Comissão de Direitos Humanos aprovou requerimento para que se solicite ao governador instauração de processo para apurar os atos

Estudantes pedem punição a policiais militares

Participantes de protesto na Pampulha dizem que excessos da Polícia Militar resultaram em 15 feridos.

18/11/2016 - 18:24

Estudantes que participaram de uma manifestação em frente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na região da Pampulha, em Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (18/11/16), compareceram a duas reuniões de comissões da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na tarde do mesmo dia, para denunciar a violência policial e pedir punição aos policiais envolvidos. As denúncias foram feitas em reuniões das Comissões de Direitos Humanos e de Educação, Ciência e Tecnologia.

Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos, os estudantes exibiram um vídeo que mostra os policiais entrando na UFMG para perseguir os manifestantes, que fugiam após a explosão de bombas de efeito moral. Segundo os estudantes, a repressão à manifestação resultou em 15 feridos, inclusive pessoas que receberam tiros de bala de borracha nas costas, quando fugiam. A manifestação era contra as propostas federais de reforma do ensino médio e de congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

A Comissão de Direitos Humanos aprovou um requerimento para que se solicite ao governador, entre outras providências, a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar os atos dos policiais envolvidos no conflito. O presidente da comissão, deputado Cristiano Silveira (PT), leu uma nota divulgada pelo governador Fernando Pimentel, em que ele expressa o respeito à liberdade de manifestação e garante que os excessos ocorridos serão devidamente apurados. Os deputados afirmaram que procurariam o governador ainda nesta sexta-feira (18) para cobrar providências.

“Acho que está havendo uma omissão do governador”, cobrou o estudante secundarista Thiago Santos, um dos que participou da manifestação. Ele salientou que a repressão policial às ocupações e protestos realizados pelos estudantes já vem acontecendo desde as eleições municipais. E também criticou a cobertura realizada pela imprensa do conflito ocorrido nesta sexta (18). “A mídia não é democrática, não vê os dois lados da história”, afirmou.

Estudantes acusam a imprensa de parcialidade

A estudante Giovana Almeida, do curso de Geografia da UFMG, afirmou que o vídeo exibido na Assembleia mostra que são mentirosas matérias exibidas pela TV Globo sobre o caso. “Eles disseram que os estudantes jogaram pedras e galhos nos policiais. Isso é mentira. O vídeo mostra que não fizemos isso. Os policiais não estavam com identificação e a polícia não negociou conosco em nenhum momento”, afirmou.

A professora Ana Flávia Santos, do Departamento de Antropologia da UFMG, disse que foi testemunha da repressão policial à manifestação estudantil. “Não havia nenhum tipo de ameaça por parte dos estudantes. Às 10h49, os estudantes anunciaram que a manifestação se encerraria às 11 horas. Acho inadmissível o que aconteceu. Os policiais sabiam que ela ia acabar. Acho que foi um ato premeditado (da polícia)”, afirmou a professora.

O estudante universitário Gabriel Lopo disse que o movimento estudantil está sendo vítima de “tenentes fascistas” da Polícia Militar. Segundo os participantes da manifestação, dois oficiais se sucederam no comando do destacamento que acompanhou o protesto na Pampulha. O primeiro, segundo eles, teria negociado com os estudantes, mas o segundo teve uma atuação truculenta e comandou a repressão.

Durante a manifestação, segundo Thiago Santos, um dos policiais acusou os estudantes, repetidamente, de estarem sendo pagos pelo PT. “O senhor é que está sendo pago para estar aqui, reprimindo os estudantes”, disse Santos, relatando a resposta que deu ao policial.

A deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG), que participou da reunião da Comissão de Direitos Humanos, cobrou também punição para o crime federal de invasão da UFMG pela Polícia Militar, algo que, em sua avaliação, está demonstrado pelo vídeo exibido.

A deputada Marília Campos (PT) e o deputado Rogério Correia (PT) também se solidarizaram aos estudantes. “Acho que o governador deve uma satisfação aos estudantes e vamos atrás disso”, afirmou Correia. “Faço parte dessa luta que resiste ao retrocesso neste País”, afirmou Marília, sugerindo aos estudantes que constituíssem uma comissão de representação para que acompanhasse os entendimentos com o governador.

Deputados aprovam a realização de audiências

Também foram aprovados, na mesma reunião, quatro requerimentos para realização de audiências públicas da Comissão de Direitos Humanos e uma visita. Todos os requerimentos são de autoria do deputado Rogério Correia.

Uma das audiências públicas é para debater o crime conhecido como “Chacina de Unaí”, ocorrido em 2004, quando três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego foram assassinados.

Outra audiência é para debater a situação do assentamento rural na Fazenda Ariadnópolis, em Campo do Meio (Sul de Minas). Foi requerida ainda uma visita ao Tribunal de Justiça para acompanhar o julgamento do mandado de segurança da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (Capia), que solicita a anulação do decreto de desapropriação de área dessa mesma fazenda de Ariadnópolis.

A terceira audiência pública é para buscar esclarecimentos sobre as agressões sofridas pelo deputado Paulo Guedes na última quarta-feira (16).

Consulte o resultado da reunião da Comissão de Direitos Humanos.
Consulte o resultado da Comissão de Educação.