Pronunciamentos

DEPUTADO LUCAS LASMAR (REDE)

Discurso

Critica a gestão do governador Romeu Zema e questiona o seu discurso de eficiência. Solicita ao governador retirar de tramitação o Projeto de Lei nº 4.380/2025, que autoriza o Poder Executivo a promover medidas de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa; e ampliar a oferta de ações da companhia no mercado para arrecadar os recursos necessários à universalização do saneamento no Estado.
Reunião 86ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 99, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025

86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025

Palavras do deputado Lucas Lasmar

O deputado Lucas LasmarBoa tarde a todos. Quero cumprimentar todos os “copasianos” presentes e pedir um minuto da atenção de vocês. É importante sempre fazermos o nosso enfrentamento de forma respeitosa a todos. “Copasianos”, na minha primeira fala, falei sobre a possibilidade de o governo estadual conseguir os recursos para a universalização do saneamento em nosso Estado até 2033 e sobre a questão dos dividendos que o governo do Estado recebeu através do trabalho de vocês em todo o Estado de Minas Gerais. Em 2024, a Copasa colocou no caixa único do Estado R$453.000.000,00. E quantas estações de tratamento de água e esgoto poderiam ser construídas com esse valor? Na estação de tratamento de esgoto, em Oliveira, foram gastos em torno de R$15.000.000,00. Quantas poderiam ser feitas? Mas esse dinheiro foi diluído, foi embora dentro do orçamento do Estado de Minas Gerais, e nós não sabemos para onde foi esse investimento.

O governador falou, desde o início do seu mandato, que colocaria gestores e pessoas competentes à frente do Estado e das autarquias. Agora me digam, “copasianos”: o presidente da Copasa é eficiente? É indicado político, não é? Pois é, governador. Em sete anos, o senhor colocou pessoas para administrar a Copasa e não conseguiu fazê-la se desenvolver e resolver os problemas básicos das cidades. Sequer existem estruturas corretas para os trabalhadores da empresa nos municípios. Poderiam colocar esses milhões de reais que a própria Copasa gera para o Estado e investir, comprar caminhão-pipa novo e equipamentos. Em alguns lugares, como em municípios de 20 mil, 25 mil habitantes, a Copasa ainda tem poucos carros. O senhor preferiu pegar as pessoas do Partido Novo que perderam as eleições e as colocar dentro da Copasa e da Arsae, cuja presidente perdeu a eleição aqui e foi para lá para ganhar um bom salário. Nós enviamos vários ofícios pedindo fiscalização na Arsae, mas sequer foram respondidos. Essa é a competência que o governo tem para colocar político que perdeu a eleição. Nas redes sociais, o Zema fala que não tem indicado político no seu governo. Talvez ele esteja governando outro estado, porque aqui, em Minas Gerais, existem indicados políticos que perderam a eleição. E ele não fica em Minas Gerais. Agora virou o governador TikTok, que todo mundo vê. Onde está o governo que o Zema fala na sua rede social? Há policial usando colete à prova de balas vencido no Estado; houve corte de 30% nos abastecimentos das Polícias Civil e Militar para fazer investigação. Esse é o governo.

Recentemente, fomos in loco ao Hospital João XXIII, o maior hospital ortopédico do Estado de Minas Gerais. Estava chovendo lá dentro. Sabe por que, pessoal? Havia problema na calha. Quem fala de gestão eficiente tem que trabalhar de forma preventiva, principalmente dentro do hospital. Agora foi a vez do Hospital Alberto Cavalcanti. Ontem choveu lá dentro. Governador, me ajude, me ajude aí, meu amigo! O senhor não fala dos problemas de Minas. Agora, para se reunir com os bancários e os empresários para vender a Copasa, o senhor até posta nas redes sociais. O senhor deveria ter vergonha na cara. E agora vai fazer o quê? O senhor vai vender a Copasa para quem paga mais ou para quem vai fazê-la funcionar da melhor forma? Os seus indicados não conseguem nem administrar e sequer representar o governo do Estado numa audiência pública. Foi vergonhoso o nível, o nível do presidente da Copasa ao responder perguntas simples sobre saneamento. Ele não soube responder, “copasianos”. É esse o cara que toma decisão sobre os investimentos da Copasa, dentro de uma sala com ar-condicionado e terno, todo bonitinho. Quem conhece os problemas e sabe onde deve investir são os funcionários da Copasa, que estão lá no dia a dia fazendo com que ela funcione. A boa política pública é feita assim: ouvindo quem conhece a realidade. É como nós, deputados. A gente vai às cidades in loco para ver onde se precisa de investimento, junto com o prefeito, o vice-prefeito, o vereador, as lideranças. Agora, a Copasa não pode ser assim, porque está cheia de gente engravatada que perdeu a eleição e não pode ouvir os funcionários. Eu ouvi isso de um funcionário da Copasa.

Agora vamos falar de números. A Copasa assiste mais da metade da população mineira com saneamento básico e fornecimento de água. Mas Minas Gerais vive um grande problema de saneamento básico, o que se reflete também na saúde pública do nosso estado. Somente em 2024, o número de internações por diarreia, infecções intestinais e bacterianas chegou a 2.107 casos; em 2025, já estamos chegando a 781 internações. Esses números colocam Minas Gerais como o 2º pior estado e o com maior número de internações por falta de saneamento básico, além de apresentar diversas mortes. Mortes que o próprio secretário de Estado de Saúde reconhece, uma vez que esses dados constam no site oficial da Secretaria de Estado de Saúde. Ainda assim, o governo não faz os investimentos corretos.

A narrativa do governo para vender a Copasa é colocar a culpa nos servidores da empresa, alegando que não fazem um bom trabalho. Isso não é verdade, não, porque, se não fossem esses funcionários que estão, há décadas, trabalhando, a Copasa já tinha parado há muito tempo, porque a ordem do governo, nestes últimos sete anos, foi não investir para ajudar o trabalho desses grandes guerreiros e guerreiras que fazem a Copasa funcionar. Esta é a realidade dos fatos: falta de infraestrutura e investimento.

Aqui, mostramos também os números que acarretam para a população internações hospitalares e óbitos, o que é muito triste. Olhem só o número de internações em 2025. Eu falei o de 2024, agora vou falar o de 2025. De janeiro a julho de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde registrou 386 mil casos de diarreia no Estado e 245 mortes. A diarreia está muito relacionada à qualidade da água.

Na minha fala, mostrei um documento oficial da Arsae, agência reguladora que fiscaliza a Copasa, mostrando que, no Município de Abaeté, não está sendo feito o controle correto da qualidade da água. Agora, pessoal, como uma estação de tratamento de água não controla a qualidade da água? Isso é falta de investimento. Isso é um crime. Também apresentamos uma matéria do jornal O Globo que mostra que o município com maior incidência de câncer no Centro-Oeste de Minas Gerais é Abaeté. Não há dúvidas de que isso está interligado.

Então eu peço que realmente o governo faça o seu trabalho de forma correta, decida pela retirada desse projeto e que abra mais ações do mercado acionário para arrecadar o recurso necessário para a universalização do Estado de Minas Gerais. Nós estaremos aqui para cobrar, para acontecer e ver quais serão as consequências dos votos que poderão ocorrer neste Plenário sobre a venda da Copasa. Não com o meu voto, “copasianos”. Vamos juntos!

O presidente (deputado Tadeu Leite)Obrigado, deputado, querido amigo Lucas.