecer essa deferência com o brado “Brasil acima de tudo”, que é o brado que traduz, na sua essência, a missão que o Exército Brasileiro cumpre em todos os rincões deste imenso território brasileiro. Esse é o brado que nos diferencia, que nos qualifica, que nos fortalece, que nos traz coesão e integração. Então convido a todos, de forma muito firme e forte, como é o propósito da nossa instituição Exército Brasileiro, a homenagear a nossa Assembleia com o nosso brado: Brasil!

O público presente nas galerias – Acima de tudo!

O Gen.-Div. Adriano Fructuoso da Costa – Com isso, Desembargador Edir Guerson de Medeiros, Dr. Hugo Barros de Moura Lima, nosso general de brigada e amigo Marçal, nosso grande amigo Cel. Rezende, amigo que constituí aqui, no Estado de Minas Gerais, Sr. Rafael Brescia Mascarenhas, Sr. Marcos Renault… Agradeço também a todos os deputados que compõem a Assembleia nesta homenagem que fazem ao Exército Brasileiro.

Hoje, pela manhã, fizemos uma formatura na Praça Duque de Caxias, um resgate que entendo como extremamente significativo e importante. Numa praça que leva o nome do nosso patrono, conseguimos colocar em forma as Forças Armadas – Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira –, mostrando a coesão das Forças Armadas. Junto a elas estavam o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar de Minas Gerais e a Polícia Civil, mostrando a integração que temos com todos os órgãos e instituições do Estado de Minas Gerais. Isso tem um significado muito importante, porque traduz, de forma muito clara e direta, o nosso compromisso com o País, o compromisso de fazer o bem para a população brasileira.

O senhor mencionou em suas palavras as ações que desempenhamos lá na Zona da Mata, mas quero fazer também uma referência ao Estado de Minas Gerais, nas pessoas do governador e do seu chefe de gabinete. Eu faço isso com cuidado, mas traduzindo a importância da ação que foi realizada. Se o Exército emprestou a sua mão amiga na Zona da Mata, levando algum conforto, algum apoio àquela população que sofreu tanto, o governo de Minas Gerais, por intermédio do seu governador e do Cel. Rezende, nos apoiou tremendamente.

Tivemos um aluno na Escola de Sargentos das Armas que, em um treinamento de judô, sofreu uma queda e fraturou a coluna cervical, tendo todo o corpo paralisado. Precisávamos aplicar nele, para que tivéssemos algum resultado no médio ou no longo prazo, um medicamento que está em estudo por uma cientista chamada Tatiana Sampaio, lá na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e precisávamos fazer isso em 72 horas. O governo nos disponibilizou o meio aéreo para deslocar a equipe médica daqui de Belo Horizonte. Eles vieram para cá, deslocamos daqui para Três Corações, aplicaram a medicação e depois levamos essa equipe para o Rio de Janeiro. Então, fica aqui o meu agradecimento. Já vai fazer um mês e alguma coisa do acidente e, dentro do estudo, o aluno já apresenta alguns movimentos na perna. Isso é um grande ganho dentro do estudo que foi feito por essa cientista. Fica aqui o meu agradecimento ao governo, o meu agradecimento ao Cel. Rezende, que hoje foi homenageado, ganhando a Medalha Exército Brasileiro.

Entendo que falar do Exército Brasileiro é, da forma mais correta, trazer à ordem do dia o que o nosso comandante, Gen. Tomás, escreveu e leu hoje na formatura em Brasília, e eu também li na formatura de hoje. Mas acho que, para termos o significado claro do que é a nossa instituição e em respeito à homenagem que nos fazem, é importante que eu faça esta leitura. No dia 19/4/1648, nos Montes dos Guararapes, por ocasião da batalha que deu início à expulsão dos holandeses do Brasil, durante a Restauração Pernambucana, gerou-se o embrião da Força Terrestre e lançou-se o alicerce da nossa nacionalidade. Naquele solo, brasileiros de diferentes origens, indígenas, brancos, negros e mestiços combateram lado a lado, unidos pelo amor à Nação e pelo compromisso comum de defendê-la. Ali nasceu o Exército Brasileiro, desde então inseparável da Pátria e fiel aos valores que orientam sua trajetória. Ao longo de quase quatro séculos, o Exército consolidou-se como instituição de Estado, presente nos momentos cruciais da formação e evolução do Brasil. Lutamos pela garantia da independência, pela preservação da unidade nacional e pela inviolabilidade de nossas fronteiras.

Nesse contexto, celebramos, no corrente ano, o transcurso dos 160 anos da Batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, travada nas planícies alagadiças da porção meridional do nosso continente. Naquela ocasião, o Exército Brasileiro escreveu uma das mais gloriosas páginas de nossa história, ao repelir vigorosa investida inimiga contra o acampamento da Tríplice Aliança. Prosseguimos lutando pela consolidação da República e pela defesa da democracia nos campos de batalha da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.

Aí eu faço um parêntese: esta semana de 14 a 17 de abril é a semana em que comemoramos a Tomada de Montese, um combate extremamente difícil travado pelos nossos pracinhas, combatentes que enfrentaram terreno hostil, terreno difícil, e que avançaram no combate, num clima desfavorável, casa a casa. Tivemos mais de 460 feridos e mais de 33 mortos em combate, naquele terreno difícil de ser conquistado. Mas os nossos pracinhas, honrando os nossos valores, honrando o nosso país, conquistaram aquele terreno e fizeram com que o combate avançasse da melhor forma para os Aliados.

Além disso, atuamos em missões de paz em diversas regiões do mundo, sob a égide de organismos multilaterais, infelizmente com baixas em nossas fileiras, como ocorrido no Haiti, em 2010. Em cada um desses episódios, reafirmamos nosso compromisso de servir ao Brasil e aos brasileiros de forma silente e desinteressada. Como afirmou o Gen. Octávio Costa, veterano da Força Expedicionária Brasileira: 'A verdadeira recompensa do soldado está nele mesmo, na consciência de haver cumprido o seu dever e no sentir-se útil e prestante à Nação'.

Nos dias atuais, ao escutarmos a expressão “Exército Brasileiro”, a primeira palavra, “Exército”, remete-nos à operacionalidade característica típica do braço forte” – que o senhor também mencionou – “enquanto a segunda palavra representa o mais puro propósito da mão amiga: o brasileiro” – conforme demonstramos em diversas oportunidades, recentemente, há um ano, quase dois anos, lá na Operação Taquari, no Rio Grande do Sul, e mais recentemente aqui na Zona da Mata mineira.

Dessa forma, o braço forte garante a soberania nacional, protege a extensa e inóspita fronteira, combate as ações ilícitas transnacionais e promove a segurança de grandes eventos nos centros urbanos, ao mesmo tempo que a mão amiga resgata e salva vidas por ocasião de desastres naturais, distribui água no Nordeste, constrói centenas de quilômetros de estradas no interior do País, preserva o meio ambiente e presta apoio médico em regiões remotas da imensa Amazônia, tudo em proveito do nosso maior patrimônio: o irmão brasileiro.

Para cumprir tão complexas missões, os homens e mulheres de farda verde-oliva – quero frisar isso, porque quem está aqui representa essa fração do Exército Brasileiro – enfrentam, 24 horas por dia, com disponibilidade permanente, ambientes adversos e asseguram a presença do Estado em rincões do território onde, muitas vezes, somente a Força Terrestre subsiste.

Hoje, na senda da constante evolução institucional, em especial na área de recursos humanos, o Exército, fiel ao seu compromisso com a igualdade de oportunidades, apresenta um importante passo inovador, trazendo cada vez mais o segmento feminino para integrar seu braço forte e sua mão amiga. Assim, ao incorporar para além de mil jovens mulheres, distribuídas em 38 organizações militares, a instituição avança com a implementação do serviço militar inicial feminino. Esse reconhecimento é resultado de criterioso processo de avaliação conduzido pelo Alto Comando, quando promoveu recentemente a primeira mulher oficial-general, Oficial-General de Brigada Cláudia, no qual são analisados inúmeros atributos, entre eles o mérito profissional, o desempenho em funções relevantes e o tempo de serviço. Ao abrir suas fileiras a essas pioneiras, de soldado a general, entre muitas outras que ainda virão, a instituição reafirma sua confiança no valor, na coragem, na competência, na inteligência e na dedicação da mulher, cuja presença marcante em diversas áreas operacionais e técnicas certamente trará significativos ganhos para a nossa Força.

Vivemos, atualmente, em um cenário internacional marcado por rápidas transformações e por ameaças cada vez mais complexas, híbridas e multidimensionais. Diante disso, o Exército segue investindo em sua capacitação, tanto nos recursos humanos quanto na modernização de seus meios, agregando cada vez mais tecnologia ao seu material de emprego militar. Esse preparo intenso e permanente tem como centro o soldado de Caxias, oriundo de todas as regiões e segmentos da sociedade, que enverga o uniforme camuflado com orgulho, retidão e espírito de servir. É ele que dá vida à instituição, sustentado por valores perenes, como a hierarquia, a disciplina, o patriotismo, a lealdade e o profissionalismo, valores que atravessam gerações e mantêm o Exército coeso, apolítico e fiel à Constituição.

Neste Dia do Exército, ao evocarmos a bravura dos heróis de Guararapes, dos Patronos de Tuiuti, dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, dos capacetes azuis das missões de paz e de todos aqueles que, ao longo da história, dedicaram suas vidas à defesa da Pátria, renovamos o nosso compromisso com o Brasil. Que o exemplo desses soldados inspire cada integrante da Força a cumprir sua missão com honra, coragem e dedicação. O Exército Brasileiro seguirá pronto para preservar a soberania e a integridade territorial do País, sem nos esquecermos de que, na extensão do braço forte, existe sempre a mão amiga, solidária, presente e comprometida com o bem-estar do povo brasileiro. Viva o Exército de Caxias! Viva o Brasil!”. Assina o Gen. Tomás, comandante do Exército Brasileiro.

Com isso, deputado Henrique, encerro as minhas palavras, mais uma vez agradecendo essa deferência e sua homenagem e dizendo que o nosso Exército, no Estado de Minas Gerais, está pronto para cumprir qualquer missão que seja necessária. A todos uma boa noite. Muito obrigado pela atenção.