Pronunciamentos

DOMINGOS SÁVIO (PSDB), Deputado Federal - MG.

Discurso

Homenagem à Maçonaria.
Reunião 48ª reunião ESPECIAL
Legislatura 17ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 09/10/2013
Página 17, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO.
Proposições citadas RQS 2393 de 2013

48ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 3/10/2013

Palavras do deputado federal Domingos Sávio


Boa noite a todos os meus irmãos, cunhadas, a todos os que nos prestigiam na casa do povo mineiro. Cumprimento, de modo especial, o deputado Fabiano Tolentino, nosso querido irmão, presidente desta reunião, autor da iniciativa que nos brinda com uma noite de justa homenagem à ordem maçônica. Saúdo o meu querido irmão Geraldo Eustáquio Coelho de Freitas, grande primeiro vigilante da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais; o querido irmão Lázaro Emanuel Franco Salles, grão-mestre do Grande Oriente de Minas Gerais e presidente da Confederação Maçônica do Brasil - Comab; o querido irmão Rodrigo Alexander Gomes de Araújo, presidente da Poderosa Assembleia Legislativa do Grande Oriente do Brasil - Minas Gerais; o irmão Janir Adir Moreira, nosso eterno grão-mestre, essa figura que é exemplo, referência para todos nós, hoje secretário-geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil; o nosso querido irmão Álvaro Azevedo, grande mestre estadual do Grande Capítulo da Ordem DeMolay; o irmão Rodrigo Otávio dos Anjos, grande mestre estadual do Grande Conselho da Ordem DeMolay; Exmo. Sr. Pier Senesi, secretário municipal adjunto de Gestão, levando o nosso abraço ao querido prefeito Marcio Lacerda. Agradecemos muito a sua presença. Na pessoa do meu colega de Assembleia Federal Maçônica, querido irmão Gabriel, estendo o cumprimento aos demais irmãos.

Fabiano, tenho a honra de estar aqui representando a Câmara Federal, mas, acima de tudo, tenho a alegria de estar aqui como irmão e sempre procurei não fazer isso de uma forma desmedida, até porque a nossa maçonaria não é secreta, mas é discreta, tem a compreensão de que muito mais valem os gestos, as ações do que propriamente as palavras. Mas aqui é o momento oportuno, de maneira muito altiva e muito tranquila, de dizer do orgulho que tenho, porque há mais de 20 anos, antes mesmo de enveredar pelo caminho da representação política no mundo profano, já tinha o privilégio de estar entre colunas, recebendo, no convívio com os irmãos, o fortalecimento dos princípios basilares dessa ordem milenar. E vejo que o irmão Tolentino segue também esse caminho. Para nós que exercemos a vida pública, isso é essencial, porque não há o que esperar de alguém que se dispõe a representar o povo se ele não estiver bem alicerçado em valores morais, em princípios éticos. E é esse o grande sentido da ordem maçônica. A história nos mostra isso - a história, por seus momentos fantásticos no Brasil e fora dele, na Revolução Francesa, na Proclamação da República, na Inconfidência Mineira, na libertação da escravatura e de tantas outras situações perante as quais a maçonaria nunca se furtou a se posicionar.

Ainda agora, o irmão Geraldo relembrava que, no momento presente, de maneira muito clara, a maçonaria foi às ruas, saindo dos limites do templos maçônicos, para dizer que o País precisa de mais investimento em saúde, contribuindo com uma ação extremamente correta do nosso querido presidente Dinis Pinheiro, liderada por ele, mas de toda a Assembleia, inclusive com um trabalho bonito do nosso irmão Fabiano, para propor ao País, pela iniciativa popular, que, de fato, o governo federal aplique pelo menos 10% em saúde pública, já que todos sabem, e o próprio governo federal sabe disso, que o problema de saúde é uma calamidade no Brasil, e faltam investimentos de Norte a Sul. E isso não se resolve com propagandas, com demagogia, com medidas paliativas, mas com uma política pública séria e responsável. Esse é só um dos exemplos.

Meus irmãos, se, por um lado, algumas ações positivas, como aquelas elencadas aqui pelo irmão Fabiano - de cuja postura ética, correta, de tomar a iniciativa, como ele lembrou, sou testemunha -, de acabar com algumas alternativas que ele próprio compreendeu como desnecessárias e repercutiu positivamente nesta Casa e na Câmara Federal - com certeza, gestos como esse precisam ser tomados como exemplo -, estão sendo empenhadas e colocadas em prática, não posso deixar de trazer à reflexão, neste momento de homenagem, algo que, de certa forma, pode nos levar a um chamamento à maçonaria para os grandes desafios que vivemos hoje. Como eu dizia, há mais de duas décadas tenho o privilégio do convívio com os irmãos da ordem maçônica e o faço, querido irmão Lázaro, em todas as potências maçônicas, porque, felizmente, encontramos hoje um ambiente de união entre as diversas potências maçônicas em todos os orientes. E Divinópolis é um exemplo disso, onde os irmãos da Grande Loja do Grande Oriente de Minas Gerais, o Grande Oriente do Brasil convivem de uma forma absolutamente harmoniosa.

Meu irmão Gabriel, meus queridos irmãos aqui presentes e o irmão Altair são testemunhas disso. Mas em que pese, eu dizia, termos coisas positivas acontecendo, o chamamento que quero compartilhar com os irmãos nesta hora de homenagem - já tendo passado por esta Assembleia, onde por oito anos tive o privilégio de conviver com seções bonitas como esta e com embates calorosos - é que estou, hoje, na Câmara Federal e a cada dia, mais perplexo com o ambiente de caos nas instituições brasileiras, com a gravidade do que se vive hoje no Brasil.

Não é só o desastre da saúde pública, da segurança pública, com as drogas invadindo os lares em todos os cantos do Brasil. Há a situação lastimável da educação, em que os valores éticos e morais são considerados coisas insignificantes. Neste momento, no Brasil, vivemos a dilapidação de princípios essenciais para uma vida respeitosa. Vivemos isso no Brasil sob o pretexto da liberdade plena, e alguns que proclamam isso não conseguem compreender que a nossa liberdade deve encontrar limite no momento em que fere e constrange a liberdade do nosso semelhante ou desrespeita o nosso semelhante - aqueles que, a pretexto de que todos podem fazer tudo, desonram princípios essenciais de uma vida em família, valores que a nossa ordem preza. Desprezam princípios essenciais da relação entre os seres humanos fundamentada na ética, no respeito. E, quando chegamos nas nossas instituições, meus irmãos, a situação é lastimável. Caminhamos para um ambiente de despotismo absoluto. Nós, que temos como princípios cavar masmorras aos vícios e elevar templos às virtudes, estamos assistindo à idolatria dos vícios, à destruição de princípios morais como se fosse a banalização do que é certo, a banalização da corrupção, como algo rotineiro, como um câncer sem cura nas instituições do nosso país. Estamos assistindo - e é outro princípio fundamental pelo qual a maçonaria lutou - ao massacre, em todo o planeta e em todos os tempos da história da humanidade, do princípio da liberdade, da plena democracia, com atitudes daqueles que entendem que o poder deve servir a eles, a um pequeno grupo.

Percebemos essa tendência não só em Executivos. Digo-lhes, com muita clareza, o Legislativo Federal, a Câmara e o Senado submetem-se, ajoelham-se, envergonham o País não mostrando autonomia para enfrentar as nossas grandes mazelas. Submetem-se ao Executivo, e não falo aqui de natureza partidária, isso vem ao longo do tempo e se enraizando. Como se isso não bastasse, agora o próprio Supremo, com a expectativa que sempre tivemos no nascimento da nossa democracia, ainda jovem, de ser o ponto de equilíbrio, começa a dar mostras claras de ingerência político-partidária. Começa a mostrar, de maneira triste, uma face de subserviência a interesses que não o das liberdades e da soberania plena do Estado de Direito. O direito à propriedade, princípio basilar da nossa Constituição, cláusula pétrea, em seu art. 5º - nosso douto irmão Janir bem sabe disso -, vem sendo sucateado, ignorado, por governantes de Norte a Sul no Brasil, estimulando a própria sociedade a caminhar para um processo de absoluta anarquia, com a invasão de propriedade passando a ser concebida como um ato natural. E os próprios instrumentos legais da lei, como a reintegração de posse, sendo considerados algo descartável.

Perdoe-me, querido deputado Fabiano Tolentino, que promove esta reunião belíssima, se trago esse chamamento, mas, se o faço, é porque confio nos princípios dos irmãos que aqui vieram, confio na história da nossa Ordem Maçônica em toda a humanidade, e não é diferente aqui no Brasil. Neste espaço da casa do povo mineiro há homens como V. Exa., deputado Fabiano Tolentino, que vejo, no dia a dia, no interior de Minas, lutando de maneira séria, procurando superar as dificuldades em cada município que serve.

Mas não haveremos de construir nada, se os princípios fundamentais de uma sociedade justa, livre e soberana forem aniquilados por esses que não prezam os valores elementares para nós, maçons. Portanto, meus irmãos, é hora de revigorarmos o nosso espírito maçônico com essa homenagem que esse jovem, talentoso deputado estadual e irmão maçom, nos propicia. É hora de nos revigorarmos para fazermos uso desse vigor no bom combate, para abrir os olhos do povo brasileiro. Não vivemos essa maravilha que estão apregoando. Estamos à beira do caos. Estamos à beira do despotismo absoluto pela cooptação daqueles que se dizem representantes do povo, que ali chegam e se curvam, e agora até do Supremo Tribunal Federal. Fica o desafio para que cada loja maçônica, cada homem de bem, cada homem livre e de bons costumes saiba que esse chamado é para ele. Não há como dormir o sono dos justos com um barulho desse a nossa volta, com a nossa família ameaçada, com as liberdades do nosso país sendo aniquiladas, com a corrupção se estabelecendo como se fosse uma coisa natural dentro da ordem pública. Não podemos esperar que esse ou aquele representante resolva. Nessa hora, todos nós somos chamados.

Muito obrigado. Parabéns pela iniciativa. Confio na ordem maçônica para que ela cumpra o seu papel histórico: chamar a sociedade a uma reflexão mais séria sobre os absurdos que aí estão, sobre os absurdos da omissão dos representantes do povo nas três esferas ou nos três níveis de poder que temos, independentemente de partido, volto a lembrar. Essas são questões de que a maçonaria não abre mão. A maçonaria não tem partido político, mas tem princípios. E, baseados neles, não pode fugir a essa luta, que tem um viés político e é interesse do povo do nosso país. Muito obrigado e parabéns. Viva a maçonaria!