DEPUTADA MARIA JOSÉ HAUEISEN (PT)
Discurso
Comenta o projeto de resolução, de autoria da Comissão de Constituição
e Justiça, que delega ao Governador do Estado atribuições para
elaborar leis delegadas, dispondo sobre a estrutura da administração
direta e indireta do Poder Executivo, nos termos que menciona.
Reunião
285ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 23, Coluna 3
Assunto GOVERNADOR. EXECUTIVO. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Proposições citadas PRE 2472 de 2002
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/12/2002
Página 23, Coluna 3
Assunto GOVERNADOR. EXECUTIVO. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Proposições citadas PRE 2472 de 2002
285ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 11/12/2002
Palavras do Deputado Maria José Haueisen
A Deputada Maria José Haueisen - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
pessoas presentes às galerias, também somos contra a lei delegada.
Votaremos contra, estamos encaminhando contra e lamentamos que
essa lei delegada não tenha sido nem sequer discutida nesta Casa.
Por várias vezes comentamos e criticamos, mas não houve o momento
de discussão. A discussão, garantida pelo Regimento Interno, de
uma hora para cada parlamentar, não ocorreu, porque veio abaixo de
proposta de emenda à Constituição que não era votada, e a lei
delegada ia e voltava na pauta todo dia e não foi sequer
discutida. Queremos dizer que nosso empenho em encaminhar essa
votação é também a manifestação que fazemos de repúdio pela
maneira como os trabalhos são conduzidos nesta Casa. A
Constituição Federal é claríssima no seu art. 206, inciso V:
“Valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da
lei, planos de carreira para o magistério público, com piso
salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso
público de provas de títulos...”.
Toda vez que se fala da necessidade de concurso para garantir a
situação dos professores, vem colado que o projeto da Deputada
Elbe Brandão é inconstitucional, porque não o pede; porém, maior
inconstitucionalidade que o magistério está vivendo e sofrendo
nesta Casa, desde 1988, não existe. Está garantido na Constituição
o plano de carreira, e ninguém está fazendo questão - ninguém é
força de expressão -, esta Casa, em sua maioria, não faz força
para que esse plano de carreira seja válido e para que a
Constituição seja realmente reconhecida em relação aos direitos do
trabalhador.
Mas estou aqui também para falar contra esse cheque em branco que
estamos dando ao futuro Governador. Uma lei delegada é muito pior
do que uma medida provisória. No caso da medida provisória, os
congressistas pelo menos votam sabendo em que estão votando, qual
o direito está sendo concedido ao Presidente e qual a facilidade
que ele terá com aquela medida. Aqui não; estamos votando no
escuro, não tendo garantia alguma do que virá. Serão mudanças de
todo o tipo: reforma e aumento de Secretarias, eliminação de
outras, enxugamento da máquina. Enxugamento em cima do que e de
quem?
Srs. Deputados, quando disputamos a eleição, falamos para os
nossos eleitores, nos nossos palanques e panfletos, que
defenderíamos os seus interesses. Não sei se o interesse que tenho
para defender, se aquilo que me foi delegado por meio do voto é o
mesmo interesse que tem o futuro Governador. Então, o que
responderei aos meus eleitores, quando as coisas acontecerem, de
maneira tal, que os interesses do povo não sejam atendidos? Nesse
caso, ficará bem claro que fomos omissos e coniventes.
Sabemos que perderemos, mas estou aqui para encaminhar isso,
porque, se de um lado há uma maioria esmagadora que votará a favor
da lei delegada - não duvido disso -, há também um Regimento nesta
Casa que, às vezes, garante a nossa pretensão e a nossa fala. Esse
Regimento, tantas vezes ferido, dá-nos o direito de encaminhar,
ainda que seja por 5 minutos, a votação desse projeto de lei
delegada, para mim famigerada, e que será aprovado.
Ainda tenho 2 minutos. Gostaria que todos os que são contra a lei
delegada viessem a essa tribuna para também se manifestar.