Pronunciamentos

DEPUTADO SARGENTO RODRIGUES (PL)

Discurso

Denuncia o descumprimento, pelo governo do Estado, de acordos de recomposição das perdas inflacionárias dos servidores da segurança pública, acumuladas desde 2015.
Reunião 1ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 06/02/2026
Página 155, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 822 de 2023

Normas citadas LEI nº 24383, de 2023

1ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 4/2/2026

Palavras do deputado Sargento Rodrigues

O deputado Sargento Rodrigues – Sr. Presidente, boa tarde. Boa tarde, colegas deputados, deputadas, público que nos acompanha pela TV Assembleia. Inicio este ano legislativo fazendo o que o nosso mandato sempre fez: o enfrentamento ao descaso do governo e a luta pela segurança pública e pela valorização dos nossos bravos profissionais da área. Ocupo hoje esta tribuna para tratar de um tema que o atual governo insiste em empurrar para debaixo do tapete: a recomposição das perdas inflacionárias dos servidores da segurança pública, que já ultrapassam 52%, entre os anos de 2015 e 2025. Esses homens e essas mulheres passaram quatro anos do governo do PT sem receber um centavo sequer de reposição da inflação. Achávamos que aquilo era o fundo do poço. Não era. Em 2019, Romeu Zema assumiu o governo e virou as costas para a segurança pública. Cortou investimentos, deixou faltar efetivo e passou a tratar a valorização da tropa como despesa indesejada. O resultado é uma categoria humilhada, com salários corroídos pela inflação e com a família passando aperto.

Entre fevereiro e novembro de 2019, estive pessoalmente à mesa de negociação com o governo, até fecharmos um acordo, em 22 de novembro daquele ano, formalmente assinado e registrado em ata pelos então secretários Bilac Pinto e Otto Levy, por chefes de polícia, deputados federais e estaduais, sindicatos e associações. O compromisso firmado previa 41,74% de recomposição, divididos em três parcelas. O que o governo fez depois? Descumpriu o acordo, mentiu para a classe, vetou as duas parcelas finais.

Lutamos para derrubar os vetos, mas a base do governo preferiu proteger o governador e manter o calote. Em julho de 2020, os servidores receberam apenas 13%. O governo descumpriu o documento assinado, dando o calote, em duas parcelas de 12% cada, negociadas com toda a paciência e diplomacia política. Em setembro de 2021, cerca de cinco mil servidores ocuparam a Cidade Administrativa; foram às ruas cobrar aquilo que lhes era de direito. Em novembro do mesmo ano, os próprios secretários do governo à época, Gustavo Barbosa e Mateus Simões, vieram a esta Casa e admitiram publicamente o calote. Faço questão de repetir o que disse naquela ocasião: é vergonhoso um governador usar a segurança pública como propaganda e, ao mesmo tempo, enganar e trair aqueles que colocam a própria vida em risco para proteger a população.

Em fevereiro de 2022, mais de trinta mil policiais tomaram as ruas de Belo Horizonte. Somente após essa pressão, o governo anunciou 10,06% de recomposição referente à inflação de 2021. Foi insuficiente. Tivemos que voltar às ruas para arrancar, inclusive, o pagamento retroativo. Em 2023, o governo concedeu aos servidores da educação 12,84%. Alertamos que a segurança já acumulava mais de 35% de defasagem. O governo ignorou, e os deputados da base também, ao rejeitarem a nossa emenda ao então PL nº 822/2023, que autorizava a recomposição salarial dos servidores da segurança pública no mesmo índice da educação. Enquanto negava a recomposição aos servidores, o que fez o governador? Concedeu a si próprio, ao vice-governador e aos seus secretários um aumento de quase 300% e ainda empurrou goela abaixo o Regime de Recuperação Fiscal, colocando o Estado em uma verdadeira camisa de força e alegando que não poderia conceder a recomposição inflacionária. É mais uma mentira, pois a legislação não proíbe a reposição da inflação no caso do Regime de Recuperação Fiscal. Em 2024, o governo enviou a esta Casa o PL nº 2.309, o chamado “PL das Migalhas”, propondo apenas 3,62% de recomposição. Fizemos pressão, ocupamos esta tribuna e fomos às ruas. Com muita luta e até com a gestão do presidente da Assembleia, arrancamos 4,62%, e, ainda assim, foi um insulto diante do tamanho da defasagem salarial. Nada disso caiu do céu. Foram décadas de luta. Participei de oito negociações salariais, e tudo o que conquistamos até aqui foi fruto de muita pressão e mobilização de toda a classe. O governo só lembra que servidor existe quando é provocado ou pressionado.

Em 2025, voltei a lembrar o governador de suas próprias palavras. Em 2020, ele afirmou à TV Globo que a segurança pública era prioridade porque estava sem recomposição desde 2015. Em setembro de 2022, durante a campanha de reeleição, dentro da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, prometeu pagar as perdas inflacionárias anualmente. Prometeu mais uma vez, e, de novo, não cumpriu. Foram várias audiências públicas com a presença de secretários de Fazenda e Planejamento. Em todas, cobrei reiteradamente a recomposição das perdas inflacionárias. Ainda assim, o governo se manteve frio, descumpriu sua palavra , mais uma vez, enrolou a classe da segurança pública. Nossa fala não é um discurso técnico; é a realidade de nossos policiais que estão vivendo, no dia a dia, com o salário corroído pela inflação e com o abandono total por parte do governo. Na prática, isso significa dignidade atacada e família sem o devido amparo.

Sr. Governador, policiais e bombeiros têm família. Quando o policial retorna do trabalho, ele tem problemas para resolver. Sua família precisa do básico, e não há nada pior para um pai ou uma mãe que chegar em casa e não ter dinheiro para garantir o mais básico para a sua família. Recomposição inflacionária não é favor; é direito constitucional previsto no art. 37, inciso X da Constituição da República. Segurança pública não se faz com um discurso bonito para rede social. Temos acompanhado as publicações do governador e do vice-governador. Em ano eleitoral, segurança pública vira prioridade – prioridade. Uma pena: não dizem uma palavra sobre as perdas inflacionárias e seguem empurrando com a barriga todos os servidores da segurança pública. Não há investimento com recursos próprios do Estado, não há efetivo suficiente para atender as demandas da população. Ao mesmo tempo, sobrecarregam policiais e bombeiros. Hoje não há mais desculpas. O Estado aderiu ao Propag, e a dívida foi refinanciada por 30 anos. Portanto não há nenhum impedimento para que se faça a recomposição das perdas inflacionárias.

Por fim, o que temos é o não reconhecimento de todo o trabalho prestado, a ausência de valorização e principalmente a falta da recomposição das pesas inflacionárias. Como já disse aqui, o governo só entende uma coisa: pressão, pressão e pressão. Diante disso, não resta opção aos servidores da segurança pública. Temos que ir às ruas e pressionar o quanto for necessário. Ativos, veteranos e pensionistas de Minas Gerais pedem socorro.