SR. JOÃO CRUZ REIS FILHO, Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/12/2015
Página 16, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO.
Proposições citadas RQO 2357 de 2015
62ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 14/12/2015
Palavras do Sr. João Cruz Reis Filho
Boa noite. Começo saudando nosso presidente em exercício da Assembleia Legislativa, querido deputado Hely Tarqüínio; saúdo também o autor do requerimento, a quem já cumprimento e parabenizo pela brilhante iniciativa, nosso querido deputado Roberto Andrade; o nosso deputado Dalmo Ribeiro Silva; o nosso presidente Fernando, da Agroceres; o Dr. Urbano Ribeiral, presidente do conselho da Agroceres; por fim, mas não menos importante, na pessoa da nossa reitora Nilda, cumprimento todas as mulheres e todos os presentes nesta noite especial de homenagem à Agroceres.
Este ano, por indicação do prefeito Antônio Godinho, de Presidente Olegário, tive a oportunidade de ser indicado para receber a Comenda Antônio Secundino de São José, o que muito me honrou. Infelizmente, por uma questão climática, por uma dificuldade de pouso, não conseguimos chegar ao local. Estávamos eu, o vice-governador Antônio Andrade, o secretário de Fazenda, que também foi agraciado, e o Dr. Roberto Simões, da Faemg. Fiquei muito triste por não ter podido receber a Comenda Antônio Secundino de São José, porque, na verdade, ele representa muito do espírito do povo brasileiro e do mineiro, em especial.
Reitora, a gente estudou em Viçosa, e sabemos que a nossa biblioteca é a maior fonte de conhecimento tradicional, antes do Google. O nome da nossa biblioteca na Universidade Federal de Viçosa é Antônio Secundino de São José. Uma questão interessante da trajetória é que o nosso Dr. Antônio Secundino se formou na primeira da turma da Esav, não é, Roberto? Conforme você mesmo disse, era uma turma de notáveis. Com ele, formou-se o Prof. Geraldo Carneiro, amicíssimo de meu avô, que foi amigo também do Dr. Urbano. Lá se formou também Paulo Sálvio, o primeiro presidente da Emater. A nossa sala de reuniões na Emater se chama Paulo Sálvio. Era uma turma de tão brilhantes e notáveis homens que tinham uma amizade muito grande. O Prof. Carneiro tem um filho chamado Paulo Emílio por conta do Paulo Sálvio; seu outro filho é Antônio por conta do nosso querido Antônio Secundino de São José, que esteve muito à frente do seu tempo.
Vou falar um pouco a respeito da Agroceres, mas acho que o mais relevante é o espírito que criou essa empresa há 70 anos. Recordo-me de que, em 2004, uma lei foi transformadora na relação público-privada, chamada Lei da Inovação – a reitora sabe muito bem disso. Ela quebrou um paradigma extraordinário que havia na academia brasileira do impedimento dos professores e pesquisadores universitários em ter uma relação mais próxima com a iniciativa privada. Havia a cultura estabelecida de que o professor, que era servidor público, não poderia desenvolver trabalhos em cooperação com a iniciativa privada, porque era uma relação considerada inadequada. E a lei de inovação veio mostrar ao povo brasileiro que, muito pelo contrário, a universidade deveria, sim, apoiar e se aproximar da iniciativa privada; que o pesquisador poderia ser cedido a uma instituição privada, para desenvolver ciência e tecnologia e fazer o que estamos chamando hoje de startup, empresas incubadas. Só que isso aconteceu em 2004. Sessenta anos antes, o Antônio Secundido de São José fez a primeira empresa incubada no Brasil, que é a Agroceres. Digo isso para lhes mostrar, de maneira inequívoca, a visão desse homem que foi o fundador da nossa querida Agroceres e que fez o que fez: transformou a agricultura brasileira e mineira e gerou milhares de empregos. Acredito que, se a nossa Universidade Federal de Viçosa tivesse algumas evasões de professores e cérebros, conforme foi o nosso precursor da Agroceres, certamente a nossa agricultura brasileira estaria ainda muito mais evoluída.
Nesta noite comemoramos os 70 anos da Agroceres, que trabalha num ramo particularmente originário e que tem muita relação com tudo o que a minha família sempre fez, que é genética e melhoramento – o Dr. Urbano se lembra de que o meu avô foi professor e colega dele. Sou o oitavo geneticista da minha família, e a grande maioria é de geneticistas animais, assim como o nosso Fernando, da Agroceres, mas também há os geneticistas vegetais. A Agroceres fez uma transformação profunda da agricultura. Se não fosse o progresso da ciência, não seríamos hoje o exportador de alimentos que somos, a liderança em todos os setores. O nosso querido Antônio Carlos, da Avimig, está aqui para confirmar que o Brasil é líder mundial. Um de cada três frangos consumidos no mundo é produzido pelo nosso Brasil e pela nossa ciência e tecnologia.
Então queria cumprimentar todos os colaboradores da Agroceres por esse belíssimo trabalho de longo tempo e dizer que nós, do governo do Estado de Minas, a reputamos como um dos patrimônios da agricultura mineira. Desejamos vida longa à Agroceres; que venham mais 70 anos, 140 anos, enfim, muito sucesso. Boa noite e muito obrigado.