DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 64, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023
26ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/10/2025
Palavras do deputado Doutor Jean Freire
O deputado Doutor Jean Freire – Boa madrugada para todos, para os colegas deputados. Olha, gente do Mucuri e do Jequitinhonha, de Almenara, eu poderia subir aqui com alguns papéis que nós preparamos para mostrar, algumas matérias. Eu poderia falar aqui, como todos nós, do Bloco Democracia e Luta, estamos preparados para debater esse assunto, porque conhecemos a causa. Mas eu resolvi, Professor Cleiton, neste meu encaminhamento, não entrar diretamente nesse assunto. Eu fiquei andando pelo Plenário, olhando no rosto de cada um e pensando: adianta eu falar para os meus colegas deputados, Betão? Eu vou conseguir convencer os meus colegas deputados? Será que eu vou conseguir? Será que cada voto já não está marcado para existir?
Então quero me dirigir a vocês, quero falar com vocês: olha, gente, aos meus 13 anos de idade – eu tenho 54 anos –, eu estava nas ruas lutando – aos meus 13 anos.
Eu tive a oportunidade de conhecer D. Pedro Casaldáliga aos 13 anos de idade, de conhecer Frei Betto aos 14 anos de idade, de conhecer Leonardo Boff aos 15 anos de idade. Eu tive a oportunidade de ter o meu primeiro curso de fé e política ministrado por Durval Ângelo – e tive a felicidade de ser deputado aqui, junto com ele – quando eu tinha 16 anos de idade. Nos dias 1º de maio, nós saíamos na rua, eu e outras crianças, pedindo para que os patrões fechassem os seus comércios. Ou, se não quisessem fechar, que eles ficassem trabalhando e deixassem os trabalhadores e trabalhadoras de folga, descansando no dia 1º. Depois eu tive a oportunidade de que… Esses mesmos que me formaram, que me ensinaram o que era reforma agrária, que me ensinaram que a rua é também escola de luta pagaram os meus estudos na universidade. Eu me formei médico e voltei para atuar no mesmo hospital onde fui porteiro.
Eu estou contando essa história porque, quando a minha filha nasceu e quando o meu filho nasceu, também apresentei as ruas para eles como espaço de luta. Se olharem nas minhas redes sociais, vão ver a minha filhinha, ainda nova, defendendo a presidenta Dilma, defendendo o presidente Lula, nas ruas; vão ver a minha filha no encontro do Levante da Juventude; vão ver a minha filha e o meu filho em assentamentos e acampamentos.
Eu aprendi – ainda hoje, a deputada Beatriz comentava isso – que é preciso luta, que nós temos que lutar. As coisas não vêm de graça, não! É preciso lutar. É por isso que eu quero me dirigir a vocês, eu quero me dirigir a vocês. Prestem atenção! Eu quero verdadeiramente me dirigir a vocês e dizer… Por favor, eu quero dizer a vocês: é bonito a gente dizer “Eu não vou embora”, mas vai chegar o momento de ir embora. Mas eu quero pedir a vocês que não deixem essa luta ser em vão. Na hora de irem embora, voltem para a casa, mas voltem com mais força para lutar. Voltem para a casa e chamem o seu vizinho. Essa luta só está começando, companheiros e companheiras. Voltem para a casa. Ainda há tempo de hoje, porque já é sexta-feira, adquirirem um megafone e voltarem para a casa.
Independente do resultado, a luta não acabou. Voltem para a casa. Vamos para a porta das escolas. Vamos para a porta das fábricas. Vamos trazer o povo para a luta. Vamos trazer o nosso povo para a luta. Vamos mostrar ao nosso vizinho que fala que falta água em casa, vamos mostrar a ele o valor de cada servidor, mas, sobretudo, o valor dessa empresa. Vamos convencer os professores e os PMs a virem para essa luta. Aliás, eu já vejo aqui os companheiros que eu chamo carinhosamente de coletes verdes, que são os servidores do meio ambiente, que sofrem, que não têm reajuste salarial há anos, mas que colocam o recurso no caixa único deste estado. E não há recurso para reajustar o salário deles!
Eu peço a vocês, meus irmãos de luta, eu peço a vocês: não desanimem, não desanimem, porque este é só o início dessa luta. Eu quero um compromisso de vocês, eu quero um compromisso de vocês. (– Manifestação nas galerias.) Eu quero um compromisso de vocês. Eu queria terminar a minha fala pedindo a vocês para dizerem simplesmente o seguinte: “Eu vou lutar”. Vamos lá? Eu vou lutar, eu vou lutar, eu vou lutar, eu vou lutar! (– Manifestação nas galerias.)
Vamos convocar a sociedade mineira, vamos convocar a cultura! (– Manifestação nas galerias.) E, para terminar a minha fala, quero lembrar que, há poucos dias, três senhores deram uma lição para nós, brasileiros: Caetano, Gil e Chico Buarque de Holanda, que convocaram os brasileiros para irem para a rua. Por isso vamos convocar os mineiros para ocuparem os espaços da rua para defenderem a Copasa. Muito obrigado.