MATEUS SIMÕES, governador-MG
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/03/2026
Página 5, Coluna 1
Indexação
2ª REUNIÃO SOLENE DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 22/3/2026
Palavras do governador Mateus Simões
Presidente Tadeu Martins Leite, a quem agradeço por cada palavra e gesto que tem sempre comigo, um norte-mineiro que comanda esta Casa em nome de todas as Minas e como representante das Gerais; presidente Luiz Carlos Corrêa Júnior, juiz completo e nato, ponderado, sereno, firme e técnico; procurador-geral de Justiça Paulo de Tarso, que guia com precisão o Ministério Público na direção das soluções concretas para problemas reais, bandidos presos e políticas públicas avançando; defensora-geral Raquel Dias, nossa companheira de construção das mais importantes composições coletivas da história do País; todos amigos, mal nenhum, constrangimento nenhum em dizer isso, trabalhamos juntos, juntos por Minas Gerais; deputado federal Pinheirinho, representando o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta; presidente do Tribunal Regional da 6ª Região, desembargador Vallisney Oliveira; conselheiro Alencar da Silveira, representando o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais; vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Minas Gerais, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, representando o presidente e desembargador Júlio César Lorens; presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Professor Juliano Lopes, meu colega vereador desde 2016; presidente nacional do meu partido, o PSD – Partido Social Democrático – e secretário de Estado de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab; e todos os meus amigos presentes. Cumprimento os secretários, em nome do secretário Marcelo Aro, e as demais autoridades em nome do meu amigo, amigos de meu pai, ex-governador do Estado de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, que me honra muito com sua presença hoje.
Há alguns dias, Christiana perguntou se eu estava ansioso com a chegada da posse. Eu respondi que a minha rotina mudaria pouco, mas isso não respondia a pergunta dela. É verdade que a minha rotina mudará pouco, e isso devo exclusivamente ao governador Romeu Zema, que desde 13/3/2020, quando me nomeou secretário-geral, tarefa que desempenho já há seis anos, com muito orgulho e consciência, delegou a mim o privilégio de coordenar o secretariado do Estado. E devo confessar que já me considerava, àquele tempo, um conhecedor da política e um mineiro rodado pelo interior, porque é de lá que eu venho, mas não podia estar mais enganado. Seis anos depois, conheço uma Minas Gerais institucional e geográfica que nunca imaginei que existisse. E sou muito grato por isso ao governador Romeu Zema e a cada um de vocês. Eu chego hoje ao comando do Estado de Minas Gerais, com experiência sobre a complexa realidade institucional e conhecedor do delicado equilíbrio entre os poderes. Entendo que é necessário promover o exercício pleno das atribuições constitucionais do Executivo, ao mesmo tempo que mantenho em mira as responsabilidades e os limites de cada outra esfera de poder. Só assim a lógica dos freios e contrapesos será de equilíbrio e não de subserviência; de autonomia e não de antagonismo. Tenho o orgulho de conhecer cada um dos deputados aqui presentes como amigos antigos. Entendo que são eles os parlamentares mineiros que têm condição de efetivamente trazer ao governo do Estado o que Minas anseia. Esse é o motivo da alegria que tenho de rodar o Estado com vocês, caminhada que fizemos ao lado do governador Romeu Zema e que vamos continuar a fazer. Os senhores têm o meu compromisso.
Por isso, senhores deputados – aqui representados pelo meu amigo, o equilibrado, dinâmico e jovem presidente deputado Tadeu Martins Leite –, quero aproveitar este momento para dividir com os senhores uma decisão: a de passar os próximos três meses percorrendo, agora como governador, cada uma das regiões do Estado. Faço questão de rodar as 16 regionais, acompanhado sempre dos senhores. Mas quero fazer mais do que visitar. Transferirei, a partir do dia 26, a sede administrativa e a capital do Estado para cada uma dessas regiões, em um reconhecimento de que Belo Horizonte é a nossa capital, mas Minas Gerais é muito grande para ser compreendida à distância. Ao longo dessa jornada, poderei entregar muitas das obras e dos programas que o governador Romeu Zema iniciou. Mas quero ir além, ao lado dos meus deputados. Em cada região, quero ter a oportunidade de fazer os anúncios que vão mudar a face do Estado e plantar a condição de desenvolvimento efetivo e acelerado de Minas. Nós não vamos mais ficar para trás.
Foi também com vocês, deputados, que eu aprendi uma lição muito importante: ouvir os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, porque são eles que formam para mim um mapa exato daquilo que a população quer e de que precisa. Estou falando de prefeitos, desde a minha amiga de infância, a prefeita Elisa, de Uberaba, à minha adversária política mais digna na discussão da recuperação dos corpos no desastre de Juiz de Fora, a prefeita Margarida. Estou falando do ameno prefeito Tuquinha, de Rio Pardo de Minas, mas também do Coronel Dimas, da mais dinâmica cidade industrial do Estado, a nossa Pouso Alegre. Estou falando de Tampinha e do asfalto na ligação a Taiobeiras, mas também estou falando de Maj. Renato e da ligação de Amanhece, em Araguari, até a divisa com o Estado de Goiás. Estou falando de Luquinhas, responsável pelo maior volume de operações no Leste de Minas e Itabirinha, mas também estou falando de Cinthia, da ativa Cambuí e do sofrimento que é ser cortado pelo meio por uma rodovia como a Fernão Dias.
Não vou falar dos 853 prefeitos, mas quero que todos se sintam reconhecidos por meio dos senhores deputados que os representam aqui. Tenho a alegria de chamar os prefeitos pelo nome, de conhecer as famílias deles e de saber que existem uns que se parecem comigo, como o Guilherme, de Montes Claros, que pode fazer campanha no meu lugar quando chegar o momento da eleição, e que existem outros que eu conheço desde que era menino na política, como o ex-prefeito Adelmo e a minha amiga Ilce Rocha, porque são referências na política, como prefeitos.
Essa minha relação com os prefeitos não foi construída na base do churrasco. Foi construída na base da conversa que os senhores deputados mediaram. Eles partiram de um cenário de uma dívida de bilhões de reais que nós herdamos do governo anterior. E, sim, nós sempre falamos do governo anterior, porque é importante nos lembrarmos de onde viemos para saber onde estamos e para onde vamos. Mas hoje temos parcerias que permitiram, por exemplo, a universalização do Samu; o recorde de repasse de verbas para custeio hospitalar, no Valora Minas; o maior número histórico de cirurgias realizadas no Opera Mais; a construção de centenas de estruturas para receber mamógrafos e tomografias computadorizadas novas; a inauguração de dezenas de serviços de hemodiálise; a construção de cinco hospitais regionais no interior; e o início da construção de um hospital de pesquisa em Belo Horizonte. Eu sei que ainda temos muito a fazer, mas o reconhecimento da dor das cidades com relação à saúde é, para mim, um ponto importante. Foi por isso que nós trocamos os ônibus do Transporta Fácil, do Transporta SUS; foi por isso que nós fornecemos os vacimóveis; foi por isso que nós financiamos os consórcios de saúde. Os prefeitos precisam dessa ajuda, e os deputados nos fazem perceber essa necessidade; os prefeitos não se esqueceram de como foi governar com quem não se importava com eles nem com os mineiros.
Essa minha experiência ao longo desses seis anos me permite compreender que não há possibilidade de futuro melhor para Minas nem para os mineiros sem os nossos servidores públicos. Na educação, 200 mil professores garantem que as nossas crianças sejam adultos capazes de criar as suas famílias, de produzir, de contribuir para o desenvolvimento de Minas Gerais. Nós temos hoje o melhor Ideb da história. Mas eu não posso esquecer que muita coisa ainda precisa ser feita por eles. Também não posso esquecer das mais amadas figuras de todas as escolas, dos nossos quase trinta e cinco mil ASBs, das nossas cantineiras que alimentam as barrigas dos nossos filhos e enchem o coração deles de alegria todos os dias; não posso esquecer de cada porteiro que garante a segurança dos alunos, de cada faxineira que mantém a escola limpa, de cada diretor que garante que as nossas 4 mil escolas estejam sendo reformadas e prontas para os desafios de um mundo tecnológico e dinâmico.
Na segurança pública, foram mais de quinze mil contratados desde o início do governo Zema, policiais militares bem formados e comprometidos com a segurança de cada mineiro; bombeiros amados por todos nós, os nossos amigos certos das horas incertas; policiais civis capazes de entregar bandidos presos e condenados com aplicação de inteligência investigativa e tecnologia de ponta; policiais penais e agentes do socioeducativo que dedicam suas vidas a nos manter em segurança, longe daqueles que precisam estar e se manter presos; cada servidor administrativo, aqueles que cuidam do meio ambiente, dos nossos produtores rurais, dos mais pobres, das mais diversas atividades administrativas, como a nossa infraestrutura ou o recolhimento de impostos. Sem vocês, eu não estaria aqui. É por isso que eu ofereço o meu sincero reconhecimento pelo trabalho e pela competência do servidor público de Minas Gerais.
Tudo isso poderia indicar que não há motivos para ansiedade. Como eu disse para a Christiana, eu poderia estar tranquilo. Afinal, estas são as bases para aquilo que eu pretendo entregar a Minas Gerais no meu governo: relações institucionais sólidas e colaborativas, construção ao lado dos servidores e, acima de tudo, priorização dos interesses da população. Além de divergências ideológicas ou conveniências corporativistas, são os mineiros que pagam pela estrutura do Estado, é a eles que nós devemos dedicar o nosso trabalho sempre, em primeiro lugar.
Mas essa, ainda assim, não é toda a verdade, eu tenho que confessar. Tenho acordado antes do meu despertador todos os dias ao longo do último mês. O tamanho do Estado, com 22 milhões de habitantes, mais de 24.000km de estradas e mais de 600 mil servidores pode ser o que estaria tirando a paz do meu coração. Mas o desafio que me acorda de manhã mais cedo não é esse. O real desafio é a necessidade de um governo que cuida da melhoria da vida de cada uma das pessoas que vive neste estado.
A verdade é que problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas nem por vídeos em redes sociais. Temos problemas como o da dona Terezinha Sandra, professora da rede estadual, que eu encontrei em Ubá no mês passado, no meio da lama, quando estava ajudando a limpar o restaurante da filha que foi destruído pela enchente. Entre uma rodada e outra, ela parou para me contar que perdeu 1/3 da sua remuneração no mês passado porque as nossas Secretarias de Educação e de Planejamento recusaram a declaração do médico, o atestado médico que foi assinado por um estrangeiro sem CRM no Brasil.
Agora eu pergunto para os senhores: que culpa tem a dona Terezinha Sandra se o governo federal resolveu contratar um médico sem CRM? Que culpa tem a dona Terezinha Sandra, nossa professora, se aquele era o único médico disponível para atendê-la no posto de saúde? Que culpa tem a dona Terezinha Sandra pelos nossos equívocos, seja da União, seja do Estado, seja do município? Que culpa ela tem? O mais estranho é que, aparentemente, o Estado considera que esse médico é suficiente para atender e cuidar da saúde da vida dela, mas o papel que assina não serve para conceder licença; aparentemente, a burocracia é mais importante que a vida da professora. Existe alguma coisa fundamentalmente errada nisso.
Daqui, de Belo Horizonte, também não dá para conhecer a história do seu Zé Donizete, que visitei quando fui olhar o que estava acontecendo naquela ponte sobre o Rio Grande, que não tem dono, aparentemente. O rio é federal, mas a União diz que a ponte não é dela. Minas diz que não foi Minas que construiu. São Paulo também diz que não foi São Paulo que construiu, apesar de Minas e São Paulo terem estradas que vão até a ponte. A ponte está com fissuras num pilar e teve de ser interditada, e o problema parece que não é de ninguém, mas é do seu José Donizete, que tem uma venda que fica quase na beirada do rio, por onde não passa mais ninguém hoje. Foi dali, vendendo café e pastel frito na hora, que ele tirou o dinheiro para educar os filhos, formar os filhos na faculdade, e é dali que ele tira o sustento dele e da mulher. Que culpa tem o seu Zé Donizete pelo fato de ninguém querer assumir a responsabilidade pela ponte? Para não falar dos mineiros que agora têm que fazer desvios de 100km para conseguir atravessar para o outro lado.
O meu compromisso neste governo é com a dona Terezinha e com o seu Donizete, é com os invisíveis que a burocracia insiste em ignorar, criando problemas que impedem a solução das questões reais, criando problemas que são denunciados por vídeos de internet que não explicam como as soluções vão chegar. Quero garantir para a dona Terezinha: o laudo será aceito, e a senhora receberá o valor dos dias da senhora. Quero garantir ao seu Zé Donizete: a ponte já está sendo reformada com o dinheiro de Minas Gerais. E depois vou mandar um boleto para o Tarcísio, viu, Kassab? Ele tem dinheiro para ajudar. Para o governo federal não vou mandar, porque acho que eles não ajudariam mesmo. Mas o que não pode acontecer é a gente destruir a vida das pessoas porque a nossa realidade acontece longe da delas. Não vou deixar que esse jogo de empurra deixe na indigência gente que precisa efetivamente do governo do Estado.
Ter recebido um estado com as contas equilibradas, como estou recebendo – e sou muito grato ao governador Romeu Zema por isso e também a vocês, deputados, que votaram o Propag e estão nos permitindo avançar –, deixa-me com um desafio diferente do desafio do governador. Um desafio que, tenho certeza, vou contar com o apoio dos senhores para a gente poder levar a cabo.
Quero aproveitar a oportunidade desses dias para dizer à população nesse período que Minas tem pressa, que é inadmissível que uma discussão menor esteja condenando o projeto do rodoanel a uma paralisia, matando 50 pessoas no anel rodoviário todos os anos porque as estruturas públicas não querem conceder uma última autorização por conta da discussão sobre a CLPI. É inaceitável que obras relevantes e programas essenciais sejam suspensos por estratégia de interferência política ou ideológica por órgãos de controle.
É intolerável que a violência contra a mulher seja tratada como traço cultural em Minas Gerais, como se isso fosse “tudo bem”. É impensável que facções tentem dominar aglomerados e aterrorizar trabalhadores. Abusos institucionais serão combatidos, mulheres serão protegidas, e o crime organizado será perseguido e expulso de Minas Gerais em todas as frentes, porque Minas não se curvará aos hipócritas nem aos covardes que defendem bandidos e paralisia do Estado.
Minas Gerais pode contar com o meu tempo, o meu trabalho e a minha dedicação integral nesse período. Honrarei os 6.100.000 votos que eu e o governador Romeu Zema recebemos em 2022, mas não é por eles apenas que vou trabalhar; é por cada um dos nossos mineiros.
A verdade, senhores, é que Deus cuidou de cada detalhe da minha vida até aqui, e sou grato e honrado por esse caminho que Ele desenhou para mim todo esse tempo. Não posso deixar de reconhecer, por isso mesmo, terminando a minha fala, o apoio da minha família, o apoio da Christiana, que preside o Servas e, ao meu lado, por mais de vinte anos, é responsável pela minha certeza de que nós precisamos cuidar, sim, daqueles que perdem tudo – não é, amor? –, mas também de que precisamos impulsionar aqueles que querem crescer e incentivar aqueles que podem ir mais longe. Programas como o Leite pela Primeira Infância, o Moradas Gerais, o SOS Águas, o Trajeto Moda, o Minas Forma e o Trilhas de Futuro são prova de um compromisso que você todos os dias me lembra que nós temos de ter com as pessoas que precisam do poder público.
Aos meus irmãos Lucas, Catarina, Taciana, que vieram de longe e trouxeram com eles os amores das minhas vidas, meus sobrinhos: vocês são o meu incentivo máximo para que eu não os decepcione jamais. Aos meus amigos e familiares que torcem, que vibram, que sofrem – porque as críticas são parte da vida pública –, muito obrigado. Eu termino agradecendo à maior e mais importante herança que recebi do governador Romeu Zema: a minha equipe. Sem vocês, não é possível fazer o que precisa ser feito. E eu considero abençoado um homem que pode trabalhar ao lado de quem, como vocês, decidiu servir. Contem comigo. Nós vamos seguir juntos. Juntos por Minas Gerais.