JOÃO PEDRO STÉDILE, Membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST.
Discurso
Comenta o tema: "Experiências Não-Governamentais na Geração de Emprego e
Renda".
Reunião
32ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/10/1999
Página 28, Coluna 3
Evento Seminário Legislativo: "Desemprego e Direito ao Trabalho".
Assunto TRABALHO.
Observação Participantes dos debates: Madalena Oliveira Dias, João Bosco Passos, Henrique Badaró, Mariluce Aparecida Jacob de Oliveira, Joana Paranhos, Denílson, Bernadete, Dalva Costa Nonato, Eloísio Godinho, Carlos Fabiano, Rogério, Robson Ramos, Cássio Torres, Júnior, Ivê Martins Ferreira, Nivaldo Paulino Teodoro.
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/10/1999
Página 28, Coluna 3
Evento Seminário Legislativo: "Desemprego e Direito ao Trabalho".
Assunto TRABALHO.
Observação Participantes dos debates: Madalena Oliveira Dias, João Bosco Passos, Henrique Badaró, Mariluce Aparecida Jacob de Oliveira, Joana Paranhos, Denílson, Bernadete, Dalva Costa Nonato, Eloísio Godinho, Carlos Fabiano, Rogério, Robson Ramos, Cássio Torres, Júnior, Ivê Martins Ferreira, Nivaldo Paulino Teodoro.
32ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 29/9/1999
Palavras do Sr. João Pedro Stédile
Bom dia, companheiros e membros da Mesa, quero cumprimentar esta
Casa pela oportuna idéia de promover este seminário, que vai
tratar de um tema que, mais do que um problema regional de Minas,
mais do que um problema da agricultura e da indústria, reflete o
que hoje os nossos historiadores e pensadores têm dito tratar-se
do problema mais grave do final do século, ou seja, a questão do
trabalho. Em outras épocas da humanidade, tivemos problemas
gravíssimos, como a febre amarela, as guerras étnicas e outros
problemas sociais, o que levou a um genocídio de milhões de seres
humanos. Neste final de século, o problema mais grave que a
humanidade enfrenta é o problema do trabalho, que é mais que o
problema de ter emprego ou não. A maneira como o capitalismo vem
organizando a sociedade nos diversos países está impedindo que o
cidadão tenha garantido o direito fundamental do trabalho. Uma
sociedade que não consegue garantir aos seus membros o direito ao
trabalho é uma sociedade fadada ao fracasso. Esse problema remete-
nos a uma reflexão filosófica. O que, na essência, diferencia-nos
dos animais, como bem nos explicaram os biólogos e cientistas, é a
capacidade que temos de utilizar nossa inteligência para a
produção de bens, serviços e melhoria das condições de vida. Isso
é o que nos diferencia dos animais. Quando uma sociedade não
consegue garantir o trabalho aos seus pares, automaticamente vai
caminhando para a involução, porque deixam de ser cidadãos. Por
isso, cumprimento esta Casa por essa iniciativa, pois várias
entidades, e soube que são muitas, estão participando deste
evento. Isso é bom, porque podem levar às suas bases esse debate
sobre a gravidade que temos de enfrentar, ou seja, sobre a
necessidade de se encontrar um outro modo de organizar a
sociedade.
Feita essa introdução, o tema que me cabe é a agricultura.
Gostaria de fazer com vocês duas grandes reflexões. A primeira é
falar mal do Governo, que é minha especialidade. A segunda é dizer
qual é a saída. Vivemos uma grande crise na agricultura
brasileira. É impressionante falarmos em crise agrícola, no país
de maior dimensão de terras agricultáveis do mundo, no país que
tem a maior oportunidade de variações de climas e solos do mundo,
no país que tem 160 milhões de habitantes, enfim, num país que tem
um potencial enorme, o que nos permitiria ser uma grande potência
produtora de alimentos. Infelizmente, estamos embrenhados numa
grave crise também na agricultura.
E essa crise tem a sua origem no modelo agrícola que as elites
brasileiras vêm implementando desde a década de 90, nos Governos
Collor e Fernando Henrique. Esses Governos passaram a implementar
um modelo para a agricultura o qual tiveram a petulância de chamar
de modelo norte-americano. Eles copiaram todas as características
do desenvolvimento agrícola norte-americano como se elas fossem
úteis para nós. Isso está em documentos internos, no segundo
escalão, nas discussões que fizemos, nos embates e nas
reivindicações que apresentamos em Brasília.
Quais são as principais características desse modelo norte-
americano que está sendo implantado no Brasil? Primeiro, estão
“oligopolizando” o controle agrícola, ou seja, o mercado dos
produtos agrícolas está sendo cada vez mais controlado por algumas
poucas empresas, seja nos grãos, seja nos laticínios, seja nos
bens de consumo em geral. Esse processo de “oligopolização” é
induzido pelo Governo, que usa os créditos do BNDES e do Banco do
Brasil para que as multinacionais controlem, cada vez mais, esse
mercado. Segundo, o Governo está estimulando a implantação de
grandes fazendas de grãos para exportação, especialmente no Centro-
Oeste, no Sul do Piauí e do Maranhão e na Chapada dos Parecis.
Portanto, o Governo estimula a ampliação da lavoura de grãos para
exportação, basicamente de milho e soja. E, suplementarmente, está
estimulando a implantação da tecnologia dos transgênicos como uma
forma além do debate sobre a biotecnologia, se é correto ou não
seguirmos essa linha de pesquisa. A gravidade da introdução dos
grãos transgênicos é que eles representam o monopólio das sementes
por algumas poucas empresas multinacionais, que, em curto prazo,
irão deter o monopólio das sementes de grãos no Brasil, casadas
com o uso intensivo de agrotóxicos. Esse é o problema principal da
política do Governo relacionada aos transgênicos. Devemos ser
visceralmente contra ela, porque transfere a soberania do controle
das sementes para algumas empresas. E nenhuma sociedade agrícola
do mundo prospera se não controlar as suas sementes. Se nós nos
descuidarmos, essas sementes de grãos, de milho, de soja, de arroz
serão o monopólio de duas, três empresas norte-americanas, às
quais deveremos pagar “royalties” e ficar dependentes para o resto
da vida.
O terceiro processo é a integração seletiva na agroindústria. Já
fizeram o processo de integrar o máximo de agricultores possível
em agroindústrias multinacionais e, agora, estão selecionando. Já
há uma política oficial do Governo para reduzir, eles já não
querem o pequeno agricultor, que fornece 30 litros de leite,
porque é inviável. Então, estão aplicando créditos, induzindo
tecnologia, para que só fique integrado nos laticínios quem produz
mais de 300 litros de leite. É claro que, do ponto de vista
econômico, é mais barato produzir 300 litros de leite por dia do
que 30 litros. Mas há a questão social e o desenvolvimento
regional por trás disso, que não podem ser escondidos. Nesse
modelo, milhares de pequenos agricultores, hoje integrados em
agroindústria, serão enxotados e eliminados do mercado, seja no
leite, seja nas frutas, seja no fumo, seja em outros produtos em
que há processo de integração.
Há abandono das políticas públicas agrícolas, porque, na visão do
neoliberalismo, o Estado não pode mais prestar serviços gratuitos
à agricultura, como se, por si só, a agricultura pudesse se
desenvolver. Por isso, o Governo sucateou a EMBRAPA, as EMATERs e
o sistema de armazenagem.
Hoje, o Brasil já não tem nenhum controle de seus estoques de
alimentos. Tudo está nas mãos de empresas privadas, depois de
termos construído uma rede enorme de armazéns, através da
CIBRAZEM.
Privatizaram tudo. No ano passado, houve uma especulação enorme
do feijão, simplesmente porque duas ou três empresas do mercado
atacadista de feijão em São Paulo retiveram o produto para
especular no mercado. E o Governo sequer sabia quantas sacas de
feijão tinha o Brasil. E não sabe até hoje, porque quem controla
os estoques são as empresas privadas. Por quê? Porque o Governo
retirou o serviço público agrícola. A EMPRABA está sucateada; dá
pena ver os funcionários fazerem acordo com multinacionais para
complementarem seus salários. As EMATERs já não existem.
O Governo aplica o modelo norte-americano - uma política clara de
buscar até o próximo final do mandato - para que fique com emprego
agrícola apenas 5% da população. Estamos discutindo como criar
emprego, e o Governo discute como tirar pessoas da agricultura,
como bem disse quem me antecedeu. É o Governo mais estúpido do
mundo. Tem coragem de fazer políticas públicas para criar
desemprego e assume isso com a fachada de que é moderno tirar a
população do campo. Ora, os Estados Unidos e a Europa levaram 250
anos no seu processo de urbanização, para chegarem aonde estão.
Nós, em 10, 15 anos, queremos chegar no mesmo nível, estilo macaco
- tudo que vê, quer imitar. Esse Governo, aqui, na agricultura é
um macaco das burguesias européia e norte-americana, só que quem
paga a conta somos nós.
Quais as conseqüências dessa política desastrosa? Nos últimos dez
anos, segundo o censo agropecuário 942 mil propriedades foram à
falência na agricultura. Novecentas e duas com menos de 100ha,
portanto 90%. Dois milhões de postos de trabalho de assalariados
agrícolas foram destruídos pelo processo de importação de produtos
agrícolas, seja do algodão, do arroz, da carne, do peixe, do
alpiste, do feijão, porque neste País já se importa até água
mineral. E eles se orgulham, dizendo na hora do jantar, no seu
discurso chique, chique para eles: “é da Espanha”. Deveriam ter
uma congestão toda hora que bebessem água da Espanha! Espero que
esta que estamos bebendo, seja mineira...
O crédito rural, dentro desse modelo. À época do Delfim Neto - o
modelo agrícola dele também não é nenhuma flor que se cheira -,
aplicava-se em crédito rural US$20.000.000,00 pelo sistema do
Banco do Brasil. Agora, além daquela briga de a cada semana ter
que ir ao Banco, o volume disposto é de R$8.000.000.000,00, que
correspondem a US$4.000.000.000,00. Ou seja, em 10, 15 anos
retrocedemos para 1/4 do volume de recursos. A área agrícola
nesses dez anos diminuiu em oito milhões de hectares, ora, quem é
agricultor sabe que, quando se está perdendo dinheiro, não se
aumenta área, a primeira coisa que se faz é reduzir a área -
ninguém é bobo para plantar e ter prejuízo.
Pois bem, nos últimos dez anos 8 milhões de hectares de lavouras
temporárias deixaram de ser cultivadas e portanto produção de
alimentos e incorporação de mão-de-obra também diminuiram. E com
isso as importações de produtos agrícolas pularam de um patamar
histórico de US$1.000.000.000,00, importávamos trigo, maçã, por
acordos com a Argentina, para gastar hoje US$8.000.000.000,00 em
alimentos. Todos são produtos que poderíamos produzir aqui e gerar
trabalho e emprego para o povo brasileiro. Por isso é que há na
agricultura um clima de desânimo muito grande - em função desse
modelo agrícola.
O que temos feito com o movimento dos sem-terras? Temos feito uma
luta quixotesca de seguir organizando os pobres do campo para
ocuparem terras, como última esperança.
Dizemos que o sujeito sem-terras, quando vai para um acampamento,
enfrenta todas aquelas dificuldades e conflitos, equipara-se à
situação do cara que está no inferno: pouco custa dar um tapa no
diabo. Mas o acampamento, a ocupação, não é uma proposta de modelo
agrícola; é o desespero para não morrer de fome.
Nesses últimos anos conseguimos assentar 250 mil famílias,
enquanto o Governo tirou 942 mil famílias. Nessas 250 mil famílias
que se transformaram em assentados, há, evidentemente, muitas
dificuldades porque eles agora, como pequenos agricultores,
enfrentam de novo toda aquela política agrícola que expliquei
desse modelo norte-americano.
Mesmo assim, por mais dificuldades que cada assentado tenha na
nova área conquistada, em todos os assentamentos, sem exceção,
todos comem, têm a sua casinha humilde, mas têm; todos trabalham o
ano inteiro para si, não são mais explorados e todos têm suas
crianças na escola. Esse é o futuro da nossa sociedade: garantir
que todo brasileiro tenha casa, trabalho, comida e as crianças na
escola. Portanto, o assentamento é uma solução para os pobres,
pode servir como uma alternativa para se criar um futuro
diferente.
No entanto, não basta nós, quixotescamente, como eu disse,
acharmos que vamos resolver o problema do emprego e da
agricultura, simplesmente repetindo ocupações de terra, porque até
o Governo tira mais gente da terra do que nós conseguimos colocar
de volta. Seria uma ilusão achar que só por esse caminho, iríamos
resolver o problema do emprego e da agricultura, daí a necessidade
de sempre discutirmos a mudança do modelo geral.
Primeiro, há que se mudar o modelo agrícola. É preciso pensar uma
reforma agrária que reorganize a agricultura do Brasil, primeiro,
democratizando a propriedade da terra. Reforma agrária é sinônimo
de democratização da propriedade da terra e, no Brasil, há ainda
um processo de concentração da propriedade da terra. Portanto, não
há reforma agrária nenhuma aqui. O primeiro passo desse novo
modelo agrícola é o de democratizar a propriedade da terra.
Segundo os dados do censo agropecuário de 1996, numa propriedade
acima de 1.000ha, os fazendeiros atuais precisam de 200ha para
criar um emprego. Então, para eles isso não interessa, a terra é
muito mais reserva de valor, é só utilizar mecanização. E, em uma
pequena propriedade com 20ha, criam-se 4 empregos. Portanto, a
democratização da propriedade da terra gera 40 vezes mais empregos
do que o latifúndio. Isso nos é passado pelos dados do censo
agropecuário, não é o MST que está dizendo, é o IBGE.
É por isso que a democratização da propriedade da terra, do ponto
de vista do emprego, imediatamente incorpora milhares de
trabalhadores de uma maneira muito rápida e barata. Segundo, é
preciso pensar numa reforma agrária mais ampla, não só aquela
reforma agrária do início do século de só distribuir a terra,
porque hoje o desenvolvimento
das forças produtivas e da tecnologia devem ser colocados a
serviço de todos.
Achamos que é preciso democratizar o capital para que os
agricultores tenham acesso a crédito, para que possam introduzir
essas novas tecnologias na agricultura e, sobretudo, para que
sejam donos da agroindústria, porque o pequeno agricultor e o
agricultor em geral não produzem mais alimentos. Produzem apenas
matéria-prima. Essa matéria-prima vai para uma agroindústria que
produz o alimento e toda a renda. A maior parte do emprego fica na
agroindústria.
Em um outro modelo agrícola, mais democrático como o que queremos
criar, o emprego é muito melhor. Em vez de haver grandes
agroindústrias oligopolizadas, como temos agora no caso do
laticínio, em que praticamente três empresas multinacionais, a
Parmalat, o Leite Glória e a Nestlé, controlam todo o mercado de
leite no Brasil - embora existam muitas cooperativas, mas ficam
dependendo de fornecer matéria-prima para eles - é muito melhor
haver um programa governamental que distribua essas agroindústrias
por todos os municípios do Brasil.
A Parmalat, na Itália, é uma “merrecazinha”; só tem um laticínio
na cidade de Parma, de onde vem o nome, porque cada cidade da
Itália tem seu laticínio. Mas aqui no Brasil ela controla tudo;
controla até o Palmeiras, por isso tenho tanta raiva dela.
É preciso democratizar a agroindústria, para que os agricultores
possam auferir aquela renda do valor agregado pela agroindústria e
para que possam criar emprego para seus filhos no interior. Dessa
forma, o sujeito já não precisa ir para São Paulo, para Belo
Horizonte, para Recife. O jovem não sonha ganhar uma enxada. O
jovem quer estudar e assimilar tecnologia. E só poderá conseguir
emprego no meio rural tendo acesso à tecnologia, se a
agroindústria for lá. Ele pode ir trabalhar na agroindústria,
controlar o computador, ser químico, veterinário, agrônomo,
bioquímico, engenheiro-mecânico, e ficar no meio rural, que é o
ideal.
Por último, como foi dito aqui também, em nossa reforma agrária
imaginamos a necessidade de democratizar a educação. Não podemos
pensar em uma sociedade democrática se o brasileiro não tiver as
mesmas oportunidades de acesso ao conhecimento científico. E não
são essas “merrecas” de programas de MOBRAL ou da D. Ruth, que só
ensinam o “cara” a assinar o nome para poder votar nas mesmas
pessoas. Falamos em educação no sentido do Paulo Freire, de o
sujeito ter os mesmos direitos de conhecimento pleno para se
transformar em cidadão e, ao mesmo tempo, ter acesso a todos os
níveis de escolaridade que há na sociedade. Por que o cidadão no
meio rural só tem direito a saber ler e escrever, e não pode
chegar até à faculdade? Só alguns podem chegar até à faculdade? A
reforma agrária em que pensamos é um processo mais amplo, que
reorganiza a produção, que democratiza a terra, o capital e a
educação.
Finalmente, se o coordenador me permitir mais um minutinho,
gostaria de fazer uma outra referência. Não podemos, tampouco,
imaginar que é possível mudar a agricultura sem mudar o resto,
porque a agricultura está umbilicalmente vinculada a todo o
sistema econômico do País. Quando dizemos que a agricultura talvez
seja o melhor caminho para gerar emprego no Brasil, não é apenas
porque o agricultor assentado vai ter trabalho. Se reorganizarmos
a agricultura, influiremos decididamente na indústria, porque a
agricultura desenvolvida gera mercado interno. Quando o agricultor
tem renda, não vai para Miami; compra um trator, compra uma
ferramenta, compra um casaco, compra uma televisão, tudo produzido
aqui. Todos os países desenvolvidos do hemisfério Norte, para
desenvolverem sua indústria e o mercado interno, fizeram, antes, a
reforma agrária, porque é a democratização da terra e da
agricultura que gera um mercado interno em todo o País para os
produtos da indústria. Portanto, nossos colegas da indústria não
terão saídas na indústria; sabem que a tecnologia pode gerar
desemprego. E para eles, de fato, o problema não é a tecnologia.
Mas a indústria só vai se desenvolver no Brasil se tiver quem
compre os produtos deles. E, para ter quem compre seus produtos, é
preciso mudar o modelo econômico do Brasil e reorganizá-lo,
baseado em duas grandes premissas: primeira, o fortalecimento do
mercado interno, essência da economia. Toda sociedade do mundo
organiza a produção para abastecer seus membros. Só que, no
Brasil, há uma elite colonizada, idiota e burra que imagina que a
solução é exportar, ou que a solução é o turismo, como
freqüentemente ouço. Isso é uma idiotice; é um bando de macacos
que só copiam da Europa. E copiam mal. O Brasil só tem saída se
produzirmos para os brasileiros.
Agora, para que o brasileiros consumam, vem o outro paradigma que
é a distribuição de renda. É preciso um modelo que distribua
renda, que rompa com essas grandes fortunas que temos no País, que
eleve o salário mínimo, que garanta renda para o agricultor. Com
essa distribuição de renda, as pessoas vão comprar produtos das
indústrias. Isso gera, então, um grande processo de crescimento
econômico, que vai desenvolver a nossa sociedade e garantir
oportunidades iguais e melhores condições de vida. Essa é a
proposta que temos para mudar o Brasil. Muito obrigado.