DEPUTADO CELINHO SINTROCEL (PCDOB)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 53, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023
26ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/10/2025
Palavras do deputado Celinho Sintrocel
O deputado Celinho Sintrocel – Quero, mais uma vez, retornar a esta tribuna, cumprimentando todos os servidores e servidoras da Copasa com um bom-dia. Bom dia, não é, gente? Já é mais de meia-noite. Já estamos no amanhecer do dia. E retorno a esta tribuna para que eu possa fazer mais algumas considerações.
Primeiro, quero dizer a cada um dos deputados e deputadas que me posiciono de forma totalmente contrária ao requerimento colocado para ser votado agora, porque, se temos convocação nesta Casa hoje para nos reunir, como iniciamos agora à meia-noite, às 6 horas, às 10 horas e, quem sabe, até meio-dia, nós temos que discutir requerimento por requerimento. Não faz sentido votar um conjunto de requerimentos. Por isso, eu me alinho aos nossos parlamentares do bloco, encaminhando pela votação contrária a este requerimento.
Mas quero aqui também fazer um lamento. Eu gostaria de estar nesta Casa, como estou agora há quase mais de 12 horas, num momento desse discutindo projetos de lei que pudessem garantir mais políticas públicas em favor do povo mineiro. Eu gostaria de estar discutindo aqui hoje projetos de lei para garantir toda a recomposição salarial de perda salarial de todos os servidores de Minas, seja ele da educação, seja ele da saúde, seja ele da segurança, enfim, de todos os servidores do Estado. Mas é lamentável estar aqui, hoje, em um horário já avançado, para discutir a PEC nº 24, que tira o direito do povo mineiro de votar pela aceitação ou não da privatização da Copasa.
Nós estamos na contramão da história. Uma pauta dessa não é a favor do povo mineiro. Uma PEC dessa natureza – a PEC do Cala a Boca, a PEC da Madrugada – simplesmente cala o povo mineiro. Nós não podemos compactuar com essa PEC nº 24, do governador Zema. Eu tenho muita tranquilidade de me posicionar diante de uma matéria dessa, porque a democracia é o maior patrimônio que o povo mineiro e o povo brasileiro têm. No momento em que se coloca uma proposta como essa, entendo esse ato como uma verdadeira ditadura, porque, se foi dado o direito ao povo de definir se quer ou não privatizar uma empresa pública, esta Casa não tem o direito de tirar do povo mineiro a prerrogativa de opinar pela privatização ou não. Nessa lógica, fico certo de uma coisa: a PEC nº 24, a PEC do Cala a Boca não se sustenta em nada. Nessa PEC não se diz a razão de se propor um ato antidemocrático como esse. No entanto, sabemos a quem interessa essa privatização. A gente sabe quem quer a privatização.
E hoje, nesta Casa, eu tive a oportunidade de ouvir alguns deputados dizerem que o governador Zema já está há quase oito anos no governo, e ele tem o direito de privatizar, pelo menos, a Copasa. Ora, a gente não tem como concordar com essa proposta. Por isso precisamos continuar lutando. De forma alguma, vamos nos afastar aqui do Parlamento, enquanto estiverem aqui servidores e servidoras da Copasa e lideranças políticas que trabalham e lutam contra esse absurdo, esse crime contra o povo mineiro.
Eu sei o prejuízo que é privatizar a Copasa. Nós não estamos no Estado do Espírito Santo, que é um estado de uma extensão territorial tão pequena. Estamos em Minas, que tem 853 municípios, e eu tenho certeza de que a privatização da Copasa só vai trazer prejuízo para o povo mineiro. Ela não vai garantir investimento algum na política de abastecimento de água, na política de saneamento básico. É certo que a privatização vai aumentar as tarifas a serem cobradas do trabalhador, da trabalhadora, do aposentado, da aposentada, da pensionista, do povo que trabalha e que vai pagar caro. Eu tenho certeza de que, uma vez a Copasa privatizada, quem comprá-la não vai, de forma alguma, abrir mão dos lucros, e quem vai pagar essa conta é o povo mineiro.
Volto a dizer que eu gostaria muito, mas muito mesmo, de estar votando projetos de investimento e garantindo estação de tratamento de esgoto em todos os municípios e distritos deste Estado. Eu gostaria de estar votando investimento em estação de tratamento de água para todo o povo mineiro, para 100% dele. Mas isso a privatização não propõe. A privatização não vai ao encontro desse desejo de melhorar a vida do povo mineiro. Ela vai sempre buscar garantir mais lucros, mais dividendos.
O governo, a cada momento, mente para a população, porque queria um Regime de Recuperação Fiscal. Esta Casa defendeu o Propag. Mas, para que pudessem aderir ao Propag, disseram que precisavam de mais tempo para aderir, para fazer a federalização. O governo federal fez o decreto. Mesmo assim, insistem em trazer este projeto, esta PEC danosa, para a Assembleia Legislativa.
Vamos aqui, mais uma vez, dizer a cada um de vocês, telespectadores; a cada um de vocês, meu povo mineiro; a cada um de vocês, trabalhadores e trabalhadoras: nós, deputados do Bloco Democracia e Luta, não vamos faltar com a verdade e não vamos faltar com a luta por defender que não aceitamos e não aprovamos a PEC nº 24. Somos contra a PEC nº 24, somos contra a privatização. Estamos aqui para defender as nossas estatais e a nossa soberania!
Não encerrei o meu tempo e quero terminar dizendo para vocês… Presidente, quero dizer aqui: eu não vou embora, eu não vou embora, eu não vou embora, eu não vou embora! (– Manifestação nas galerias.) Arlen Santiago, queremos mais investimento no Norte do Estado. Por isso que não vamos embora, Arlen Santiago. O Norte precisa da Copasa, da Copanor. Minas precisa da Copasa! Contem com o nosso apoio!