DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 31/08/2023
Página 133, Coluna 1
Aparteante LELECO PIMENTEL
Indexação
57ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 29/8/2023
Palavras do deputado Cristiano Silveira
O deputado Cristiano Silveira – Boa tarde! Pois não. Fique à vontade, deputado Leleco Pimentel.
O deputado Leleco Pimentel (em aparte) – Deputado Cristiano, deputados da Assembleia, sem o risco de ser esta aqui uma ofensa aos deputados que falaram anteriormente, gostaria de promover uma higienização deste microfone tão importante em que as palavras são de vida, mas que ontem foi infectado pela boca imunda, suja daquele que promoveu morte no Brasil. Então, gostaria de pedir que eu pudesse higienizá-lo para o senhor para que as palavras do senhor possam ecoar daqui sem serem contaminadas por aquele que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil, que roubou e que levou a dignidade de um presidente da República para o lixo depois de roubar tantas joias. Muito obrigado, deputado Cristiano. Agora o senhor vai ter condições de fazer sua fala com tranquilidade.
O deputado Cristiano Silveira – Agradeço ao deputado Leleco pela gentileza de cuidar aqui da condição sanitária deste púlpito porque realmente a Assembleia Legislativa ontem, de certa forma, foi contaminada. Mas o Parlamento mineiro é forte, sobrevive a essas questões. Inclusive, deputado Leleco, eu, quando vinha para a Assembleia, parei no caminho e encontrei um conhecido. Ele falou assim: “Deputado, você está indo para a Assembleia?”. Eu respondi: “Estou indo”. “Olha, você dá uma olhada para ver se aquele brasão dourado que fica lá perto da mesa está lá, porque, se ele é dourado, podem ter achado que era ouro e joia, e alguém pode ter levado.” Mas parece que o brasão dourado aqui permanece em segurança. Não é de ouro.
Mas, quando a gente fala sobre o evento que ocorreu aqui ontem, tirando a parte em que as pessoas acabam, de certa forma, fazendo uma crítica até com pitada de humor, o assunto é sério porque Minas Gerais conceder título de cidadão a um sujeito que tanto fez mal ao Brasil e também a este estado é um absurdo, é um absurdo! Minas Gerais tem como cidadãos pessoas de grande relevância, de trabalho prestado para este estado, para este país. A terra de Tiradentes, de Tancredo, de Guimarães Rosa e de tantos outros que tanto contribuíram com a construção do nosso estado não tem a mínima condição de chamar de conterrâneo um sujeito que tanto mal fez para Minas Gerais.
O governador fez questão de aqui dividir então o espaço, prestigiar, conceder uma honraria importante do povo mineiro a um sujeito que está, neste momento, vivendo uma séria investigação por corrupção, uma investigação que aponta indícios fortes de que ele tenha participado de atos ilícitos relacionados à questão das joias, que o Brasil inteiro tem acompanhado – eu não preciso explicar –, ao Rolex e relacionados também ao dia 8 de janeiro, à participação efetiva do Bolsonaro com o hacker. Enfim, o momento em que o sujeito está respondendo a denúncias tão graves é o momento em que o governador acha oportuno trazê-lo para estar ao lado dele e para receber o título de Cidadão de Minas Gerais, Estado que o derrotou, porque Minas Gerais elegeu o presidente Lula e disse “não” a ele.
Mas essa foi a escolha do governador. Há um ditado popular que diz: “Diga-me com quem andas, que te direi quem és”, e Romeu Zema está demonstrando quem, de fato, é. Ele quer ser, pretende ser talvez um Bolsonaro piorado de Minas Gerais. É impressionante como o governador tenta ser aquilo que o povo rejeita, como ele tenta ser aquilo a que a sociedade disse “não”, como ele tenta ser aquilo… Mesmo os seus eleitores agora, segundo as pesquisas, começam a dizer que o governo Lula está no caminho certo – e são 22% – e começam a abandoná-lo. É um sujeito que começa a ter um derretimento no seu capital político de qualquer resquício que ainda atinge uma reputação. Mas o governador, neste momento, quer se aliar e se tornar imagem e semelhança desse sujeito. O governador, então, homenageia aquele que permitiu que mais de 700 mil pessoas morressem neste país, uma das piores crises sanitárias, a pandemia da covid-19. E, dentro desses mais de 700 mil, em Minas Gerais, foram 65 mil mineiros. O governador Romeu Zema fez uma homenagem àquele que fez com que 65 mil dos nossos conterrâneos perdessem a vida por negligência do governo federal, por pura negligência, porque fazia apologias ideológicas sem fundamentação científica, quando ele mesmo e sua família teriam sido vacinados inclusive. Ele homenageia e concede o título àquele que permitiu que 65 mil irmãos mineiros perdessem suas vidas pela covid-19. A resposta que o governador tem para essa negligência, para esse crime cometido, e portanto recebeu o nome de genocida, foi homenageá-lo com o título de cidadão. Que as famílias dos mineiros que perderam suas vidas não nos ouçam. Ele não nos representa.
O deputado Arnaldo se lembrou do parlamentar, amigo nosso, deputado Leleco – V. Exa. não teve a oportunidade de com ele conviver –, homem de uma envergadura política importante. Não era do nosso partido, não era do nosso espectro ideológico, mas era um sujeito de decência e compromisso com o povo mineiro. Luiz Humberto Carneiro perdeu a vida por covid. Este Parlamento recebeu ontem um sujeito que é o responsável por tantas pessoas terem morrido, inclusive colegas deste Parlamento. Cito Luiz Humberto Carneiro, cito Pinduca, cito Ivair Nogueira e outros que perderam a vida por causa da covid. E a resposta que o governador de Minas Gerais deu a isso tudo que aconteceu foi homenagear quem tem tanta responsabilidade por isso. Ele homenageia aquele que tirou, deputada Macaé, R$12.000.000.000,00 dos cofres do Estado de Minas Gerais; e já vi o governador, por várias vezes, reclamar de dificuldade financeira pela queda da arrecadação do ICMS. E o que aconteceu? Vislumbrando as eleições, fazendo tudo que era possível para tentar garantir a sua reeleição, o presidente, então, inelegível hoje, tentou uma redução artificial dos combustíveis, o que a gente sabia que não se sustentaria, retirando dos estados e dos municípios dinheiro importante para cuidar da saúde, da educação, de obra e tudo mais.
Foram R$12.000.000.000,00 que esse sujeito tirou dos cofres de Minas Gerais, e já vi o governador reclamando na imprensa, reclamando em jornal. E o que o governador faz? Recebe esse sujeito aqui para lhe fazer homenagem, homenageia aquele que tirou dinheiro do povo de Minas Gerais. O governador recebe aqui aquele que estrangulou as nossas universidades, que durante um bom tempo não tinham recurso sequer para o custeio de suas atividades; aquele que não entregou nenhuma obra estruturante para Minas Gerais, pelo contrário, que esteve neste estado com o governador fazendo o lançamento de pedra fundamental, de pedra inaugural em obras de rodovia cujos recursos ele próprio, depois, foi vetar no orçamento. Esse é o sujeito que muitos aqui acham que merecia receber o título de cidadão mineiro, que muitos aqui têm orgulho de chamá-lo de conterrâneo. Eu não o farei e não permito que o façam aqueles que têm o mínimo de consciência política, de consciência crítica, de consciência cidadã.
É uma vergonha para nós, parlamentares, que vivemos um momento tão trágico da história deste país e perdemos colegas durante a pandemia, vermos aqui esse sujeito receber o título de cidadão mineiro. É uma vergonha. É lamentável. Esse sujeito que vem aqui, então, receber o título de cidadão mineiro, ser homenageado, ser prestigiado por Romeu Zema é aquele cuja família tem grande envolvimento com a milícia. As pessoas sabem o que é milícia e o que ela significou no Estado do Rio de Janeiro, por exemplo. É aquele que tem relações com os milicianos, a quem seus familiares já prestaram homenagem em casas legislativas no Rio de Janeiro.
Olhem, o ministro da Justiça Flávio Dino, há poucos dias, esteve aqui, em Minas Gerais, para anunciar a entrega de 62 viaturas para a segurança do Estado; esteve aqui para entregar mais 67 pistolas, armas de fogo; esteve aqui para inaugurar o hangar da Polícia Rodoviária Federal; esteve aqui para inaugurar o serviço aeromédico que vai ser feito com helicóptero e aeronave da Polícia Rodoviária Federal; esteve aqui para dizer para o Estado de Minas Gerais que serão mais de R$70.000.000,00 já imediatamente, a curto prazo, e que o governo do Estado vai receber R$39.000.000,00. E onde estava o governador? Não estava lá. Não estava lá para receber recurso em nome do povo mineiro. Não estava lá para receber o ministro que veio anunciar recursos e investimentos na segurança pública, mas se fez presente aqui, para homenagear aquele que foi extremamente negligente, aquele que não viu Minas Gerais no seu horizonte, a não ser para poder vir aqui buscar e pedir votos.
E, por falar em Minas Gerais, o novo governo federal, o presidente Lula, já anunciou que serão mais de R$60.000.000,00 da retomada do Novo PAC. Mais de 400 cidades mineiras serão beneficiadas com a retomada de obras importantes e haverá o início de obras que são fundamentais para o povo de Minas Gerais. Essa é a diferença. Por isso, eu peço escusas aos meus colegas pela minha indignação, porque ontem foi um dia lamentável na história do Parlamento de Minas Gerais. Lamentável! Estiveram presentes aqui, do lado de fora, centenas de populares que também não concordavam e que diziam que ele não os representa, que Minas Gerais não deveria estar recebendo-o aqui, que ele não é bem-vindo aqui. A capital, Belo Horizonte, amanheceu com várias faixas penduradas nos viadutos, onde as pessoas alertavam: “Cuidado! Há ladrão de joias circulando em Minas Gerais”.
O governador tem tido uma habilidade incrível de colocar Minas Gerais, a todo momento, nas manchetes nacionais com as piores notícias possíveis. Aconteceu, quando parafraseou Mussolini. Aconteceu, quando teve ato preconceituoso contra os nordestinos. E acontece novamente, quando traz aqui e presta uma homenagem a esse sujeito que o Brasil tanto quer esquecer.
Então, a minha fala, no dia de hoje, é para fazer esse registro, é para dizer que, como deputado desta Assembleia, falando em nome da grande maioria do povo mineiro, porque foi a grande maioria que elegeu o presidente Lula: ele não nos representa, não nos representa. Não chamaremos esse sujeito de conterrâneo. Não é nosso conterrâneo; não é conterrâneo de Tiradentes; não é conterrâneo de Bárbara Heliodora, dos Inconfidentes; não é conterrâneo de Tancredo e Juscelino Kubitschek; não é conterrâneo do povo de Minas Gerais, dos trabalhadores de Minas Gerais. Não nos representa. E o governador marcou a sua passagem pela política mineira com mais um ato vergonhoso, no qual ele se alinha com aquilo que o povo mineiro e brasileiro quer esquecer. Presidenta, essas são as minhas palavras.
Quero dizer, para encerrar e para que nem tudo sejam notícias ruins, porque o nosso trabalho e o trabalho do presidente Lula têm sido feito para que as notícias sejam as melhores possíveis, que o presidente Lula acaba de efetivar mais um compromisso que ele fez na campanha. O que o presidente Lula dizia? Que o salário mínimo voltaria a ter ganho real, porque, no governo desse inelegível, não houve mais o ganho real; sequer, mal-mal, houve recomposição inflacionária. O presidente Lula assinou ontem a lei que garante a política do reajuste do salário mínimo com ganho real e também a isenção da faixa do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$2.640,00, porque caminha no cumprimento da proposta e da promessa de campanha de que quem recebe R$ 5.000,00 será isentado do Imposto de Renda. Esse, sim, recebe as nossas homenagens; e esse, sim, que já recebeu desta Casa o título de Cidadão Mineiro, eu chamo, com muito orgulho, de companheiro e de conterrâneo. Obrigado, presidenta.