O encontro regional em Januária, o último desta fase do fórum técnico, contou com a presença de representantes de diversas cidades da região
Parlamentares ressaltaram a importância da participação popular na elaboração do plano estadual

Patrimônio mineiro, igreja de Januária será reformada

Durante fórum de cultura da ALMG, secretário anunciou recursos para recuperação da Igreja do Rosário do Brejo do Amparo.

17/05/2016 - 16:15 - Atualizado em 17/05/2016 - 18:32

O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, atendeu antiga demanda dos moradores de Januária (Norte de Minas) e comunicou a destinação, ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), de recursos no valor de R$ 1,4 milhão, para reformar a Igreja do Rosário do Brejo do Amparo, patrimônio da cidade. O templo, tombado pelo Iepha, tem quase 350 anos, mas seu telhado desabou. "Precisamos fazer alguma coisa para que o resto da igreja não desabe também”, clamou o prefeito da cidade, Manoel Jorge de Castro.

O anúncio foi feito durante o último encontro regional do Fórum Técnico Plano Estadual de Cultura, realizado no campus da Unimontes no município, nesta terça-feira (17/5/16), com a participação de representantes de diversas cidades da região. O objetivo do fórum técnico, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em parceria com a sociedade civil e outras entidades do poder público, é ampliar a participação da sociedade na discussão do Projeto de Lei (PL) 2.805/15, do Executivo, que contém o Plano Estadual de Cultura, válido para os próximos dez anos.

Além de anunciar os recursos, o secretário Angelo Oswaldo manifestou-se a respeito da crise política pela qual passa o País e criticou as medidas tomadas pelo presidente interino, Michel Temer, na área cultural. “Num momento de grande ódio, acreditou-se que defenestrar a chefe da nação iria magicamente resolver tudo. E isso não era verdade. O Ministério da Cultura foi suprimido de uma canetada só. Cultura é política pública de Estado, permanente, não pode estar sujeita a caprichos e desmandos políticos”, ponderou.

O secretário destacou ainda mudanças previstas no plano para fortalecer o Fundo Estadual de Cultura. “As empresas patrocinadoras terão que separar parte da quantia captada, 35%, e depositar no Fundo Estadual de Cultura diretamente”, explicou. O vice-presidente do Conselho Estadual de Política de Cultura, Rubem Reis, completou que esse arranjo produtivo não pode ser objetivo da política pública. “Desgraçadamente, boa parte da sociedade civil apoia a extinção do Ministério, apoiada em falsas premissas. Nossa luta é pela modificação da Lei Rouanet, que existe para a democratização da cultura”, completou.

Rubem também destacou algumas mudanças propostas no plano, como a classificação dos projetos conforme a vocação, para impedir que muitos espetáculos que visem a promoção de marcas de empresas e venda de ingressos sejam contemplados.

Plano estadual reforça riqueza cultural de Minas

O Plano Estadual de Cultura é dividido em quatro eixos, 21 estratégias e 167 ações previstas para as diversas áreas culturais. Os eixos previstos são cultura e desenvolvimento com participação; política para as artes; patrimônio cultural; e sistemas de financiamento. O projeto traz as estratégias, as ações e as metas para cada um deles.

O presidente da Comissão de Cultura da ALMG, deputado Bosco (PTdoB), reforçou a importância da cultura para o desenvolvimento econômico e social. “Esse plano é essencial porque o nosso Estado é muito rico culturalmente. E a cultura gera benefícios para toda a sociedade. Mesmo diante de tantas dificuldades enfrentadas pelos grupos culturais do interior, eles são agentes de transformação em seus municípios, são lutadores”, afirmou.

O deputado Wander Borges (PSB) frisou que o plano é uma legislação de maior durabilidade e que leva em consideração os agentes que estão “na ponta”, os realizadores culturais, já que estes são convidados a participar diretamente da elaboração da lei. “A participação popular é essencial porque essa legislação os afeta diretamente. Esse projeto será votado na ALMG a partir da análise que vocês e todos os participantes dos demais municípios fizeram”, destacou.

Propostas - Na sequência do fórum, à tarde três grupos de trabalho se reuniram para a discussão do texto do PL 2.805/15. Ao todo, 11 novas propostas foram aprovadas. Dentre elas, algumas merecem destaque, como a que prevê fomentar, fortalecer e promover políticas públicas destinadas às comunidades quilombolas com ênfase nas potencialidades artístico-culturais do respectivo segmento. Também foi sugerido o desenvolvimento de um aplicativo que mostre e detalhe os pontos culturais de Minas Gerais, por região, facilitando assim o acesso às informações, aos itinerários e localidades para proporcionar a divulgação aos turistas. Foi proposto ainda o incentivo à reabertura e restauração das salas de cinema que se encontram fechadas nas cidades mineiras, principalmente no interior do Estado.

Também foram eleitos nove representantes regionais da sociedade civil e quatro do poder público para levarem essas novas propostas à etapa final do fórum, no Plenário da ALMG, entre os dias 8 e 10 de junho.

Consulta pública - A população também pode participar da consulta pública do Plano Estadual de Cultura, que estará aberta até esta quarta-feira (18), para recolher contribuições de quem não teve a oportunidade de participar presencialmente das discussões. As sugestões serão levadas para a etapa final do fórum técnico. 

Na etapa final do fórum técnico, os participantes vão aprovar e priorizar propostas para subsidiar a análise do Plano Estadual de Cultura pelos deputados. O Documento de Propostas será entregue à Presidência da ALMG. Como nas etapas regionais, haverá palestras técnicas e atividades de grupos de trabalho. Ao final do evento, serão eleitos os integrantes da Comissão de Representação, encarregada de acompanhar os desdobramentos do fórum técnico.