DEPUTADA BELLA GONÇALVES (PSOL)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 96, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras da deputada Bella Gonçalves
A deputada Bella Gonçalves – Obrigada, presidente. Fico feliz com o fato de que quórum foi recomposto, porque o deputado Lincoln veio aqui e talvez possa me esclarecer se vai seguir a enquete feita na sua rede social. Quando perguntado se o povo era a favor ou contra a venda da Copasa por duas vezes, o povo massacrou o dedo lá contra a privatização da Copasa. Desafio os deputados a botarem a mão na consciência. Desafio, não: recomendo a fazerem um ato grandioso de votar conforme a maioria da população. E a maioria da população é contra a privatização da Copasa. Todo o mundo está vendo o que está acontecendo em São Paulo. A Aneel demitiu 19 mil trabalhadores. Sabe qual é o remédio, gente, para mudar a Assembleia Legislativa? No momento da eleição, no momento de pedir o voto, a gente lembra a eles como votaram para ver se fogem também da comunidade. A Aegea, desde a privatização, realizou a demissão de 19 mil trabalhadores. E o resultado está aí: apagão de água, apagão de luz, o povo perdendo comida dentro da geladeira, do freezer, enfim, um desperdício sem precedentes simplesmente porque resolveram privatizar com promessas de melhora e universalização. É uma vergonha.
O governador Zema não quer só privatizar a Copasa, Lohanna. A gente viu, de forma muito clara, nas intenções, ao apresentar a Cemig na carta do Propag, que inclui a privatização da nossa companhia de energia elétrica, a Cemig. Ele quer privatizar a Codemge e a Codemig. Quer privatizar a Gasmig e quer privatizar até mesmo hospitais. Só que, para privatizá-los, ele tem sucateado.
A Comissão de Direitos Humanos realizou recentemente uma visita técnica ao Hospital João XXIII. O Hospital João XXIII, que o deputado Lucas Lasmar conhece bem, se encontra em estado de superlotação toda vez que vamos lá. Aí, Lucas, numa sexta-feira, num dia chuvoso, o João XXIII virou uma inundação. Quase queimou um caríssimo aparelho de raios X que havia dentro do hospital. Na verdade, falaram que não queimou, mas, até agora, duvido. Fato é que, perto de cada equipamento de raios X, havia uma capa de chuva. É tão comum cair chuva dentro do Hospital João XXIII! “Ah, não! Mas foi uma chuva fora do normal. Isso não vai acontecer mais, deputada”! Perguntei: “Quem faz a manutenção no prédio aqui?”. Eles me responderam: “É uma empresa que se chama Cetus”. Falei: “Ela faz manutenção aqui e em todos os hospitais da Fhemig”. Quero ver por que o Estado ainda não se manifestou quando, nesta semana, uma tubulação explodiu dentro do Hospital Alberto Cavalcanti, gerando outra inundação que paralisou muitos atendimentos nesse hospital. A mesma empresa Cetus está azarada, viu, Lucas Lasmar! São Pedro está contra ela. Não pode cair uma chuvinha, que o teto cai e o hospital inunda. Realmente é uma fatalidade. Ninguém acredita nisso, não é, gente? Todo o mundo sabe que o Zema quer vender os hospitais da Fhemig, quer acabar com o Hospital Alberto Cavalcanti, fechou o Hospital Maria Amélia Lins e está sucateando o Hospital João XXIII, que é excelência em tratamento de risco, traumas, doenças com traumas.
Olha, gente, não temos um governador em Minas Gerais, mas, sim, um blogueiro desmontador do Estado que não aguenta 30 minutos de diálogo com alguém que tenha minimamente dois neurônios que o maceta no debate. Aliás, deve ser por isso que ele não vem à Assembleia nem deu as caras neste ano para defender a privatização da Copasa e deixou o vice-governador fazer todas as declarações. Afinal de contas, ele é desconhecido mesmo, Leleco! Deixe-o fazer as declarações impopulares. Eu vou me esconder atrás do TikTok e aparecer só para comer banana com casca. Mas você sabe que o presidente resolve tudo, não é, Leleco? Já anunciou o programa de estudo EaD, ou seja, o Estudo a Distância, voltado diretamente a gestores tapados, que é um curso para ensinar a descascar uma banana. Acho que o Zema está precisando desse e de outros cursos, assim como de curso sobre como… Sim, também. Ele está precisando de curso, gente, sobre como evitar novos rompimentos de barragem de rejeito porque segue fazendo a mesma coisa: blindando as mineradoras para fazer o que quiserem. Ele precisa fazer curso de anticorrupção, apesar de que não está muito interessado nisso. Afinal de contas, o ex-presidente da Copasa foi diretamente para a Faria Lima e participou da compra das ações da Copasa, virando um grupo majoritário com informações privilegiadas e que vai decidir o futuro da nossa estatal. Esse é o grupo Perfin. Quem está no grupo Perfin, gente, atuando diretamente para o controle de mais de 9% das ações da empresa? Guilherme Duarte, ex-diretor da Copasa.
A Perfin, gente, comprou as ações da Copasa justamente para controlar o momento exato da venda da empresa. No mercado financeiro, a gente diz “informação privilegiada”. Por que você não pode, Leleco, comprar mais de 5% de ações de uma empresa numa tacada, sem notificação prévia do mercado financeiro, como estabelecido em lei? A lei diz: pode comprar uma quantidade grande de ação de uma empresa, mas, se for acima de 5%, você precisa avisar antes. Eles foram lá, sem avisar previamente, e compraram mais de 5% da empresa e, em uma manobra, transformaram esses 5% em 9% das ações da empresa. É o grupo Perfin que vai decidir por qual preço será vendida a Copasa. Não se iludam, gente; se esse projeto passar, não é o governador de Minas Gerais que vai botar preço na Copasa, não são os deputados que vão botar preço na Copasa. Esse discurso que eles estão fazendo de uma empresa que vale R$10.000.000,00 ou R$15.000.000,00 vai virar venda com preço de banana, exatamente como fizeram com a Vale, com o metrô, com a Sabesp e todas essas empresas. Nós denunciamos ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas as manobras para tentarem controlar as ações da Copasa antes da privatização como forma de garantir lucros extraordinários. Isso acontece sempre. Agora, quando o operador disso é o ex-presidente da Copasa, nomeado pelo governador, não tem outra, gente. A culpa não é do Guilherme; a culpa é do Zema, que devia ser preso junto com Bolsonaro pelos crimes que está cometendo contra o povo mineiro e contra o Estado de Minas Gerais. Afinal de contas, o Zema não divulga a lista das isenções fiscais, porque está cheio de amigo, tem rabo preso, como Daniel Vorcaro, cujo pai doou mais de R$1.000.000,00 para a campanha do Zema há três anos. “Não” à privatização da Copasa. Água da privada não dá para engolir!