MIGUEL MARTINI (PHS), Deputado Federal. Presidente de Honra do Partido Humanista da Solidariedade - PHS.
Discurso
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/12/2007
Página 66, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
Proposições citadas RQS 1207 de 2007
60ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 7/12/2007
Palavras do Deputado Federal Miguel Martini
Saudações solidaristas a todos os presentes. Cumprimento e agradeço a presença da Deputada Federal Jô Moraes, Presidente do PCdoB. Ela foi minha companheira nesta Casa e é agora companheira no Congresso Nacional. Sua presença nos honra muito. Muito obrigado. Cumprimento a Mesa, o Deputado Célio Moreira, Presidente desta reunião, representando o Deputado Alberto Pinto Coelho, Presidente desta Casa; Paulo Roberto Matos, Presidente da Executiva Nacional do Partido Solidarista; Vereador Fred Costa, que tem sido um baluarte na Câmara Municipal, defensor das nossas propostas; cumprimento João Nascimento, Vice-Presidente Nacional do PHS; a companheira Nelita Rocha, representante do PHS em São Paulo e Presidente do Conselho de Ética; Deputado, irmão e amigo Eros Biondini, sempre combativo, grande exemplo, modelo, que tem alegrado muito a todos nós e a todos os seus eleitores, aquele que veio fazer a diferença na Assembléia Legislativa. Obrigado por esta homenagem e parabéns por sua atuação, que tem feito com que o PHS seja visto como um partido que defende princípios, valores morais e éticos do Evangelho. Também cumprimento alguns dos futuros Prefeitos pelo PHS em Minas Gerais. Alguns deles estão presentes neste Plenário. O futuro Prefeito de Juiz de Fora certamente está presente, mas não posso dizer o nome, senão é campanha. O futuro Prefeito de Santa Luzia certamente está aqui. Também devem estar nesta Casa, neste momento, dois prováveis futuros Prefeitos de Belo Horizonte e vários Vereadores. O PHS, na próxima eleição municipal, com certeza, será um partido, para aqueles que não o conhecem, uma surpresa. Para nós, não tanta surpresa, pela força que carrega em suas propostas, seus programas e estatutos.
Quero registrar que, durante 12 anos, pude desta tribuna debater com a Deputada Jô Moraes, às vezes para concordar, com tantos outros companheiros. É uma alegria estar hoje nesta Casa, onde pude aprender muita coisa e também deixar algumas marcas.
Fui eleito em primeiro mandato por um partido grande. Incomodava-me o fato de que o Brasil ainda não dispunha de um instrumento político com os princípios e valores da doutrina social cristã. Apesar de algumas legendas lembrarem o nome, em seus estatutos ainda faltava maior consistência e clareza do que queríamos defender como cristãos.
Lembro-me de que comecei a procurar. Trabalhava comigo alguém que tinha feito parte da tentativa de criar um instrumento cristão. Então, o Félix e a Maria Cecília me colocaram em contato com o Felipe Guedon, que ainda não conhecia. Acreditava que o Brasil precisava desse instrumento. Por isso fomos a Petrópolis atrás dele, que levou um susto. Ele me disse: “Você está eleito em um partido grande, está muito bem”. Eu falei: “É assim que acredito e é assim que quero fazer”.
Foi uma luta árdua. Vocês não queiram imaginar o que é criar um partido em um país continental como o nosso, sem recursos financeiros. De fato, o Presidente Paulo Roberto falou corretamente. Começamos em Petrópolis, viemos a Belo Horizonte, depois começamos a rodar este Brasil todo, buscando aqueles que queriam formar esse partido. Quando achávamos que o partido estava muito bem formado e que estava em sua caminhada, veio a primeira dificuldade: a fragilidade da legislação deste país.
Sentimos um banho de água fria. O PSM que tínhamos criado sofreu um revés. Foi duro. Houve divisões, lutas, mas é sempre assim. É evangélico. Jesus disse: “Quando se semeia o trigo, vem sempre alguém para semear o joio”. E o joio também foi semeado no meio de nós, até que, à medida que o tempo passou, percebeu-se claramente joio e trigo. E, facilitando-nos, o joio acabou afastando-se e perdendo espaço.
Retomamos, então, o nosso caminho do solidarismo. Hoje, o mundo carece da proposta solidarista. Digo que carece porque cientistas do mundo inteiro estão discutindo as conseqüências do efeito estufa, das mudanças climáticas e concluíram que não há mais saída; o efeito estufa é irreversível, porque não temos como mudar a matriz energética. A matriz energética que cria o efeito estufa ainda é dos hidrocarbonetos, ainda é do petróleo; 80% da matriz energética mundial está fundamentada nisso e, ainda que criemos energia atômica para fins pacíficos, ainda que busquemos energia eólica, hidráulica, etc., não passa de 12%, 15%, no máximo 20%, somando-se isso tudo.
Por que essa destruição? Por que estão acabando com a Amazônia, que vai-se savanizar? São dados científicos. Isso ocorre exatamente pelo egoísmo do homem. O americano está pouco preocupado se nós, no Brasil, vamos sofrer. O problema é esse. O problema é que, se alguém na China, na Índia, nos Estados Unidos, na Austrália, onde quer que seja, não respeita a natureza ou o ser humano, o mundo sofre. Nós, aqui, sofremos as conseqüências de tudo isso. Os Estados Unidos são responsáveis por 25% das emissões de CO2, junto à China. Só que a China, em 2010, passará os Estados Unidos.
Portanto, a previsão é que, até 2050, a população mundial seja de 9 bilhões de pessoas e a necessidade de energia suba de 100% para 200%. Essa é a realidade. Vivemos um momento em que o ser humano pensa unicamente em si, os governantes pensam unicamente em si e, às vezes, nem em seu povo chegam a pensar, embora usem esse discurso. Pensam no seu próprio povo antes de atentar para o povo como um todo. E a solidariedade, o solidarismo, os valores morais e éticos do Evangelho, seu princípio fundamental, o amor, a vida?
Outro dia, dizia no Congresso Nacional ser o cúmulo do absurdo a discussão da possibilidade de matar, que ali era travada. Isso, para mim, é um absurdo. Acho que podemos discutir a melhor forma de salvar a vida, mas nunca a de permitir matar. Na semana que vem discutiremos, na Comissão de Seguridade e da Família, um projeto de nossa autoria, que é o Estatuto do Nascituro: queremos que o ser humano, gerado no ventre materno, seja protegido porque é um cidadão brasileiro ou uma cidadã brasileira, merecendo a proteção e os direitos do Estado. E o PHS quer ser isso, quer ser a opção daqueles que acreditam nesses valores. A partir deles, conseguiremos verdadeiramente transformar o coração do homem e, por conseguinte, a realidade onde vive esse homem, que é a sociedade.
Ser solidarista é isso, e queremos ser coerentes com o que acreditamos. Todos quantos queiram defender essa bandeira têm, na política, exatamente esse espaço, no qual as forças que pensam de maneira semelhante se agrupam, congregando-se numa mesma direção. São forças bem-vindas para unir-se a nós. É assim que se faz política. Temos de separar aquilo que nós, do PHS, queremos e fazemos, e verificar quantos podem somar conosco, defendendo aquilo que também queremos defender.
Parabéns, Deputado Eros Biondini, por sua sensibilidade e iniciativa. Agradecemos a V. Exa., que tem sido, nesta Casa, esse sinal, esse lutador, assim como esperamos que todos os mandatários - inclusive, quem sabe?, o nosso Presidente Deputado Paulo Roberto Matos - o sejam. Acredito que cresceremos em 2008. Mas é preciso dizer que todo ser que nasce muito grande é monstro. Nascemos pequenos e vamos crescendo naturalmente. Podemos até acelerar esse crescimento, e já está na hora de fazê-lo, pois 10 anos é um bom tempo. É possível crescer e dar essa opção ao Brasil. Temos lutado, no Congresso Nacional, com Felipe Bornier, para defender nossa bandeira. E, pouco a pouco, ocupamos nossos espaços. O Partido Humanista da Solidariedade, seja na Câmara Federal, seja nas Assembléias Legislativas, seja nas Câmaras Municipais, seja nas Prefeituras, quer dizer ao Brasil: “Podemos ser sinal e instrumento de transformação da nossa realidade social, a partir de princípios, de valores que se fundamentam na doutrina social cristã”. Muito obrigado.