Pronunciamentos

DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)

Discurso

Critica a gestão do governador Romeu Zema, lamentando que provavelmente o seu sucessor será o atual vice-governador, Mateus Simões. Manifesta solidariedade à deputada Lud Falcão, por episódio envolvendo o vice- governador. Lamenta a demissão da maestra Ligia Amadio da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e destaca que ela teria sido demitida após denunciar a precarização da cultura no Estado. Denuncia impactos da atividade minerária, com referência a crimes ambientais relacionados à Vale e à Companhia Siderúrgica Nacional - CSN - e à ausência de responsabilização penal nos casos dos rompimentos das barragens dos Municípios de Mariana e de Brumadinho. Manifesta pesar pelo falecimento de frei Sérgio Antônio Görgen.

1ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 4/2/2026

Palavras do deputado Leleco Pimentel

O deputado Leleco Pimentel – Presidente e todos que nos ouvem do Plenário, há dois dias estávamos aqui, infelizmente, ouvindo o pronunciamento de alguém por quem eu não tenho, a não ser o respeito pelo cargo que ocupa, nenhuma admiração. Infelizmente o governador Zema veio a esta Casa para se despedir. Acho que já deveria ter ido. É uma pena que está deixando um vice com uma marca ditatorial maior.

A deputada Lud Falcão, que agora há pouco fez o seu pronunciamento, tem levado o debate da forma como o estado pessoal do Mateus Simões, o sucessor do fascista, do outsider, do comedor de banana com casca… Infelizmente, o Estado de Minas Gerais passará ao governo desse miniditador em poucos dias. É lamentável! Viveremos tempos em que, tenho certeza – eu jamais –, essa turma que apoia Zema e apoiou a privatização da Copasa haverá de subir aqui para se arrepender, se tiver hombridade para fazê-lo. E eu lamento, deputada Lud, que a senhora tenha votado junto com esse governo, que só esperou o seu voto para vir aqui e fazer o que fez com a senhora. A senhora votou com eles, a senhora é vice-líder. Que pena que a senhora não acordou antes. Que pena! Assim, eu faria um pronunciamento com maior coerência. Espero que a senhora não deixe barato, de fato. Deputada Lud, nossa solidariedade. Mas também fica um recado para aqueles e aquelas que vieram aqui privatizar a Copasa e saíram daqui achando que tinham feito o melhor para o governo do Zema: vocês fizeram muito mal para o povo de Minas Gerais. A senhora ainda vai ter tempo de recuperar essa incoerência, que, em poucos dias, lhe foi cobrada.

Quero lamentar e dizer para todo o povo de Minas, do Brasil e do mundo que o governador Zema, após um convite meu, demitiu a maestra Ligia Amadio, que veio à Comissão de Cultura para ser homenageada. Ela foi demitida após vir à comissão, a nosso convite, para ser homenageada. Por não aguentar os desmandos deste governo, ela ali denunciou que os músicos daquela orquestra sinfônica por ela liderada não recebem nem um salário mínimo por vinte ensaios e quatro apresentações. Parte é concursada, outros são do regime celetista, mas todos, todos, hoje estão sendo tratados da mesma forma como tratou Bolsonaro a cultura.

Zema é uma cópia escarrada dos malfeitos daqueles que atacaram a cultura. Ele fez com a maestra, que neste momento está em Bangkok, coordenando uma filarmônica… Agora quero que vocês comparem quanto recebe um músico na filarmônica, cujo maestro tem vencimentos de R$120.000,00 por mês, morando nos Estados Unidos, e quanto recebia a maestra Ligia Amadio da mesma orquestra sinfônica coordenada pela Fundação Clóvis Salgado: nem R$20.000,00. Isso demonstra que aparelharam o Estado e a Fundação Clóvis Salgado. E ainda temos que ouvir esta nova secretária, Bárbara, vomitar que é de direita e, por assim dizer, seguidora dos passos do Zema e do Bolsonaro. Lamentavelmente, foi esse povo que negou a vacina. Fascistas que destruíram a cultura. São exatamente eles que depois ficam no aeroporto entregando panfleto para vender o patrimônio e a cultura de Minas Gerais. Hipócritas! Secretária de Cultura hipócrita! Zema hipócrita, tirano! Colocaram essas pessoas para servir aos seus desmandos.

Pois esta Assembleia Legislativa dará o título de cidadã honorária a esta maestra, doutora, e, por isso mesmo, reconhecida mundialmente. Hoje, inclusive, na Folha de São Paulo, vimos a mentira do Estado tentando responder que despediram a maestra porque queriam valorizar outros maestros nesse período, quando atacam uma mulher, quando desvalorizam a cultura e quando perseguem quem denunciou que nem um salário mínimo… Você, servidor que está me ouvindo, trabalharia para receber nem um salário mínimo? Pois essa é a situação dos músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A maestra Ligia Amadio entrará pela porta da Assembleia. Ela, que denunciou, nunca teve sequer um convite do governador, que não compreende a formação da cultura. O governador sequer se encontrou com esta maestra, enquanto ela doou seu serviço e seu tempo, com certeza por um salário muito menor do que aquele que ele paga ao marquete, Mechetti, que está na filarmônica.

Eu quero trazer a todos e a todas, que, no último dia 25 de janeiro, quando sete anos se passaram do crime que matou 272 pessoas, em Brumadinho, a Vale e a CSN despejaram rejeito junto com água dos diques, a partir de Ouro Preto e em Congonhas, com essa vergonha do desmando, porque quem comanda o Estado de Minas são as mineradoras – não tenho dúvida. Zema está de joelhos. Por isso mesmo, essas empresas, no dia 25 de janeiro, mais vez, vêm causando muitos males, crimes ambientais, crimes sociais, crimes econômicos, corrupção. Foi isso que levou, há pouco, alguns para a cadeia.

Infelizmente, estamos tendo notícia de que aquela turma, inclusive o ex-deputado desta Casa, ex-deputado estadual João Paixão, já está solto. Refiro-me a ele e a mais uma turma que comprou, que corrompeu licenciamento ambiental em Botafogo, em Ouro Preto e em outros lugares, que perseguiu… Inclusive, o nosso nome está lá naqueles ou daqueles que eram por eles monitorados pelos meus projetos de lei, que querem territórios livres da mineração. Portanto nós estamos aqui a denunciar, mais uma vez, que a mineração polui, corrompe e mata. É por essa razão que não podemos nos esquecer e trazer as denúncias da Vale e da CSN.

Quero lembrar que, se por um lado, vimos alguns na cadeia, em relação ao crime da Vale, em Mariana, ocorrido em 5 de novembro, que completou 10 anos, não há ninguém preso. Em relação ao crime que matou 272 pessoas, em Brumadinho, ninguém está preso. E alguns ainda querem defender que essas empresas possuem intenso e profundo compliance, como se nós não soubéssemos lidar com esse estrangeirismo das palavras em inglês, que nos enganam, dizendo que a corrupção deles é sofisticada. Na terça-feira da semana que vem, nós teremos audiência pública para tratar desse crime que aconteceu em Congonhas.

Eu quero refletir sobre uma questão: é importante que a gente possa fazer uma homenagem a um lutador, frei Sérgio Antônio Görgen, que faleceu. Deputado Doutor Jean, foram cinco greves de fome. Eu me lembro quando, em 1990, ele estava lutando para que muitos dos aspectos da Constituinte de 1988, inclusive segurança alimentar e reforma agrária, estivessem na pauta do Brasil. Refiro-me a ele, que, depois, fez greve de fome em relação ao STF, em 2017. Refiro-me ao frei que teve coragem de colocar a pauta da reforma agrária em defesa da agricultura familiar e no combate aos agrotóxicos e ao veneno daqueles e daquelas que têm coragem de subir aqui e falar que é do agro – agrotóxico. Não tem coragem de falar a segunda parte, o sufixo, porque quem defende agro defende tóxico, defende câncer.

Eu vou dizer uma palavra: eu fico com asco de ver deputado e deputada subir aqui e achar que o agro é uma palavra pop, tech. O agro mata; agro é tóxico. Quem produz alimento de verdade não pode apoiar quem bota veneno e quem mata vidas para, inclusive, colocar veneno na sua boca.

Frei Sérgio, a sua luta, a sua passagem, a sua Páscoa é serena, é de consciência daquele que defendeu a vida e que, inclusive, ajudou o governo Lula, nesse último período, a tirar 33.000.000 da linha da pobreza. Essa homenagem que fazemos na Assembleia Legislativa a frei Sérgio ainda é pequena diante do testemunho de vida de quantas vezes fez greve de fome. Eu duvido que algum deputado que aqui veio tenha coragem de fazer um só dia de greve de fome – um dia. De frei Sérgio nós nos despedimos com a eternidade, com o testemunho, com a consciência daqueles que sabem que seres humanos que não possuem capacidade de alteridade, de se colocar na vida do outro, sobretudo no lugar dos mais pobres, jamais atingirão a maioridade que atingiu frei Sérgio Antônio Görgen.