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Jovens de todo o Estado participaram de uma oficina para aproximar os participantes do Parlamento Jovem
Jovens de todo o Estado participaram de uma oficina para aproximar os participantes do Parlamento Jovem - Foto: Daniel Protzner
Alice Silva levantou o debate sobre as lutas de mulheres negras e transsexuais
Alice Silva levantou o debate sobre as lutas de mulheres negras e transsexuais - Foto: Daniel Protzner
José Carlos ressaltou o crescimento do Polo Noroeste
José Carlos ressaltou o crescimento do Polo Noroeste - Foto: Daniel Protzner
Mariana Tito destacou a valorização da diversidade
Mariana Tito destacou a valorização da diversidade - Foto: Daniel Protzner
Começa etapa final do Parlamento Jovem de Minas
19/09/2018 18h38

Com debates acalorados, PJ Minas chega à etapa estadual

Ao longo de três dias, jovens vão votar propostas para enfrentamento de violência contra a mulher.

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Foram mais de cinco horas de viagem pela madrugada entre São Sebastião do Paraíso (Sul de Minas) e Belo Horizonte. Mariana Tito ficou acordada a maior parte desse tempo. “É muita ansiedade”, explica. Toda essa inquietação é porque ela estava a caminho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde começou, nesta quarta-feira (19/9/18), a Etapa Estadual do Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) 2018, que completa agora 15 anos.

Mariana é uma dos 120 estudantes de diferentes partes de Minas Gerais que foram para a ALMG participar da etapa final deste trabalho, iniciado ainda em fevereiro. Eles representam 16 polos regionais, que englobaram 81 municípios.

Durante todos esses meses, discutiram questões relacionadas ao tema deste ano, a violência contra a mulher, e fizeram propostas de políticas públicas para o enfrentamento do problema. Cada polo preparou um documento com as suas sugestões, e tudo será apreciado e votado até sexta-feira (21).

O tema levantou polêmicas e debates acaloradas. Mariana conta que, em um primeiro momento, muitos jovens torceram o nariz para o assunto, dizendo que nada mais havia para ser discutido, uma vez que já existe a Lei Maria da Penha (Lei Federal 11.340, de 2006), que trata do feminicídio. Ao se iniciarem as discussões, porém, eles perceberam que o tema ainda tem muitas nuances a serem debatidas.

Ela diz que, a partir do PJ Minas, surgiram muitos grupos feministas em sua cidade e que uma das suas lutas anteriores, que buscava o fim de comentários machistas vindos dos professores, saiu fortalecida. “Foi incrível aprender a mobilizar nossos argumentos, a fazer debates saudáveis e conseguir muitas vezes convencer as pessoas a fazê-las se mover por conta própria”, disse.

Algumas das muitas nuances estão relacionadas às peculiaridades das lutas das mulheres transsexuais e das mulheres negras. Ambas foram levadas para debate no Polo Triângulo Mineiro pela estudante Alice Silva, 17 anos.

Em um primeiro momento, segundo ela, havia uma negação, algumas pessoas diziam que violência é sempre igual e tem que ser combatida sem diferenciação de gênero. “Mas não é”, afirma, taxativa.

Para Alice, a violência contra a mulher é diferente de outras violências e tem que ser tratada assim. E o mesmo se aplica às violências sofridas por mulheres transsexuais e/ou negras. Ela conta que tentou aprovar uma proposta no polo voltada para as mulheres transsexuais, mas não conseguiu trazê-la para a votação final.

“Existem dias de glória e dias de luta para conseguir mais. Não me sinto frustrada, estou feliz por estar aqui de novo”, diz Alice, que participou do PJ Minas também em 2017. Para a plénária final, só tem boas expectativas. “Se aprovarem as propostas que trouxemos e elas virarem lei, estaremos construindo uma sociedade melhor”, diz.

Propostas - O documento final arovado no PJ Minas é sistematizado pela Consultoria da ALMG e enviado em forma de propostas para a Comissão de Participação Popular. Ali, podem se transformar em projetos de lei e seguir tramitação na Casa ou em ofícios e recomendações para os poderes Executivo e Judiciário.

Vivência - Na tarde desta quarta-feira, Mariana, Alice e os outros 118 jovens presentes à ALMG participaram de uma oficina de vivências, com objetivo de integrar todos. Baseada em técnicas teatrais, o trabalho buscou desinibir e aproximar os participantes e, além disso, colocar em foco os temas possíveis para o próximo ano do projeto: jovem no mercado de trabalho; preconceito racial; e bullying, ciberbullying e liberdade de expressão.

Nesta quinta-feira (20), os participantes votarão para decidir o assunto que guiará as discussões em 2019.

Regionalização permitiu crescimento do projeto

No ano em que o PJ Minas completa 15 anos, consolidou-se o formato regional de trabalho. Inicialmente, o projeto alcançava apenas jovens de Belo Horizonte e, em 2010, iniciou-se uma interiorização. Desde 2014, os municípios começaram a se organizar em polos para que fosse possível abarcar mais cidades. Em 2018, esses polos ganharam mais autonomia.

Na opinião de José Carlos da Costa, coordenador do Polo Noroeste, esse caminho foi acertado. Ele é de Unaí e conta que, quando o município entrou no projeto, em 2015, nenhum outro da região participava.

Para viabilizar o trabalho, eles tiveram que se unir ao Polo Triângulo Mineiro, distante geograficamente. Agora, conseguiram seu próprio polo com três outros municípios: João Pinheiro, Bonfinópolis de Minas e Natalândia.

“Esses são municípios menores do que Unaí, alguns com menos de 10 mil habitantes, e o projeto tem ainda mais impacto lá. O Noroeste é formado por essas cidades pequenas e, quanto mais elas se unirem, mais transformador será para a região”, avalia José Carlos.

A “transformação” a qual ele se refere começa com maior participação política dos jovens. O aumento significativo desse público nas discussões da Câmara Municipal de Unaí foi destacada por José Carlos como um dos grandes ganhos do trabalho.

Crescimento - Leandra Martins, coordenadora estadual do projeto, também avalia positivamente a regionalização e diz que só assim foi possível abarcar 81 municípios no trabalho. “Quando olhamos para trás, vemos uma trajetória de conquistas e de crescimento. Agora o desafio é manter esse crescimento sem perder o cuidado com o formato e a qualidade do trabalho” disse. Para ela, uma das grandes dificuldades é lidar com todas as diversidades regionais e culturais do Estado.

Mariana Tito, a jovem que passou a noite em claro de ansiedade, acha que essa diversidade leva a ganhos. Ela ressalta que o formato permite que as ideias sejam amadurecidas antes de chegarem à plenária estadual.

Depois de estudarem e debaterem muito o assunto nos municípios, a discussão é levada à plenária regional. Lá, as sugestões se fortalecem, segundo ela. Mariana foi a redatora da plenária da sua região e se elegeu com 46 votos para ser uma das representantes do seu polo na plenária final. 

Amizades – Cassia Ameida, coordenadora do Polo Sul 2, destaca que o formato também criou um debate entre estudantes dos diferentes municípios. Ela avalia que a integração entre eles foi grande. “E vai além do projeto, eles ficaram amigos”, disse.

Cassia contou que muitos estudantes têm cobrado dos presidentes das câmaras municipais eventos conjuntos para que eles possam se encontrar. A plenária estadual promete ampliar essa rede de amizades e de atuação política.

2019 – As câmaras municipais que desejam participar da edição 2019 do PJ Minas já podem se inscrever pelo Portal da ALMG. O prazo é até o dia 30 de setembro.


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