Pronunciamentos

RICARDO ZEMA, Presidente do Grupo Zema, do Município de Araxá.

Discurso

Transcurso do 90º aniversário de fundação do Grupo Zema, do Município de Araxá.
Reunião 17ª reunião ESPECIAL
Legislatura 17ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/04/2014
Página 3, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO.
Observação O número que acompanha o Requerimento Sem Número, constante do campo Proposições, é para controle interno, não fazendo parte da identificação da Proposição referida.
Proposições citadas RQS 2623 de 2014

17ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 24/4/2014

Palavras do Sr. Ricardo Zema


Palavras do Sr. Ricardo Zema

Boa noite a todos. Queria agradecer a presença de todos vocês, sobretudo ao nosso representante de Araxá, deputado Bosco, pessoa de muita amizade nossa há muito tempo; ao deputado Ivair Nogueira; ao Emílio Parolini, também de Araxá, hoje presidente da Federaminas; e ao deputado Braulio Braz, amigo antigo. Quando começamos na revenda Chevrolet, ele já era concessionário. Hoje ele é o maior concessionário do Brasil.

Queria falar rapidamente sobre minha vida. O Bosco já contou o caso quase todo. Quando comecei a trabalhar e assumi nossa empresa, eu tinha 14 anos. Minha paixão era jogar futebol. Meu pai era muito enérgico comigo, ele me colocava de castigo e me dava tarefas para fazer. Mas, quando eu as terminava, ia jogar bola. Estava repetindo a 2º série do ginásio, então o que ele passou a fazer? Ele me trancava no quarto, me dava tarefa e levava a chave. Eu fazia aquilo correndo e ficava treinando embaixadinha. Cheguei a dar mil balõezinhos sem deixar a bola cair no chão.

Meu pai morreu em um acidente no dia 10 de abril, e o corpo dele chegou em Araxá somente no dia 14. Minha mãe quebrou as duas pernas, esmagou três vértebras da espinha e teve uma fratura na cabeça. Minha irmã tinha 7 anos e não teve nada. Houve muita agonia na espera deles. No dia seguinte, era dia de futebol. Meus colegas de escola e meus professores foram atrás de mim para eu jogar futebol, mas fui contrariado demais. O jogo começou, dei um sem-pulo na primeira bola e falei que nunca mais jogaria futebol. Tive um arrependimento muito grande de ter contrariado meu pai. Saí de lá, e me lembro que o portão do colégio estava fechado, então pulei o muro e fui para a nossa firma.

Comecei a trabalhar no dia 15/4/1957, há 57 anos. Nunca faltei a nenhum dia de trabalho e nunca adoeci na minha vida. Temos de dar graças a Deus por nossa saúde e pelo que nossos antepassados fizeram. Foi uma luta muito grande. Comecei a trabalhar com 14 anos, e o que eu sabia? Nada, mas fazia tudo lá na firma. Com 17 anos, terminei o curso de contabilidade, assumi a seção de peças, o posto de gasolina, a oficina e comecei a vender carro também. Dois tios trabalhavam comigo, um era irmão do meu pai e o outro era um cunhado, que ficou substituindo meu pai. Um deles tomava conta da oficina, e o outro era contador. Os dois juntos passaram a tomar conta dos negócios. Porém, os dois não tinham muita queda comercial, a situação foi ficando difícil e a firma foi ficando muito endividada. Eles tentavam vendê-la, mas eu falava para minha mãe não assinar e não vender.

Quando fiz 18 anos, minha mãe deu-me uma procuração para que eu a representasse na empresa. Às vezes eu saía para vender um carro e meu tio falava: “venda esse carro pelo custo, porque estamos apertados, precisando de dinheiro". Eu perguntava: "é para vender por quanto?". Vou dar um exemplo como se fosse hoje. O carro valia R$30.000,00, e ele me falava para vendê-lo por R$27.000,00 porque estávamos apertados. Eles não tinham queda para venda, mas me falavam: "procura o fulano, porque ele quer comprar o carro". Um dia um fazendeiro rico de Araxá quis comprar um carro, e o meu tio mandou que eu vendesse um Simca Chambord para ele. Cheguei lá, mostrei o carro e expliquei como funcionava tudo. Ele me perguntou: "quanto é o carro?". Eu lhe respondi: “R$30.000,00". Estou dando um exemplo no dinheiro de hoje, mas naquele tempo era bem mais. Ele me perguntou: "qual é o mínimo que você faz nesse carro?". Eu não tinha experiência e respondi-lhe que o venderia pelo preço de custo, R$27.000,00. Ele se assustou e me perguntou por que eu estava vendendo por aquele preço. Eu lhe respondi que estávamos apertados, precisando de dinheiro. Então me disse que, em vez de comprar o carro, ele me emprestaria o dinheiro. Eu o levei até o meu tio, que pediu um dinheiro emprestado. Aquilo virou uma rotina, e começamos a pagar juros. Meu tio tentou vender a firma, tentou arranjar sócio, mas eu dizia para a minha mãe não assinar, que não deixasse que ela fosse vendida.

O ano de 1964 foi abençoado por Deus. Casei-me com minha esposa Maria Lúcia, que está aqui, no dia 18 de janeiro desse ano. No dia 1º/3/1964, meu tio chegou para mim, já que eu tomava conta da parte financeira e da contabilidade, e falou: "A chave do cofre está aqui. Vou sair da firma porque ela vai quebrar. Sou um homem honesto e não assino mais nada". Assim, assumi a empresa no dia 1º/3/1964. Havia 10 funcionários, contando comigo. Eu devia cinco vezes o patrimônio da empresa e não tinha nenhum imóvel e nenhum veículo. Eu tinha contas a receber, estoque de peças e endividamento. Foi uma situação muito difícil. Mas, graças a Deus, esse ano foi muito abençoado por Deus. Em outubro nasceu meu primeiro filho, o Romeu, que hoje é nosso principal executivo. Ele trabalha com o Romero, que nasceu no ano seguinte.

São dois grandes executivos que temos. Nesse mesmo ano, consegui sair do endividamento. Paguei as dívidas e comprei o primeiro caminhão nosso, um caminhão velho, que reformei. No princípio do ano, comecei a fazer transporte nesse caminhão. Como nossa venda era muito pequena, comecei a fazer transporte para os outros postos da cidade. Fazia o transporte durante o mês e, no final do mês, eu ia receber. Fui receber num posto que hoje é nosso, o Posto Zema 2, à que época era do Marcelo Nolli, meu colega. Fui receber, quando me pediu que comprasse dele um estoque de peças. Olhei, olhei, porque entendia muito de peças. Perguntei quanto ele queria pelas peças. Ele me respondeu que queria um caminhão de gasolina. Um caminhão de gasolina naquela época equivaleria hoje a R$20.000,00. Eu propus dar a ele um caminhão de diesel, que hoje seria R$10.000,00. Era a metade do preço. Ele aceitou, e comprei essas peças.

Comecei a transportar as peças num carrinho velho que tínhamos lá. Quando cheguei na nossa empresa, meu tio, que era sócio – eu era empregado, minha mãe era sócia –, perguntou o que eu estava fazendo. Eu disse que havia comprado aquelas peças. Ele disse que eu tinha mania de comprar ferro-velho e que não aceitava isso. Ele mandou que eu devolvesse tudo. Respondi que não podia fazer isso porque o negócio era muito bom. Ele repetiu que eu deveria devolver, que ele não aceitava aquilo. Novamente respondi que não poderia devolver, pois já havia feito um contrato. Então ele disse que tudo devia ficar comigo.

Como eu podia ficar com aquelas peças? Eu ganhava um salário mínimo, morava na casa da minha mãe, era casado, já tinha um filho. Como eu faria isso? Não tinha como. Eu sempre fui muito econômico. O valor era mais ou menos 10 mil. Mandei um cheque para a companhia. Naquele tempo, 8.100 litros de óleo diesel representavam o valor de 1.044.044 cruzeiros. Eu não sabia se teria dinheiro para pagar aquilo. No dinheiro de hoje, seria mais ou menos R$10.000,00. Eu tinha mil, faltavam nove. Mandei o cheque com o extenso errado. Coloquei um milhão, quarenta e quatro mil, e quarenta e quatro mil. Eu tinha 30 dias de prazo para pagar o cheque. Se eu não conseguisse pagar o cheque, ele seria devolvido em razão do extenso errado. Certo?

O que eu fiz? Em uma semana, vendi, só de câmara de ar, para uma firma inaugurada em Araxá, que chamava Pneuara, cujo dono se chamava Ozanan, 7.500. Eu tinha mil, fiquei com 8.500. Numa semana, inteirei os 10 mil, no dinheiro de hoje. Fui ao banco e falei ao gerente que haviam me ligado da companhia de São Paulo. Havia um cheque com extenso errado. Pedi que, na hora em que ele chegasse, me avisassem, pois colocaria uma ressalva nele. Tudo que tenho começou desse negócio.

Dessa pequena quantidade de peças com a qual fiquei, comprei uma cromagem. Coloquei as peças e a cromagem no fundo de minha casa. No dia 5/3/1966, eu estava trabalhando na cromagem, cujo serviço é o mais grosseiro que existe. Estava lixando um para-choque e todo sujo de graxa. Maria Lúcia chegou e me pediu que a levasse para o hospital porque o neném ia nascer, ela estava com cólicas. Saí correndo de lá. Cheguei em casa e fui tomar banho, porque estava imundo. Quando fui tomar banho, não havia água. Tinha racionamento de água. Fui ao poço e peguei dois baldes de água. Pus uma bacia no quintal. Demorei para tirar aquela graxa, aquela sujeira do corpo. Fui pegar um carrinho velho que tínhamos, e o pneu estava furado. Fui trocar o pneu, e o macaco estava estragado. Chegamos ao hospital faltando 10 minutos para as 6 horas. Às 6 horas, nasceu o Romero, meu segundo filho, hoje o segundo executivo que temos. Ele é muito trabalhador e competente.

Tudo meu começou assim. Nesse mesmo mês, comprei uma autopeças em Ituiutaba. Tudo que tenho hoje saiu desse negócio, que começou a se desenvolver. No ano de 1969, comprei o segundo posto de gasolina, que era do Marcelo Nolli. Daí a seis meses, comprei o Posto Zema 3. Seis meses depois, comprei o posto de Uberaba. O negócio começou a se desenvolver. Começaram a surgir outros negócios. Hoje nossos negócios principais são combustíveis e eletrodomésticos.

Comprei a concessionária Chevrolet em 1976. E quando comprei essa concessionária, a Chevrolet fabricava geladeira Frigidaire, e eles vendiam geladeira Frigidaire, fogão Dako e Liquigás. Comprei só o negócio, não comprei imóvel nem nada. Então, levei para o nosso imóvel. Quando cheguei lá, vi que não estava cabendo tudo. Então, onde eu iria vender geladeira Frigidaire? Não havia lugar. Eu tinha um ponto comercial pequeno e abri a primeira loja de eletrodoméstico. Começou daí. O negócio foi se desenvolvendo. Em 1980, construímos um prédio, um centro comercial em Araxá. São 67 lojas e 55 salas. Lá instalamos a segunda loja. Depois, inauguramos em Ibiá, e o negócio começou a se desenvolver. No ano de 1986, o Romeu formou-se em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e começou a trabalhar. No ano seguinte, o Romero também formou-se em administração de empresas, na Fundação Getúlio Vargas, e começou a trabalhar. Então, a partir daí, com a entrada deles, o negócio se desenvolveu bem, e chegamos aonde estamos hoje.

Entendo que, para vencer na vida, a gente tem de trabalhar muito, ser honesto e acreditar na nossa pessoa. Deixo aqui esta mensagem para vocês. Meus agradecimentos pela presença de todos. Um carinho todo especial para os que estão aqui comigo nesta homenagem. Tenham um ótimo final de semana. Muito obrigado.