Pronunciamentos

PEREIRA DA VIOLA, Músico

Discurso

Agradece o convite para se apresentar na homenagem pelo transcurso do 30º aniversário de atuação da Cáritas Regional Minas Gerais junto às pessoas em situação de exclusão e vulnerabilidade social. Presta esclarecimentos sobre a escolha das músicas. Convida para evento dedicado à América Latina no Armazém do Campo do MST.
Reunião 43ª reunião ESPECIAL
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/11/2019
Página 23, Coluna 1
Assunto ASSISTÊNCIA SOCIAL. HOMENAGEM.
Proposições citadas RQO 640 de 2019

43ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 18/11/2019

Palavras do Sr. Pereira da Viola

O Sr. Pereira da Viola – Boa noite a todos e a todas. Eu escolhi esta canção por se tratar do mês da Consciência Negra, um mês que – eu acho – deveria ser o ano inteiro. Então, vamos ouvir.

– Procede-se à apresentação musical.

O Sr. Pereira da Viola – Obrigado. Vamos à próxima canção, então. Eu tenho que voltar a viola para uma outra afinação, que viola a gente toca por afinação, viu, gente? Como a gente toca em mais de uma afinação, naturalmente, o violeiro já carrega a viola, aliás, no caso aqui, como são duas afinações, eu deveria estar com duas violas, e era só trocar de instrumento, mas isso – eu costumo dizer – é coisa para violeiro rico, não é, frei Gilvander? Quando o violeirinho é pobre, carrega uma violinha só e fica enganando o povo, ludibriando o povo com conversinha fiada, enquanto ele vai afinando a viola, não é? E, às vezes, a viola não quer afinar, aí ele puxa uma moda: (- Canta.) “Viola que não afina, menina que me namora, depois da meia-noite, menina, uma das duas me consola”. E aí a viola afina porque viola é igual a mulher: tem que ser tratada com muito carinho.

E essa canção agora, Mãe do céu morena, eu tenho a satisfação de cantar nos 30 anos da Cáritas de Minas. Em 2016, o Cáritas fez um congresso em Aparecida; eu fui convidado a fazer um show e fiz questão de aprender esta canção para cantar naquele dia, e foi muito emocionante, por isso trouxe aqui hoje de novo, nos 30 anos da Cáritas mineira. É uma excelente maravilha.

– Procede-se à apresentação musical.

O Sr. Pereira da Viola – A próxima canção, então, é uma letra psicografada. Há um tempo, aproximadamente seis meses, tive a honra de colocar uma melodia nesta oração: Prece de Cáritas. É importante dizer que esta oração foi feita em uma noite de Natal.

– Procede-se à apresentação musical.

O Sr. Pereira da Viola – E, para encerrar, gente, não poderíamos deixar de lembrar o que está se passando na nossa América Latina neste momento. E aproveito a oportunidade para convidar a todos e a todas para uma noite especial, nesta quarta-feira, dedicada à América Latina no Armazém do Campo do MST, ali, na Avenida Augusto de Lima esquina com Avenida do Contorno, onde vamos ter vários artistas, entre eles, Pereira da Viola. Dedicaremos, em especial, à Bolívia e ao Chile que, neste momento, clamam por nossas orações, mas também por nosso grito de solidariedade àqueles que estão morrendo em defesa, em busca de seus direitos, principalmente, o direito de existir. E esta canção foi feita por um músico argentino chamado Horácio Guarany. A música foi composta durante a ditadura militar da Argentina e se chama Si se calla el cantor. Eis a importância de cada um que canta, cada um que faz parte e coloca esta arte em prol daqueles que mais sofrem.

– Procede-se à apresentação musical.

O Sr. Pereira da Viola – Obrigado. Boa noite! Muito obrigado, Cáritas, por esta oportunidade de estar junto com vocês todos e todas; é uma honra muito grande para um artista quilombola que vem lá de São Julião e está aqui junto com pessoas bonitas, pessoas lutadoras, pessoas que não têm medo. Neste momento, a coragem está sendo exigida, e nós temos que nos dar as mãos. E aí fico pensando naquela frase, que se torna necessária: Ninguém solta a mão de ninguém. Muito obrigado.