DOM JOSÉ LANZA NETO, Bispo da Diocese de Guaxupé
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/08/2016
Página 32, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM. RELIGIÃO.
Proposições citadas RQO 2587 de 2016
28ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 11/8/2016
Palavras de Dom José Lanza Neto
Saúdo cordialmente os membros desta Casa democrática, formada por homens e mulheres dedicados a ouvir e a fazer valer a voz do nosso povo mineiro, na figura do deputado Antônio Carlos Arantes, que trabalhou por essa menção honrosa a nossa centenária Diocese de Guaxupé.
O nosso deputado já fez algumas considerações. Ficamos muito felizes de saber que existe alguém muito comprometido com o nosso povo, especialmente com a comunidade, alguém que nos acompanha muito de perto. Poderia dizer, sem sombra de dúvidas, que ele é um homem de fé, um devotado ao nosso povo, às pessoas, às famílias. Então, quero saudá-lo de coração e agradecer-lhe realmente por essa menção honrosa.
Também quero saudar o Exmo. Sr. Emanuel de Brito, prefeito de Cabo Verde, que nos honra com sua presença. Também fico muito feliz com a presença do representante do nosso querido prefeito de Guaxupé, o Jarbinha; e dos nossos vereadores. Quero saudar as demais autoridades que estão nos acompanhando nesta noite em um momento importante para a nossa centenária Diocese de Guaxupé. Fico feliz também com a presença dos padres. Temos o Pe. Henrique, que é o nosso coordenador diocesano de pastoral; o chancelar do bispado, que é o Pe. Clayton; e o reitor do seminário, local de muita responsabilidade, pois formam os futuros padres da nossa diocese, os futuros padres da Igreja; o Pe. Ronaldo e os demais sacerdotes aqui presentes. Também temos a honra da presença do padre de Arcos, da Diocese de Luz, nesta noite importante para nós, sem esquecermos das crianças. Valorizo demais, deputado, esse trabalho com as crianças. Na verdade, o considero indispensável, pois a música eleva, educa, disciplina, prepara, com certeza, homens e mulheres para o dia de amanhã. Cumprimento também todas as pessoas, motivadas pela nossa amizade e pelo respeito ao trabalho de valorização, que participam desta homenagem promovida por esta Assembleia Legislativa.
Há 100 anos, a Igreja de Cristo, pela ação do papa Bento XVI, instaurou nas terras do Sul e do Sudoeste mineiro uma casa acolhedora para o povo de Deus, povo que caminha com passos firmes no anúncio e na concretização do reino de fraternidade e de justiça. Representamos quase 1 milhão de habitantes, numa extensão geográfica de 15.000km². Formamos uma imensa rede de comunidades de gente simples, batalhadora e cristã. Estamos presentes em praticamente 41 municípios, 11 distritos em nossa região com dedicação incansável e ardor missionário – esses dados aqui, vamos dizer, são os mais próximos. Também temos 87 paróquias. Considero que a nossa diocese seja de porte médio. Sou paulista, e as dioceses mais do interior são de 30, 40 paróquias. Temos o dobro de população e, com certeza, o dobro de trabalho também, mas fazemos isso com muita alegria e satisfação. São 87 paróquias, centenas de comunidades a serviço do nosso povo e de toda a sociedade.
Deus fez história conosco. Essa afirmação foi reverberada tantas e tantas vezes em nossa celebração jubilar. Trata-se de uma grande verdade em nossa caminhada. Podemos celebrar a história de nossa igreja particular de Guaxupé. Com essa convicção, somos embalados pelos desígnios divinos. Celebrar o centenário, data solene, alegre e promissora é ter consciência de tudo que Deus nos proporcionou nesse tempo bom e favorável. Tempo de graça.
Celebrar esta data histórica e cheia de significado é reviver a perseverança na luta constante de tantos e tantos que se dedicaram a frutificar o Evangelho - palavra viva do Pai - na vida de tantos irmãos e irmãs. A santa teimosia de muitos fez com que nossa igreja tivesse um rosto. Rosto de uma igreja comprometida e atual.
Nesses 100 anos, em nossa igreja, a fé foi transmitida não somente pelas liturgias, pelo trabalho catequético e pelo cuidado espiritual. Padres, religiosos e religiosas e inúmeros leigos e leigas se dedicaram a concretizar a face de uma igreja samaritana, que se dispõe a cuidar dos mais frágeis e marginalizados. Foram desenvolvidos trabalhos nas áreas de saúde, educação e assistência social, que contribuíram imensamente com a superação da dor e das necessidades de nosso povo, iniciativas que ainda hoje permanecem em operação e dão suporte a tantas realidades desafiadoras não só para os setores públicos mas para todos nós, pois se tratam de urgências sociais que clamam por justiça e equidade social.
São notáveis as marcas profundas de tão grandes e importantes iniciativas pastorais da Igreja Católica que incidiram na caminhada de nossa igreja particular: Concílio Vaticano II, as cinco conferências do episcopado latino-americano – caribenho – com destaque para a Conferência de Puebla que, com ousadia, colocou a igreja no coração do Evangelho – a opção preferencial pelos pobres – e, ainda, a autenticidade profética de Aparecida, que nos aponta a indissociável experiência profunda de discipulado e o trabalho missionário como distintivos da fé cristã.
Caminhamos em comunhão com o episcopado brasileiro que, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nos aponta as urgências da evangelização para o constante pulsar vital de nossas comunidades. Com a Igreja do Brasil, partilhamos o trabalho catequético desenvolvido através da experiência de grandes catequistas em nossas comunidades que ofereceram, a inúmeros fiéis, conhecimento e vivência profunda dos valores da comunidade católica.
Acreditamos firmemente que a construção de uma igreja dinâmica, viva e em saída se fundamenta na formação de nossos presbíteros e, também, na formação dos leigos, cada vez mais protagonistas de seu papel na difusão do caminho cristão. A colegialidade e o espírito de cooperação têm caracterizado nossas ações. Com a participação autêntica de todos os envolvidos no trabalho pastoral, norteamos os horizontes que pretendemos trilhar, analisamos nossos desafios e celebramos a força da união que nos fortalece no cumprimento de nossa missão: seguir os passos de Jesus Cristo, fundamento e meta de nossa vida e nossa vocação.
Investimos no método das santas missões populares. No domingo retrasado, tivemos um encontro que envolveu 5 mil pessoas. Recebemos também a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, que percorre até o próximo ano, 2017, todas as 267 dioceses do Brasil, exatamente para fazermos com que nosso povo crie, cada vez mais, disposição para vivenciar e testemunhar a fé. Escolhemos as santas missões populares para nossa Diocese de Guaxupé por uma iniciativa agregadora e criativa, que tem sido um renascer de toda a nossa pastoral neste período celebrativo do jubileu. Nossos padres e nossos leigos e leigas têm demonstrado sua paixão pela missão e pela igreja de Jesus Cristo, que não se enclausura em seus espaços já consolidados, mas avança corajosamente no diálogo com a sociedade e leva a todos os valores vividos e anunciados em nossas vidas.
A partir deste centenário, espero firmemente que permaneçamos no amor – é o meu lema episcopal, João 15:9 –, característica que nos identifica como comunidade, sempre abertos aos sinais de nosso tempo, que tanto exige de nós uma resposta atualizada de nossa fé. Para isso, nos confiamos à ação do Espírito Santo, que infunde em nós seus dons e proporciona a todos os diocesanos a conversão, motivados pela proposta misericordiosa deste ano santo da misericórdia e inspirados pelo exemplo autêntico do papa Francisco. E, como nós, o deputado fez questão de lembrá-lo, na alegria do Evangelho, onde o papa faz uma referência à questão da política, que é um jeito de fazer realmente a caridade de fazer com que o Evangelho seja colocado em prática.
Confiamos nossas ações à proteção de nossa querida padroeira diocesana, Nossa Senhora das Dores, como ícone inequívoco e ímpar de seguimento do filho de Deus enviado a nós. Assim como a Senhora das Dores participa do mistério redentor de Cristo, inclusive do momento intenso e sui generis de sua paixão, compadeçamo-nos das dores e dos sofrimentos de nosso povo, movendo-nos a incutir, nas múltiplas realidades, a presença da esperança, da caridade e da fé, sinais autênticos e promotores do reino de Deus.
E deixamos também nosso agradecimento por este momento que consideramos importante, histórico para a nossa Diocese de Guaxupé. Fizemos uma revista centenária e a distribuímos para todo o episcopado nacional, e a repercussão foi das melhores. Fizemos também uma celebração na TV Aparecida, onde tivemos oportunidade de colocar Guaxupé em destaque, no cenário nacional, a nossa igreja particular de Guaxupé.
Acredito que precisamos agradecer de coração essa missão do nosso deputado, colocando-nos, mais uma vez – vamos dizer assim –, em destaque. E, com certeza, nos colocaremos também nos meios de comunicação. Iremos fazer com que essa mensagem desta noite belíssima chegue também ao coração dos nossos diocesanos e do nosso povo brasileiro. Que Deus abençoe o nosso deputado e abençoe a todos. Obrigado.