DEPUTADO RICARDO CAMPOS (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 42, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023
25ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 23/10/2025
Palavras do deputado Ricardo Campos
O deputado Ricardo Campos – Boa noite mais uma vez, caro presidente, caros colegas deputados e caras colegas deputadas. Minha saudação também, mais uma vez, a todo o povo “copasiano” que se faz presente aqui conosco, ao presidente do Sindágua, Eduardo, e a toda a diretoria, ao pessoal do Sindieletro, à CUT e aos movimentos sociais que acompanham presencialmente o que estamos vivendo na noite de hoje. Também quero saudar os milhares de trabalhadores da Copasa em toda Minas Gerais, que nos acompanham pela TV Assembleia e pelas redes sociais do nosso mandato. Não paro de receber mensagens no meu celular com pedidos de apoio, com pedidos de que possamos hoje encerrar essa discussão, arquivar esse projeto, para que todo mundo possa voltar para casa tranquilo.
Inicio a minha fala pedindo que possamos aprovar a defesa do povo mineiro. No mérito em questão, venho propor aos nossos colegas deputados que rejeitem esse requerimento trazido aqui. Sabe por quê, gente? Porque a anexação de vários requerimentos não pode esconder, dentro de um deles, aquilo que não vai ser debatido. Então eu queria dizer aos nossos colegas deputados que anexar qualquer eventual requerimento sobre qualquer assunto que possa ser discutido é, no mínimo, uma forma de burlar o sistema, e mais que isso, é tentar calar a boca dos nossos colegas parlamentares. Eu acho que a proposta, por si só, já é viciada, mas, como é um direito de todo parlamentar propor aquilo que acha… Eu quero dizer que esse requerimento tem que ser rejeitado por nós. Por quê? Ao longo da discussão, poderão surgir várias dúvidas, poderão surgir vários questionamentos. E caberá a qualquer um dos nossos 77 deputados apresentar uma forma que garanta, segundo o Regimento Interno, os seus devidos questionamentos, os seus devidos apontamentos. Então, acredito que esse requerimento, por si, é viciado.
É muito interessante o que foi trazido aqui pelo deputado Professor Cleiton. O senhor conseguiu tocar mais ainda o coração de um trabalhador que está aqui há 25 anos. Em 1999, ingressei nesta Casa como office boy, como trabalhador mirim, que todo mundo chama hoje de jovem aprendiz. Eu tive uma alegria imensa de poder aqui… O Professor Cleiton me deu a honra de citar o nome do meu amigo e ex-deputado Ivo José, um dos membros da Mesa que aprovou a Proposta de Emenda à Constituição nº 50, que garante esse arcabouço jurídico em favor do patrimônio mineiro. É engraçado que haja parlamentares decanos aqui que no dia a dia são amigos de todos os governadores, fazem entregas, anunciam aquilo que eles não cobram ao longo dos anos. O nosso trabalho aqui, gente, é defender o patrimônio mineiro, e mais que isso, é pautar que o orçamento do Estado seja proposto essencialmente para quem mais precisa. Eu tenho muito orgulho de, na minha trajetória, ter contribuído por um ano e meio como diretor de Operações Norte da Copasa e conhecer cada um dos trabalhadores e cada uma das trabalhadoras dessa empresa. São pessoas honradas, que constroem a maior companhia de saneamento do mundo.
Normalmente, quando me perguntam sobre essa possível privatização… Há um tempo, nós tínhamos a desculpa de que era para abater a dívida que o atual governador de Minas Gerais, o Zema, nunca pagou. Mas hoje nós temos a garantia do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de que essa incorporação pode ser anexada até 2026, ou seja, o presidente Lula fez com que caísse goela abaixo do governador e dos seus aliados a discussão sobre a privatização. O que nós estamos discutindo aqui, gente, não é uma eventual privatização com ou sem referendo. Por nós não passarão aqui nem a privatização nem o fim do referendo, porque a vontade popular é soberana e tem que ser respeitada. Mas aí vem a indagação: se a questão do abatimento da dívida com a União já não requer mais a necessidade de uma privatização, por que esse assunto ainda existe nesta Casa?
Quem conhece bem o que é a democracia, não só o que está escrito no dicionário, mas na prática, sabe que aqueles que estão no poder hoje não admitem um ex-office boy assumir esta tribuna; não admitem, companheiro Leleco, uma mulher negra, trabalhadora, estar aqui, neste Parlamento; não admitem que vários companheiros e companheiras defendam realmente quem precisa ser defendido, que é o povo de Minas Gerais. Essa é a prerrogativa, gente. Querem privatizar para favorecer a mesma minoria elitista de sempre, aquela que financiou a campanha do governador e a campanha de muitos que estão aqui hoje. Por isso, acho que esse requerimento tem que ser reprovado por nós. E mais que isso: que nós possamos fazer uma reflexão e perceber que esse projeto é descabível e que, por si só, fere a Constituição Federal, como bem disse a colega deputada Bella. Por quê, gente? Porque não estamos no Parlamento para construir arcabouço jurídico imperfeito.
Aqui nós temos vários colegas que são graduados na área do direito. Eu sou da administração pública e poderia muito bem confrontar esse debate com eles. Só que aqui não cabe isso, mas sim entendermos aonde queremos chegar. Quem é a favor de o povo mineiro poder sempre manifestar-se a respeito daquilo que é do seu interesse? O nosso interesse é trazer para o povo mineiro.
Durante o período em que estivemos na Diretoria de Operações Norte da Copasa, pudemos ver uma empresa que foi deficitária nos governos anteriores, nos governos tucanos. Contudo, mesmo com a fragilidade financeira do Estado de 2015 a 2019, a Copasa foi entregue ao atual governo, em 2018, com um patrimônio líquido de R$6.000.000.000,00 lá em 2019. Hoje essa empresa, que é a maior companhia de saneamento do mundo e uma das 100 maiores empresas – e os próprios trabalhadores afirmam ser um dos melhores lugares para se trabalhar –, pode ser dada a preço de banana por quem gosta de comer banana com casca aos empresários. Eu acho que é descabível, gente! É descabível estarmos aqui discutindo algo que, no senso comum, não tem lógica. É uma empresa que, por si só, lucra anualmente R$1.300.000.000,00. Se o governador quisesse cumprir os contratos de programa para colocar água em todos os distritos conforme estabelecido, serviria muito bem. É o valor de R$1.000.000.000,00, deputado Celinho! Esse valor é muito interessante em quase tudo o que trago de narrativa aqui, porque R$1.000.000.000,00 é o valor que deixamos para projetos, lá em 2018, como o programa para o Semiárido, visando levar água para todos os distritos e municípios do Norte de Minas, do Jequitinhonha, do Mucuri e do Noroeste. Esses programas só serão realizados se a Copasa continuar como companhia pública, porque os exemplos de sucateamento de empresas públicas ocorridos no Rio de Janeiro e com a Sabesp, assim como em outros estados do Brasil, mostram que quanto mais se privatiza menos saúde, menos qualidade de vida e menos água tratada há na casa de quem mais precisa. Essa é a discussão.
Lá em 2015, durante a maior crise hídrica ocorrida no Brasil ou em Minas Gerais nos últimos 50 anos, a Copasa resolveu o desabastecimento de água em Montes Claros. Eu estava lá e testemunhei. A Copasa resolveu o desabastecimento de água da região metropolitana com grandes investimentos.
Eu quero convidar os deputados para que, da mesma forma que vão às cidades tentar vender aquilo que não constroem no dia a dia principalmente para vocês, “copasianos”, os defendam e os apoiem. Os nossos “copasianos” têm tudo aquilo de que precisamos. Muito obrigado, presidente.
O presidente – Obrigado.