DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS ANDRADA (PSDB)
Discurso
Comenta a aprovação do projeto de resolução, de autoria da Comissão de
Constituição e Justiça, que delega ao Governador do Estado atribuições
para elaborar leis delegadas dispondo sobre a estrutura da administração
direta e indireta no Poder Executivo, nos termos que menciona. Declaração
de posição contrária ao veto total à proposição de lei, que dispõe sobre
o tratamento dos casos de hipotireoidismo congênito e de fenilcetonúria,
diagnosticados precocemente.
Reunião
286ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 24, Coluna 2
Assunto GOVERNADOR. EXECUTIVO. SAÚDE PÚBLICA. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Aparteante Durval Ângelo, Adelmo Carneiro Leão, João Paulo, Elbe Brandão, Dinis Pinheiro, Dalmo Ribeiro Silva.
Proposições citadas PRE 2472 de 2002
PL 1528 de 2001
Normas citadas RAL nº 5210, de 2002
LEI nº 14501, de 2002
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 24, Coluna 2
Assunto GOVERNADOR. EXECUTIVO. SAÚDE PÚBLICA. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Aparteante Durval Ângelo, Adelmo Carneiro Leão, João Paulo, Elbe Brandão, Dinis Pinheiro, Dalmo Ribeiro Silva.
Proposições citadas PRE 2472 de 2002
PL 1528 de 2001
Normas citadas RAL nº 5210, de 2002
LEI nº 14501, de 2002
286ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 12/12/2002
Palavras do Deputado Antônio Carlos Andrada
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Sr. Presidente, Srs.
Deputados, público que nos acompanha, telespectadores da TV
Assembléia, estamos aqui para solicitar a derrubada do veto porque
entendemos que a proposição tem um grande alcance social e precisa
prevalecer.
Sr. Presidente, diante de tantos fatos que aconteceram nesses
dias, antes de entrar na matéria em tela, gostaria de tecer dois
comentários a respeito de fatos que mexem com a sociedade mineira
e com o parlamento. Estamos, neste momento, exercendo nosso
mandato, juntamente com 76 parlamentares.
Na noite de ontem, a Assembléia Legislativa aprovou, em 2º turno,
de forma definitiva, a chamada lei delegada, projeto de resolução
que dá delegação de poderes ao Governador eleito, Aécio Neves,
para implementar uma reforma administrativa, permitindo-lhe fazer
o que há muito se debate, mas, infelizmente, governo após governo,
esses debates não têm saído do papel.
O que nos anima neste momento é que o Governador eleito, ao
propor, ao pedir a delegação de poderes por meio de um projeto do
Governador Itamar Franco encaminhado a esta Casa - por solicitação
sua -, demonstra, de fato, vontade, determinação de implementar as
reformas e de não ficar apenas nos debates. Com isso terá um
instrumento legal e constitucional.
Falou-se muito, nos últimos dias, de poderes extraordinários, de
cheques em branco, de poder ditatorial e imperial, mas nada disso
corresponde à ordem constitucional brasileira.
A lei delegada é um instituto que está na Constituição em vigor.
Governadores anteriores utilizaram-se de lei delegada: Hélio
Garcia, Eduardo Azeredo e o atual Governador Itamar Franco. Muitos
parlamentares que ocuparam esta tribuna, em especial os do PT,
votaram a favor da delegação de poderes dada ao Governador Itamar
Franco.
Muitos parlamentares utilizaram o argumento de que a delegação de
poderes dada ao Governador Itamar Franco estava restrita a
salários. Veja bem, que coisa grave, entregar a delegação de
poderes ao Governador para decidir sobre salário, fruto do
trabalho, do suor, de cada um. O indivíduo dormiu sem saber quanto
ia ganhar no dia seguinte.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - Um aparte, Deputado.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Deputado, quero concluir o
meu pronunciamento. Estamos na discussão do veto. V. Exa., se
quiser, poderá utilizar 1 hora para pronunciar-se. Dar-lhe-ei
aparte, com todo o prazer, após concluir meu raciocínio, que será
breve.
A delegação de poder ao atual Governador foi dada, e em uma
matéria importantíssima. Querem desmerecê-la, mas, na verdade, foi
uma delegação fundamental, porque tratou de vencimento, de produto
do trabalho.
Hoje a Bancada do PT reclama que o quadro salarial na educação
está achatado. Na ótica do PT, o Governador teria utilizado mal a
delegação. Vejam bem a importância dessa delegação, como ela
realmente funciona, como teve um significado. Para dar essa
delegação, foi possível.
O pedido de delegação foi para tratar não de funcionário, não de
carreira nem da estrutura do funcionalismo, mas da estrutura do
Estado, e todos concordam que é uma estrutura lenta, inoperante,
ineficiente, porque, anteriormente, não se fez o que era
necessário: reformas pontuais, globais, para que o Estado tivesse
uma estrutura mais ágil, mais competente, mais eficiente. Uma
estrutura que correspondesse não só à vontade do governante, mas à
expectativa da sociedade. O que se pretende, por meio dessa lei
delegada, é dotar o Governador eleito de poderes para fazer com
rapidez uma reforma na estrutura do Estado com limites muito bem-
definidos. Poderá mexer na estrutura da administração direta, nas
secretarias e mexer em parte da estrutura da administração
indireta. O Governador poderá extinguir eventualmente algumas
secretarias, poderá fundir duas ou três secretarias, poderá
alterar a finalidade de uma secretaria que porventura tenha sido
criada há 20 anos; quando da sua criação, alguns fatos não estavam
previstos. É preciso readequá-la, para que essa secretaria
existente possa atuar em áreas em que hoje a lei de sua criação
não permite que ela atue de maneira mais clara e determinada.
O que se pretende é isso, para dotar o Estado de uma máquina
ágil. Não se trata de terceirizar nada, não se trata de
organizações sociais. Não há nada disso no teor da lei delegada.
Os contornos jurídicos são muito claros. O que se pretende é dar
um poder - volto a dizer - que está presente na nossa
Constituição.
Os que não concordam com o instituto da lei delegada que
apresentem uma emenda à Constituição do Estado, liquidando com a
lei delegada. A verdade é que, desde 1988, quando esse instituto,
quando a lei delegada passou a estar presente no texto
constitucional, até hoje ninguém fez nenhuma ação concreta para
que a lei delegada não prevalecesse. Ela está no texto com
concordância de ampla maioria da Casa e pela omissão daqueles que
a criticam, mas não agiram pra que ela não existisse efetivamente,
ou pelo menos não tentaram tirar do texto constitucional essa
medida que hoje criticam, mas que chegaram a dar para outro.
O chamado choque de gestão é o que pretende o Governador eleito.
Ele foi eleito e legitimado por uma eleição no 1º turno. Ele tem
sonhos e acredita que é possível colocá-los em prática. Quer um
Estado que funcione para a sociedade, quer um Estado que funcione
obedecendo às ordens e aos comandos daqueles que são os agentes
que vão lidar com a problemática social no dia-a-dia. Ele quer um
Estado em que as atividades-meios estejam realmente a serviço das
atividades-fins, para que o benefício chegue ao cidadão, às
entidades, às comunidades.
Minas é um Estado de 853 municípios, um Estado gigantesco que
precisa ter uma máquina administrativa azeitada, que esteja
presente em todos os cantos e recantos do Estado. Realmente, é
preciso ter um comando bem-ajustado, uma máquina valente e
corajosa. Chego até a dizer que esse conceito de choque de gestão
vem, na verdade, ao encontro do anseio do servidor, que durante
muitos e muitos anos vem sendo injustiçado. Quando a máquina é
pesada, quando a máquina é inoperante e ineficiente, muitas vezes
o cidadão confunde e acha que o servidor não funciona bem. Na
verdade, o servidor é vítima de uma máquina que é um trambolho,
que é um estorvo, que, ao invés de ajudar, atrapalha.
É preciso dotar essa máquina de condições para que o servidor
renda mais, tenha orgulho da função que desempenha, vibre com o
que faz, que, de fato, tem conseqüências positivas na sociedade. A
reforma tem esse intuito.
É por isso que estamos aqui para dizer que a ampla e esmagadora
maioria desta Casa concedeu ao Governador essa delegação de
poderes. É preciso frisar que toda delegação é, sobretudo, um ato
de confiança, embora tenha contornos políticos, administrativos,
legais, constitucionais, parlamentares e legislativos. Delegar é
confiar.
Estamos hoje neste Plenário porque parcela do povo mineiro nos
delegou o poder para falar, legislar em seu nome. Estamos aqui em
um exercício de delegação. O povo nos delegou nas urnas essa
missão. Os sindicalistas, quando vêm à Assembléia lutar por um
ponto, por aquele setor ou outro, estão aqui em nome de uma
categoria, que se reúne e delega poderes a um certo comando, a um
certo grupo de pessoas para falar em nome deles. Temos aqui a
delegação do povo mineiro, porque parcela do povo mineiro confiou
na minha mensagem, na minha proposta, no meu trabalho, da mesma
forma que confiou no trabalho de cada um dos senhores que estão
aqui nesta Casa. Os sindicalistas estão aqui hoje lutando por
aquilo que acreditam ser o melhor para o funcionalismo, porque
tiveram um voto de confiança dos seus colegas, que delegaram
poderes a eles para irem à Assembléia, aos escalões do Governo,
falar e reivindicar em seu nome. É uma delegação de poder.
A Assembléia - isso é permitido na Constituição - está delegando
ao Governador eleito, que vai assumir no dia 1º de janeiro, poder
para que ele faça a reforma que pretende, num ato de confiança, de
credibilidade. É preciso crer em um futuro melhor e acreditar que
ele vai fazer uma excelente reforma administrativa, boa não só
para Minas, para seu Governo, mas para o funcionário. Temos
convicção e certeza disso. Confiamos nisso. Por isso, demos o voto
a favor da resolução.
As informações dadas, que foram, talvez, insuficientes para uns,
foram suficientes para outros.
Em relação à administração direta, o Governador poderá extinguir
cargos de confiança. Não se mexe com servidor de carreira. Todos
os planos de carreira que estão aí, votados, foram aprovados e
implantados por lei complementar, não são passíveis de
modificação. Não se pode alterar nada.
Precisamos deixar bem claro para a sociedade que o que se
pretende é mexer na estrutura do Estado. Não na situação do
servidor, por meio dessa delegação. Não que o Governador não
esteja preocupado com a situação do servidor, mas é que ele
entende que, primeiro, é preciso reestruturar o Estado, ambiente
do servidor, onde ele trabalha, tem as ferramentas, as condições e
poderes para agir em nome do público e levar ao público aquilo que
a sociedade quer. É preciso estruturar, reorganizar a Casa para
dar mais incentivo, mais agilidade, mais determinação a quem vai
executar essa tarefa.
Em relação à administração indireta, a Constituição é muito
clara. Não permite transformar, extinguir ou criar entidades da
administração indireta. A lei delegada não dá poderes ao
Governador para isso. Se, por um acaso, como alguns levantam a
tese, ele utilizar a delegação indevidamente, a Assembléia e o
Poder Judiciário estão aí para impedir qualquer abuso. Mas não é
esse o intuito do Governador. Tanto não é, que solicitou que a
Casa corrigisse o texto por meio de uma emenda. E está sendo
corrigido.
Ele poderá apenas alterar a estrutura orgânica interna dessas
entidades, que jamais serão transformadas ou extintas. Não serão
criadas novas entidades. Isso não vai acontecer. O Governador
poderá fazer as alterações que julgar necessárias nas diretorias,
superintendências e departamentos.
Entendemos que é preciso atualizar. Vivemos em um mundo em que a
tecnologia, a comunicação e os problemas sociais se agigantam, se
avolumam. Não é possível enfrentar tantos desafios, problemas e
dificuldades sem uma estrutura estatal, uma estrutura
governamental atualizada.
Vamos citar a questão da segurança pública. A cada dia o crime
organizado fica mais ousado, aperfeiçoa-se nos seus equipamentos,
na forma de praticar os crimes, e o Estado continua com a mesma
estrutura de 10, 15, 20 anos atrás. Muitas vezes, isso prejudica o
policial, que consegue vislumbrar o crime que está para acontecer,
mas não tem estrutura, não tem legislação, não tem condições de
agir antecipadamente. A filosofia, a estrutura e as ferramentas
disponíveis são ultrapassadas e não conseguem fazer frente ao
crime organizado.
É para mudar filosoficamente a postura do Estado, dando a ele
agilidade, modernidade, atualidade, que se pretende implantar essa
reforma, que tem prazo determinado. O prazo que a Assembléia dará
ao Governador para que possa encerrar essa sua reforma
administrativa é até o dia 31 de janeiro. É um prazo relativamente
curto, pois ele tomará posse no dia 1º de janeiro.
Estamos convictos de que estamos fazendo um bem a Minas Gerais,
aos servidores públicos, que, muitas vezes, motivados pelo medo,
pela desinformação, pela confusão, tomam atitudes precipitadas.
Tenho certeza de que, após a posse do Governador Aécio Neves,
quando as reformas começarem a ser implementadas e surgirem os
primeiros resultados, boa parte dos servidores mineiros irão
aplaudir esse ato de coragem, de um homem que não quer assumir o
Governo e depois apresentar quatro anos de debate, como se essa
reforma fosse a grande obra do seu governo. Não, ele quer assumir
o Governo e implementar com rapidez essa reforma estrutural básica
e, depois de quatro anos, mostrar os frutos positivos dessa
reforma, o que Minas ganhou com isso, os avanços que o Estado e a
sociedade mineira tiveram. Olhem que ato de coragem já no primeiro
mês do seu mandato, ao se colocar diante desta Casa, de Minas e do
Brasil, em uma posição de prestação de contas. Durante quatro
anos, ele vai prestar contas a este Parlamento, ao povo mineiro,
das reformas que irá implementar em janeiro.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - Nobre Deputado Antônio
Carlos Andrada, com todo respeito e admiração pelo brilhantismo de
seus argumentos e de sua valiosa contribuição nos debates
legislativos, tive a impressão de que V. Exa. falava de uma outra
Assembléia e de uma outra lei.
Por isso, tive a preocupação de pegar o vencido, para que
pudéssemos debatê-lo.
Em relação à “pseudocontradição” do PT, deixo bem claro que
votamos a lei delegada do Governador Itamar Franco, mas
apresentamos uma emenda que foi derrotada, em Plenário, pelo PT.
Acredito que vários Deputados do PSDB votaram favoravelmente a
essa emenda do partido. Era aquela que obrigava a volta do projeto
a esta Casa. Quer dizer, tentamos dar um sentido diferente.
Naquele momento, toda a Assembléia votou favoravelmente à lei
delegada, pois havia a iminência de uma greve de militares, com
toda a seqüela do conflito anterior. Havia clara discussão da
complexidade dos cargos, e o Governador não tinha competência para
mexer no salário dos outros servidores, mas sim no da categoria de
militares. Isso foi bem determinado e limitado.
Acredito que não houve erro, dada a conjuntura. Lembro-me bem de
que o Deputado Miguel Martini encaminhou, no início, de forma
ardorosa, contra a aprovação dessa lei delegada, mudando
posteriormente sua posição, devido à discussão com a associação de
praças, que se pretendia apaziguar naquele momento.
Parece que hoje já existem alguns defensores, e sou um deles, que
dizem não ter sido essa solução a melhor. Mesmo havendo essa
competência só para a estrutura militar, houve injustiças ali,
porque temos desde oficiais intermediários até superiores e a
diferença de salário é praticamente insignificante. E, mesmo entre
os praças, alguns defendiam a outra composição. Então, se tivesse
havido o debate democrático na Assembléia, teria sido melhor,
porque poderíamos ter feito algo melhor do que a lei delegada. Mas
a situação foi emergencial, específica, até em razão do prazo que
tínhamos para esse aumento.
Quando V. Exa. diz que o PT não se preocupou com o salário dos
professores e que estes não tiveram o apoio devido do Governador
Itamar Franco, eu concordo; mas não pela lei delegada, porque ele
não poderia fazê-lo.
Quando também V.Exa. usa a justificativa atual da lei delegada,
vamos esquecer que ela tem três incisos, e o inciso II permite que
o Governador defina a natureza de seu recrutamento e fixe os seus
vencimentos. Então, no recrutamento amplo, o que é mais triste, o
Governador pode mexer no salário dos servidores, mas não poder
mexer nos salários dos servidores de carreira. Nenhum de nós
acredita que haverá redução de salário do recrutamento amplo.
Então, o Governador não se preocupou com o restante do
funcionalismo, porque, se o interesse fosse aumentar os salários,
já que reduzir não pode - a Constituição não permite -, com toda a
certeza, seria uma preocupação mais ampla.
Quando V. Exa. fala da administração indireta, tenho impressão de
que não tenho aqui o art. 1º da lei que V. Exa. está comentando.
Diz-se no inciso I: “bem como modificar a estrutura orgânica das
entidades da administração indireta, definindo suas atribuições,
objetivos e denominações.” Outro dia fiz a citação - e V. Exa.
estava em Plenário - de um dicionário jurídico, de um grande
jurista, em que o “transformar”, que é impedido pela Constituição
Estadual, de alguma forma cai por terra aqui.
É evidente, já anunciamos ontem, e vamos dizer: se na
administração indireta houver qualquer coisa que essa delegação
extrapole, até as denominações das entidades podem ser
modificadas, como também os objetivos e as atribuições. É um poder
muito amplo, que, no inciso III, torna-se completo, quando se
permite até a alteração das vinculações das entidades da
administração indireta.
Então, acho que demos muito poder ao Governador. Não entro no
mérito das certezas de V. Exa. e muito menos no das convicções do
Governador eleito. Mas a realidade é que demos “superpoderes” ao
Governador e não houve contradição na atuação do PT, em nenhum
momento. Tivemos uma discussão clara e franca. O papel da
Assembléia e da nova legislatura, a partir de 1º de fevereiro,
será o de vigiar. Vamos acompanhar com atenção todas as
modificações feitas na administração indireta. Podemos até
convocar membros do Governo a virem aqui se explicar, mas a
Assembléia deu “superpoderes” ao Governador, e agora vamos ver o
que virá com o orçamento.
V. Exa. já sabe que foi retirado um inciso que dava poderes ao
Governador para mudar as dotações orçamentárias. No entanto, já
fui informado de que virá uma proposta de emenda ao orçamento do
Estado tentando dar poderes ao Governador até para zerar as
dotações orçamentárias de determinados órgãos, ou para criá-las, o
que é inconstitucional. Já aviso que, se essa emenda for aprovada,
o orçamento do Estado não será aprovado este ano. Esse foi o único
ganho que tivemos em uma emenda consensual, mas ela está voltando
no orçamento. Acho que o debate poderia ter sido amplo e claro e
que V. Exa. estava falando de outra lei delegada. Até o
brilhantismo de suas intervenções aqui ficou um pouco velado, e V.
Exa. não tratou o tema com o entusiasmo de costume porque vamos
ter muitos problemas com essa lei delegada.
V. Exa. disse ainda que o Governador quis apenas mudar a
estrutura do Estado, mas não quis mexer em salários. Talvez tenha
se esquecido de que, para o recrutamento amplo, pode haver mudança
salarial.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Deputado Durval Ângelo,
agradeço seus sempre oportunos pronunciamentos e sua contribuição.
Quero resumir em três tópicos sua colocação e tentar, de maneira
sucinta, dar nossas explicações. Primeiro, o senhor falou sobre a
PMMG, sua situação emergencial e circunstancial. Apresento a mesma
situação. Entendemos que o Estado de Minas se encontra em grandes
dificuldades financeiras. Como todos sabem, um exemplo disso é o
fato de o Governador eleito estar se desdobrando em Brasília para
conseguir alguns recursos para a quitação do 13º salário do
servidor. Isso mostra que passamos por uma grande dificuldade
emergencial e que há necessidade de se mexer na máquina pública
para que o Estado tenha condições de pagar melhor e em dia seus
funcionários. Não achamos que isso seja possível se for mantido o
“status quo” que aí está. É preciso avançar, reformar, ter
coragem, reformular. É isso que estamos possibilitando ao
Governador eleito, por intermédio dessa lei delegada.
Em relação à administração indireta, não vejo nenhuma
incompatibilidade entre o texto e o que estou dizendo. O texto diz
que não pode haver transformação, criação ou extinção de entidade
da administração indireta. Entidades são os órgãos em si: a
COPASA, a CEMIG, as fundações, as autarquias. Esses órgãos não
poderão ser extintos, transformados, nem poderão ser criados
outros. O que vai acontecer, e que é o alvo da delegação, é que o
Governador terá poderes para modificar órgãos da estrutura
interna: uma superintendência, um departamento, uma presidência,
uma diretoria. Ele poderá mexer apenas na estrutura interna. A
entidade da administração indireta, seja autarquia, seja fundação,
continuará a ser autarquia ou fundação, com as mesmas finalidades
e o mesmo objetivo. Ele estará preservando essas entidades e
apenas as ajustará à administração interna para buscar a
racionalidade, a agilidade e uma ação mais econômica e financeira
para ao Estado.
Então, não vejo nenhuma incompatibilidade entre o texto da
Constituição, segundo o dicionário que V. Exa. citou, e os
objetivos do Governador.
Vejo que há perfeita tranqüilidade com relação a isso.
Com relação aos salários, apenas se confirma o que eu disse: não
há na lei delegada nenhum item que mexa com o salário do servidor.
Criou-se, num primeiro momento, uma expectativa de que a delegação
de poderes poderia autorizar o Governador a mexer na estrutura de
planos de cargos e salários, e na estrutura do funcionalismo
efetivo como um todo; mas a alterar salários, não. V. Exa. mesmo
acabou de confirmar que isso não vai acontecer com os concursados.
Poderá acontecer, sim, com os servidores em cargos de confiança,
que no Estado são mais de 11 mil. Poderão ser extintos 5 mil ou 6
mil cargos, o que seria um grande favor ao caixa do Estado, pois
sobrariam recursos não só para pagar melhor aos funcionários, mas
também para implementar medidas administrativas mais pontuais, que
cheguem, de fato, ao cidadão.
O Deputado Adelmo Carneiro Leão (em aparte) - É uma honra
apartear V. Exa.
Não é desejo apenas dos parlamentares do PT, mas também de todos
os Deputados desta Casa, que o Estado evolua, conforme é o plano
do futuro Governador. Também nós queremos que Minas Gerais dê
certo, também queremos melhorar a estrutura do Estado, também
queremos compartilhar desse momento da história, sem, no entanto,
renunciar às nossas responsabilidades.
Opus-me à lei delegada como foi proposta apenas por considerar a
inoportunidade do momento. Apesar de legais nossa votação e a
delegação dada por esta Casa, vejo que a lei delegada não está
revestida da mesma intensidade de legitimidade, considerando que a
delegação conferida ao Governador e a nós, para o próximo mandato,
coloca-nos numa situação diferente da que está posta agora.
Estaremos aplaudindo todos os atos governamentais para elevar o
Estado a outro patamar, prestando bons serviços aos servidores
públicos e ao povo de Minas Gerais. Não tenha dúvida disso. Nós,
do PT, pelas propostas que encaminhamos e pelo que defendemos,
fomos apenas escolhidos pelo povo para fazer oposição ao
Governador eleito; mas, mesmo na Oposição, somos legitimados pelo
Governo do Estado.
Não tenho dúvida de que o Governo fará um esforço para elevar o
salário dos servidores de recrutamento amplo. É necessário que o
faça, caso contrário será difícil encontrar profissionais
capacitados e compromissados a prestar melhores serviços ao
Estado; mas tal medida aprofundará ainda mais o poço entre os
recrutados diretamente pelo Governador, sem concurso público, e
aqueles que são do quadro de carreira.
Quando estava na Secretaria da Saúde, demonstrei ao Secretário de
Recursos Humanos e ao Governador que precisávamos melhorar os
salários dos funcionários concursados, que compõem o efetivo. V.
Exa. mesmo pode ver a dificuldade enorme que existe para valorizar
os concursados, que dedicam sua vida e seu trabalho ao Estado. É o
caso, por exemplo, dos servidores da saúde, que sofrem resistência
até mesmo do PSDB. Espero que não sofram mais. Espero que a ação
de V. Exa. lidere a agilização da aprovação da lei que está em
tramitação na Casa para valorizar os servidores do quadro efetivo,
os concursados, porque eles não resistem mais, não agüentam mais.
Quando se diz “com eles não vamos mexer”, surge uma dúvida: nem
mesmo para melhorar? Temos de mexer com eles, mas para dignificá-
los.
A contradição é tão absurda que vemos, por exemplo, numa
Superintendência da Saúde, numa diretoria importante, nas
diretorias regionais, profissionais que estariam ganhando
R$5.000,00, R$8.000,00, R$10.000,00 no mercado, e lá ganham
R$900,00, R$1.100,00, R$1.800,00. Isso traz uma pressão tão
grande, que os melhores profissionais acabam saindo do serviço
público e voltando a outras atividades, o que deixa o serviço
público em enormes dificuldades. Essa questão precisa ser
resolvida, e não vai. Algumas modificações poderão melhorar e
agilizar, mas não resolverão o âmago da questão. Mais interessante
para o Governador eleito, Aécio Neves, seria que trabalhássemos
com a delegação que recebemos, compartilhando. Delegação é ato de
confiança, mas pode significar sublocação de responsabilidade,
renúncia, e isso discuti insistentemente. Quero participar com
inteira responsabilidade para ajudar Minas a crescer e a ser mais
justa com vistas a dividir melhor as responsabilidades e riquezas
deste Estado. Não nos queira mal. Neste momento, não compete dizer
“Ah, vocês votaram a lei delegada!”. A lei delegada, como
princípio, dever ser resguardada e até protegida, porém conferida
em momentos muito especiais. Na minha avaliação, este não é um
desses momentos, pois estamos separados, dando um cheque em
branco. O Governador eleito quer isto, quer aquilo, quer tudo de
bom; também queremos, mas não sabemos o que são essas mudanças.
Não renunciarei à minha responsabilidade e à delegação recebida do
povo de Minas Gerais.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Agradeço as oportunas
palavras do Deputado Adelmo Carneiro Leão - uma das estrelas do PT
nesta Casa -, que trazem enorme contribuição para o debate,
ampliam as discussões e trazem sugestões. Respeitamos sua posição,
embora haja divergência em alguns pontos.
Ilustre Deputado Adelmo Carneiro Leão, o Governo Aécio Neves
começa no dia 1º e, pautado em sua experiência, tem pressa para
implementar quanto antes essa reforma, a fim de que possa se
desenvolver a partir daí. Certamente, durante os quatro anos,
trataremos as distorções com afinco nesta Casa. Não abrimos mão
dessa discussão, nem estamos sublocando nenhum poder de
acompanhamento, de fiscalização e até de intervenção. Apenas, num
momento emergencial, em nosso entendimento - muitas vezes V.Exa.
pode não concordar -, é fundamental que ele tenha essa delegação,
para que, em janeiro, implemente as linhas gerais da estrutura do
Estado para que o Governo possa funcionar.
Os desdobramentos que se seguirem não se darão por lei delegada,
mas por atos administrativos, leis, projetos, decretos, que
poderão ser discutidos a todo o momento por esta Casa e pelos
servidores. É um processo que se inicia, o pontapé inicial, o
primeiro passo de uma caminhada de quatro anos. Para que ela seja
organizada, forte, corajosa e com os elementos necessários para
que o Estado sinta os efeitos das mudanças, é necessária a
delegação. Caso contrário, teremos a reforma diluída na Casa, o
impacto inicial se perderá, a discussão pode se prolongar, e,
durante um ano de debates, vamos perder um ano de ações, que
estariam esperando a formatação final da reforma para serem
implementadas. Estamos tentando queimar uma etapa, mas em hipótese
alguma abrindo mão das prerrogativas do Poder Legislativo de
acompanhar, criticar, sugerir, denunciar, enfim, estar sempre
vigilante, como é o seu papel.
O Deputado João Paulo (em aparte)* - Nobre Deputado Antônio
Carlos Andrada, agradeço-lhe a oportunidade e desejo fazer um
aparte, que, se não for para concordar exatamente com tudo que V.
Exa. diz, será para dizer que votei favoravelmente à delegação de
poderes de que o novo Governador necessita. O que ele se propõe a
fazer na estrutura administrativa de Minas Gerais é de fundamental
importância para toda a população do Estado e para ele,
politicamente.
Se fizermos um paralelo com o Governador que deixa o cargo nos
próximos dias, podemos perceber - e tenho lido nos jornais, como
V. Exa. também deve estar fazendo - que o Governador Itamar Franco
está tendo um fim melancólico de Governo. Esse é o machado que
está sobre a cabeça do Governador que recentemente se elegeu. Se
não cuidar com muita rapidez de revitalizar a estrutura
administrativa do Estado, esse é o fim a que ele também estará
condenado.
O Governador Itamar Franco deixou a Presidência da República sob
índices de aprovação praticamente sem precedentes. Parece-me que
obteve 78% ou 82% de aprovação da população brasileira. Esse
índice será mensurado quando deixar o Governo do Estado, e tenho
certeza de que ficará muito aquém disso. E não porque ele quis,
mas porque a estrutura administrativa do Governo Estadual o
engoliu. Seguramente, não conseguiu fazer as reformas que
desejava, não conseguiu empreender o gerenciamento que queria
quando assumiu o cargo de Governador.
No Terceiro Mundo, ao longo dos anos, temos presenciado, nessa
área do poder público, a aplicação da teoria de um economista e
sociólogo americano chamado John Maynard Keynes, que, em síntese,
dizia que em Estados onde o desemprego é muito severo o poder
público deve contratar um contingente de pessoas para enterrar
garrafas durante a manhã e outro contingente para desenterrá-las
no expediente da tarde. Percebo que no Brasil abraçamos essa
teoria de maneira irresponsável e decidida. Há muitos anos,
Deputado, existe no serviço público a máxima que diz que o Estado
finge que paga ao servidor, e o servidor finge que trabalha.
Acho que a situação precisa ser enfrentada de maneira vigorosa e
ágil, Deputado. E, mais do que suprimir e fazer cortes, o novo
Governador deve investir na empolgação, no estímulo ao servidor.
Comparando-se uma administração pública com um time de futebol, o
que será trocado no dia 1º de janeiro é pouco mais que o técnico,
o roupeiro, o massagista. Os jogadores continuam os mesmos, e quem
ganha o jogo são eles. Acho que a comparação é adequada.
É nesse sentido que faria - e até peço a V. Exa. que, se tiver
oportunidade, faça o mesmo - uma sugestão ao Governador, para que
ele promova uma revitalização também no meio dos servidores
efetivos.
Espero que ele convide o servidor de cargo efetivo para assumir a
responsabilidade e para uma parceria, porque ele é fundamental.
Até hoje não percebi isso na administração pública. Quando entra o
novo chefe do Executivo eleito, ele trabalha de costas para o
servidor efetivo. Ele traz o seu grupo e diz: “Agora, funcionará
desta maneira”. O servidor de cargo efetivo é maioria esmagadora,
embora apenas quantitativamente. Ele faz a cultura do serviço
público. É ele quem estabelece contato diuturno com o destinatário
do serviço público, quem está em contato com a população. Se não
houver um estímulo a esse servidor de cargo efetivo, o Governo
estará fadado, da mesma maneira, ao fracasso.
Então, pediria a V. Exa. que colocasse isso para o Governador,
que seguramente já o sabe. Também sou servidor público, já passei
por vários cargos do lado de dentro e do lado de fora do balcão.
Sei como a coisa funciona. Essa é uma sugestão que faço de
coração.
Ontem, quando fiz uma colocação favorável à aprovação da
delegação, fui vaiado pelas galerias e não entendi. Ainda há
pouco, conversando com o Deputado Fábio Avelar, ele disse para
mim: “Você não entendeu por que foi vaiado”. Realmente, não
entendi. Só depois entendi, a ficha caiu. Eram pessoas que estavam
aqui advogando a aprovação de um plano de carreira - sou favorável
ao plano de carreira, que, não só como uma determinação legal, é
uma questão de humanidade. Ele deve ser feito de maneira a
contemplar de forma mais efetiva o servidor da educação. Que
venham o plano da saúde, o plano do servidor da área
administrativa, sou favorável a todos eles. Fui vaiado porque, na
realidade, V. Exa., como membro da comissão que defendia a
aprovação da delegação... Por tabela fui vaiado, quando, na
realidade, queriam atingir V. Exa. Justo eu, que tenho feito
críticas contundentes ao Presidente da República. Não estava
fazendo nenhuma apologia ao PSDB nem ao Presidente da República
nem nada. Eles, a todo momento, faziam críticas ao PSDB e cantaram
alguns versos em homenagem ao PSDB. Tenho sido um crítico do PSDB.
Trabalharei agora na Câmara Federal defendendo as teses que o Lula
deseja implementar. Quero desejar sorte a ele e também solidarizar-
me com ele, porque o Brasil merece e precisa disso. Essas medidas
que o Governo Federal, que o Lula pretende implementar são
urgentes e absolutamente necessárias.
Apenas para fazer um “flashback”, quero dizer que fui um crítico
irreversível da gestão do Fernando Henrique Cardoso, pelo seu
impatriotismo. Ele colocou o Brasil de joelhos perante a
comunidade financeira internacional, notadamente, e o empresariado
internacional. Gestos infantis e até favoráveis ao Brasil, como
aquele praticado pelo Presidente Fernando Henrique, por meio do
Gustavo Franco, ao prender o câmbio do dólar, permitiram que o
Brasil fosse invadido pela indústria estrangeira. Perdemos a
capacidade de competir com produtos estrangeiros. O dólar muito
barato estimulou a importação. Houve isso e tantas coisas mais. O
Brasil se ajoelhou de uma maneira cruel diante do FMI, e
percebemos que o novo Presidente, o Lula, ao conversar com o
Presidente do FMI, foi elogiado por ele, que o considerou um
grande estadista das Américas. Então, oxalá esse grande estadista,
de fato, com o nosso apoio decisivo, faça um gerenciamento mais
patriótico neste País.
Queria aproveitar, ainda, o tempo generoso que V. Exa. tem para
anunciar, Deputado Antônio Carlos Andrada, a entrada em vigor de
uma lei de minha autoria que prevê a proibição, com restrição, do
uso de telefones celulares nas escolas, nos teatros, nos cinemas e
nas igrejas. Tenho recebido o aplauso de toda a sociedade mineira
por ter apresentado esse projeto. O sucesso da idéia, certamente,
deve ser dividido entre todos os 77 parlamentares, porque a lei
foi aprovada por nós, em boa hora.
Eu, que deixarei esta Casa no próximo mês, estou colecionando
mais essa vitória, que divido com todos os parlamentares. Muito
obrigado.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Agradeço a V. Exa., Deputado
João Paulo, e desejo-lhe sucesso na Câmara dos Deputados, onde
estará representando o povo mineiro.
Gostaria de reafirmar o que V. Exa. colocou. A reforma
administrativa pretendida pelo Governador Aécio é justamente para
diminuir a quantidade de cargos em comissão. São cargos de pessoas
que muitas vezes não estão comprometidas com o Estado. Hoje são
mais de 11 mil pessoas que prejudicam os funcionários de carreira.
Ao fazer a reforma administrativa, ao dotar a máquina de maior
agilidade, diminuindo o número de cargos em comissão, com certeza,
os funcionários de carreira ganharão com isso, porque passarão a
ser os agentes de trabalho, de realização das ações governamentais
e das ações estatais.
A Deputada Elbe Brandão (em aparte)* - Deputado Antônio Carlos
Andrada, Líder do meu partido nesta Casa, o PSDB, quero
parabenizar V. Exa. pela brilhante atuação nesta Casa. O dia de
ontem precisa ser registrado pela Assembléia como lastimável,
porque foi um dia de agressão, de desrespeito. Nenhum cidadão
merece, dentro do poder democrático de direito e de fato, ser
tratado como foi. Confiamos na fala firme do Governador Aécio
Neves sobre a decisão de abrir a discussão sobre a educação na
primeira semana do seu Governo. Precisamos deixar essa fala para
os nossos colegas da educação que não estiveram aqui ontem. Com
certeza, grande parte dessa categoria não se comportaria da forma
desrespeitosa com que este parlamento foi tratado aqui ontem.
Aquele comportamento envergonha a classe da educação. Falo isso
como servidora dessa classe. O papel deste parlamento é construir
uma tese real, e não uma tese com base em excesso de pressão. Esse
não é o papel de um cidadão que se coloca numa mesa para
representar o processo democrático.
Gostaria de deixar registrado o orgulho da nossa Bancada do PSDB,
o orgulho do tom com que o Governador Aécio Neves inicia o seu
mandato.
Com relação à lei delegada, alguns quiseram colocar que o Aécio
estaria tendo uma visão de ditador. Será que um Governador que foi
eleito com 57% dos votos, uma maioria esmagadora, pode ser um
ditador? E aqui vai a confiança que este parlamento tem nele
enquanto líder condutor do Executivo e parceiro respeitoso do
Poder Legislativo. Muito obrigada.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Nobre Deputada professora
Elbe Brandão, a sua contribuição é valorosa nesta manhã de debates
em que afloram questões fundamentais para o futuro de Minas. Muito
obrigado pela sua intervenção.
O Deputado Dinis Pinheiro (em aparte)* - Parabéns pelo brilhante
pronunciamento, Deputado Antônio Carlos Andrada! Diante das falas
feitas por alguns Deputados aqui, ontem, fico a pensar: estamos
prestes a implantar aqui na Assembléia Legislativa a leitura do
horóscopo. Observei inúmeros Deputados realizarem profecias,
colocando-se como visionários em incontáveis ações de adivinhação.
Isso ficou claro ontem. A lei delegada é simples. V. Exa. falou
com muita propriedade. Ela está inserida na Carta do Estado,
soberanamente votada. O Governador cumpre um preceito
constitucional. Ditador não cumpre a Constituição. O momento, mais
do que nunca, exige essa medida peculiar atípica. Faz-se
necessário que Minas utilize esse instrumento para que se possa
alcançar o bem comum.
Srs. Deputados, as carências sociais existem? As carências
administrativas existem? O Estado é ágil ou é ineficiente? O
Estado se encontra apático? A resposta é clara: sim. O Estado está
descoordenado, precisando, urgentemente, de forma imperativa, de
ações, de coragem, de ousadia e, acima de tudo, de desprendimento.
O Governador empenhou publicamente sua palavra. Não haverá
demissões de servidores. Existirá, sim, ajuste nos cargos de
recrutamento amplo, aliás, a maior parte deles indicados pela
classe política. Ora, se está com o propósito de diminuir esses
cargos, de melhorar, de modernizar a máquina pública, é porque tem
consciência de que quer melhorar a qualidade de vida do servidor
de carreira.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, o nosso Presidente Lula, em quem
depositei todo o apoio e confiança, vai se utilizar da medida
provisória? Lógico. E ela é mais democrática que a lei delegada?
Espero que todos os Deputados façam uma reflexão sobre o assunto.
A lei delegada é delimitada, pontual e contida temporal e
substancialmente. Até o dia 31 de janeiro o Governador eleito fará
as mudanças.
Parabenizo o Deputado Antônio Carlos Andrada pela condução, pela
fundamentação, e agradeço-lhe o aparte.
O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte)* - Parabenizo V. Exa.
Votei no futuro Governador porque acredito e confio nele como
grande estadista. Para enriquecer essa reforma administrativa, e
preocupadíssimos com a situação dos designados, apresentamos um
projeto. Sei que não teremos tempo, mas gostaria que V. Exa., como
interlocutor de S. Exa., também avaliasse esse projeto para
garantia dos designados em seu Governo. A mudança de vários
artigos do regime único do serviço público, tenho a certeza, será
uma grande válvula de escape para a permanência dos designados no
Estado de Minas Gerais. Muito obrigado e parabéns pelo seu
brilhantismo.
O Deputado Antônio Carlos Andrada - Agradeço as intervenções dos
Deputados Dalmo Ribeiro Silva e Dinis Pinheiro, que trouxeram
aspectos positivos a esta discussão.
Sr. Presidente, quero apenas reafirmar que essa questão da
educação será tratada brevemente aqui na tribuna e poderemos
explicitar, com detalhes, os últimos fatos que ocorreram
relativamente ao plano de carreira do magistério.
Antes de encerrar, gostaria de enaltecer a atuação da Mesa, do
Sr. Presidente, na condução do processo de votação da lei
delegada. A Mesa, por meio do Presidente, agiu com o maior
respeito ao Regimento Interno, com posição firme, mas
perfeitamente legal. A votação, como ocorreu, só foi possível
porque esta Casa em dado momento compreendeu a importância da
matéria em debate, as circunstâncias difíceis por que passa o
nosso Estado, e numa junção dos parlamentares que compõem a atual
base do Governador Itamar Franco e a do futuro Governo, num
esforço conjunto, possibilitou o resultado obtido ontem, com a
votação expressiva da delegação de poderes, ressaltando o trabalho
firme do Deputado Antônio Andrade, Líder do Governo nesta Casa.
Muito obrigado.