Pronunciamentos

VILSON LUIZ DA SILVA, Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agrucultura do Estado de Minas Gerais - FETAEMG.

Discurso

Discursa sobre o tema do evento.
Reunião 38ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/08/2005
Página 38, Coluna 2
Evento Lançamento do Plano Safra 2005-2006.
Assunto AGROPECUÁRIA.

38ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª LEGISLATURA, EM 8/8/2005 Palavras do Sr. Vilson Luiz da Silva Boa tarde a todos. Cumprimento o Presidente da Comissão, Deputado Padre João; o Deputado Federal e Secretário de Estado da Agricultura, Silas Brasileiro; o Secretário Valter Biachini, representando, neste ato, o Ministro Miguel Rosseto; o parceiro Luiz Carlos Felipe, Superintendente do Banco do Brasil em Minas Gerais; os Srs. Meira, que, recentemente, assumiu a Superintendência do Banco do Nordeste em Minas Gerais, situado em Montes Claros; José Silva, Presidente da Emater, nossa parceira; Argileu Martins da Silva, nosso companheiro; Igino Marcos, Delegado Federal do Ministério de Desenvolvimento Agrário; Antoninho Rovaris, Diretor de Política Agrícola das Contag, entidade que está sendo homenageada pelo lançamento do Plano Safra 2005-2006, e o companheiro Juraci Moreira Souto, Diretor de Administração e Finanças da Contag. Cumprimento ainda os parlamentares federais e estaduais; os Diretores e as Diretoras de autarquias - não os nomearei porque são muitos -; os dirigentes sindicais, os trabalhadores, os agricultores, os funcionários da Emater e os técnicos presentes. De modo especial, agradeço a todos a presença. Se os senhores aqui não estivessem, não haveria esse lançamento em Minas Gerais, nem adiantaria compor uma bonita Mesa. Com o Plenário vazio, não chegaríamos a lugar algum. Rendo homenagem aos que saíram ontem de casa e viajaram de 30km a 800km por nossas Minas Gerais para participar deste evento. Meus parabéns a todos. Cumprimento também os que serão homenageados nesse ato, como o Sr. Ivan Chaves, da Emater, o banco, o sindicato e o agricultor que recebeu o crédito. Companheiros, companheiras, autoridades, senhoras e senhores, não trouxe discurso pronto, nem nada escrito, nem número nas mãos. Neste momento, gostaria de fazer um registro. Daqui para a frente, trabalharemos com números, pondo a mão na massa e fazendo com que esse recurso chegue ao nosso trabalhador, ao agricultor e à agricultora. Não podia deixar de mostrar a minha satisfação e dizer que vale a pena sonhar. Há 11, 12 ou 13 anos, não podíamos imaginar que hoje nos reuniríamos aqui a fim de promover o lançamento de liberação de crédito especial para a nossa agricultura familiar e assentados na reforma agrária. Valeu a pena não somente esse sonho, mas também trabalhar com parceria. Ninguém consegue sucesso na vida sozinho. Ninguém é dono do mundo. Em pára- choques de caminhões, há um ditado: “Não somos dono do mundo, mas filhos do dono”. Não podemos perder isso de vista. Somos seres humanos, racionais, e temos sentimentos, como o de angústia e o de alegria, que passam pela nossa vida. Às vezes algum irmão ou irmã, pensando que é dono do mundo, estraga este Brasil, um país maravilhoso, de povo bonito e trabalhador, e que possui muita água e terra fértil. É nosso compromisso fazer de tudo para que o nosso país dê certo. É muito fácil criticar, mas pôr a mão na massa e trabalhar é difícil. Bianchini, quantas vezes fomos criticados por assentarmos com o Banco do Brasil, o Secretário e o governo? Consideravam-nos pelegos. No passado, cheguei a pensar dessa maneira bastante radical, mas conseguimos ultrapassar esse período. Aprendemos que somente avançaremos e obteremos sucesso se buscarmos parcerias com a nossa empresa de assistência técnica, com a Assembléia, os Deputados e as Deputadas, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste. Quando foi apresentado neste Plenário o programa do biodiesel e alguém questionou se éramos favoráveis a que o trabalhador um dia pudesse ser exportador de grãos, eu disse: por que não? A nossa meta é fazer a transformação daquele indivíduo que vivia na miséria e em sofrimento, que não tinha crédito, que não tinha ajuda nem assistência técnica. O objetivo é transformá-lo econômica e socialmente. Não vejo mal nisso. Secretário Silas, quando falamos em liberação de crédito para o pequeno produtor, estamos buscando uma concepção para a agricultura familiar. Às vezes, o agricultor possui 12ha ou 15ha, mas é um grande produtor no negócio que implementou em sua propriedade. Temos centenas de proprietários neste Brasil que têm 5.000ha ou 10.000ha e não plantam 1ha sequer. Então, não podemos denominar o produtor pelo tamanho de sua produção, temos que fazê- lo de acordo com sua produtividade. Falei sobre o nosso sonho, e esse sonho está se tornando realidade. O sonho do jogador é fazer gol. Estamos começando a fazer gols, mesmo não sendo ainda o placar que almejamos. A nossa pauta deste ano - o Dr. Valter Bianchini está aqui e pode confirmar isso - era de R$18.000.000.000,00. A nossa confederação exporá em números, mas o objetivo é elevar o teto, aumentar os contratos. Esperamos que todos os agricultores, tradicionais ou assentados, tenham crédito do Pronaf, que é um programa importantíssimo para o fortalecimento da nossa agricultura. Companheiros, temos que levantar a cabeça e ter muito orgulho, satisfação e honra da nossa luta, porque hoje a agricultura familiar é protagonista na produção de muitos alimentos. Já superou, em alguns produtos, principalmente os da cesta básica, a produção da agricultura do empresariado, do grande produtor. Se não acreditássemos em nossos sonhos, não teríamos chegado aqui. Há alguns anos, eu era um simples trabalhador e estava começando a minha militância sindical. Lutávamos para um crédito diferenciado para o pequeno produtor. O Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, por exemplo, não tinham crédito para o pequeno produtor. Você podia até chegar ao banco, ser amigo do gerente, do funcionário, mas, quando o crédito chegava, já era carta marcada, já era direcionado. As coisas estão mudando. O Brasil está mudando. Nove bilhões de reais para a próxima safra é suficiente? Não! Estamos fazendo gols e, portanto, almejamos um placar melhor. O nosso papel é reivindicar e pressionar. Se não tivéssemos feito isso, não estaríamos aqui hoje, fazendo esse lançamento, nem o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estaria, como esteve semana passada, em Garanhuns, fazendo o lançamento nacional. Cumprimento a Comissão que trabalhou diuturnamente para efetivar esse lançamento aqui hoje. São pessoas cujos nomes não aparecem, mas que trabalharam muito, nos bastidores, para que esse lançamento acontecesse. Refiro-me aos assessores e assessoras, que merecem uma salva de palmas. Se não fossem eles não estaríamos aqui fazendo esse lançamento. Então, minha gente, estamos no caminho. O potencial do Brasil está na agricultura. Já somos protagonistas na produção de muitos produtos agrícolas, principalmente os da cesta básica. Queremos mais. Queremos que nosso agricultor seja um empreendedor do seu negócio, gere emprego e renda, que não tenha a ilusão e a expectativa de que a vida na cidade é melhor. Com todo o respeito àqueles que moram na cidade, temos de fazer com que o homem do campo se fixe no campo, mas com dignidade, com qualidade de vida, escola, saúde, uma cooperativa, com crédito para investir na sua propriedade e tudo que tem direito. Esse deve ser o nosso papel e o nosso dever. Estamos completando 10 anos de Pronaf. Em agosto de 1995, o governo federal liberou R$200.000.000,00, e hoje estamos chegando à casa dos R$900.000.000,00. Lutamos para que esse sonho fosse uma realidade. Houve luta e perseverança. Acreditamos em nós, em nossos parceiros, no nosso potencial. Inúmeras vezes, no meu Município de Cláudio, eu dizia que acreditava que mudaríamos este Brasil, e, naquela época, muitas pessoas falavam que iam largar a roça porque não havia mais solução, mais incentivo. Muitos tiveram perseverança e ficaram, outros deixaram o meio rural na expectativa de buscar uma vida melhor na cidade grande, e quebraram a cara. Essa transformação depende de cada um de nós. Se cada um fizer um pouco, a coisa muda. Na audiência que tivemos com o Presidente Lula no Palácio, no final do grito, disse que estaria liberando R$9.000.000.000,00 e, se o dinheiro não desse, estaria liberando mais. A partir de amanhã, trabalharemos para gastar os R$9.000.000.000,00 para podermos aplicar 10, 11, 12. Vamos fazer pressão junto ao governo. Esse é o nosso papel. Duro será se não conseguirmos gastar todo esse dinheiro. No ano que vem, na nossa pauta, o Presidente, com sua equipe econômica, irá dizer que não poderá liberar mais recursos uma vez que não conseguimos gastar nem os R$9.000.000.000,00 que foram destinados para a safra 2005- 2006. Temos uma grande tarefa. Somos o elo principal para fazer com que esse recurso chegue ao agricultor, seja ele familiar, seja assentado em projeto de reforma agrária. Esse é o nosso dever de casa. Não podemos cruzar os braços e esperar que as coisas aconteçam. Se tivéssemos cruzado os braços e nada feito, garanto que isso não estaria acontecendo aqui, hoje. Tivemos momentos difíceis. Quantas e quantas vezes, em Brasília, atendendo ao chamado da nossa Contag, tivemos de dormir, durante uma semana ou mais, em barraca de lona, acampado em frente aos ministérios, para fazer pressão e negociar nossa pauta? Governo é governo, tem compromisso com todo o mundo, com o Brasil. Temos de fazer nossa parte. Não podemos esperar que o Presidente nos vá atender sem que façamos nada. Rendo aqui minhas homenagens a todos os parceiros e parceiras, a todo o nosso movimento sindical que acredita nessa luta. Com certeza, estaremos fazendo com que Minas Gerais não fique apenas com R$900.000.000,00. Trabalharemos, e contaremos com o apoio da Assembléia Legislativa, da Secretaria de Agricultura, dos bancos, da Emater, com todo o nosso potencial. Nosso objetivo para Minas Gerais era em torno de R$1.200.000.000,00. Estamos com uma deficiência de R$300.000.000,00, mas vamos tirar isso no trabalho. Se estamos um pouco atrasados, afundamos o pé no acelerador para alcançar aquele que saiu na nossa frente. É isso que faremos. Vamos tirar esse atraso com nosso trabalho e nossa perseverança. Agradeço a todos os trabalhadores, dirigentes, companheiras e companheiros que acreditam nesse programa. Não podemos deixar esse programa cair no descaso. Muitos pensam que esse é um programa para atender favelado, miserável. Essas são pessoas que não acreditam no Brasil, mas nós acreditamos. Nossos parabéns a todos, principalmente àqueles que serão homenageados. Nosso muito obrigado pela presença de todos neste evento.