Pronunciamentos

DEPUTADO CORONEL HENRIQUE (PL), presidente "ad hoc", autor do requerimento que deu origem à homenagem

Discurso

Comemora o Dia do Exército, celebrado em 19 de abril, em homenagem à Batalha de Guararapes.
Reunião 7ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/04/2026
Página 1, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 17049 de 2026

7ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 16/4/2026

Palavras do presidente (deputado Coronel Henrique)

Senhoras e senhores, boa noite. Exmo. Sr. Adriano Fructuoso, comandante da 4ª Região Militar, é uma honra ter o senhor, nosso militar do Exército da ativa mais antigo em Minas Gerais, presente para ser homenageado em nome de todo o Exército Brasileiro. Muito obrigado pela presença. Exmo. Sr. Desembargador Edir Gerson de Medeiros, representando o desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Exmo. Sr. Hugo Barros de Moura Lima, procurador-geral de justiça adjunto institucional, dileto amigo, representando o procurador-geral de justiça Paulo de Tarso Morais Filho; prezado amigo CMG. Alessandro de Paula Lima, capitão dos portos de Minas Gerais, representando nossa querida Marinha do Brasil; Exmo. Sr. Cel. Paulo Roberto Bermudes Rezende, chefe de gabinete do Gabinete Militar do Governador, representando as forças de segurança do governo do Estado de Minas Gerais, que muito nos honra; e prezado amigo Exmo. Sr. Gen. Marçal, analista do Núcleo de Estudos Estratégicos do Comando Militar do Leste, muito obrigado pela presença.

Henrique Dias, Vidal de Negreiros e Felipe Camarão: por ele e por eles estamos aqui. Lá no longínquo Guararapes, em 19/4/1648, pela primeira vez, o branco, o negro e o índio se uniram para expulsar o invasor estrangeiro. Ali estava plantada a semente do nascimento do nosso glorioso Exército Brasileiro. Pelo nosso Exército Brasileiro, estamos aqui hoje. Eu me recordo de que, em 2022, quando estava no quarto ano do meu primeiro mandato, também fizemos essa homenagem, no dia 19 de abril, ao Dia do Exército Brasileiro. Naquela oportunidade, Fructuoso, lembro-me de que eu disse que estava homenageando o meu Exército, porque o Exército é de cada um de nós. Ai daquele brasileiro que não tiver o sentimento de pertencimento com o seu Exército.

Repito: quando decidi escolher esta data de homenagem… Faço uma ressalva e dou uma informação: somos 77 deputados estaduais, e cada deputado tem direito de fazer uma homenagem dessa por ano. Foi assim em 2019, quando fiz homenagem ao Dia do Soldado, e foi assim em 2022. E agora, que estou no oitavo ano de mandato, no quarto ano do meu segundo mandato, tenho a honra de homenagear essa instituição que me acolheu muito jovem. Eu me formei em medicina veterinária na Escola de Veterinária da UFMG, passei no concurso, fui para a então Escola de Administração do Exército, em Salvador, na Bahia, e iniciei minha carreira como militar do Exército. Fui classificado na Academia Militar das Agulhas Negras, casa em que uma grande maioria dos senhores se formaram. Lá servi durante 23 anos. Tenho muito orgulho de dizer que cheguei à Academia Militar em 1992 e saí de lá em 2015. Fiquei lá de 1º-tenente a tenente-coronel e pude beber da fonte, dos valores do Exército de Caxias. A Academia Militar é a cellula mater da formação dos valores de todos os militares do Brasil. O Exército tem esse compromisso, como a instituição com hora efetiva das nossas Forças Armadas, e serve de referência. O que acontece no Exército normalmente acontece na Marinha e na Força Aérea do Brasil.

Agradeço a presença dos representantes das forças coirmãs: Marinha, Força Aérea, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, mas sobretudo agradeço a presença dos veteranos, daqueles que um dia tiveram o privilégio de usar essa farda que vocês hoje usam. Ver essa galeria repleta principalmente de jovens recrutas, que provavelmente, pela primeira vez, entram na Casa do povo de Minas Gerais, reveste esta solenidade de um caráter todo especial. A chegada dos recrutas para prestação do seu serviço militar inicial é aquilo que anualmente alimenta a força do nosso Exército. A cada ano, a sociedade brasileira passa a integrar formalmente, através dos recrutas, o Exército brasileiro, porque nós somos isto: nós somos a sociedade brasileira fardada.

Aqui, nesta Assembleia Legislativa, nessas cadeiras que 77 parlamentares ocupam, o militar do Exército também tem vez e tem voz, porque, em cada um de nós, debaixo dessa farda, existe um cidadão mineiro e um cidadão brasileiro. Tenho muita alegria – o Marçal já me ouviu dizer isso algumas vezes – de dizer que sou o primeiro militar de carreira do Exército Brasileiro que ocupa cargo de deputado estadual na história de Minas Gerais. Isso torna o meu mandato de extrema responsabilidade, porque carrego não só a responsabilidade de defender as políticas públicas e levar para o povo mineiro aquilo que aqueles que me elegeram esperam de mim, como também carrego a responsabilidade de manter a imagem do Exército de Caxias, de manter as nossas tradições e de cultuar, dentro desta Casa, os valores tão caros para todos nós.

Tenho certeza de que todos os nossos heróis de ontem, de hoje e de sempre me inspiram diariamente no meu exercício do mandato parlamentar. Em se falando do Exército, é o mesmo Exército de Guararapes, que também esteve em diversos momentos da nossa história. É o mesmo Exército que esteve na Guerra da Tríplice Aliança, é o mesmo Exército que participou da Proclamação da República, é o mesmo Exército que participou da Segunda Guerra Mundial. Rendo uma homenagem aos parentes dos nossos pracinhas, que também nos honram com sua presença, esse símbolo que foram os nossos combatentes da Segunda Grande Guerra Mundial. É o mesmo Exército que participa da vida da nossa sociedade, é o mesmo Exército que recentemente pôde compor uma grande força de paz no Haiti; é o mesmo Exército que é o braço forte e a mão amiga da nossa sociedade. Relembro agora essa que talvez seja a tragédia mais recente em que nós, do Parlamento, estivemos muito envolvidos: as enchentes da Zona da Mata, com destaque para Ubá e Juiz de Fora. Os nossos homens e as nossas mulheres estavam lá, emprestando a mão amiga do nosso Exército.

Então nada mais justo que, na Casa do povo, de forma solene, reverenciar essa instituição que existia antes de nós e que continuará aqui depois que partirmos. Nós temos um compromisso não só com aqueles que nos antecederam, mas também com os que virão depois de nós. Hoje vocês estão todos aí, fardados e na ativa, e amanhã estarão do lado de cá, como veteranos, mas eternamente representando e trazendo no peito o orgulho de dizerem que pertencem ao Exército Brasileiro. É missão nossa, ou seja, de todos nós, fazer com que o povo brasileiro sinta, cada vez mais, que ele é proprietário do seu Exército, porque só com esse sentimento de pertencimento é que conseguiremos levar para a nossa sociedade todos esses valores que cultuamos no dia a dia da caserna.

Antes de encerrar as minhas palavras, eu não poderia deixar de prestar contas do que fizemos nestes últimos sete anos como deputado estadual, numa ação junto ao Exército Brasileiro, especialmente na 4ª Região Militar. Quando aqui cheguei, no primeiro mandato, tivemos um foco muito grande em trabalhar com os nossos Tiros de Guerra. Quando assumi o mandato, os nossos Tiros de Guerra eram 37. E, lá em 2021 e 2022, com a ajuda do saudoso Gen.-Ex. Rômulo Bini Pereira, a quem rendo a minha homenagem, conseguimos reativar o Tiro de Guerra de Oliveira e de Visconde do Rio Branco e passamos a 39. O último reativado foi o Tiro de Guerra de Paracatu. Sempre comento, Gen. Fructuoso, que o senhor tem 36 Tiros de Guerra, mas que eu tenho 40, porque ainda há os 4 Tiros de Guerra do Triângulo, de Frutal, de Uberaba, de Conceição das Alagoas e de Ituiutaba.

Então são os 40 Tiros de Guerra que hoje, meu prezado amigo Marcos Renault…( Nós formamos, em Minas Gerais, mais atiradores do que soldados. Nós temos os nossos Tiros de Guerra como uma missão muito importante de interiorização do serviço militar, e essa é uma política pública que encaro de forma muito responsável. Tive a alegria de, no primeiro mandato, conseguir uma verba de R$3.000.000,00 que foi distribuída para todos os Tiros de Guerra. Nós reformamos uma quadra no Tiro de Guerra de Curvelo, outra lá em Santa Rita do Sapucaí e em Matozinhos. Além disso, fizemos diversas aquisições de mobiliário e equipamento para esses Tiros de Guerra, que são de responsabilidade das prefeituras, num convênio com o Exército. Isso, Cel. Rezende, torna o Tiro de Guerra administrativamente invisível. Ele não está apto a receber emenda parlamentar de ninguém, porque ele não é da segurança pública nem da educação. Nós, junto ao governador Romeu Zema, na época, conseguimos que esse recurso chegasse a cada prefeitura e pudesse melhor equipar os nossos Tiros de Guerra, pelos quais tenho um carinho enorme. Tenho certeza de que, no dia em que, como política federal, enxergarmos o potencial dos Tiros de Guerra, estes serão ampliados não só em Minas Gerais mas também no Brasil inteiro.

Talvez a bandeira mais importante do meu mandato sejam as escolas cívico-militares. Desde 2019, sou presidente da frente parlamentar em defesa desse programa de gestão escolar que privilegia a contratação de veteranos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, do Corpo de Bombeiros Militar e da Polícia Militar para passar a integrar escolas públicas, escolas da rede estadual e também hoje escolas da rede municipal. Foi uma luta conseguirmos implantar nove escolas na rede estadual. Recentemente essas nove escolas foram suspensas por uma decisão do Tribunal de Contas do Estado. O Poder Executivo está recorrendo ao Tribunal de Justiça em Brasília. Contudo, na última sexta-feira, o governador Mateus Simões mandou para esta Casa um projeto de lei a fim de regulamentar e nós, primeiramente, reativarmos essas nove que estão suspensas e podermos ampliar também esse programa, que, certamente… Com os resultados que vemos espalhados por todo o Brasil e por estados como Goiás e Paraná, que são hoje referência, não temos dúvida de que contra números não existem argumentos. Antes da nossa reunião, eu comentava com o Gen. Fructuoso que é lamentável percebermos que a nossa juventude está exposta a uma guerra ideológica daqueles que atacam o modelo por uma simples questão política. Mas, enquanto eu estiver aqui, no cargo de deputado estadual, eles terão uma trincheira importante de luta. Não iremos desistir.

Aproveito também a presença do Cel. Rezende para dizer que sou autor de um projeto de lei, que foi sancionado pelo governador, que dobrou o número dos Colégios Tiradentes no Estado de Minas Gerais. Quando assumi o mandato em 2019, tínhamos direito a 30 Colégios Tiradentes. Nesta Casa, ele tramitou durante cinco anos. Hoje temos a autorização para mais 30 Colégios Tiradentes. Essa é uma forma não só de ampliarmos o acesso aos militares do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, mas também, por decisão do governador, abrir uma parcela mais significativa do que é hoje para a nossa sociedade e a nossa comunidade.

Sempre que falo de Colégio Militar, gosto de dizer que tive o privilégio de ter o meu filho se formando no Colégio Militar de Belo Horizonte; e esse privilégio temos por sermos militares. Quando cheguei a esta Casa, tive a convicção de que uma maneira de devolver à sociedade aquilo que tive como privilégio era trabalhar para a criação das escolas cívico-militares, para que todos os pais e mães tivessem o mesmo privilégio que tive. Então todo dia, quando acordo e luto por essa bandeira, eu me lembro do compromisso que fiz lá em 2018, quando participei da convenção do meu partido que ia escolher os deputados estaduais. Eles me entregaram o microfone, perguntaram-me se eu queria fazer um discurso, general, e disseram que o discurso só tinha uma regra: ia durar 30s somente, porque haviam muitos pré-candidatos para discursar. Eu peguei o microfone e disse: “Sou o Cel. Henrique, sou o coronel-veterinário do Exército Brasileiro e, se eleito for, a minha missão será resgatar os valores da família e da Pátria na nossa educação”. Essa foi a minha promessa e esse é o meu compromisso com a minha carreira política, sobretudo com os valores que me confiaram o Exército Brasileiro.

Muito obrigado a todos. Tenham uma boa noite! A todos vocês e ao Exército Brasileiro, a minha melhor continência. Vou quebrar o protocolo aqui, Gen. Fructuoso. Vim para cá pensando que eu tinha de fazer alguma coisa diferente. Com a autorização do general, vou falar “para a frente e para o alto”, e a tropa responde “montanha!”. Pode ser, general? Tropa da 4ª Região Militar: para a frente e para o alto!

O público presente nas galerias – Montanha!

O presidente – Muito obrigado.