Pronunciamentos

DEPUTADO SARGENTO RODRIGUES (PL)

Discurso

Critica a demora de envio, pelo Poder Executivo, de projeto de lei relativo à recomposição das perdas inflacionárias dos servidores públicos civis e militares. Destaca descumprimento de acordos salariais firmados pelo governador Romeu Zema com a categoria e critica o reajuste anunciado para todo o funcionalismo público estadual. Questiona a falta de transparência na concessão de benefícios fiscais a grandes empresas pelo governo de Minas e defende o nome do senador Cleitinho como alternativa para a sucessão estadual.
Reunião 8ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/03/2026
Página 16, Coluna 1
Indexação

8ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 11/3/2026

Palavras do deputado Sargento Rodrigues

O deputado Sargento Rodrigues – Sempre presente, presidente. Sempre. Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, público que nos acompanha pela TV Assembleia… Sr. Presidente, eu gostaria de trazer algumas informações necessárias. Mas é preciso falar com os servidores do Estado de Minas Gerais, sejam civis ou militares, que, em nossas redes sociais – por e-mail, por mensagem inbox no Instagram, pelo Facebook, por ligações ou pelo WhatsApp –, vêm nos questionando: “Deputado, o projeto de recomposição das perdas inflacionárias chegou à Assembleia?”. Bom, a você, que é servidor – não sei se é esta a câmera para a qual a gente está falando diretamente –, digo que não chegou ainda. O governador anunciou as migalhas de 5,4%, mas não chegou o projeto de lei que trata da recomposição da perda inflacionária para os servidores públicos civis e militares.

Lembremo-nos, Sr. Presidente, de que, ao longo desses últimos anos, no período de 2015 a 2025, a perda inflacionária dos servidores da segurança pública foi de, precisamente, 52,33%. Imaginem os senhores e as senhoras que estão nos acompanhando que o policial civil, o policial penal, o bombeiro militar, o policial militar, o agente socioeducativo, enfim, toda a área de segurança pública do Estado vem passando por uma penúria para honrar os seus compromissos, para fazer frente a eles. Sabem por quê? Porque o governador assumiu o mandato e a todo o tempo apenas dizia: “Olhe, essa é a herança maldita do PT. Essa é a herança do PT. Ponto”. Só que o governo do PT foi de 2015 a 2018, e o governador continuou repetindo a mesma ladainha, dizendo que estava botando a casa em dia e que estava pagando o salário em dia. Mas a recomposição da perda inflacionária não foi quitada, nem mesmo durante o período do governo de Romeu Zema e Mateus Simões.

Mas o pior… Quero aproveitar a fala de hoje para dizer, primeiramente, que o projeto de lei não chegou à Assembleia. Em segundo lugar, muita gente pergunta – dei uma entrevista hoje, na Itatiaia – por que os policiais não têm confiança em Romeu Zema e Mateus Simões. É bom que esta fala minha vá não só à nossa bancada estadual do PL – porque há vários deputados novos, de primeiro mandato –, mas também aos nossos colegas deputados federais, ao presidente de partido. Por que os policiais perderam a confiança em Romeu Zema?

Isso é simples, e vou explicar rapidamente. Primeiramente, iniciamos a negociação em 22 de fevereiro de 2019, primeiro ano do governo Zema. Eu estava lá, participando diretamente dessa negociação. Passaram-se 10 meses, até 22 de novembro de 2019. Participei de várias reuniões até se chegar a uma ata. Essa ata representava uma recomposição, em três parcelas, de 41,7%: 13% em 2020, 12% em 2021, 12% em 2022. A ata foi assinada pelo secretário de Governo, Planejamento e Gestão, por 4 chefes de polícia, por 5 deputados estaduais, por 4 deputados federais e por 15 sindicatos e associações. Todo mundo assinou a ata. O governo manda o projeto para a Assembleia. O que Romeu Zema faz? Veta duas parcelas e paga apenas uma. Eu não vou nem usar um termo mais, eu diria, chulo. Pagou uma e não pagou as outras duas. Continuamos a nossa luta cobrando, cobrando. Fomos embarrigados várias vezes pelo então secretário de Governo à época. Mesmo depois que mudou, continuamos com um tal de Igor Eto. Fomos empurrados com a barriga o tempo todo.

Chega setembro de 2022, precisamente, colegas deputados e deputadas, 23 de setembro de 2022. Romeu Zema disputava a reeleição para o governo do Estado. Ele foi até a Associação dos Oficiais, deputado, presidente Tramonte. Dentro da Associação dos Oficiais, com vários assessores, com várias associações, o presidente da associação fala assim: “Governador, nós queríamos saber do senhor como será a relação do senhor com a segurança pública. Nós temos uma perda inflacionária.” Ele falou: “Olha, esse assunto é um assunto realmente de que eu estou convencido. A inflação não tem todo ano? Então por quê? O governo também tem que fazer todo ano. Não é assim no setor privado? Não é assim com a Assembleia, com o Tribunal de Justiça, com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas? Então, o meu compromisso é fazer a recomposição da perda inflacionária anualmente, porque todo ano tem inflação.” Essas foram as palavras de Romeu Zema. Cumpriu com a palavra? Novamente não cumpriu com a palavra.

Então, você que é colega deputado do PL, seja federal ou estadual, esse é o resumo da ópera. Trataram duas vezes com a segurança pública e não cumpriram. Então como as forças de segurança pública vão confiar no governador? Como vão confiar agora em Mateus Simões? Olha, até agora, o projeto não chegou. Estão dizendo, nos bastidores, que estão esperando ele tomar posse, no dia 22, para depois ele mandar o projeto, como se fosse ele o autor da benfeitoria. Lembramos que, considerando 5,4 deduzido de uma perda inflacionária de 52,33, nós, servidores da segurança pública, vamos continuar com uma perda inflacionária de 45,33. Acompanho tudo, quanto aos servidores da segurança pública, milimetricamente, desde 1997, época da greve que fizemos aqui, em Minas Gerais.

Então, deputado presidente, realmente essa é a insatisfação com a segurança pública. Ele esteve em um dos programas de que V. Exa. participa, enquanto jornalista profissional. Foi lá no programa de V. Exa. Eu me lembro de V. Exa. fazendo perguntas. Ele falou: “Não, se eu fosse contratar 10 mil policiais, ninguém estava falando nada. Então eu poderia gastar o dinheiro, mas esse pessoal está sem reajuste desde 2015. Então nós precisamos fazer.” Falou isso no programa do então jornalista Mauro Tramonte, da Record. Feito isso, também não cumpriu a palavra. Os meus colegas, deputados e deputadas do PL, precisam entender que a resistência dos servidores da segurança pública e dos demais servidores do Estado em apoiar o nome de Mateus Simões é por isso, é porque há uma rejeição enorme por ele não cumprir com a palavra.

Presidente, eu precisava ocupar a tribuna para dizer isso a todos os servidores públicos do Estado e principalmente ao cidadão que acompanha a TV Assembleia. Olha, para quem não sabe, policial também paga conta de água, paga conta de luz, compra remédios para filhos, para esposa, para ele. Ele também paga IPVA, paga toda uma série de tributos. Ele tem que pagar mensalidade escolar, tem que botar no carro a gasolina que sobe todo ano, tem que fazer a compra dele. Qualquer um de nós aqui que frequenta o supermercado sabe do que estou falando. Eu faço compra para minha casa. Eu vou até o supermercado. Eu sei o preço do que compro, do tomate, da batata, da banana. Eu compro isso. Sou eu mesmo que vou lá e escolho. Então eu sei o tanto que a inflação subiu nesse período.

Em contrapartida, no outro lado do tabuleiro, da mesa, o governo concedeu, nos últimos cinco anos, quase R$19.000.000.000,00 de isenção fiscal aos grandes empresários em Minas. Bom, perguntado sobre quais são essas empresas, o governo não quer falar, não quer dar publicidade. Governador Romeu Zema, o senhor bate no peito falando para os quatro cantos que o senhor é um homem austero, que o senhor é um homem correto. Por que o senhor não nos deixa tomar conhecimento de quais são as grandes empresas que recebem o benefício fiscal? Por que não? Governador, eu sei que o senhor não entende bulhufas de administração pública, não conhece nada, absolutamente nada. Governador, eu vou dizer para o senhor: o art. 37 da Constituição da República diz que um dos princípios da administração, além da legalidade, é a publicidade, governador, a publicidade dos atos oficiais. Então, os mineiros, os deputados, os servidores querem saber para quais empresas o senhor concedeu tanto benefício fiscal.

É isso, presidente. Eu queria deixar isso consignado, queria deixar aqui registrado. Porque a resistência… É lógico… Eu sou filho, presidente, de um homem muito simples, muito humilde, que morava na divisa com a Bahia. Meu pai se chamava João Rodrigues de Souza. Ele era vaqueiro, amansador de cavalo, de burro bravo. Era uma pessoa muito humilde. Eu sou filho de uma pessoa… Acredito que V. Exa. também tenha origem humilde. A gente se lembra da expressão “fio do bigode”. Naquela época, ninguém assinava nota promissória. Não existia cheque. Ninguém fazia contrato. Se se vendiam umas tantas cabeças de boi, um animal, uma mula, uma carga, uma produção de milho ou de feijão, tudo era no fio do bigode. Você imagine o governador do Estado, Romeu Zema, assinar a ata… Quando um secretário de Estado assina algo, quem está assinando é o governador. Ele assina em nome do governador. Quatro chefes de polícia assinaram a ata, e ele simplesmente a ignorou.

E, para a nossa surpresa, depois o vice-governador Mateus Simões diz num podcast: “Não, eu era vereador em 2020, e o governador Romeu Zema disse que estava em muita dificuldade por causa do compromisso, do projeto da Assembleia, e eu fui convocado para ser secretário-geral de Estado”. E, aí, o Mateus Simões disse: “Não, tem que vetar, governador. Pode vetar. Vete as duas parcelas”. Agora, é o mesmo governador que está tentando… É o candidato a governador que está tentando conquistar a confiança. Confiança é igualzinho a cristal: se trincou, acabou, meu amigo.

Eu quero aqui deixar esta minha fala, principalmente para a nossa bancada federal e para a nossa bancada estadual, porque há uma resistência enorme. Por fim, presidente, quero deixar registrado aqui, na tribuna desta Casa: se eu estivesse – dei entrevista mais cedo para a Itatiaia, e ela está no portal da Itatiaia – no lugar do nosso futuro presidente, Flávio Bolsonaro, e de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, eu não pensaria duas vezes em optar pelo apoio a Cleitinho. E por qual motivo, deputado? Primeiro: o Sr. Romeu Zema não desiste da candidatura de presidente. Então, ele deixa o partido PL numa posição muito difícil em Minas Gerais. Ao deixar difícil, o nosso presidente precisa de um palanque forte, de uma pessoa que realmente vai falar para o povão, e esse povão… Só existe um nome. Só existe um nome que consegue falar para o povão daqui e que é de direita: o senador Cleitinho.

Já que o partido olha muito as pesquisas… As últimas deram, presidente, 45,6% e 45,8%, dependendo de quem era o adversário na pesquisa. Então, o que acontece? Se eu estivesse no lugar de Flávio Bolsonaro, que é o meu candidato a presidente, para quem eu vou trabalhar dia e noite em Minas Gerais, ou no lugar de Valdemar Costa Neto, que é presidente do partido e que pode dar conselho, que pode fazer essa articulação política, eu não pensaria duas vezes. Mateus Simões não emplaca, não empolga, não é? Na nossa roda de deputados aqui, muitas vezes ele é chamado sabem de quê? Picolé de chuchu. Picolé de chuchu não empolga, não convence.

Então ficam aqui as minhas considerações. Só espero que o nosso partido, sob a liderança de Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e do nosso maior líder, Jair Messias Bolsonaro, faça a melhor opção aqui, em Minas Gerais. Obrigado, presidente.