MURÍLIO HINGEL, Secretário de Estado da Educação.
Discurso
Presta esclarecimentos sobre o concurso público anunciado pelo Governo do
Estado e o plano de carreira para a área de educação. Comenta a situação
dos servidores da educação do Município de Contagem.
Reunião
135ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 09/06/2001
Página 27, Coluna 2
Assunto EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE ESTADO.
Aparteante Doutor Viana, Arlen Santiago, Márcio Cunha, Adelmo Carneiro Leão, Paulo Piau, Maria José Haueisen, Rogério Correia.
Observação Paticipantes dos debates: Alba Simone Leite Castro, Maria Aparecida, Valéria Simões.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 09/06/2001
Página 27, Coluna 2
Assunto EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE ESTADO.
Aparteante Doutor Viana, Arlen Santiago, Márcio Cunha, Adelmo Carneiro Leão, Paulo Piau, Maria José Haueisen, Rogério Correia.
Observação Paticipantes dos debates: Alba Simone Leite Castro, Maria Aparecida, Valéria Simões.
135ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 5/6/2001
Palavras do Secretário Murílio Hingel
Cumprimento o Presidente da Mesa, Deputado Doutor Viana; o
Deputado Rogério Correia, autor da proposta para que estivéssemos
hoje, aqui, para falar sobre a educação em Minas Gerais; o
Secretário Adjunto, Prof. Agamenon José Siqueira; o Coordenador do
Sind-UTE, Prof. Hilário; os Deputados, as pessoas da Secretaria
aqui presentes e os demais que vieram participar desta audiência
pública.
Dois temas são dominantes neste encontro: o concurso público e o
plano de carreira. Para chegarmos aos dois temas, sobre os quais
temos dados e informações a repassar, vou me permitir uma
exposição geral sobre as políticas educacionais, que, em 2001,
estão convergindo para uma preocupação dominante em torno da
valorização do magistério mineiro. Depois desta exposição, com os
esclarecimentos que pudermos prestar, estaremos à disposição para
os debates e para responder às perguntas que forem formuladas.
Preparamos para cada Deputado uma pasta contendo uma documentação,
que, na verdade, é uma complementação daquilo que vamos expor.
Não sei se temos essa pasta para todos os presentes nesta
audiência pública, porque tínhamos um número muito pequeno de
exemplares de alguns documentos. Então, com licença da Mesa, vou
usar um dos microfones laterais e pedirei a um companheiro da
secretaria que faça as projeções que nos orientarão nessa parte
expositiva. Assim, peço que diminuam um pouco a intensidade da
luz.
Preparamos uma exposição inicial, considerando o ano 2001 o da
valorização do magistério mineiro. Toda essa colocação que vamos
desenvolver em torno das políticas educacionais praticadas em
Minas Gerais está fundamentada em uma proposta educacional que
começou a ser formulada em 1998 e foi aprofundada em 1999. Ela
recebeu o nome-fantasia de Escola Sagarana. Fomos buscar essa
expressão em João Guimarães Rosa. O "slogan", o mote, o lema da
Escola Sagarana é Educação para a Vida com Dignidade e Esperança.
O símbolo da Escola Sagarana é o nosso conhecido bem-te-vi.
Já falamos, em outra oportunidade, sobre os fundamentos da Escola
Sagarana. Faremos, portanto, uma rápida repetição, dos fundamentos
da proposta educacional do Estado de Minas Gerais. Em um aspecto
humanístico, desenvolvimento integral do ser humano. Estamos
convencidos do acerto dessa prioridade pela leitura de documentos
internacionais oriundos da UNESCO e, recentemente, da conferência
nacional realizada em Dacar, no Senegal, em que se repetiu, mais
uma vez, o princípio de que a educação deve estar voltada para o
desenvolvimento do ser humano em todas as suas potencialidades.
Um segundo fundamento é a democracia, liberdade, pluralismo e,
evidente, participação. Acho que isso é evidente. Todos nós
sabemos da importância da cidadania, da responsabilidade social, e
da transformação da sociedade. Achamos que a educação tem um papel
importante a desempenhar, o de contribuir para transformar a
sociedade, tornando-a melhor. Temos também a universalidade, a
justiça, a paz social, a solidariedade e a igualdade de
oportunidades. Vou destacar a parte da universalidade. Durante a
nossa exposição, a questão da igualdade de oportunidades
educacionais voltará, um dos problemas mais sérios na educação
brasileira e, por certo, na educação em Minas Gerais. O Deputado
Rogério Correia falou de alguns números que demonstram que não há,
na educação brasileira, igualdade de oportunidades. Modernidade
quer dizer uma proposta educacional em sintonia com os novos
tempos, com as mudanças que estão ocorrendo, não podemos ficar
pretendendo repetir apenas o passado.
Mineiridade: acreditamos numa educação que valorize a história e a
cultura de Minas. No momento atual, até no espírito de
resistência, que é uma característica do Estado de Minas Gerais.
Parece-me muito apropriada essa resistência, em face das
dificuldades gerais por que passa o Brasil.
- Procede-se à apresentação de transparências durante o
pronunciamento.
O Secretário Murílio Hingel - São prioridades da Escola Sagarana.
Estou repassando isso, porque há uma inter-relação do que propõe a
Escola Sagarana com o que está sendo levado adiante. A prioridade
absoluta é para crianças e atendimento de políticas sociais
integradas. Realmente, não poderia deixar de ser de outra maneira.
Com relação à prioridade para a criança, encontramos um ponto
falho no campo da educação básica, no nível relativo à educação
infantil. De fato, a educação infantil passou a ser atribuição dos
municípios. O Estado fez um desmonte quase que total de suas
instituições de pré-escola. Os municípios, muitas vezes, não
tiveram condições de cumprir o que se esperava deles. É um ponto
falho e bastante grave.
A segunda prioridade é a preparação para a vida, com dignidade e
esperança. Isso está no "slogan" da própria Escola Sagarana; a
terceira é a construção coletiva da escola democrática, com
participação comunitária das famílias. Esse envolvimento é
essencial.
E chegamos à garantia do acesso universal. De novo, voltamos à
questão de igualdade de oportunidades, educação de qualidade para
todos.
Recentemente, participando de um encontro do Programa Mineiro de
Qualidade e Produtividade, falando para empresários, tive
oportunidade de afirmar que a qualidade em educação tem outro
nome: é, na verdade, eqüidade, igualdade de oportunidades. Sempre
que falarmos de qualidade, estaremos preocupados com um ensino bem-
desenvolvido, mas também com a eqüidade, com a igualdade de
oportunidades.
Em 1999, quais foram as ações desenvolvidas pela Secretaria? Numa
ordem seqüencial de oportunidades: ordenamento administrativo e
financeiro. Isso é muito importante. Já estive aqui na Assembléia,
anteriormente, falando dessa questão. Na verdade, praticamente
conseguimos zerar os restos a pagar na Secretaria da Educação.
Tomamos uma medida emblemática, ou seja, a transferência da
Secretaria da Educação da Rua dos Inconfidentes para a Gameleira,
Av. Amazonas. Saímos de um aluguel mensal de R$140.000,00 para um
aluguel mensal igual a zero. Isso é muito emblemático como atitude
de ordem administrativa e financeira. Renegociamos todas as
dívidas da Secretaria. Foi um trabalho difícil, mas muito bem-
sucedido. Renegociamos inclusive dívidas assumidas com os
municípios, por conta da municipalização de 1998. Tudo foi
renegociado, e o que foi renegociado foi pago. Tudo que se devia
aos municípios relativamente ao FUNDEF de 1998 foi pago. Não temos
mais problemas dessa ordem. Recomeçamos obras paralisadas. Podemos
falar aqui em centenas. Os Deputados podem comprovar o que estamos
dizendo. Essa retomada se fez em todas as partes do Estado, sem
exceção. Realizamos obras emergenciais, que necessitavam de
atendimento urgente. Atendemos à demanda educacional.
Já em 1999, a matrícula no ensino médio, por exemplo, que é de
responsabilidade do Estado, foi acrescida de mais 190 mil alunos,
sem que houvesse trauma nem tumulto. É claro que houve algumas
dificuldades de localização das escolas, mas o atendimento à
demanda educacional foi bem concluído em 1999.
Vejamos agora, no quadro seguinte, a atuação prioritária no ano
2000. Nesse ano, a Escola Sagarana, cujas linhas gerais já estavam
elaboradas, transformou-se em um documento explícito amplamente
divulgado, em que se propunha uma atuação para o tempo de um
Governo de quatro anos, podendo estender-se por anos a seguir.
Foram concluídas obras escolares, aquelas que foram retomadas.
Houve uma reorganização de ordem pedagógica que se manifestou
particularmente na autonomia concedida às escolas, para que
optassem pela organização do tempo escolar em séries ou em ciclos.
Sessenta por cento das escolas estaduais optaram pela organização
do tempo escolar no ensino fundamental em três ciclos: ciclo
básico, ciclo intermediário e ciclo avançado. Trinta e cinco por
cento das escolas, mais ou menos, optaram pelo regime seriado; 1ª,
2ª, 3ª, até à 8ª série. Houve, também, um número muito pequeno de
escolas que adotaram os dois modelos: até a 6ª série, organização
em ciclos; 7ª e 8ª séries no regime em séries.
Houve, ainda, a eleição para a escolha dos Diretores das escolas
estaduais. "Escolha" foi a palavra usada, porque os Diretores
ocupam cargo de confiança e, se usássemos a palavra eleição, isso
poderia ser argüído do ponto de vista constitucional. Então, houve
uma escolha. Os Diretores que venceram no processo foram nomeados.
Em um percentual muito reduzido de escolas, esse processo não se
concretizou, mas se concretizará até o final de 2001. Essas
escolas não chegam a atingir 2% das escolas estaduais que estão
sendo dirigidas por pessoas designadas, e não nomeadas.
Houve, ainda, avaliação pedagógica. Vamos voltar a este assunto.
Ele é importantíssimo porque mostra a realidade da educação em
Minas Gerais. A cooperação com os municípios ampliou-se até por
causa de uma importante lei, votada pela Assembléia Legislativa. É
a lei pela qual os recursos do salário educação - quota estadual -
são redistribuídos entre os municípios. Houve até um projeto de
lei antecipando a vigência dessa lei para 1º/7/2000. Portanto, os
municípios estão recebendo uma parcela correspondente à sua
matrícula. Essa cooperação gerou uma comissão mista que analisa e
opina sobre projetos de interesse dos municípios: construção,
ampliação, reforma, equipamentos de escolas e outras ações.
Também iniciamos programas de alcance social. O mais importante
foi o programa familiar para a educação, mais conhecido como Bolsa-
Escola. Começamos implantando-o em 19 municípios do vale do
Jequitinhonha, beneficiando aproximadamente 10 mil famílias e 50
mil pessoas.
O programa vai muito bem. Em 2001 ele se expandiu para 30
municípios, 17 mil famílias e 85 mil pessoas. Esperamos que em
2002, com o apoio da Assembléia Legislativa, possamos fechar o
ciclo do vale do Jequitinhonha. Já temos os valores necessários
para levar todo o programa a todo o vale, sem exceção. Já
conversamos com o Governador, que mostrou simpatia pela idéia de
se ampliar os recursos desse programa, que hoje são da ordem de
R$14.000.000,00, para R$21.000.000,00, o que permitirá alcançar
todos os municípios classificados como integrantes do vale do
Jequitinhonha.
No quadro seguinte, vemos algumas realizações, apenas porque os
números são expressivos. No biênio 1999/2000 aplicamos, em
ampliação de escolas, mais de R$11.000.000,00; na construção de
escola, muitas delas delegadas ao DEOP, mais de R$18.000.000,00;
na nucleação - quase todas essas escolas são municipais -,
aplicamos na concretização de escolas municipais de natureza
nucleadas mais de R$20.000.000,00; em reformas de prédios,
especialmente na rede estadual, mais de R$22.000.000,00; em
transporte escolar para os municípios, repassando recursos para os
municípios adquirirem veículos, quase R$12.000.000,00; em merenda
escolar, quase R$106.000.000,00. Diga-se de passagem que esse
programa vai muito bem, as cantinas estão sendo reaparelhadas, as
crianças podem merendar sentadas às mesas, a qualidade da merenda
é muito razoável e muito se tem trabalhado muito no aspecto
nutricional. Na manutenção e no custeio da rede estadual de quase
4.000 escolas, no biênio, aplicamos mais de R$62.000.000,00.
Portanto, nesse biênio, a Secretaria de Educação realizou ações
importantes, atividades-meio - merenda escolar, manutenção e
custeio - e atividades-fim - transporte, construção, ampliação e
reforma - mais de R$252.000.000,00.
O quadro seguinte vai nos mostrar onde estamos até 31/5/2001 nos
mesmos itens. Na ampliação, já aplicamos quase R$3.000.000,00; na
construção, mais de R$1.000.000,00; na nucleação, perto de
R$560.000,00; em reformas R$4.600.000,00; no transporte
R$17.500.000,00; na merenda R$50.190.000,00; na manutenção e no
custeio das escolas estaduais, R$24.000.000,00.
Aqui é preciso complementar com três pequenas explicações.
Ampliamos significativamente os recursos para o transporte escolar
em relação ao biênio anterior, porque este é um dos problemas mais
sérios que encontramos no interior do Estado, particularmente nos
pequenos municípios, nos municípios rurais.
Ao mesmo tempo, era importante liberar os recursos para o
transporte, para que os municípios com situações problemáticas
pudessem enfrentar a questão o mais rapidamente possível.
Outra observação: os recursos da merenda escolar, tanto os de
1999, como os de 2000 e 2001, são procedentes do FNDE, do
Ministério da Educação. O Estado não tem tido condições de
enriquecer a merenda. Tem podido apenas investir na aquisição de
mobiliário de refeitório, geladeiras, "freezers", fogões, talheres
e pratos. É importante que assim seja, porque a situação econômico-
financeira do Estado está difícil.
Muitos se perguntam de onde vêm os recursos que a Secretaria da
Educação está aplicando. Os recursos são procedentes da Cota
Estadual do Salário-Educação, que é um receita vinculada. Até
31/12/98, iam para o caixa único do Estado. A partir de janeiro de
1999, por decisão do Governador Itamar Franco, passaram a ir
diretamente para a Secretaria da Educação. Graças a isso, a
Secretaria tem tido certa capacidade de investir e até de custear
sua rede, sem onerar o Tesouro do Estado. Utilizamos, quase
exclusivamente, o salário-educação, hoje, por sinal, também
repartido com os municípios.
Chegamos a 2001, e, certamente, ao ponto mais importante desta
audiência pública. No que diz respeito à valorização profissional,
estamos trabalhando sobre a formação em serviço, a capacitação, o
aperfeiçoamento e a cooperação com os municípios.
No que tange à formação em serviço, falarei, à frente, sobre o
projeto mais ambicioso da Secretaria, o Projeto Veredas, que
pretende oferecer curso normal superior a 15 mil professores que
estão trabalhando da 1ª à 4ª série do ensino fundamental.
Falarei também adiante sobre o programa de capacitação em
História, Geografia e Ciências, em que vamos envolver 105 mil
professores atuantes na rede estadual e nas redes municipais, que
estão trabalhando no primeiro ciclo do ensino fundamental.
Para o aperfeiçoamento, existem os encontros, os seminários, os
painéis, muitos deles desenvolvidos pelo Centro de Referência do
Professor em Belo Horizonte, que fica na Praça da Liberdade, sendo
que, em 2001, instalaremos três outros centros no interior do
Estado. Estamos examinando as regiões e os municípios que
apresentam condições favoráveis.
Na cooperação com os municípios, temos convidado os professores da
rede municipal a participar tanto na formação, quanto na
capacitação e no aperfeiçoamento.
Mas, além disso, temos realizado, regionalmente, encontros com
Prefeitos, Secretários de Estado e lideranças regionais para o
debate em torno de temas como o FUNDEF, o salário-educação e a
prestação de contas. Já tivemos um encontro em Barbacena, um em
Montes Claros, um em Almenara e um em Nova Era. E continuaremos
com esses encontros por todo o Estado de Minas Gerais.
No que diz respeito à valorização no trabalho, há o concurso
público, sobre o qual falarei mais explicitamente daqui a pouco.
Felizmente, hoje podemos trazer notícias concretas sobre o
concurso, o edital, a abertura das inscrições, a realização, todas
as condições exigidas e o número de vagas oferecidas.
Sobre o plano de carreira, temos uma proposta resultante do
trabalho de uma comissão mista entre a Secretaria e o Sind-UTE, um
documento bastante sólido, sobre o qual trabalhamos. Encaminhamos
ao Governador a proposta de plano de carreira da Secretaria de
Educação, sobre o qual falaremos mais em instantes.
Os incentivos estão relacionados ao plano de carreira. Considero
capacitação e habilitação em nível superior também como incentivos
para a valorização do pessoal da educação no trabalho.
A reestruturação da Secretaria da Educação é um projeto de lei em
fase final de votação e discussão na Assembléia Legislativa e
trará profundas modificações na estrutura da Secretaria e das
Superintendências Regionais de Ensino. Queremos deixar bem clara a
questão da reestruturação, porque, no concurso a ser realizado,
estarão sendo proporcionadas vagas na própria Secretaria e nas
SRES: pretende-se criar um quadro permanente de técnicos e de
assessores, mantendo-se um número razoável para o recrutamento
amplo e introduzindo o que falta muito ao serviço público de Minas
Gerais e do Brasil, que é a profissionalização. Portanto, estejam
bem atentos a essa questão. Acredito que a reestruturação será
aprovada pela Assembléia brevemente, uma vez que já passou pela
primeira discussão, e logo teremos mudanças na Secretaria e nas
Superintendências.
Agora detalharei um pouco mais, porque são assuntos novos e
significantes para o sistema mineiro de educação. O primeiro
desses temas foi a aprovação e a aplicação de um sistema mineiro
de avaliação da educação pública, que conhecemos pela expressão
SIMAVE, cujos objetivos são a avaliação sistemática do desempenho
dos alunos do ensino fundamental e médio. Alguns poderão dizer que
isso é feito pelo SAEB e pelo ENEM. O SAEB foi desenvolvido pelo
Ministério da Educação; o ENEM, muitas universidades já o estão
usando, em concomitância com o concurso vestibular.
Mas a grande diferença entre o SIMAVE e o SAEB e o ENEM é que é um
sistema universal, não trabalhou nem trabalhará com amostras.
Trabalhou e trabalhará com todos os alunos da 4ª e da 8ª série do
ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. Neste ponto, o
Estado de Minas Gerais é o único que está promovendo esse tipo de
avaliação universal.
O SIMAVE está avaliando a qualidade da educação, representando
parcerias com as universidades para a gestão consorciada. Por
exemplo, envolveu 29 instituições de ensino superior do Estado. A
instituição coordenadora foi a Universidade Federal de Juiz de
Fora, mas as instituições regionais foram universidades públicas,
a UNIMONTES, a UEMG e faculdades que concorreram e apresentaram
condições de participar dessa gestão consorciada.
O SIMAVE também se preocupa com a formação e a qualificação de
profissionais da educação, porque não ficamos só no diagnóstico,
temos de ir adiante. Isso representa democratização do acesso à
informação. Por falar nisso, todos os resultados do SIMAVE podem
ser consultados por via da Internet. Lá vocês vão encontrar o
resultado do SIMAVE escola por escola, sem nenhuma exceção. São
quase 4 mil escolas avaliadas.
Continuemos vendo um pouco mais sobre o SIMAVE. Este mapa é muito
interessante, é o Estado de Minas Gerais, e cada pontinho
representa 100 alunos da rede estadual avaliados pelo SIMAVE. É um
mapa de orientação, mas notamos perfeitamente onde estão as
regiões densamente povoadas. Belo Horizonte e a área metropolitana
concentram quase que 50% da população do Estado. Depois, algumas
áreas, como o Triângulo Mineiro, Uberlândia, Uberaba. Depois, o
Sul de Minas, Varginha, Pouso Alegre, Caxambu, Três Corações; a
Zona da Mata, centrada em Juiz de Fora. Ao Leste, podemos notar
Governador Valadares e Teófilo Otôni e as áreas de atuação.
Percebemos o Norte muito despovoado, com uma única concentração
populacional significativa, que é a de Montes Claros.
Vejamos o quadro seguinte. Pelo SIMAVE, obtivemos um retrato
completo da escola estadual.
Infelizmente, pela legislação eleitoral, a partir de 1º/7/2000,
não pudemos assinar convênios com os municípios, porque a intenção
é que os municípios se integrem ao SIMAVE e, talvez, as escolas da
rede particular. Então, neste ano, estamos trabalhando firmemente
para incluir os municípios e seus alunos na avaliação e, se
possível, as escolas da rede particular. O Município de Belo
Horizonte, que é o mais expressivo, por sua população e por sua
matrícula, já se incorporou e vai participar do SIMAVE em 2001;
esperamos conseguir o mesmo resultado em outras regiões do Estado.
Vejamos o perfil da educação estadual - agora é preciso separar a
rede estadual das redes municipais e da particular. Quase 73% das
escolas estaduais estão em sede de município; 14,2% estão em sede
de distrito; 13% estão na zona rural. Então, uma conclusão a que
chegamos é que o Estado ainda tem uma forte presença no meio
rural, tanto na sede dos distritos com em outras localidades.
Retomando, 31,6% das escolas estaduais oferecem ensino fundamental
completo. Lamentavelmente, em 1998, pelo processo de
municipalização, dividiu-se o ensino fundamental - os municípios
ficaram, quase sempre, com o ensino fundamental de 1ª a 4ª séries,
e o Estado com o de 5ª a 8ª séries. Como educador, não acho que
essa tenha sido uma política apropriada; teria sido melhor
entregar ao município escolas de 1ª a 8ª séries, deixando-o
responsável pelo ensino fundamental completo, porque isso permite
à escola organizar-se de forma mais adequada.
Retomando, 15,9% oferecem o fundamental e o médio completos; na
verdade, somando-se os dois números, quase 47% das escolas
estaduais oferecendo o ensino fundamental completo, e 15,9% delas
têm, também, o ensino médio. Quero dizer à platéia que esta é a
minha opção preferida: uma escola que tenha todo o ensino
fundamental e todo o ensino médio. Achamos que é mais sólida e
pode elaborar um projeto político-pedagógico mais consistente,
tendo tempo para desenvolvê-lo. Além disso, o aluno não fica
circulando de uma escola para outra, de uma rede para outra.
Das escolas estaduais, 3,1% oferecem, apenas, ensino médio -
realizamos um grande feito, porque, no Governo anterior, a
reorganização da rede previa a multiplicação de escolas que só
iriam oferecer o ensino médio, e conseguimos limitá-las a 3,1%.
Isso é muito importante, até do ponto de vista de custeio e
manutenção - as escolas do ensino fundamental contam com os
recursos do salário-educação, a que já me referi, e o ensino médio
não tem nenhuma fonte de financiamento; então, se a escola tem o
ensino fundamental e o médio, evidentemente, o recurso que vai
para o fundamental ajuda, de certa maneira, a manter o médio. Como
sabem os Deputados, enfrentamos um problema difícil, que tem de
ser colocado, para que tentemos superá-lo: não há merenda escolar
para os alunos do ensino médio.
Pela legislação federal, os recursos da merenda escolar se
destinam, apenas, ao ensino fundamental, à educação infantil e à
especial. Isso tem provocado reações negativas por parte dos
alunos de ensino médio, muitos dos quais chegam à escola depois de
um dia de trabalho e não têm nem um copo de leite ou pão com
manteiga. Reconhecemos essa situação e estamos trabalhando com o
Conselho Estadual de Segurança Alimentar para resolver esse
problema. Evidentemente, o problema é de viabilização de recurso
financeiro. Vinte e dois por cento das escolas oferecem parte do
fundamental e o médio. Elas têm uma deficiência. Têm da 1ª à 4ª
séries do ensino fundamental, ou da 5ª à 8ª séries e o ensino
médio.
Sinceramente, não consigo entender como anteriormente se
estabeleceu a proposta de uma escola que tem da 1ª à 4ª séries do
ensino fundamental e, depois, o ensino médio. Falta justamente a
ponte, a ligação; 26% das escolas oferecem parte do ensino
fundamental. Como disse, principalmente o segundo ciclo, de 5ª a
8ª séries do ensino fundamental.
Nas escolas estaduais mineiras, nos primeiros anos, no ensino
fundamental, 51,3% dos alunos são meninos; 48,7% são meninas.
Depois essa situação inverte-se: 39,7% dos alunos do ensino médio
são do sexo masculino; 63,3% são do sexo feminino.
A primeira explicação é que os meninos são chamados mais cedo para
o trabalho, para ajudar na renda familiar. As meninas ainda estão
um pouco protegidas. O segundo aspecto é que as meninas e moças
têm melhor desempenho na escola. Especialmente no interior, elas
ainda ficam muito no seio da família, ao passo que os rapazes saem
de casa mais cedo e passam muito tempo fora.
Esse é um dado sensacional. As mulheres podem se perguntar por que
não têm uma representação igual no exercício do Poder Executivo e
até no Poder Legislativo. Os Deputados e os professores me
desculpem a observação, mas, evidentemente, existe aí uma
distorção bem acentuada.
Nos primeiros anos, 40,3% dos alunos das escolas estaduais são
classificados como brancos, e 50,7% são negros e pardos. Mas, no
ensino médio, novamente há uma inversão: 47,7% são brancos, e 43%
são negros e pardos. Os dados falam por si.
A questão é de natureza socioeconômica. As populações negra e
parda estão numa situação socioeconômica inferior e são chamadas
ao trabalho mais cedo. E isso se refletirá em tudo o mais, dali
para frente.
Responderam ao questionário aplicado pelo SIMAVE 65 mil
professores, e não é mau o retrato de Minas Gerais, porque só 1,6%
dos professores da rede estadual têm o nível fundamental, quer
dizer, só concluíram a 8ª série. É um número importante, e a
situação de Minas, nesse ponto, é muito superior à de outros
Estados brasileiros.
Têm formação de nível médio, o magistério, o curso normal, 26,4%
dos professores, mas 72% já têm nível superior. E, nesse aspecto,
não estamos distinguindo a natureza do curso superior, apenas
sabemos que 72% dos professores têm nível superior.
Volto aos de nível médio. Se temos o Projeto Veredas, que pretende
habilitar, em curso normal superior, 15 mil professores, vocês
perceberão que estaremos elevando o percentual de professores com
nível superior, como, aliás, prescreve a legislação do ensino,
princípio a vigorar a partir de 2006. O Estado, portanto, está num
caminho importante de valorização do pessoal do magistério e
melhoria da qualidade do ensino:
uma pessoa com curso superior tem
condições de fazer um trabalho melhor, embora não necessariamente.
Reconhecemos que há muitos professores que têm o ensino médio ou
normal e são excelentes professores. Não devemos generalizar.
A desigualdade social aparece nitidamente nos dados do SIMAVE.
Diferenças de padrão de vida dos alunos não explicam totalmente
diferenças de desempenho escolar. A única explicação para alguns
alunos terem desempenho inferior a outros não é a diferença de
padrão de vida, mas, em geral, o desempenho das escolas de regiões
pobres é pior que o das escolas de regiões onde o padrão de vida é
menor.
Volto à questão da igualdade de oportunidades educacionais, a
eqüidade. Por que os alunos das escolas de regiões mais pobres têm
desempenho inferior ao de alunos das escolas situadas em regiões
em que o padrão de vida é melhor? Isso não está correto. A
educação tem de ser democrática. Tem de tratar diferentemente os
diferentes. Aí vocês começam a perceber a importância do SIMAVE,
porque ele está a nos indicar caminhos para tornar a educação
verdadeiramente democrática.
Vejam a comparação entre os resultados do SIMAVE-PROEB (o PROEB é
a parte prática do SIMAVE) e do SAEB em Minas Gerais, na rede
estadual; em Minas Gerais, no geral; e no Brasil. A coluna amarela
representa a média de desempenho dos alunos do 1º ano do ciclo
intermediário ou 4ª série do ensino fundamental na rede estadual.
Ficamos, de certa maneira, satisfeitos porque esse desempenho é
muito melhor que o da amostra do Ministério, tanto na rede
estadual como em Minas Gerais em geral. O desempenho dos nossos
alunos em língua portuguesa é muito superior à média do Brasil.
Repetem-se os dados em Matemática, mas não com o mesmo
distanciamento. Sem dúvida nenhuma, ainda a rede estadual, em
Matemática, para os alunos da 4ª série, tem um melhor desempenho.
No entanto, em Matemática, a diferença não é tão acentuada como em
Português. Quero acrescentar que, em Português, foi avaliada a
competência no domínio da leitura, esse foi o objetivo.
O quadro seguinte vai mostrar a mesma situação para os alunos do
2º ano do ciclo avançado ou a 8ª série do ensino fundamental.
Continuamos a perceber, na coluna amarela, que os alunos da rede
estadual do ensino regular têm um desempenho melhor, mas eu me
permitira destacar um dado preocupante. Vejam que aparece, agora,
uma nova coluna. Esse é o desempenho dos alunos de projetos
especiais de aceleração de estudos, como o Acertando o Passo. Fica
evidente que esses alunos - aos quais o Estado estava oferecendo o
ensino fundamental concentrado - têm um desempenho muito inferior
aos do ensino regular, muito inferior mesmo em Português e em
Matemática. A conclusão é óbvia, a criança tem que entrar na
escola na idade própria. Tem que conseguir chegar ao final na
idade própria. Tudo o que se fizer adiante - e deve ser feita
alguma coisa para dar aos que não estudaram na idade própria uma
oportunidade -, na verdade, infelizmente, para esses jovens,
rapazes, moças e até adultos, eles não apresentam um desempenho
satisfatório. É inferior aos SAEB de Minas Gerais e do Brasil.
Acho que este é um dado que os professores devem examinar com todo
o cuidado, com todo o zelo.
O quadro seguinte vai mostrar a mesma coisa, só que para a 3ª
série do ensino médio. Em Português, a rede estadual continua
tendo um desempenho melhor, mas, em Matemática, perdemos para o
SAEB, tanto na rede estadual como no total de Minas Gerais, como
no Brasil. Então, fica evidente que temos de trabalhar muito o
ensino da Matemática. O desempenho dos alunos das escolas
estaduais, em Matemática, não é satisfatório, e fica mais grave a
situação dos que fizeram o projeto A caminho da Cidadania, a
aceleração dos estudos. Em Matemática, os alunos que fizeram o
ensino médio no referido projeto, concentração, em um ano e meio,
do ensino médio, têm um desempenho inferior aos da 8ª série do
ensino fundamental. Esses números são irretorquíveis. Não se pode
discuti-los.
Eis um resumo do que foi colocado. Os alunos avaliados tinham de
ficar na faixa de 175 a 350 pontos. No geral, temos uma situação
razoável, excetuando-se a última coluna, que se refere aos alunos
dos projetos especiais. Talvez o que falte, nesses projetos, seja
uma metodologia apropriada. O problema não está na concentração do
tempo, mas em que se concentre tempo na necessidade de uma
metodologia mais adequada. Em face desses resultados, escola por
escola, vamos trabalhar naquelas com um sistema de ação
pedagógica, oferecendo às de pior desempenho dos alunos uma
assistência mais próxima. É aquela idéia de tratar diferentemente
os diferentes.
O endereço eletrônico do SIMAVE é www.caed.UFJF.br.
Deixemos, agora, o SIMAVE e passemos às ações de valorização do
pessoal do magistério pela oferta de cursos de capacitação. O mais
importante deles é o Programa de Capacitação de Professores -
PROCAP -, nos quatro primeiros anos do ensino fundamental,
envolvendo Ciências, Geografia e História.
Metodologia: educação a distância e uma parte do curso de 180
horas, que é presencial.
Situação atual: concluímos a elaboração do material didático e
estamos formando os professores facilitadores, que vão trabalhar
com os professores objeto da capacitação.
Início: setembro de 2001.
O quadro seguinte vai mostrar o PROCAP em números. Quantos
professores vamos alcançar pelo PROCAP? Acho que esses números são
expressivos. Quase 30 mil professores de ensino fundamental da
rede estadual. Todos têm de ser professores atuantes no ensino
fundamental, da 1ª à 4ª séries. Quase 54 mil são professores
municipais. Então, aquilo que disse antes, da cooperação entre
Estado e município, fica evidente.
Professores atuantes na pré-escola: 1.347 estaduais e 357
municipais.
Por incrível que pareça, embora os municípios tenham uma matrícula
muito maior na pré-escola do que o Estado, em que houve um
desmonte quase total dessa área, o número de professores
municipais é menor.
Educação especial - 436 professores estaduais e 14.882 municipais.
Especialistas, assim como supervisores e orientadores, estão aqui:
793 estaduais e 1.062 municipais. Abrimos espaço para as APAEs,
que trabalham com a educação especial: 2.485 de seus professores,
que não são do Estado, nem do município, inscreveram-se para fazer
o PROCAP. Esses professores são contratados pelas próprias
organizações não governamentais. Portanto, 105 mil professores
estarão envolvidos no PROCAP.
Aqui, serei um pouco mais extenso, mas não serei demorado em
excesso, porque esse é o projeto mais ambicioso, mais inovador e o
único dessa dimensão pensado atualmente no Brasil. Trata-se do
Projeto Veredas. O que ele pretende? Pretende habilitar
professores da rede pública em serviço. Só vamos admitir inscrição
para o Veredas de professores que estiverem atuando nas quatro
primeiras séries. Pretende, ainda, elevar o nível de conhecimento
dos docentes e melhorar a qualidade do ensino e o desempenho dos
alunos. É claro que, se eu tiver um professor mais bem-formado,
isso se refletirá diretamente no desempenho dos alunos.
Outro objetivo é valorizar o profissional do magistério,
oferecendo-lhe a oportunidade de obter um diploma de nível
superior sem nenhum custo para o professor cursista. O curso será
inteiramente gratuito e seus custos serão cobertos pela quota
estadual do salário-educação.
Metodologia - Educação a distância e presencial - sempre haverá
uma introdução presencial e, depois, telessalas, Internet, guias e
textos para estudo individualizado nas diversas modalidades de
educação a distância.
Formação transdisciplinar - vamos procurar fazer com que os
diversos conteúdos tenham um tratamento transdisciplinar, como
recomenda a pedagogia atual. Teremos, ainda, atividades coletivas
e individuais e prática pedagógica em sala de aula. É claro,
porque só poderão fazer o curso professores em exercício, que irão
colocar em prática imediatamente aquilo que o curso lhes oferecer.
Quanto à avaliação individual, os cursistas serão avaliados, uma
vez que essa é uma exigência legal, e terão que prestar provas.
Mesmo tratando-se de educação a distância, haverá provas escritas,
que serão prestadas na presença de professores.
O curso terá 3.200 horas, em sete módulos semestrais. Não conheço
outro projeto dessa natureza. Estão à sua frente pessoas muito
competentes. Para esse projeto, vamos ainda precisar da aprovação
do Ministério da Educação - Conselho Nacional de Educação -, por
causa da educação a distância. Contamos com o envolvimento de
todos para que essa autorização seja dada, porque ela é
indispensável, uma vez que, com esse credenciamento, as
instituições poderão emitir os diplomas correspondentes à obtenção
de uma habilitação em nível superior.
Estratégia: gerencimento pela Secretaria da Educação e execução
por instituições de ensino superior que ofereçam cursos de
Pedagogia ou que atuem na área de licenciatura. Somente eles
poderão participar.
Atuação por pólos regionais. São 19 os pólos já selecionados para
o curso e 29 os lotes, porque em alguns pólos teremos mais de uma
turma, por exemplo, Belo Horizonte - área metropolitana;
superintendência de Januária; superintendência de Montes Claros,
vamos ter mais de uma turma.
Portanto, chegaremos a 29 lotes. Cada lote corresponde a uma
turma, e cada turma trabalhará de 350 a 650 professores cursistas.
O público-alvo são 60 mil professores que o Estado tem e só
possuem o curso médio, magistério. Na primeira fase vamos
trabalhar com 12 mil professores da rede estadual e 6 mil das
redes municipais. De novo, a cooperação.
Situação atual. Estão sendo elaborados os editais para a licitação
que levará à contratação das instituições que participarão do
Projeto Veredas. O material de apoio começa a ser preparado e
estamos montando o processo para solicitar autorização ao
Ministério da Educação, porque há uma exigência legal.
Curso a distância. Para ter validade nacional só com autorização
do Ministério da Educação e parecer do Conselho Nacional de
Educação. O curso está previsto para começar na última semana de
janeiro de 2002 e na primeira semana de fevereiro de 2002.
O quadro seguinte. Na pasta deixamos um documento falando mais
sobre o Projeto Veredas. Outra ação de valorização em Minas é o 2º
Fórum Mineiro de Educação, que vamos realizar de junho a outubro
de 2001. Na pasta há bastante material sobre esse fórum. Ele será
uma instância permanente de discussão, avaliação e construção
coletiva da política educacional de Minas Gerais e está sendo
organizado pela Secretaria de Educação.
Outro quadro. Esse fórum se destina a educadores em geral,
profissionais, dirigentes das escolas estaduais, municipais e
particulares de todos os níveis de ensino. Gestores dos sistemas
educacionais, pais, alunos, entidades da sociedade civil,
compromissadas com a educação.
É interessante que na organização do fórum levamos na devida conta
importante promoção da Assembléia Legislativa do ano passado que
foi o seminário sobre educação. Tudo que se discutiu nesse
seminário, principalmente o documento final, levamos em conta,
como não poderia deixar de ser.
Qual o objetivo do fórum? Definir os contornos da lei de
diretrizes e bases da educação mineira. Temos uma lei de
diretrizes e bases da educação nacional e agora vamos ter a lei de
diretrizes e bases da educação mineira, viabilizando o sistema
mineiro de educação e fornecendo subsídios para a elaboração de um
plano decenal de educação de Minas Gerais.
Recentemente, foi sancionado o Plano Nacional de Educação.
Lamentavelmente, este Plano foi sancionado com vetos e todos os
vetos incidem sobre matéria financeira. Então acho que as metas e
os objetivos do plano não serão passíveis de ser alcançados, mas
queremos ter também o nosso plano decenal de educação para Minas
Gerais, assegurar não o continuísmo, mas uma certa continuidade
nas ações educacionais que levam um tempo maior para maturação.
O 2º Fórum Mineiro de Educação vai-se realizar de junho a outubro
e vai-se constituir de encontros regionais, seminários, debates e
mesas redondas. Toda a programação encontra-se na pasta que foi
distribuída aos senhores.
O primeiro encontro acontecerá no dia 22 de junho, em São João del-
Rei, cujo tema será Valorização do Magistério, e o último
acontecerá em Belo Horizonte, de 22 a 25 de outubro.
Os que quiserem acompanhar o fórum, saber onde as coisas estão
acontecendo, quem está participando e que conclusões estão sendo
tiradas poderão acessar o endereço eletrônico
www.educacao.mg.gov.br. Assim sendo, as pessoas que se
interessarem pelo fórum terão acesso a todas as fases, ou
participando dos encontros ou acompanhando seu desenrolar pela
Internet.
Cheguei, agora, aos dois temas que foram mencionados no convite a
mim formulado, para serem alcançados nesta exposição. Não falei
apenas deles, porque me vali da oportunidade para mostrar que
estamos procurando caminhar sempre para a frente e que as ações
são compatíveis entre si. Nada em educação está acontecendo por
acaso. Tudo já estava planejado e discutido amplamente.
Talvez, como já se disse aqui, estejamos atrasados em algumas
providências, mas não é fácil vencer leis, decretos e burocracia.
Perdemos um tempo precioso para chegarmos a determinados
objetivos.
Falemos, agora, sobre o concurso público. Não fiz transparência a
respeito do assunto, porque quis trazer a esta audiência
informações atualizadas. As que trago são de ontem; portanto,
estão valendo para hoje de forma total.
O concurso público foi determinado pelo Decreto nº 41.534, de
7/2/2001, do Governador do Estado. Já se passaram três meses.
A comissão do concurso foi constituída por resolução conjunta da
Secretaria da Educação, da Secretaria de Recursos Humanos e
Administração e da Procuradoria-Geral do Estado, que é de
9/2/2001. Esse prazo nós cumprimos. Dois dias foram suficientes
para formarmos a comissão do concurso.
Passamos, então, à primeira atitude de concretização, qual seja a
licitação para a escolha da empresa especializada para elaborar as
provas. Competiram 16 instituições, sendo 8 desqualificadas por
não apresentarem a documentação completa, e outras 8 disputaram a
primazia.
A instituição vencedora foi o Instituto Mineiro de Administração
Municipal - IMAM. Portanto, todos os concursos serão organizados e
executados pelo IMAM, com as duas Secretarias e a Procuradoria-
Geral do Estado.
Hoje, terça-feira, encontra-se, na Procuradoria-Geral do Estado, a
minuta do edital do concurso. Tudo leva a crer que o edital estará
aprovado, talvez com algumas correções e emendas apresentadas pela
Procuradoria-Geral do Estado, na sexta-feira. E o edital deverá
ser publicado terça-feira, dia 12 de junho, no "Minas Gerais" e em
jornais de grande circulação. É um edital longo, detalhado, tem de
prever todas as situações legais que envolvem um concurso dessa
natureza.
O concurso será realizado para o preenchimento de cargos vagos em
escolas estaduais. São eles: Professor do Nível 5, Grau A - P5A -,
tem habilitação plena e pode lecionar no ensino médio; Professor
do Nível 3, Grau A - P3A -, de licenciatura curta: Letras, Estudos
Sociais ou Ciências, podem lecionar de 5ª a 8ª séries.
Insisto nesse dado porque esta informação precisa ser prestada.
Não sei por que razão, talvez por causa da designação para 2001,
muitos pensam que portadores de diploma de licenciatura curta não
poderão participar. Podem, sim. Isso traz uma certa tranqüilidade
a pessoas que estavam inseguras.
O concurso será, também, para pedagogos, chamados especialistas em
educação, pessoas formadas em Pedagogia, com habilitação para
Orientador Educacional, Supervisor Pedagógico, Inspetor Escolar.
Os Inspetores não são, necessariamente, lotados nas escolas; são
lotados no órgão central ou nas superintendências.
Concurso para Auxiliar de Secretaria, pessoas que atuam nas
secretarias das escolas, e concurso para Ajudante de Serviços
Gerais, que costumamos chamar de serviçais. Repetindo, concurso
para todos os que atuam na área da educação.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, membros da Mesa, demais pessoas
presentes, temos uma grande vitória. Nunca se fez concurso para
Ajudante, para Auxiliar de Serviços Gerais só da educação. Esses
concursos foram considerados gerais. É a primeira vez que serão
realizados para pessoal atuante em educação, a ser lotado só em
escola. Portanto, o concurso poderá ser bem direcionado.
Se não me falha a memória, em 1994, o Estado abriu concurso para
Ajudante de Serviços Gerais, em geral. As pessoas se inscreveram,
pagaram a inscrição, e o concurso não foi realizado. Quero, até,
lembrar que essas pessoas têm o direito de, apresentando o
documento de inscrição, ser ressarcidas do que pagaram, com a
correção monetária devida. É uma lei do Deputado Doutor Viana,
aprovada pela Assembléia Legislativa. Tudo levava a crer que o
concurso seria mal concretizado porque as regras não eram claras,
e muitas pessoas, até com nível superior, estariam se inscrevendo
para ser Ajudante de Serviços Gerais. Evidentemente, isso não
interessa à educação, queremos ter uma cantineira, uma pessoa que
limpe os banheiros, varra as salas de aula, recolha os papéis,
corte a grama. Precisamos de uma pessoa com menos estudo e mais
disposição para esse tipo de trabalho.
Geralmente, os nossos Ajudantes de Serviços Gerais são pessoas
comprometidas com a educação. Felizmente, agora, terão uma
oportunidade de regularizar a sua situação. Mas o concurso,
também, se destina ao preenchimento de cargos de lotação na
própria Secretaria e nas SREs. Teremos mais uma superintendência,
a de Belo Horizonte, a 42ª, que faz muita falta à Secretaria.
Tenho de falar dos cargos que estão previstos na lei, que podem
não corresponder à designação ideal. Não podemos inventar, criar
nomes para os cargos. Temos de prever aquilo que está na lei. O
primeiro cargo em concurso para a Secretaria e as
Superintendências é o de Analista da Educação. Poderão ser
Analistas da Educação o técnico em assuntos educacionais, o
técnico em conteúdo curricular e o pedagogo. Independentemente de
o pedagogo com habilitação em Orientação Educacional prestar
concurso para Orientador Educacional, poderá prestar para Analista
da Educação. Vou repetir, poderão candidatar-se, necessariamente,
para Analista da Educação pessoas com diploma de curso superior,
técnico em assuntos educacionais, técnico em conteúdo curricular e
pedagogos.
Para a Secretaria e as Superintendências, Analista da
Administração, também, tem que ter nível superior. Na expressão
Analista da Administração, cabem o administrador - quem tem
diploma de Administração -, o contador - com diploma de Ciências
Contábeis - e o pedagogista - tem diploma de licenciatura em
Pedagogia; de novo, o pedagogo pode concorrer, independentemente
de sua habilitação.
Ainda para a Secretaria e as Superintendências, temos os chamados
Técnicos da Educação. Repito que as expressões não correspondem,
necessariamente, às funções que serão exercidas. Tivemos de adotar
a terminologia que consta na legislação, pois não podemos
inventar. Então, para Técnico da Administração, pode se inscrever
quem tem nível médio; nessa categoria, cabem o Assistente Técnico
Educacional e o Assistente Técnico Pedagógico - aqui, falamos de
assistente; lá adiante, falamos de administrador e técnico em
assuntos educacionais. Na verdade, são três categorias de cargos
abrangendo oito possibilidades.
Para falar das inscrições, terei de fazer um comercial, para
declinar o nome do Banco onde elas poderão ser feitas.
Evidentemente, é o que ofereceu à instituição que ganhou a
licitação as melhores condições: o Itaú ou, onde existir, o BEMGE.
Acho que, para se inscrever, o candidato vai pagar valores
módicos, porque toda a licitação foi feita com base no preço, ou
seja, ganhou a instituição que ofereceu o menor preço. As taxas
são as seguintes: para Ajudante de Serviços Gerais, R$7,80 - acho
que não há nenhum concurso por esse valor no Brasil, mas acho que
ele é justo e tem de ser assim mesmo, pois essas pessoas são
modestas; para Auxiliar da Educação, R$9,75; para Professor, tanto
P5 como P3, R$13,00; para Técnico da Educação, para lotação na
Secretaria ou nas Superintendências, R$13,00; para os chamados
especialistas - orientação educacional, supervisão pedagógica e
inspeção escolar, ou Analista da Educação ou da Administração -,
R$19,50. Tudo isso está de acordo com a remuneração desses
profissionais. Não estou dizendo que a remuneração é boa ou justa,
mas acompanha exatamente o que ganha cada servidor da área da
educação.
É importantíssimo dizer que o concurso será regional, por
superintendência; não será por cidade. Temos 42 superintendências,
e, ao se inscrever, a pessoa terá de optar por uma delas. O
concurso por escola tem sido negativo para a educação, pois a
Secretaria fica completamente amarrada; não há sistema educacional
que resista à lotação dos profissionais em uma escola. É claro que
os concursados, pela ordem de classificação, vão escolher a vaga
de seu interesse e, assim, serão lotados na escola "a", "b", "c"
ou "d". Mas, até preencher todas as vagas de uma região,
continuaremos pelos classificados na região. Então, se são 42
regiões, são 42 classificações. Isso quer dizer que uma pessoa que
pode ter uma nota melhor na classificação de uma região não seja
aproveitada, e uma pessoa que tenha conseguido um resultado um
pouco inferior, mas tenha-se inscrito naquela região, pode ser
aproveitada.
Os Deputados que trabalham no interior sabem disso. Precisamos de
profissionais competentes muito mais no interior. Estamos fazendo
uma certa pressão positiva para que tenhamos bons candidatos para
superintendências mais distantes e com mais problemas. Temos
escolas em sedes de distritos, temos escolas no meio rural.
Precisamos do bom professor lá, não em Belo Horizonte, Uberlândia
ou Varginha.
As inscrições serão por cargo; quem se inscreveu para P5 terá que
apresentar a documentação correspondente; ou P3, ou Especialista
da Educação, Orientador; ou Supervisor; ou Inspetor. E assim por
diante: a inscrição é por cargo.
Alguém está impedido de fazer duas inscrições? Não. Não podemos
impedir que uma pessoa faça duas ou três inscrições. Porém,
determinadas provas serão realizadas no mesmo dia. Se alguém se
inscreve para a área metropolitana de Belo Horizonte, em História,
para P5 e, ao mesmo tempo, se inscreve para Montes Claros, em
História, não conseguirá fazer a prova, que será realizada no
mesmo dia, em todas as cidades.
Se a pessoa se inscrever para Professor e Supervisor, se tiver uma
licenciatura em Letras e uma em Pedagogia, com formação para
Supervisão Pedagógica, poderá inscrever-se. A prova de Letras,
Português, e a prova para Supervisor não serão no mesmo dia. Não
há nenhum impedimento. O único impedimento é a simultaneidade da
aplicação das provas ou a titulação.
Quando acontecerão as inscrições? Na segunda quinzena de junho.
Quando começam as provas? Na segunda quinzena de julho. Já sabemos
quais serão as primeiras provas, porque já temos o calendário
feito. Serão para Orientador, Supervisor e Inspetor. Temos de
adquirir uma certa experiência, porque não é um concurso simples.
Quais são as etapas do concurso? A primeira etapa é uma prova
específica. Quem, por exemplo, se inscrever para professor de
Matemática fará uma prova específica de Matemática. Essa prova
terá 70 questões e valerá 70 pontos. Ela é eliminatória. Será
eliminado quem fizer menos de 42 pontos ou 60%. Isto é importante.
Quem não alcançar 60% dos 70 pontos estará eliminado e não poderá
continuar nas outras etapas.
Na segunda etapa, serão 30 questões. É a prova de Educação, de
Pedagogia. Somando-se os 30 pontos desta com os 70 da outra,
totalizamos 100 pontos.
A segunda prova também é eliminatória para
quem fizer menos de 18 pontos. Serão classificados os que fizerem,
no mínimo, a soma de 60 pontos - 42 mais 18 - nas duas provas
eliminatórias.
Antes de passar à terceira etapa, quero dar uma informação
importante. A prova de Educação não será aplicada aos inscritos
para Ajudante de Serviços Gerais, e vocês podem perceber o porquê.
Na terceira etapa haverá a prova de títulos, que é
classificatória, não é eliminatória. Temos três níveis: os de
nível superior, os de nível médio e os que só têm estudos
elementares. Para quem tem curso superior, a prova de títulos
valorizará a experiência profissional, e, dentro dela, está o
tempo de serviço em escolas estaduais ou municipais e cursos.
Quais são os cursos que serão valorizados? Doutorado, mestrado,
especialização e atualização, cursos esses, até a especialização,
de validade nacional. Esta exigência não ocorre para os cursos de
atualização, mas na contagem de pontos será considerada a
instituição que ministrou o curso.
No nível médio, de novo valerá a experiência profissional, a
contagem de tempo e possíveis cursos. Alguns cursos que serão
considerados: atualização em informática - precisamos desse tipo
de profissional na Secretaria e nas Superintendências -,
atualização em contabilidade, atualização em educação e assim por
diante, dependendo do cargo a que o candidato estiver concorrendo.
Para Ajudante de Serviços Gerais, tem havido muita confusão: o que
se exige, porque está na lei, é instrução de nível elementar - a
expressão é esta: instrução de nível elementar. Então, ao
contrário do que alguns estão supondo, o candidato a Ajudante de
Serviços Gerais não precisa ter concluído o ensino fundamental.
Ele tem que demonstrar instrução elementar, normalmente obtida até
a 4ª série do antigo primário. Pode demonstrar até através de
atestados que comprovem essa condição. O candidato não pode ser
analfabeto. Por quê? Porque ele não poderá fazer a primeira prova,
que vale 70 pontos e que é uma prova de conteúdo. Aqui o conteúdo
será muito específico para o tipo de Ajudante de Serviços Gerais
que desejamos.
Quais são os títulos para classificação dos Ajudantes de Serviços
Gerais? Experiência profissional. Acho que assim se procura fazer
justiça a pessoas que estão nesses serviços há anos. Essa
experiência profissional será muito valorizada. Não preciso
explicar mais, pois já disse antes. Queremos uma pessoa que faça o
serviço que precisa ser feito. Além disso, o candidato a Ajudante
de Serviços Gerais pode ter algum curso. Por exemplo, ele pode ter
um curso de higiene, um curso de direito trabalhista, um curso de
conservação de alimentos, um curso de jardinagem. Isso será
valorizado, na classificação, compreensivelmente.
Agora, o que todos estão aguardando com as canetas e com os lápis
prontos: as vagas. Primeiro, uma explicação. Só temos condições de
realizar o concurso para vagas reais. O que estou querendo dizer
com isso? Podemos precisar de um professor de biologia, para
ministra seis aulas em uma escola. Isso não constitui vaga real,
porque, se admitíssemos essa situação, íamos ter um concurso
infindo. Tantas vagas para o preenchimento de quatro aulas, de
seis aulas, de sete aulas, de oito aulas. Então, especialmente no
caso do professor, é a vaga real, ou seja, 24 horas para P3 e P5,
sendo 18 aulas e 6 horas de atividade fora da sala de aula. Então,
a vaga não é real para professor quando ela não chega a esse
número. Vagas para P3: 16.417.
Precisamos de 16.417 professores para lecionar de 5ª a 8ª séries.
Aqui, podem se inscrever os que têm licenciatura curta. É claro
que poderão se inscrever para P3 os que têm licenciatura plena.
Vamos passar para a Matemática. Quem tem Ciências, licenciatura
curta, vai poder se inscrever para as vagas de Matemática. Mas
quem tiver licenciatura plena também vai poder se inscrever. Vai
ser mais bem classificado aquele que obtiver melhor resultado e os
que apresentarem, na classificação, a maior soma de títulos.
Vagas para P5: são vagas para as quais só poderão se inscrever
portadores de diplomas de licenciatura plena. Aqui não podem se
inscrever portadores de licenciatura curta.
Professor P5: 8.773 vagas. É um número menor, até porque quem é P5
pode lecionar também da 5ª à 8ª série, além de poder lecionar no
ensino médio.
Vagas para Orientador Educacional: 691. Supervisor Pedagógico:
1.529. Lembro que o Orientador Educacional e o Supervisor
Pedagógico têm carga horária de 24 horas semanais. Não é
acumulável um cargo de Orientador ou de Supervisor com outro
cargo. A acumulação só é possível em dois cargos de magistério.
Vagas para Inspetor Escolar: 181.
Vagas para Auxiliar de Educação, pessoal de secretaria: 4.296.
Vagas para Ajudante de Serviços Gerais: maior número, 18. 408
vagas. Total para as escolas: 50.295 vagas.
Vagas para Técnico da Educação, nível médio. Falo do Assistente
Técnico Educacional e do Assistente Técnico Pedagógico. São vagas
para trabalhar na sede da Secretaria, no órgão central, ou na
Superintendência.
Para Assistente Técnico Educacional: 1.496 vagas. Para a
inscrição, basta o nível médio. Assistente Técnico Pedagógico: 41
vagas. Vagas para Analista da Educação. Administrador: 189 vagas.
Contador: 41 vagas. Pedagogista: 177 vagas.
Aí, é claro que não são muitas, na própria Secretaria e nas
superintendências. Finalmente, vagas para Analista da Educação,
que precisa ter nível superior, o chamado Técnico em Assuntos
Educacionais - TAE -: 409 vagas. Técnico em Conteúdo Curricular:
210 vagas. Pedagogo: 313 vagas. As vagas totalizam, computando
todos os cargos objeto do concurso, 53.171. Temos a expectativa de
700 mil inscrições. A título de curiosidade, quero dizer que estão
chegando pedidos de informação do Mato Grosso, de Goiás, do
Distrito Federal, do Espírito Santo, de São Paulo. Como o concurso
é público, essas pessoas poderão concorrer, mas não sei se irão
satisfazer às exigências, inclusive quanto à titulação.
É importante dizer que estão previstas, porque existe uma lei
estadual estabelecendo isto, 5.206 vagas para portadores de
deficiência. Existe uma lei estadual determinando que 10% das
vagas sejam reservadas para portadores de deficiência. Então, as
pessoas que tiverem algum problema serão objeto de uma
classificação à parte, embora tenham que fazer as mesmas provas.
Alguns precisarão de alguma assessoria, como, por exemplo, os
deficientes visuais, que farão provas em braile. A classificação
será em separado, porque a lei estadual assim determina. Com isso,
não quero dizer que todas as vagas para portadores de necessidades
especiais serão preenchidas. Elas estão previstas para uma
classificação à parte, mas, se os candidatos não atingirem o nível
que eu já expliquei - 60% das questões da prova de conteúdo e 60%
da prova de educação -, evidentemente serão eliminados do
concurso.
Então, acho que satisfiz a curiosidade geral sobre o concurso. De
certa forma, foi bom virmos aqui no dia 5 de junho, porque pudemos
trazer dados concretos cujo levantamento foi muito trabalhoso e
dependente de muitas informações e elementos. Quero dizer a todos,
especialmente às pessoas da Mesa, que, embora o sistema de
designação de 2001 possa ter trazido algumas dificuldades por ter
sido centralizado, de certa maneira, ele ajudou a clarear as
vagas, porque soubemos, com certeza, onde estavam as necessidades.
Infelizmente, no sistema anterior, em que as pessoas se inscreviam
por escola, detectamos muitas falhas, erros e incongruências.
A centralização foi trabalhosa, nem sempre é o melhor. Acho que,
em educação, temos que trabalhar numa linha de descentralização,
mas foi útil, porque tivemos um retrato melhor do número de vagas.
Ficou faltando falar sobre o plano de carreira. Em relação a ele,
não posso ser tão conclusivo, porque, como educador, acredito na
importância de um plano de carreira, especialmente como ele foi
concebido, muito discutido e que contenha avanços importantes.
O que aconteceu com o plano de carreira e em que ponto nos
encontramos? A comissão constituída na Secretaria da Educação deu
conta da sua missão no princípio de novembro de 2000, quando, numa
reunião solene, entregaram-me a proposta do plano de carreira. Até
comentei aqui certa vez, no teatro, algumas linhas que considerava
avanço, como, por exemplo, regime de trabalho, promoção vertical,
promoção horizontal, a previsão de uma gratificação especial para
aqueles que trabalham no meio rural ou em situações de risco. São
alguns dos avanços, entre outros que considero avanços, embora os
especialistas da educação não gostem muito. A idéia, na verdade, é
que somos todos pedagogos, porque todos temos que fazer o curso de
Pedagogia, independentemente da habilitação, inspeção, supervisão
e orientação. Eu me sentiria mais honrado se fosse chamado de
pedagogo que de especialista da educação. Mas temos pessoas que
não concordam com isso. Mas o plano de carreira adotava a
expressão única - pedagogo -, com a habilitação específica, porque
o curso de Pedagogia trabalha nessa linha.
De posse desse projeto, me debrucei sobre o texto, fiz meus
estudos, minhas observações, discuti internamente na Secretaria da
Educação e solicitei ao setor que trabalha na área financeira que
elaborasse tabelas, prevendo a repercussão financeira a partir de
determinados valores, que não poderiam constar na lei do plano de
carreira, mas isso poderia prever quais seriam.
De posse de toda essa documentação, uns dez dias depois, levei a
proposta, agora já oficial, da Secretaria da Educação - com muito
respeito para com o projeto que me foi entregue, com algumas
pequenas alterações e correções que precisavam ser feitas - para o
Governador do Estado e para a Secretaria de Recursos Humanos e
Administração.
O próprio concurso, estamos fazendo juntamente com a Secretaria da
Educação e a Secretaria de Recursos Humanos e Administração. O
edital será assinado conjuntamente pelo Secretário da Educação e
pela Secretaria de Recursos Humanos e Administração. É assim que o
Estado está organizado.
Tinha a expectativa de que o Governador, valendo-se da lei
delegada, colocasse em prática o plano de carreira do pessoal da
educação, mas isso se tornou inviável por questão de ordem
administrativa. A educação tinha proposta de plano de carreira,
mas, no Estado, não há carreira apenas na área de educação.
Existem outras, e nem todos os planos estavam concluídos. E também
dificultava bastante o andamento da questão o fato de o Estado
ainda não ter estabelecido o novo regime de trabalho para o
pessoal estatutário.
A idéia era e, de certa maneira, permanece sendo que o plano de
carreira esteja em consonância com o novo regime estatutário
aplicável a todos os servidores públicos.
Há muitas questões em jogo. Há reformas no campo previdenciário e
emendas à Constituição Federal que têm reflexos em Minas Gerais.
Há questões sobre as quais muito se discute, como é o caso do
regime de trabalho. Eu, por exemplo, sou partidário de que o
regime de trabalho de Inspetores, Orientadores e Supervisores seja
de dedicação exclusiva, como já é para o cargo em comissão de
Diretor.
Faltava, então, esse outro arcabouço. Desistimos? Desanimamos?
Não. De forma nenhuma. Temos dito a Deputados e profissionais da
educação que pretendemos retomar o assunto, sem rediscuti-lo,
durante o Fórum Mineiro de Educação, que vai estudar a LDB da
educação estadual, ou seja, o sistema mineiro de educação. Um tema
a ser debatido é de novo a questão do magistério.
Na minha avaliação - pode ser que eu esteja enganado, pois não sou
jurista -, teríamos condições de incorporar à lei do sistema
alguns dos avanços propostos no plano de carreira. Estaríamos
tentando chegar à parte dos objetivos, não à totalidade - não
somos ingênuos a ponto de acreditar nisso -, por meio do Fórum
Mineiro de Educação, e, é lógico, continuando a discutir o assunto
com o Governo. Temos excelentes relações com o pessoal da área
econômica e administrativa e com o Governador. Levaremos à frente
a luta pelo plano de carreira, principalmente porque está bem
feito e porque Minas se adiantaria muito nesse particular.
Como conferencista em São João del-Rei, onde discutiremos o
assunto, convidamos o Prof. Kalil, que tem vivência do mundo
sindical ligado à educação. Esperamos que cheguemos àquela cidade
em condições de discutir aspectos do plano de carreira e que
possamos trazer ótimos resultados para o encerramento em Belo
Horizonte.
Não se percebe insensibilidade por parte do Governo. Ninguém está
se esquecendo dessa questão ou escondendo-a. Ela é uma questão
fundamental. No entanto, as características da administração do
serviço público têm dificultado o andamento do plano de carreira
do pessoal da educação em separado.
Estou à disposição para responder aos questionamentos da Mesa, dos
Deputados e dos demais participantes desta audiência pública.
Muito obrigado.