Pronunciamentos

DEPUTADO BETÃO (PT)

Discurso

Critica a falta de participação, nos debates, de deputados favoráveis à Proposta de Emenda à Constituição nº 24/2023, que dispensa a realização de referendo popular para autorizar a desestatização ou federalização da Copasa. Destaca experiências negativas de privatizações de energia e saneamento no Brasil e no mundo, e que a luta é contínua, com mais etapas pela frente.
Reunião 26ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 85, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023

26ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/10/2025

Palavras do deputado Betão

O deputado Betão – Pessoal, fiquei pensando qual nome eu daria a esta reunião, Beatriz: silêncio dos ausentes ou dos semiausentes, porque eles se encontram lá dentro e correm para cá na hora em que chamam para contar quórum.

Não houve debate. Não debateram nas audiências públicas. Foram realizadas pelo menos três: uma com 1.500 pessoas; outra com 2.500; e a última com aproximadamente 6 mil. Foi lida, no máximo, uma carta. Eu me lembro do nome do danado, o Frederico. O presidente que apareceu lá leu uma carta pronta e foi embora. Não debateram nas seis reuniões, não debateram nas comissões, não foi isso, Bia? É um esculacho com a classe trabalhadora e com a sociedade.

Eu queria lembrar que nós tivemos uma experiência aqui, em 2019. Dois setores estão na mira dos empresários, dessas companhias especulativas: o saneamento e a energia. Em 2019, nós tivemos uma experiência interessante aqui: começaram essa discussão sobre a privatização da Cemig e tal, e foi feita uma audiência pública na Assembleia Legislativa sobre a experiência da privatização da energia em Goiás. Vieram deputados de Goiás para cá, para falarem mal da experiência de Goiás. E o espectro político desses deputados que vieram para cá era o espectro político de direita – foi a direita que veio falar contra a experiência da privatização em Goiás.

Também no setor de energia, nós tivemos recentemente… Depois foi privatizada a companhia energética de São Paulo. E aconteceu exatamente aquilo que nós estamos falando que deve acontecer: demissão de 30% dos trabalhadores. E São Paulo ficou vários dias, no período da chuva, sem luz. A culpa foi atribuída aos vendavais, que derrubaram árvores. Sim, mas lá sempre ocorre vendaval, que derruba árvores. O problema é que não há pessoas suficientes para irem lá religar a luz, porque um monte de gente foi demitida. E no Amapá também, com aquela empresa privada de energia. Lá eles ficaram uma semana, duas semanas sem energia.

Mesmo a gente falando dessas experiências, das experiências de privatização de saneamento em vários países do mundo, mesmo a gente falando que estão retornando, que as empresas estão sendo reestatizadas, não assimilam essa discussão. Há mais de 20 anos, empresas de saneamento foram privatizadas pelo mundo afora, e agora elas estão sendo reestatizadas. Será que vão ter que se passar 20 anos – e muitos não estarão aqui mais – para levarem a culpa? Estamos explicando, explicando, explicando e continuamos indo para o lado errado.

Acho que é importante lembrar que as águas e as terras-raras são a grande cobiça do imperialismo pelo mundo afora – já foi o petróleo, e continua sendo. Vejam o que estão fazendo com a Venezuela, que tem a maior quantidade de petróleo descoberto no mundo, muito superior à quantidade do Brasil. Há anos eles estão tentando dar um golpe. O exército dos Estados Unidos sequestrou o Chávez e teve que devolvê-lo por causa da reação popular. Aliás, abro parênteses: hoje o Flávio Bolsonaro defendeu que os Estados Unidos venham ao Rio de Janeiro para bombardear a Baía de Guanabara. É mole, gente? Enquanto fazemos este debate, ele disse isso para a imprensa. Para a imprensa, gente. Quem ainda não viu isso, depois procure.

Então é isso. O capitalismo traz a guerra para a humanidade. Estamos vendo o genocídio em Gaza, a guerra na Ucrânia e as mais de trinta guerras que acontecem pela África e não são noticiadas. E eles vão atrás da água ou pelo método da privatização, que está sendo feito aqui, ou pela guerra. Então nós, os companheiros e as companheiras do Bloco Democracia e Luta, estamos sentados aqui, até agora, fazendo esta discussão, porque somos militantes. Como disse o deputado Cristiano, vamos terminar esta reunião para cima, porque ainda vamos ter um processo desgastante como este no 2º turno. Vamos ter um processo desgastante como este se colocarem para votar a privatização no 1º turno, no 2º turno, com seis reuniões, com audiência pública, com debate, com tudo a que se tem direito. Então será um longo caminho até chegarmos ao final desta discussão, mas vamos ganhar essa parada, pessoal. Sou vascaíno; não perco a esperança. (– Palmas.) O Vasco é o time da virada. E vamos ter que discutir novas estratégias daqui para frente, como disse a companheira Beatriz Cerqueira.

Então vamos terminar aqui, hoje. Parece que há mais duas falas, e a PEC deve ser colocada em votação. Mas eu chamo atenção para todas as falas feitas pelos deputados do Bloco Democracia e Luta, que apresentaram questões muito importantes. E as falas foram muito elucidativas, não é, gente? Elas foram muito elucidativas. Todo mundo já está com essa discussão na ponta da língua para levar para a sociedade e explicar o que está acontecendo aqui. Quero agradecer a todo mundo que está aqui até agora, até este momento, por toda a luta que está sendo feita. Força na luta, pessoal! Obrigado.

O presidente – Obrigado, deputado Betão.