DEPUTADO BETÃO (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/10/2023
Página 29, Coluna 1
Indexação
69ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 18/10/2023
Palavras do deputado Betão
O deputado Betão – Boa tarde, presidenta; deputado Cristiano Silveira; deputado Arlen; demais deputadas e deputados; trabalhadores da Casa; todos aqueles que nos acompanham por todas as mídias e redes sociais.
Sra. Presidenta, ontem eu não tive a oportunidade de falar aqui, porque todos os inscritos falaram e eu estava em sexto lugar, então, não houve a possibilidade. Nós escutamos aqui, ontem, nesta Assembleia, uma série de barbaridades sobre o tema que trata do conflito entre Israel e a Faixa de Gaza. Utilizam, repito – já repeti isso aqui várias vezes –, a TV Assembleia para espalhar fake news a todo momento, com a única razão de atacar o Partido dos Trabalhadores. Debruçam-se sobre os cadáveres que são produzidos a todo momento nesse conflito para atacar o Partido dos Trabalhadores. Não há nenhuma perspectiva ali de condolências àquelas vítimas, judeus ou palestinos. A intenção é esta: atacar, atacar os militantes de esquerda. Até as fake news que foram produzidas na região, como a da decapitação de bebês, que foi desmentida pela própria imprensa israelense, utilizaram aqui, neste Plenário. Então, repito, usar a dor das pessoas que vivem naquela região para fazer um ataque político a adversários é uma verdadeira barbaridade, como a que nós assistimos aqui, neste Plenário, ontem.
É uma situação muito complexa a que se vive lá, naquela região. O enunciado da terceira Lei de Newton é descrito da seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. Isso vale para a física e vale para as ciências humanas. É uma situação que não para de se repetir. Eu imagino como se sentiriam alguns deputados se seus familiares, por exemplo, estivessem no aeroporto de Brasília, quando aquele terrorista bolsonarista colocou uma bomba num caminhão carregado de explosivos. E se aquilo tivesse explodido, atingido milhares e milhares de inocentes, matando-os, ferindo-os? Com certeza, haveria uma reação. E isso vai se perpetuando. É a situação que está acontecendo hoje, naquela região de Israel, da Palestina.
Enquanto alguém discursava e falava uma série de bobagens aqui, um foguete atingiu um hospital, matando 500 pessoas, segundo relatos da imprensa local. Não estou aqui querendo fazer uma série de acusações contra os deputados que, infelizmente, nem se encontram aqui, neste momento, mas eu escrevi um texto para que não haja erro nesta discussão, que, como eu disse, é muito complexa e não tem solução com os acordos que foram feitos, ditados pelos Estados Unidos.
E essas imagens terríveis de centenas de mortos, de milhares de feridos, de destruição massiva das habitações e infraestruturas civis causam medo. São tapetes e tapetes de bombas, civis baleados nas ruas. Recentemente, houve o anúncio pelo Exército Israelense do cerco total à Gaza. Não há mais eletricidade, não há água, não há mais entrada de produtos alimentares. Essas são as imagens da guerra.
Eu quero, publicamente, me colocar totalmente solidário com os trabalhadores e com os povos que se encontram em ambos os lados da linha de frente, que são as principais vítimas das ações daqueles cujo único objetivo é defender a ordem imperialista. Desde a divisão da Palestina, em 1948, decidida pela ONU, existe uma espiral ininterrupta de violência. Desde então, a criação do Estado de Israel provocou a expulsão de centenas de milhares de palestinos de suas casas, de sua terra. Patrocinado pelos Estados Unidos, em 1993, é assinado um suposto plano imposto tanto aos líderes israelenses quanto aos líderes da Organização para a Libertação da Palestina – OLP –, conhecido como Acordo de Oslo. O fato é que, de lá para cá – são mais de 30 anos –, a suposta solução dos dois estados não fez mais do que aprofundar a destruição do povo palestino, e não sem a resistência desse povo, que combateu tal solução.
Chamo a atenção para o seguinte fato. Em 1964, formava-se o Movimento Nacional Palestino, que adotou uma carta que dizia: “O movimento de libertação palestiniana declara solenemente que o objetivo final dessa luta reside na restauração do Estado democrático e da Palestina independente, onde todos os cidadãos, independentemente da raça e da religião, gozarão direitos iguais”. Em seguida, em 1970, o II Congresso Mundial sobre a Palestina, organizado pelo Movimento Nacional Palestino, declarou o seguinte: “Todos os judeus, muçulmanos e cristãos terão direito à cidadania palestina”. Então, companheiros e companheiras, passados 30 anos desde o Acordo de Oslo, a situação de destruição dos povos na Palestina só se aprofundou. São três décadas, três décadas de violência, de bombas, de destruição, do bloqueio à expulsão de famílias e à destruição de casas nessa região da Faixa de Gaza, de expropriação de terras.
Por isso eu me felicito com o crescimento – é aqui que eu chamo a atenção – entre judeus e palestinos, dentro de Israel, dos territórios ocupados e da diáspora, da proposta de um único estado, um único estado com as duas componentes nacionais.
A outra solução adotada não obteve resultado. Não podemos mais conviver no mundo com esse caos, com essa destruição que vive toda aquela região e que tem a tendência de se alastrar, nos próximos dias, para outros países do Oriente Médio. O meu partido, o Partido dos Trabalhadores, diferentemente do que aqueles deputados diziam, condena, desde a sua fundação, todo e qualquer ato de violência contra civis, seja de onde vier. Por isso condenamos os inaceitáveis assassinatos de civis cometidos tanto pelo Hamas quanto pelo Estado de Israel, que realiza, neste exato momento, um genocídio contra a população de Gaza.
Mas é preciso denunciar também, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, o atual governo de Israel, que, a pretexto de atacar o Hamas, está cometendo crimes de guerra, com o assassinato em massa de civis. E ainda: bombardeio em hospitais, em instalações da ONU, corte no fornecimento de água e energia, como eu já disse. Tenho certeza de que o governo do presidente Lula redobrará esforços, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, por um cessar-fogo imediato e pelo fim do bloqueio de Gaza pelo Estado de Israel, aliás, isso foi votado agora há pouco com 12 votos a favor, 1 voto contrário e 2 abstenções, deputado Jean Freire. E foi vetada pelos Estados Unidos a resolução apresentada pelo governo brasileiro no Conselho de Segurança da ONU. Então, continua a mesma coisa. Por fim convoco o povo mineiro a participar das atividades que já estão ocorrendo em nosso estado em defesa da paz, em defesa do direito do povo palestino a uma vida pacífica e com soberania nacional. Dos riscos de uma escalada do conflito que pode vir a acontecer, o mundo não precisa mais; o mundo precisa de paz.
E quero aproveitar este meu tempo aqui ainda para enfatizar a minha manifestação de solidariedade aos familiares das quatro pessoas que morreram ontem aqui, em Belo Horizonte, vítimas de um acidente de trabalho na obra de um supermercado, e que estão sendo veladas e enterradas hoje. Nós vamos amanhã, na Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, que ocorre às 10 horas da manhã, tomar algumas medidas, inclusive com uma oitiva que será feita junto ao sindicato dos trabalhadores da construção civil, que estará presente – já garantiram a sua presença – para esclarecer e demonstrar mais uma vez que a reforma trabalhista que foi feita na época do golpista do Michel Temer fez com que diversas categorias passassem a exercer suas funções numa condição muito mais insalubre e muito mais perigosa do que a que existia antes com as regras que eram adotadas; e essa é uma relação que existe com o acidente que vitimou essas pessoas ontem.
Portanto, presidenta, eu termino aqui o meu pronunciamento. Espero que esse pronunciamento possa ser assistido pelos deputados que fizeram aquelas falsas acusações ontem aqui, no Plenário, e que eles possam fazer uma reflexão sobre o que disseram. Obrigado, presidenta.