SARAIVA FELIPE (PMDB), Deputado Federal - MG. Presidente do Diretório Estadual do Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB.
Discurso
Transcurso do 25º aniversário de fundação do Partido do Movimento
Democrático Brasileiro - PMDB.
Reunião
29ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/06/2005
Página 39, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
Aparteante Marta Gomes de Deus Boaventura, Maria Lúcia Cardoso.
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/06/2005
Página 39, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
Aparteante Marta Gomes de Deus Boaventura, Maria Lúcia Cardoso.
29ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 10/6/2005
Palavras do Deputado Federal Saraiva Felipe
Exmo. Sr. Presidente, Deputado Antônio Andrade, companheiro de
partido, aproveito esta oportunidade para agradecer à Assembléia
Legislativa de Minas Gerais a homenagem que presta às bodas de
prata do PMDB; Embaixador Itamar Franco.
Gostaria de agradecer a presença do Presidente Nacional da
Fundação Ulysses Guimarães, que representa, nesta oportunidade, o
Diretório Nacional do partido, e o faz com extraordinário brilho,
haja vista as palavras por ele proferidas, que esgotam o
posicionamento do PMDB neste momento da vida nacional.
Registro que aqui não está o Presidente Michel Temer, porque hoje
o PMDB está filiando mais um Governador em suas fileiras. É o
Governador de Tocantins, Marcelo Miranda.
Quero cumprimentar e agradecer a presença do ex-Governador de
Minas Gerais, Newton Cardoso, nosso companheiro desde a fundação
do MDB, dando continuidade com o PMDB. Saúdo o Secretário-Geral do
Diretório Estadual do PMDB, com quem tenho trabalhado com muita
afinidade e denodo, Deputado Antônio Júlio. Cumprimento o
Presidente Estadual da Fundação Ulysses Guimarães, também ex-
Presidente do Partido, ex-Deputado, que está envolvido nesse
processo de mobilização e reestruturação do PMDB, Armando Costa.
Cumprimento o Presidente da Cemig, Dr. Djalma Morais, e o Líder
da Bancada do PMDB na Assembléia Legislativa e nosso dinâmico
companheiro de Executiva Estadual, Deputado Adalclever Lopes.
Saúdo o representante dos Prefeitos do PMDB. Eles são 143 em Minas
Gerais, e temos 142 Vice-Prefeitos. Vamos ter de realizar outra
solenidade, porque vários Prefeitos vieram aqui para se filiar,
evidenciando esse crescimento do Partido em Minas Gerais, com
novos Vereadores e Prefeitos. Abraço, então, o Prefeito de
Ipatinga, Sebastião Quintão. É muito importante a presença nesta
Mesa do ex-Deputado, ex-Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, ex-
Prefeito de Juiz de Fora e companheiro de todas as horas - quase
que dá uma rima -, nosso amigo Tarcísio Delgado.
Saúdo o Vereador Geraldo Félix, que representa todos os
Vereadores do PMDB e a Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Quero abraçar as companheiras e companheiros. Vejo Prefeitos, ex-
Prefeitos, Deputados Estaduais, Deputados Federais, ex-Deputados
Estaduais, Presidentes de Diretórios Municipais e até militantes,
aqueles que constituem a força do partido, que, de alguma forma,
se contentam com a sua participação como meros militantes, mas que
estão presentes em todos os eventos do PMDB e, sem dúvida, fazem a
nossa grandeza.
Gostaria de lembrar que o PMDB, como já foi dito, é o partido com
maior capilaridade em Minas Gerais. Estamos nos 853 Municípios do
Estado. Estão disponíveis os dados do TRE, e nenhum outro Partido
tem a capilaridade do PMDB de Minas Gerais. Entre Prefeitos e Vice-
Prefeitos, temos presença em mais de um terço dos Municípios de
Minas Gerais. Temos, aqui na Assembléia, nove Deputados Estaduais.
Temos o maior número de Prefeitos, o maior número de Vereadores e
o maior contingente de Deputados Estaduais do Brasil. Temos hoje,
na Câmara dos Deputados, 85 parlamentares.
O maior partido do País, que é o do Presidente da República, tem
90 Deputados, apenas 5 a mais do que o PMDB. No Senado, somos 23
Senadores. Temos a Presidência do Congresso Nacional com o Senador
Renan Calheiros. Estamos vivendo um momento de fortalecimento e de
busca da unidade.
Como disse o companheiro Moreira Franco, o PMDB não seria PMDB
nem o MDB teria sido MDB se não tivéssemos várias correntes.
Nascemos como uma frente democrática para combater a ditadura e
não perdemos essa característica. Em cada convenção municipal, em
cada pleito que enfrentamos no Estado, em cada divisão nacional,
nunca vi disputas, por exemplo, por nomes ou posicionamentos do
Partido no plano nacional. Eu, que sou Secretário-Geral do Partido
pela terceira vez, nunca vi situações em que primeiro não
enfrentássemos a discussão entre os vários segmentos do Partido e,
depois, a disputa por meio do voto na convenção.
Não temos a pretensão de ser os donos da verdade ou a referência
nacional da verdade. Somos uma frente que está inculcada na alma
nacional de tal forma que o PMDB tem papel fundamental no processo
de redemocratização do País, ainda depois da abertura do quadro
partidário em 1980, quando a ditadura, tentando dividir o MDB,
impôs aos partidos adicionar o “p”, de partido, a todas as siglas
partidárias. No dia 18/5/80, em Juiz de Fora, berço cívico da
nossa nação, reuniu-se uma parte do partido: Ulysses Guimarães,
Itamar Franco, Pedro Simon, Brossard. Naquele quadro, o Dr.
Tancredo Neves fundava o PP e esse grupo se reafirmava com a
simples adição de um “p” ao MDB, portanto, PMDB, a presença do
nosso Partido na vida nacional. Depois, sabemos o que aconteceu: a
ditadura impôs uma série de mudanças na legislação eleitoral. A
clarividência do Dr. Tancredo Neves fez com que retornasse ao
PMDB. Não foi como gostaríamos, mas, por meio do colégio
eleitoral, quase chegamos à Presidência da República com o José
Sarney.
Mas não desistimos do que considero uma dívida que o Partido tem
com a sociedade brasileira, ou seja, com os nomes que temos, fazer
um Presidente da República eleito pelo PMDB.
Circunstancialmente, o Dr. Itamar Franco não chegou à Presidência
pelo PMDB, mas levou todo o seu sentimento, a sua formação
peemedebista e fez um governo que, sem dúvida alguma, marcou
época, com a implantação do Plano Real. Na época, a dívida pública
brasileira estava em torno de R$65.000.000.000,00. Deputada Jô
Moraes, em outubro deste ano, chegaremos a uma dívida superior a
R$1.000.000.000.000,00. Só quero fazer um reparo na sua fala.
quando falamos em dívida pública, eu mesmo me apego àquela idéia:
dívida, abaixo o FMI. Não, Jô, dois terços da dívida são internos.
Teremos de fazer um acerto interno. Essa dívida é impagável, assim
como a dívida do Estado de Minas Gerais, quase
R$50.000.000.000,00.
O PMDB, que teve papel fundamental na reconquista das
prerrogativas clássicas da democracia, ainda tem de correr muito,
de caminhar muito, porque só consolidaremos a democracia
brasileira no dia em que diminuirmos as distâncias, o fosso social
que nos separa e que, aliás, pode nos levar a uma situação de
desintegração social. O PMDB, que tem essa história, esse
compromisso, agora é chamado em um momento extremamente delicado
da vida nacional. Já disse Moreira Franco, o diretório nacional,
em consonância com as Bancadas da Câmara e do Senado, assinou uma
nota por meio da qual o conjunto da Bancada compromete-se a apurar
tudo o que for denunciado no Executivo ou no Legislativo que
corromper a vida política nacional. Sabemos da gravidade dessa
posição e estamos absolutamente tranqüilos de saber que a
transparência é o compromisso inalienável do PMDB, além da
construção da democracia neste País.
A Vereadora Marta Gomes de Deus Boaventura (em aparte) - Sou
Vereadora da cidade de Brumadinho. Gostaria de cumprimentar o Sr.
Itamar Franco, em cuja pessoa cumprimento as autoridades que
compõem a Mesa, os Deputados, os Prefeitos, os Vice-Prefeitos, os
Vereadores, as demais autoridades, os senhores e as senhoras.
Gostaria de registrar um protesto veemente porque nenhuma de nós,
mulheres do PMDB, mereceu ser chamada para compor a Mesa, apesar
de todo o empenho, de todo o compromisso que têm para com o País.
Gostaria de pedir às mulheres que aqui estão que ficassem de pé.
Quero ainda ressaltar a importância, Sr. Presidente, da mulher e
da juventude no PMDB. Somos PMDB em qualquer situação, em qualquer
tempo. Hoje é uma data de extrema importância: 25 anos do PMDB,
bodas de prata. Esta data não pode ser comemorada apenas com os
homens, não é verdade? Temos de participar. Estaremos sempre com o
PMDB, defendendo-o com unhas e dentes. Somos parceiras e, a
propósito, na próxima campanha, trabalharemos em prol do PMDB.
Quero que todos compreendam o meu protesto. A partir de hoje, em
qualquer evento do PMDB, queremos a mulher representada na Mesa,
assim como o PMDB Jovem. Muito obrigada.
O Sr. Presidente - Registrando as palavras da Vereadora Marta,
gostaria de convidar para compor a Mesa, como estava previsto, a
Deputada Federal Maria Lúcia Cardoso, representando todas as
mulheres do PMDB.
A Deputada Federal Maria Lúcia Cardoso (em aparte) - Sr.
Presidente, cumprimento a Mesa na sua pessoa. Também cumprimento o
Governador Itamar Franco e o Presidente do Partido, Saraiva
Felipe. Neste momento o senhor me convida para compor a Mesa, mas
gostaria de convidar a Vereadora Marta a assumir esse assento, em
nome das mulheres, se o senhor me permite, Presidente, em nome de
todas as mulheres de Minas, que também representamos.
Não me canso de falar em Plenário, no Congresso Nacional, que
represento 82 mil votos de Minas, todas as marias de Minas. A
mulher representa grande força, embora ainda represente pequena
parcela de participação em toda a sociedade, quer ser reconhecida.
Há pouco escutei que a mulher precisa trabalhar. A mulher precisa
ser reconhecida como a mãe da humanidade, e nós, mulheres, estamos
aí para somar com os homens.
Neste momento em que o País passa por grave crise, talvez das
piores, honra-me muito pertencer a este Partido, porque o PMDB nem
nem sequer foi citado em tudo que está acontecendo neste País,
que, muitas vezes, deixa-me triste e frustrada com o parlamento.
É hora de deixarmos as portas estreitas para ingressarmos nas
portas largas da democracia participativa. É hora de o PMDB, mais
do que nunca, permanecer unido, porque é a via deste País, é
respeitado e reconhecido por todos, não só em Minas Gerais, é o
maior Partido deste País. O momento é do PMDB, não só porque é o
Partido democrático brasileiro, mas porque congrega homens e
mulheres à altura da sociedade brasileira para representar nosso
povo, não só em Minas, onde defendo candidatura majoritária para o
Governo do Estado de Minas e também a Presidente da República.
Perdoe-me, Presidente, este momento de emoção, em razão da
exposição da Vereadora Marta, que bem falou sobre as mulheres.
Queremos participar, somar com os homens. Este é o momento de
união das mulheres e dos homens brasileiros. Obrigada pela
oportunidade, Marta, você abre caminho para nós, mulheres.
O Sr. Presidente - A Presidência convida a Vereadora Marta Gomes
de Deus Boaventura para compor a Mesa.
O Deputado Federal Saraiva Felipe - Agradeço as intervenções da
Vereadora Marta, de Brumadinho, e da minha colega de Câmara
Federal, Deputada Maria Lúcia Cardoso. Enalteço o trabalho
realizado pela Aparecida Moura e pelo João Alberto, como
Presidentes do PMDB Mulher e do PMDB Jovem de Minas Gerais. Já
somos mais de 300 núcleos do PMDB Mulher e 262 núcleos do PMDB
Jovem em Minas.
Retomo minha fala lembrando que realizamos a convenção nacional
do Partido em 15/12/2004, da qual tiramos alguns balizamentos.
Alguns acho difícil de serem corrigidos ou alterados. Por exemplo,
a candidatura própria à Presidência da República e aos governos
estaduais. No caso da candidatura à Presidência da República, só
outra convenção, com votação de 2/3 dos delegados, pode derrotar
essa decisão tomada pela instância máxima superior do Partido.
Em Minas, viajamos por todos os quadrantes do Estado, com
reuniões programadas nos quatro cantos de Minas Gerais. Dessa
forma, estamos fortalecendo-nos e organizando-nos, buscando a
unidade necessária para tirar das nossas fileiras um candidato ao
Palácio da Liberdade em 2006.
Outro compromisso do Partido, extraído daquela convenção e
reforçado pela nota de sua diretoria nacional, é com a
governabilidade. Não gosto de ver faixas estampadas na Esplanada
contendo o nome “Lulla” com dois eles, como se repetisse a
situação do Collor. Temos denúncias apontando para a gravidade da
situação que o atual governo enfrenta, mas isso não nos anima a
estar entre aqueles que enxergam na crise a oportunidade de
antecipar o processo político-democrático previsto para o próximo
ano. Temos compromisso com a governabilidade, com as instituições
e o povo, e não desejamos que sofram devido aos que querem fazer
palanque das denúncias, que são graves, e com cuja apuração
estamos comprometidos. Mas não temos nenhum interesse em
precipitar ou antecipar situações políticas no Brasil.
O PMDB batalhou muito, alguns de seus membros perderam a vida na
luta pelo velho MDB, nascido em 1966, para que reconquistássemos o
processo democrático no Brasil. E não seria o PMDB que iria
interromper o avanço democrático, uma vez que, embora atento ao
quadro nacional, está comprometido com a governabilidade. Queremos
que tudo seja apurado e os responsáveis punidos, mas que não
façamos dessa situação um quadro para interrupção do processo de
fortalecimento e consolidação da democracia brasileira.
Gostaria de falar da busca da nossa unidade. Aquela fábula
contada pelo Adalclever Lopes lembra-me o que temos de viver no
PMDB. O Presidente do Partido tem de ser a resultante de posições,
das vontades políticas, sem se impor. Tem de ter capacidade de
diálogo, de superar divergências e dificuldades, ainda que tenham
sido dolorosas para as pessoas e para o Partido. Estamos no
momento apropriado, no plano nacional e em Minas Gerais, para
construir a unidade.
Aqui se expressou o Governador Moreira Franco dizendo que estamos
obtendo essa unidade, apesar das dificuldades. Abrimos mão, pelo
menos provisoriamente, de projetos pessoais para assegurar uma
posição unitária do Partido. E teremos de fazer o mesmo em Minas
Gerais. Não há partido mais grandioso, que more na alma do povo
mineiro, detentor de maleabilidade para o diálogo, haja vista as
vezes em que ocupamos o Palácio da Liberdade, seja com o
Governador Newton Cardoso, seja com o Governador Itamar Franco,
sempre soubemos conversar com o povo de Minas Gerais. E nossa
unidade assegurará nossa vitória também aqui, em Minas Gerais.
O futuro do Brasil está lastreado na luta democrática do PMDB. O
presente muito depende do PMDB, com a sua força no Congresso e a
sua força de mobilização, para atravessar essa quadra difícil por
que passa a nação brasileira. Não tenho dúvida de que o futuro,
com a consolidação da democracia, com a redução das desigualdades
sociais, com as condições propícias a que sejamos um País de todos
os brasileiros, esse futuro depende do PMDB. Muito obrigado.