DEPUTADO ZÉ MAIA (PSDB), Presidente "ad hoc".
Discurso
Presta esclarecimentos sobre a realização dos debates.
Reunião
48ª reunião ESPECIAL
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/11/2009
Página 59, Coluna 3
Evento Audiência Pública de Revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental - PPAG - 2008-2011 - para o exercício de 2010.
Assunto ORÇAMENTO.
Observação Participantes dos debates: Fernando Tadeu David, Gláucia Barros, Thiago Coelho Toscano, Deputado André Quintão, Silvério do Prado, Cleonice Pankaram, André Abreu Reis, Rafael Pinto Coelho, Isaura Rodrigues Fernandes, Elvira Mirian Veloso de Mello Cosendey, Márcio Rogério de Oliveira, Maria Aparecida Martins Pereira, Edmar Gadelha, Liliane Gomide, Lourdes Brandão, João Lopes do Nascimento, Gilberto Walace Chagas, Florisbela Alves Mourão, Silvânia Barroso, Vereador Arcanjo Nunes dos Santos, Regina.
Proposições citadas PL 3808 de 2009
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/11/2009
Página 59, Coluna 3
Evento Audiência Pública de Revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental - PPAG - 2008-2011 - para o exercício de 2010.
Assunto ORÇAMENTO.
Observação Participantes dos debates: Fernando Tadeu David, Gláucia Barros, Thiago Coelho Toscano, Deputado André Quintão, Silvério do Prado, Cleonice Pankaram, André Abreu Reis, Rafael Pinto Coelho, Isaura Rodrigues Fernandes, Elvira Mirian Veloso de Mello Cosendey, Márcio Rogério de Oliveira, Maria Aparecida Martins Pereira, Edmar Gadelha, Liliane Gomide, Lourdes Brandão, João Lopes do Nascimento, Gilberto Walace Chagas, Florisbela Alves Mourão, Silvânia Barroso, Vereador Arcanjo Nunes dos Santos, Regina.
Proposições citadas PL 3808 de 2009
48ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 4/11/2009
Palavras do Deputado Zé Maia
Esclarecimentos sobre os Debates
O Sr. Presidente - Neste instante, daremos início à fase de
debates, esclarecendo que os participantes poderão formular
perguntas aos expositores. As questões poderão ser encaminhadas
por escrito ou feitas oralmente, mediante inscrição prévia. Para
que possamos agilizar o debate, solicitamos aos participantes que
fizerem uso do microfone que se identifiquem, sejam objetivos e
sucintos, dispensada a formalidade das saudações pessoais. Cada
participante disporá de até 3 minutos para fazer sua intervenção,
sendo garantido o mesmo tempo para as respostas.
Debates
O Sr. Presidente - O Sr. Tadeu, do Fórum Estadual Lixo e
Cidadania, deseja fazer uso da palavra.
O Sr. Fernando Tadeu David - Bom dia. Na pessoa do Deputado André
Quintão, cumprimento os demais integrantes da Mesa. Meu nome é
Tadeu e represento o Fórum Estadual Lixo e Cidadania, que congrega
várias entidades na luta pela inclusão produtiva dos catadores de
materiais recicláveis. Não tenho perguntas; meu intuito é reiterar
a presença do Fórum, durante esses anos em que fazemos audiências
públicas para reforçar a importância da participação de fóruns,
redes e ONGs, na elaboração da proposta de uso das verbas
públicas. É importante ressaltar que o Fórum conquistou um caminho
de inclusão dos catadores, o que se deve em grande parte a essa
participação. Hoje, os catadores são uma categoria reconhecida
pelo seu trabalho e pela sua importância para o meio ambiente,
apesar de ser ainda discriminada. O Fórum congrega várias
entidades, entre elas o Ministério Público do Estado, a UFMG, o
Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, a Uemg,
o Crea e outras que apoiam nossa luta. Estamos aqui, participando
desta audiência pública, Deputado, para reiterar a importância de
o governo receber as nossas propostas e viabilizá-las, para que
consigamos incluir mais cidadãos e comunidades. Não podemos deixar
a população à margem, mas, sim, devemos fazer sua inclusão. Vemos
com bons olhos a participação de todos nesta audiência pública,
para que o governo receba, como vem recebendo, nossas propostas e
para que consigamos a inclusão de uma população que historicamente
ficou discriminada. Muito obrigado.
O Sr. Presidente - Agradecemos a participação do Sr. Tadeu. Não
há dúvida de que esta é uma ação da maior importância, que já está
recebendo atenção por parte do governo. Com a palavra, a Sra.
Gláucia Barros, do movimento Nossa BH.
A Sra. Gláucia Barros - Bom-dia. Concordando com as falas dos
Deputados e com o que está expresso na cartilha a respeito de
apreciação muito positiva deste processo de participação na
discussão dos Planos Plurianuais - já que foram dois até agora -,
quero acrescentar mais um valor, um resultado não expresso aqui.
O processo, na verdade, em relação à democracia, faz-nos avançar.
Na medida em que permite que entendamos melhor a arquitetura que
existe por trás de um projeto político para este Estado, ele
amplia a visibilidade. Não ousaria falar em transparência, pois
acho que ainda temos muito que avançar em relação à transparência
da esfera pública. O processo amplia a visibilidade da esfera
pública, o que é extremamente importante para a consolidação da
democracia. E exatamente por valorizar esse processo, quero
perguntar aos Deputados e aos gestores da Seplag o porquê da
exclusão de duas ações na Proposta para 2010. Refiro-me às Ações
nºs 1010 e 4246, relacionadas com a pesquisa e o desenvolvimento,
ou seja, às ações cujo objetivo se relaciona com a promoção de
audiências públicas, incluídas as de participação popular e os
ciclos de debate. Na sugestão de exclusão das ações, não está
apresentada a justificativa. Essas são as únicas duas ações com
proposta de exclusão sem justificativa. Em outras, existe pelo
menos a justificativa de que não há previsão de execução da ação
para 2010, o que também não explica muito.
Concordando um pouco com a lógica da Secretária Renata Vilhena,
que nos aponta para a preocupação com a sustentabilidade e com a
perenidade das ações do governo, manifestamos também nossa
preocupação com a perenidade e com a sustentabilidade do processo
de participação popular em relação às leis orçamentárias. Falo não
só como representante do Movimento Nossa BH, mas também como
representante dos movimentos de defesa dos direitos da criança e
do adolescente.
A segunda pergunta, para a Seplag, é relativa à previsão de uma
avaliação de impacto da execução desse plano. As avaliações
apresentados ano a ano e quadrisemestralmente trazem um pouco a
questão da execução físico-financeira, que é muito importante. O
plano é orientado por poucos indicadores. Gostaria de saber qual a
previsão de avaliação do impacto dessas políticas contidas nos
dois planos, desde 2003, na vida das pessoas.
Quanto à evolução desses indicadores, como será realizado o
processo de apuração dela? Quem será o coordenador, na estrutura
de governo, dessa avaliação? Por favor, obrigada.
O Sr. Presidente - Com a palavra, para responder, o Sr. Thiago
Toscano.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Gláucia, quando você cita os
números das ações, não há como guardar o código. Pode falar, por
favor.
A Sra. Gláucia Barros - O órgão é a Assembleia Legislativa.
Curiosamente, não há o número da ação. O objetivo de uma delas é
planejar e coordenar o desenvolvimento de estudos, pesquisas e
projetos de suporte conceitual, doutrinário e político destinados
à elaboração legislativa, incluindo a participação popular por
meio de seminários, fóruns, ciclos de debate, audiências e
teleconferências, bem como fornecer consultoria aos legislativos
municipais. Como disse, a justificativa da exclusão está em
branco. Posso localizar o número da página. O código da ação é
4254. O nome da ação é Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento de
Projetos.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Como a unidade orçamentária é a
Assembleia, deixarei a palavra com os Deputados Zé Maia e André
Quintão. De qualquer forma, isso pode ser feito como uma sugestão
de emenda, voltando com essas ações.
Sobre a avaliação de impacto do plano, pensamos em apresentá-la
aqui. Já temos a coordenação desse monitoramento para as próximas
reuniões. Acatarei sua sugestão e trarei os impactos que o plano
vem causando desde 2003. O governo do Estado tem um órgão
responsável por essa avaliação de impactos, o Programa Estado para
Resultados, vinculado à Vice-Governadoria, sob a coordenação do
Dr. Tadeu Barreto. Eles são responsáveis por todas as áreas. Você
consegue essas informações com ele. Para as próximas audiências,
pedirei para trazê-las.
É óbvio que não me lembrarei de todos os números, mas posso
lembrar-me de alguns resultados. Por exemplo, na área da educação,
o nível recomendado de leitura aos 8 anos de idade saltou de 42%
ou 46%, em 2006, para 72,5% em 2008. Isso é meta do PMDI. Na área
de defesa social, houve redução dos crimes violentos e da taxa de
homicídios em mais de 20%, voltando aos patamares da década
anterior. Não me lembrarei dos números, porque são vários. Se não
me engano, os crimes violentos são de 341 para cada 100 mil
habitantes, um patamar inferior a 2003, quando o atual governo
assumiu. Na área da saúde, há a cobertura do Programa Saúde da
Família. Se não me engano, a redução da taxa de mortalidade
infantil está em 14,54%. Antes, esse indicativo era de mais de
17%. Há uma defasagem, pois só temos a publicação de 2007, o ano
de 2008 ainda não está fechado, mas houve redução da taxa de
mortalidade infantil. Também houve redução da pobreza, em Minas
Gerais, tanto na população rural, quanto na população urbana. Não
me lembrarei de todos esses números, mas eles ficam disponíveis no
Estado para Resultados. Você pode consultar.
O Deputado André Quintão - Gláucia, sobre essas duas ações, como
a Assembleia tem orçamento próprio, e não é um projeto
estruturador, sugiro que, nestes três dias, identifiquemos,
reunindo-nos aqui com o pessoal da Assembleia, porque não há
nenhuma discussão política para redução das atividades, até porque
algumas estão sendo programadas para o ano que vem.
Independentemente da questão eleitoral, no ano que vem teremos
balanços e monitoramentos semestrais. Ao final do ano, haverá a
revisão para o PPAG 2011. Pode ser uma questão técnica de
aglutinação de ações. Se for o caso, podemos apresentar emendas,
mesmo que não seja objeto de discussão de projetos estruturadores.
No início do ano, em face da questão de restrição orçamentária,
houve a perspectiva de reduzir, mas, na prática, não houve nenhuma
redução, houve até um grande número de ciclos de debates, de
seminários, de audiências públicas. Como não houve nenhuma
restrição, não acredito que ocorrerá, mas, se houve exclusão da
ação, temos de identificar o motivo.
Este ano, a Assembleia incorporou em seus quadros centenas de
novos servidores, muitos dos quais apoiam os processos de
participação, porque havia uma sobrecarga, no corpo técnico da
Assembleia, de Consultores e assessores, tanto nas comissões como
na Consultoria. Temos de esclarecer isso, para não haver dúvida.
Em relação ao processo, acho que a Gláucia levanta uma questão
importante, sobre a qual falei rapidamente na abertura. Acho que
esse processo vem crescendo. A conquista do monitoramento
semestral foi importante, assim como as capacitações, mas podemos
aperfeiçoar algumas coisas. Neste ano, nas audiências regionais,
há uma demanda de oficinas de capacitação regionalizadas. Esse é o
passo além que temos de dar na Assembleia, ou seja, antes de
descentralizar a audiência é preciso promover oficinas
regionalizadas, para conhecimento prévio da população, também
sobre questões que não são cotidianamente discutidas.
O segundo ponto diz respeito à execução das emendas populares. De
acordo com minha intuição, quando há conselhos, quando há
integração prévia da população, a execução ocorre. Muitas vezes, a
ação nova ou a complementação de recursos contam com a anuência -
e até com o apoio - do órgão gestor. Quando é uma ação nova, uma
ação necessária, porém não prevista no planejamento anterior, o
órgão tem dificuldade de executar, às vezes até por não saber
exatamente aonde a ação vai chegar.
Temos de desenvolver um mecanismo de aproximação entre o
proponente e o gestor. A situação se complica um pouco mais quando
o gestor depende de uma integração intersetorial governamental. Um
claro exemplo é a reforma e a construção de centros
socioeducativos, que é uma situação crítica, ou seja, a
Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas conhece,
sabe e entende, mas no nível de priorização do órgão de obras, na
Setop, não há a mesma prioridade existente no órgão gestor da
política. Então, a concepção da emenda ainda depende de um outro
órgão, que não discutiu profundamente a própria ação. Temos de
aperfeiçoar, mas o caminho é longo e as questões que você e o
Tadeu levantam são bastante pertinentes.
O Sr. Presidente - O Silvério do Prado, da Fesempre UGT, pergunta
se há possibilidade de se disponibilizarem os dados apresentados
pelo Subsecretário Thiago Toscano sobre a avaliação do PPAG e
perspectivas de sua revisão para o exercício de 2010 para os
grupos de trabalho. Primeiramente, preciso informar que essa
apresentação do Thiago estará disponível no “site” da Assembleia
Legislativa, no “hotsite” Sistema de Planejamento e Orçamento do
Estado.
Aproveitando a oportunidade, informamos que a Assembleia
Legislativa, através da sua Consultoria e da Diretoria de
Comunicação, em parceria com a Comissão de Fiscalização Financeira
e Orçamentária, disponibilizou para consulta, em seu “site”, na
parte Sistema de Planejamento e Orçamento do Estado, o PMDI, o
PPAG, a LDO, a Lei Orçamentária Anual e todas as questões
atinentes às peças orçamentárias do Estado. Tudo se encontra numa
linguagem bastante acessível a todos, sendo, possivelmente, a
Assembleia Legislativa a que melhor disponibiliza hoje, numa forma
fácil de acesso, numa linguagem absolutamente acessível para o
acompanhamento, o que aqui estamos discutindo. Todas essas peças
orçamentárias encontram-se totalmente disponibilizadas para a
consulta da sociedade.
A Cleonice Pankararu, do Conselho dos Povos Indígenas, também
deseja fazer uma pergunta. Dirija-se ao microfone, por favor.
A Sra. Cleonice Pankararu - Bom-dia. Não farei uma pergunta.
Apenas gostaria de dizer que o Conselho dos Povos Indígenas está
aqui presente. Que todos saibam que, em Minas Gerais, somos nove
povos indígenas diferentes, cada um com sua cultura, alguns
falando sua própria língua, como é o caso do povo maxacali. Estou
aqui representando um dos coordenadores do Conselho dos Povos
Indígenas, o Ivan Pankararu. Os povos indígenas têm seus
representantes no Estado de Minas Gerais. Cada povo indígena, do
Sul até o Norte de Minas, tem seu representante no Conselho. Temos
os povos maxacali, pancararu, pataxó, xacriabá - o maior em número
no Estado de Minas -, xucuru-cariri, aranã, caxixó. Gostaríamos
que todos os povos indígenas de Minas Gerais fossem beneficiados
nessas ações do governo que debateremos até sexta-feira. Obrigada.
O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. André.
O Sr. André Abreu Reis - Cleonice, tenho informação um pouco mais
precisa e recente apenas na área de educação. Neste ano, estão em
construção 40 escolas indígenas na região do grande Norte de
Minas. Há previsão de construção de mais 22 em 2010. Chegaremos,
ao final de 2010, com 62 escolas indígenas construídas. Não tenho
informações sobre ações em outras áreas.
O Deputado André Quintão - Cleonice, parabenizo também o
Conselho. A Assembleia realizou aqui, em abril, um debate público
sobre a situação dos povos indígenas. Sabemos que algumas ações
são pertinentes ao governo federal, outras podem ser realizadas em
parceria com o governo estadual e com os governos locais. A
iniciativa do Conselho dos Povos Indígenas de preparar-se e
integrar os trabalhos do PPAG mostra o crescimento desse processo.
Teremos de olhar com muito carinho a questão indígena, que tem um
passivo social. Existem muitas ações, como você mencionou, mas, no
conjunto, são poucas as ações direcionadas para uma comunidade
muito específica, que tem uma realidade própria.
Recebi, Gláucia, informação da Assembleia de que houve
aglutinação dessas ações na Ação n° 4239, de elaboração
legislativa e acompanhamento das políticas públicas.
Não há nenhum tipo de redução orçamentária; ocorre o contrário.
No escopo da finalidade, há as previsões constantes na outra ação.
Houve uma aglutinação técnica para facilitar a execução
orçamentária, mas, na finalidade, consta “avaliação de políticas
públicas através de incentivo à participação popular”.
O Sr. Presidente - Pergunta do Rafael Pinto Filho, da Prefeitura
de Caxambu, para o André Reis: “Quais são as perspectivas de
liberação de recursos, por meio de convênios e emendas para as
Prefeituras, comparativamente a 2009 e 2010?”.
O Sr. André Abreu Reis - Rafael, você me pegou no contrapé. Acho
que fiz esse levantamento para Montes Claros. Não sei se
discutimos essa questão. Trata-se de ação muito centralizada dos
órgãos; depende de cada política pública específica. Consigo
separar isso orçamentariamente, conforme consta na Modalidade 40.
Temos a previsão de repasse para os Municípios.
Um segundo, Rafael. Se acessar a base de dados, terei como fazer
o levantamento. O valor para 2010 é um pouco maior que o de 2009,
em torno de R$800.000.000,00, mas as liberações são feitas de
acordo com a política de cada órgão. Há um cadastro unificado de
requisitos para a assinatura dos convênios, mas a liberação não é
voltada para as prefeituras. Libera-se para determinada política
pública, nas áreas de saúde e assistência social. Essa política se
articula junto aos Municípios; daí ocorre a descentralização. Não
há nenhum comando central por parte do governo, do planejamento,
indicando que agora estão liberados os repasses para as
prefeituras. No próximo ano, há a questão eleitoral. Para 2010
isso ficará um pouco mais complicado, pois há um prazo para as
liberações. Isso fica a cargo de cada órgão. É preciso verificar
com quais órgãos as prefeituras se relacionam, para ver como
funcionarão essas liberações. Não há um comando central de
liberação específica para prefeituras. Liberamos os recursos
orçamentários de acordo com a programação que fazemos no início do
ano, a cada órgão e entidade que faz a execução. Pode se tratar,
por exemplo, de parceria na área da saúde, do Pro-Hosp ou de
determinados programas que dependem de articulação junto aos
Municípios. Então, isso ocorre de acordo com a execução
orçamentária de cada unidade. Não há um comando nosso específico
para essa liberação. Se você quiser, poderá procurar a Secretaria
de Planejamento para fazer algumas buscas a respeito de como isso
ocorreu em 2008. Talvez você possa consultar também a
Superintendência ou o “site”. Há um prazo máximo para resposta,
parece-me que de 24 ou 48 horas. Você não ficará muito tempo sem
resposta, se enviar o questionamento por meio do “site” da
Secretaria.
O Sr. Presidente - A Isaura Rodrigues Fernandes afirma que possui
um precatório desde 2006 e deseja obter informações sobre o
processo de pagamento dos precatórios.
O Sr. André Abreu Reis - Não tenho informações detalhadas a esse
respeito, pois quem cuida da fila de pagamentos no governo é a
Advocacia-Geral do Estado. Seguimos uma fila constitucional. Os
Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo e o Tribunal de Contas
estão na mesma fila de pagamento. O Estado tem um fluxo de
liberação e paga, por ano, se não me falha a memória, em torno de
R$500.000.000,00 de precatórios. Ou seja, gasta meio milhão de
reais somente com pagamento de sentenças judiciais. Temos feito
esses pagamentos. Penso que não há mais fila nas entidades da
administração indireta do Estado, nas fundações e autarquias,
exceto, parece-me, em uma ou duas, onde há uma fila um pouco mais
longa. As outras estão com o pagamento em dia. Na administração
direta, as folhas são maiores, principalmente as da área de
educação e da Polícia Militar. Então, há muitos servidores e
muitos precatórios ao longo do ano; por isso, temos uma reserva
anual de recursos. Temos pago esses precatórios de forma mais
acelerada, de 2004, 2005 para cá. Não sei ao certo, na previsão
anual, como isso vai funcionar. Vou ficar devendo essa resposta.
Talvez fosse mais interessante encaminhar essa questão à Advocacia-
Geral do Estado, pelo Fale Conosco, e pedir maiores informações a
respeito dessa fila de pagamento, porque não sei dizer que ano
estamos pagando na administração direta. Na administração
indireta, estamos pagando os precatórios de 2009, ou seja, está
tudo em dia. Na administração direta, onde a fila é bem maior,
vimos pagando grande volume de recursos, mas havia um passivo
muito grande. Quando começamos, em 2003, o passivo era de
R$6.000.000.000,00 em sentenças judiciais. Estamos pagando esses
atrasados. Começamos em 2003, já com esse passivo. Há essa fila.
Temos de pagar, em primeiro lugar, os valores relativos aos anos
anteriores. Todavia, especificamente em relação a 2006, tenho essa
dificuldade.
Isaura, pode me procurar. Vamos tentar encontrar um caminho para
que a senhora questione isso. Tenho de obter informações mais
específicas sobre o seu caso.
O Sr. Presidente - Tenho uma pergunta da Sra. Elvira Mirian
Veloso de Mello Cosendey, da Frente de Erradicação do Trabalho
Infantil e Proteção ao Adolescente.
A Sra. Elvira Mirian Veloso de Mello Cosendey - Bom dia a todos.
Quero fazer apenas uma observação. Sou do Fórum Estadual de
Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente
Trabalhador. Acompanhamos a execução do PPAG desde o início.
Queremos pedir uma atenção especial à questão do planejamento, em
relação à baixa execução de projetos da área da criança e do
adolescente. Por ser um plano de ação por resultados, sabemos que,
no ano seguinte, são abatidos os valores não executados. Em
primeiro lugar, há o acompanhamento com relação à não execução.
Emendando pela não execução, gostaríamos que, no Orçamento Criança
e Adolescente - OCA -, estivessem destacadas as ações realizadas,
para que pudéssemos ter um acompanhamento, para estarmos ao lado
dos gestores e sabermos por que as outras não foram executadas.
Temos alguns exemplos numa análise que recebemos em agosto. À
tarde e amanhã, faremos questionamentos aos gestores em relação a
essa questão. Queremos essa atenção especial de vocês, tendo em
vista a redução relativa a recursos não executados no ano
anterior. Muito obrigada.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Vamos encaminhar sua solicitação
aos órgãos. Tentamos, na negociação, quando estruturamos a forma
de funcionamento do PPAG, fazer sugestões, mas, como é o gestor
quem está na ponta executando as ações, temos de acatá-las. Para
gerenciarmos, será melhor de uma forma; para o gestor executar,
será melhor de outra maneira. Então, esse é um embate que não
conseguimos resolver. Vamos levar sua solicitação às áreas afins,
mas acho que a senhora deve participar dos debates à tarde. Penso
que a pessoa ideal para falar seria a Subsecretária Maria Albanita
Roberta, que poderá ajudá-los a encaminhar lá dentro essa questão,
já que é a responsável por essa área. Acho que o André quer falar
também.
O Sr. André Abreu Reis - Sobre o acompanhamento das ações, o que
podemos combinar? Você está falando especificamente do conjunto de
emendas parlamentares ou do conjunto de ações? A Lei Orçamentária
já encaminha o rol de ações. Talvez pudéssemos combinar de
fazermos um relatório de encaminhamento, contendo as mesmas ações
que encaminhamos na Lei Orçamentária. Quanto a isso, não há
problema.
Faço uma única ressalva, e até conversamos muito com o Deputado
sobre isso nas discussões e mesmo em relação às emendas da
Comissão de Participação Popular. São dois relatórios, e eu,
particularmente, fico temeroso quando publicamos na Lei
Orçamentária, na parte do Orçamento Criança e na de segurança
alimentar. São ações intersetoriais, na sua maioria. Fica
parecendo que todo aquele volume de dinheiro é destinado à criança
e ao adolescente. Não; ali existem ações específicas para a
criança e o adolescente, mas há outras que têm a ver com esse
público-alvo.
O mesmo se dá com a segurança alimentar. Fazemos o relatório de
segurança alimentar com base na lei estadual, com todos os setores
estabelecidos na legislação. Colocamos todas as ações que passam
por aquele setor estabelecido na legislação. Vamos tomar como
exemplo a vigilância sanitária. Está na legislação estadual sobre
segurança alimentar, mas não necessariamente a ação de vigilância
sanitária do Fundo Estadual de Saúde trata somente desse tema. Ela
vai tratar da vigilância sanitária no Estado sob todos os aspectos
e vai cuidar também da alimentação. Então, colocamos no relatório,
mas não quer dizer necessariamente que todos aqueles recursos são
voltados para a segurança alimentar. Mas publicamos o relatório,
porque é uma forma mais específica de se fazer acompanhamento.
Podemos combinar com a Comissão de publicarmos esse relatório de
execução. Para mim, não há dificuldade alguma.
O Deputado André Quintão - Só queria fazer um comentário. Fazemos
o monitoramento do Orçamento Criança e percebemos, André, que nas
ações em áreas em que há recursos vinculados, principalmente nas
de educação e saúde, as quais são ações continuadas, a execução é
até acima da média - alimentação escolar, criança na escola,
ensino médio, escola em tempo integral. São aquelas em que há a
obrigatoriedade dos recursos vinculados, e a ação é continuada.
Percebemos uma dificuldade nas áreas em que não existe essa
obrigatoriedade. Aí vem aquela nossa avaliação. Existe problema no
atendimento às medidas socioeducativas. Foi a pior execução do ano
passado entre todas as ações - e discutimos isso, este ano. No
caso do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional - Sisvan -,
o Consea até tem discutido com a Secretaria de Saúde, porque há
uma grande dificuldade de operacionalização. Também é o caso dos
centros de atendimento psicossocial para a criança e o
adolescente. Então, existem algumas ações que talvez precisem de
uma celeridade maior, e o Conselho Estadual tem um papel
fundamental. Hoje e amanhã, nos grupos, poderemos fazer um bom
debate. É um pouco daquele diagnóstico que fiz, Elvira. Sinto que,
quanto se trata de uma ação que entrou por emenda popular, mas não
consta no planejamento original, seja por que motivo for, há de
fato uma dificuldade maior de execução.
O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. Márcio Rogério, do
Ministério Público, que deseja fazer uma pergunta.
O Promotor Márcio Rogério de Oliveira - Bom dia, Deputado Zé
Maia, Deputado André Quintão, Thiago e André. Primeiro, queria
fazer um comentário a respeito da fala do André, que menciona que
o Estado tem muitas seções estanques, que o gestor não combina com
o planejamento, que não combina com a assistência social, que não
combina com a saúde. Quero registrar um protesto em relação a
isso, porque o Estado é único. Essa falta de comunicação nos
transmite simplesmente a ideia de incompetência, desorganização e
ineficiência do Estado. Respeito o seu comentário, Deputado, mas,
como cidadão, não podemos concordar de forma alguma.
Meu questionamento, inicialmente, refere-se às medidas
socioeducativas. Tivemos em 2008 praticamente zero de execução, e
não foram construídos os centros que estavam previstos. Em 2009,
também não foram construídos os centros previstos. Praticamente
todas as ações do programa de atendimento às medidas
socioeducativas estão com a execução, nos oito primeiros meses do
ano, em torno de 10%, algumas com 0%. Eu gostaria de saber qual é
a lógica do Estado em relação a isso, como ele enxerga a questão
num quadro em que temos hoje em Minas Gerais quase 300 meninos
presos em cadeias públicas em condições absolutamente atentatórias
a seus direitos humanos básicos como adolescentes.
Em Belo Horizonte, houve quatro mortes de adolescentes no Ceip,
diretamente relacionadas com a superlotação da unidade, a má
qualificação dos agentes e a insuficiência de Agentes
Socioeducativos, embora, no orçamento, estejam previstas ampliação
dos quadros, reforma e criação de vagas. Gostaria de entender essa
lógica da não execução e da não priorização, até porque isso
ofende a Constituição e a lei federal, que é o Estatuto da Criança
e do Adolescente, em seu art. 4º, que determina, expressamente e
com todas as letras, que as ações destinadas à criança e ao
adolescente têm de ser priorizadas em sua execução e que a
destinação dos recursos nas peças orçamentárias têm de privilegiar
essas ações.
Deputado André Quintão, questiono-o quando diz que, no orçamento
para a criança e para o adolescente, algumas ações são vinculadas
e obrigatórias e outras nem tanto. Discordo disso, pois todas as
ações destinadas à criança e ao adolescente, por ordem
constitucional, são prioritárias. Não existem as mais ou as menos
importantes, pois todas são prioritárias. O que está previsto no
Orçamento tem de ser executado. Não entendemos isso e não sabemos
qual é a visão do Estado. Por que falta comunicação? Por que há
esse menosprezo em relação às ações para a criança e para o
adolescente? Por que há esse menosprezo em relação às ações para o
atendimento socioeducativo? Não foi executado praticamente nada,
neste ano, em apoio às medidas em meio aberto, de acordo com a
previsão do Estado.
Gostaria de fazer esse questionamento com todo o respeito e
também com toda a indignação, como cidadão e como Promotor de
Justiça que lida com isso diariamente, até porque isso joga por
terra os esforços orçamentários do Judiciário, da Polícia Civil e
do Ministério Público, pois temos de trabalhar, de fazer as
ocorrências e de instaurar os processos, e isso é muito caro, já
que o custo de um processo é elevado. No final das contas, grande
parte desse dinheiro público que se gasta com esse processo vai
por água abaixo, pois a finalidade de tudo isso é a aplicação de
uma medida socioeducativa que, no final, não será executada porque
não há programa para atender esse adolescente em meio aberto,
principalmente no interior, em medidas de semiliberdade e de
internação, embora haja recursos no Orçamento para isso. Na
verdade, isso não é executado devido a uma decisão política do
governo, ou por má-vontade, ou por falta de vontade, ou por
menosprezo à Constituição, ou por menosprezo à causa da criança e
do adolescente.
Gostaria de fazer esse questionamento e deixar registrada a minha
indignação e o meu protesto em relação a isso e aos seus
comentários, Deputado André Quintão, com os quais não podemos
concordar, e em relação a essa intenção do Estado de sacrificar as
ações de acompanhamento do Orçamento, pois isso significa falta de
transparência e retrocesso em termos de democracia. Faço um apelo
para que isso não ocorra em relação ao Orçamento. Por mais que não
sejam executadas as propostas resultantes das emendas populares e
parlamentares, é muito importante mantermos essa transparência e
essa abertura, que é um ponto positivo para o Estado de Minas
Gerais, para que a sociedade possa participar da elaboração dos
Orçamentos e possa também dar a sua opinião sobre as suas
prioridades, que, muitas vezes, são diferentes das prioridades
políticas do Estado. Um exemplo disso é o Centro Administrativo,
que brotou do chão, como mágica, de um minuto para o outro, e as
ações voltadas para o social apresentam 0% de execução. Faço apelo
para que não seja sacrificado o acompanhamento da execução
orçamentária e das audiências públicas. Já que isso foi prioridade
em 2008 e em 2009, no Orçamento, espero que continue. Podem dizer
que, como isso não foi executado, já não é prioridade. Mas as
necessidades continuam presentes, a demanda é muito forte, as
carências são muito grandes e não se podem sacrificar, em revisão
de PPAG, ações importantíssimas de atenção à criança e ao
adolescente, que não foram cumpridas em 2008 e em 2009. Não
podemos colocar isso debaixo do tapete. Temos de manter isso no
PPAG e temos de ampliar e executar com mais seriedade e
responsabilidade essas ações, como manda a Constituição e o
Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma lei federal.
Gostaria de agradecer e de pedir desculpas pelo tom indignado da
minha fala, pois não é minha intenção ofender nem menosprezar
ninguém. Recebam isso como a fala de um profissional que atua na
área da justiça da infância e da juventude, que lida diariamente
com essas questões e recebe certidão de óbito de adolescentes
quase diariamente. Atribuo isso à má gestão do Estado na política
de atendimento. Obrigado.
O Deputado André Quintão - Dr. Márcio, gostaria de esclarecer que
fiz um comentário analítico sobre a execução orçamentária. A minha
posição política é por demais conhecida, e o meu compromisso nessa
área dispensa qualquer tipo de comentário. Eu expliquei que, na
execução do Orçamento Criança, as ações vinculadas a um orçamento
de cumprimento obrigatório têm uma execução acima da média. Não
estou dizendo que concordo nem que discordo. Na semana passada,
estávamos com a Dra. Andrea, representante do Ministério Público,
em reunião com o órgão gestor do Estado fazendo exatamente essa
cobrança que o senhor fez aqui. Estávamos fazendo essa cobrança ao
gestor do sistema de atendimento às medidas socioeducativas. Para
este ano, a meta de quatro centros socioeducativos, infelizmente,
não se realizou.
No ano passado, o menor índice de execução orçamentária foi
verificado no atendimento das medidas socioeducativas.
Consequentemente, para 2010, ficam previstos dois centros de
internação, devido ao próprio ritmo do Estado. Não existe problema
em dizer - creio que não fui bem entendido - que a prioridade do
órgão gestor de obras do Estado foi a construção de unidades
prisionais, e não de centros socioeducativos. Discordo não apenas
por ser uma questão formal relevante, isto é, prioridade
constitucional, mas também pela realidade do cumprimento das
medidas de internação.
A imprensa divulgou nesta semana uma curva de crescimento de
infrações associadas ao tráfico de drogas, que remete a medidas em
sistema de internação. Precisamos apoiar as medidas em meio
aberto, como liberdade assistida e semiliberdade, prestação de
serviços à comunidade, mas a medida de internação é muito
importante. Por exemplo, temos um gargalo no Sul de Minas, onde
não existe oferta de centro de internação. Em Itajubá, o processo
está muito atrasado. Em Belo Horizonte, ocorre o mesmo. Eu me
associo ao protesto de V. Exa. no que diz respeito à morosidade no
cumprimento das medidas socioeducativas. O meu comentário foi
analítico.
Quanto à intersetorialidade, concordo inteiramente com suas
palavras. É também uma análise política que faço como legislador.
Nesse e em outros níveis de governo, nota-se a ausência dessa
integração, que se revela negativa para uma boa execução
orçamentária. Gostaria de deixar isso claro, porque o nosso
envolvimento é muito grande, não por questão de ser homônimo, mas
por questões de atribuição do Poder Legislativo. Há pouco tempo me
cobraram com muita veemência a execução das emendas populares.
Expliquei todo o procedimento e terminei dizendo que só poderíamos
fazer mais se o Poder Legislativo fosse transformado em Poder
Executivo. Cada um deve fazer a sua parte. O Poder Legislativo faz
a fiscalização com muita determinação junto à Frente de Defesa dos
Direitos da Criança e ao Conselho Estadual, como fizemos na semana
passada, contando com a inestimável colaboração do Ministério
Público de Minas Gerais.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Dr. Rogério, em 2004, com o
primeiro PPAG, existia somente um projeto estruturador na defesa
social, o Redução da Criminalidade. Depois, veio o Sistema
Prisional. Dentro desses projetos, existiam as ações
socioeducativas executadas pela defesa social por meio da
Superintendência das Medidas Socioeducativas. Ao fazermos a
revisão do PPAG, transformamos, por meio de lei delegada, a
Superintendência em Subsecretaria e criamos um novo projeto
estruturador de atendimento às medidas socioeducativas. Se
analisarmos o crédito orçamentário, poderemos observar que os
recursos vêm crescendo todos os anos.
Além disso, a Secretaria de Planejamento, por meio do Geraes, faz
o monitoramento intensivo desses projetos e leva essa situação da
execução para o Vice-Governador, de dois em dois meses ou de três
em três meses, desde 2007, que coordena um comitê junto com todos
os órgãos de defesa social, com o Secretário, com o Comandante do
Corpo de Bombeiros, com o Comandante da Polícia Militar, com o
Chefe da Polícia Civil e com representantes da Defesa Civil. E,
lá, são cobrados. A Secretaria de Planejamento cobra a execução
dessas ações por meio desses instrumentos.
Disse ao Deputado André Quintão que iria até parodiá-lo porque,
mais do que isso, só se a Secretaria de Planejamento virasse a
Secretaria de Defesa Social para executar também. Podemos
disponibilizar recursos, priorizá-los no Orçamento e na estratégia
e monitorá-los, mas não podemos executá-los. Sei que existe uma
série de problemas que explicam, mas não justificam a baixa
execução. O seu comentário é pertinente para levarmos ao gerente
do projeto. Se não me engano, a reunião será amanhã. Podemos
conversar com ele no mesmo tom de indignação, porque nos auxiliará
no monitoramento das políticas. Sei que há uma série de problemas
na construção de centros socioeducativos, como a definição de
terrenos e dos convênios com as prefeituras. Quando fazemos o
planejamento dessa atividade, não conseguimos executar porque
aparecem situações as mais variadas possíveis. A questão da não
execução não é falta de política, de prioridade ou de execução,
mas sim uma deficiência.
O Promotor Márcio Rogério de Oliveira - Peço licença para renovar
meu apelo: que essa situação não sirva para justificar a redução
de metas para os próximos exercícios, que sejam mantidas essas
prioridades. Isso é para o interior do Estado. Em Betim e em
Contagem, há uma violência enorme. Esses centros previstos para o
interior do Estado são fundamentais para buscarmos um equilíbrio
nesse sistema. Não há como suprimir essas metas porque não foram
executadas.
Em relação ao Subsecretário, já perdi totalmente a condição de
conversar com ele, pois não consegue explicar por que, em dois
anos, não conseguiu executar as mesmas metas. Solicito que, nessas
questões envolvendo o sistema prisional e o sistema
socioeducativo, nessas ações voltadas para a criança e para o
adolescente, além da Polícia Civil, dos bombeiros etc., seria
interessante haver a participação de um representante do Poder
Judiciário e um representante do Ministério Público, porque temos
o domínio da demanda, talvez mais do que os próprios órgãos do
Executivo. A participação desses representantes nessas reuniões de
planejamento enriquecerá muito esse processo. Peço que, no
Orçamento, se cumpra o art. 227 da Constituição. Muito obrigado.
O Deputado André Quintão - Nesse caso, Thiago, a questão está
identificada: há um problema de não priorização no Departamento de
Obras Públicas. Isso já foi objeto de debates no comitê de
acompanhamento dos resultados do Geraes. Não há muitos mistérios
em relação a isso. Há um problema porque amplia-se o recurso para
o estruturador, para a ação, mas esta não é realizada. Então,
temos uma decadência no cumprimento da meta física. Isso está
ocorrendo agora: tínhamos uma meta de quatro e está caindo para
dois, no próximo ano.
Acompanhei as audiências no interior, e a informação que tenho é
que, no caso das unidades prisionais, que também são muito
importantes, há um ritmo de execução muito superior ao da
construção dos centros socioeducativos. Esse é um gargalo. Esse
assunto está tomando um tempo importante do nosso debate, porque
ele foi a pior execução orçamentária do Orçamento Criança do ano
passado. Então, não se trata de uma questão da Seplag, mas de uma
questão política.
Concordo inteiramente com o Dr. Márcio Rogério de que é uma
questão para se equacionar. É preciso alguém chegar ao Deop e
falar que é preciso cumprir a meta porque existem 300 adolescentes
em cadeias públicas descumprindo o mandamento constitucional e com
uma possibilidade pequena de reintegração social. Nesse caso, a
questão é política, de fundo, não é simplesmente uma questão
gerencial de A ou B. Eu disse que não estamos no limite porque já
foram feitos requerimentos, audiências públicas e reuniões,
entrando numa esfera política que foge à participação dos gerentes
da Seplag.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Quero apenas fazer uma defesa do
sistema de obras públicas. Sabemos que existe isso que o senhor
falou, mas não são 5%. Quando se vai definir um terreno, como
aconteceu em Coronel Fabriciano, onde o terreno era completamente
acidentado, é preciso fazer uma intervenção que não estava
prevista. E o Deop, quando recebe o projeto de engenharia do
terreno, diz que, com o recurso que tem disponível, será preciso
cortar o terreno porque mandaram um terreno inclinado. E aí falam
que foi o Deop que atrasou porque mandaram um projeto inadequado.
Quero fazer só uma defesa do Deop porque não é simplesmente dessa
forma.
O André quer fazer um comentário com relação a 2010, porque ficou
faltando essa parte.
O Sr. André Abreu Reis - Quando começou esta audiência eu
perguntei ao Thiago qual foi o comentário infeliz que fizemos na
última reunião para tentar consertar. Depois eu me lembrei que foi
sobre a baixa execução dos critérios de ajuste. Isso tanto não
funciona assim, que estamos discutindo o orçamento e a baixa
execução que irá se confirmar no final de dezembro, e o orçamento
já está na Assembleia. Nós fazemos essas definições em julho. O
que acontece com a perspectiva de andamento dos projetos é que
tentamos sempre, dentro do governo, aproveitar as oportunidades
que aparecem sob a perspectiva de execução de políticas públicas.
No caso de medidas socioeducativas, por exemplo, se, por diversos
motivos, o Deop não consegue executar a obra neste ano, não
deixamos o recurso orçamentário morrer dentro da ação. Se algum
outro projeto necessita de recurso público, fazemos o
remanejamento para que haja o aproveitamento desses recursos
dentro do orçamento do Estado. Isso, na verdade, não condiciona a
perspectiva para o próximo ano.
Em 2009, dada a queda da arrecadação, alguns projetos
necessitaram de reprogramação para 2010. Pegamos o planejamento do
que não arrecadamos no primeiro semestre e empurramos um pouco a
programação. Então, a programação de 2010 vai contar com algumas
coisas de 2009. Os projetos que não foram executados neste ano não
serão, necessariamente, cortados em 2010. No ano que vem, temos o
desafio de fazer os do ano e de tentar cobrir alguns de 2009. Não
estou justificando exatamente para esse programa, mas porque acho
que ficou esse clima no seminário anterior a respeito de que
faríamos ajustes das contas. Na verdade, não olhamos o número
executado ou não executado no final do exercício e não
condicionamos o recebimento do recurso no próximo ano ao recurso
gasto no ano anterior. Isso não existe, embora exista na cabeça de
diversos gestores. Há uma certa correria no final do ano, quando
há concentração de execuções que não ocorrem necessariamente por
conta disso. Elas ocorrem porque diversos processos licitatórios
demandam muito tempo. Muitos agentes do próprio setor privado
entram com ações, o que atrasa as licitações, pois os concorrentes
protelam os prazos.
Eu estava com uma das pessoas da equipe do Travessia. Não sei se
a Cláudia está aqui. Ela me contou sobre os convênios do Travessia
e disse que, se todo ano começar em janeiro, são quatro meses para
firmar convênio com o Município, mais 60 dias para... Enfim, ela
me explicou os prazos e calculou que, se tudo der certo, a
execução começa em outubro. Conversei com ela sobre outras formas
de modelagem. Temos um dilema entre meta física e condução das
contas públicas. A gestão orçamentária no Brasil nos força a um
raciocínio anual. Isso é complicado porque é como se todo ano
fosse zerado e houvesse um reinicio em 1º de janeiro. Não é
necessariamente assim, mas a própria Constituição coloca o ano
civil como uma perspectiva de raciocínio, não como planejamento de
médio e longo prazo, mas quanto ao lançamento de mão de
procedimentos para realização de despesas. Em licitações, por
exemplo, há uma série de constrangimentos na própria 8.666 para a
realização, tendo em vista a previsão orçamentária. Há uma série
de dificuldades que demandam arranjos sofisticados e uma série de
compromissos dos órgãos gestor e de planejamento. Pensa-se: se é
possível fazer quatro centros socioeducativos, é bom começar a
licitar seis, oito este ano, uma vez que não serão entregues este
ano. Há uma série de constrangimentos dessa natureza que
concentram a execução orçamentária no final do ano. Uma série de
gestores são ordenadores de despesas e responsáveis pelo recurso
público. O Tribunal de Contas cobra a prestação de contas deles.
Fundamentalmente, ele é quem assina tudo, logo não se sente
confortável em iniciar um processo de realização de despesas sem
estar clara a previsão orçamentária naquele exercício, embora haja
alguma exceção na 8.666 que permite alguma realização tendo em
vista a previsão no Plano Plurianual. A concentração de despesas
no final do ano ocorre por isso, o que necessariamente não
condiciona nossas escolhas nos próximos exercícios. As nossas
escolhas vêm de planos de médio e longo prazos. A execução
orçamentária não condiciona nossas escolhas no curto prazo, daí o
retorno do atendimento do centro socioeducativo, pois se você, com
base em execução orçamentária, tivesse acabado, nem estaria aqui
este ano. Vem porque está no Plano Plurianual, e o nosso PMDI tem
esse embasamento que faz com que reiteremos isso junto ao órgão.
O senhor falou sobre trabalharmos juntos. Sempre tentamos
trabalhar juntos dentro do próprio governo e da Secretaria de
Estado, mas são estruturas muito grandes e não temos competência
para gerir todos os aspectos da realização de cada processo de
entrega. Há muitos atores envolvidos, e tentamos mudar nossa forma
de gestão para que as informações cheguem mais rápido a todos. O
próprio Vice-Governador fica sabendo e acompanha a execução. Não
conheço a experiência anterior, mas as informações detalhadas
chegam rápido ao Vice-Governador para que ele lance mão de
diversos expedientes a fim de garantir a efetivação dos projetos.
Lançamos mão de diversos expedientes por parte da Secretaria para
articular os órgãos setoriais também com a parte política do
governo para conseguirmos celeridade. Isso não condiciona nossa
decisão para o próximo exercício. Fazemos um planejamento e
decidimos recursos com base em nossa perspectiva de médio e longo
prazos.
O Sr. Presidente - Farei uma intervenção para fazer justiça nessa
discussão. O Sr. Márcio fala, o que pode ser um problema pontual,
sobre a execução de centros de internação de menores. Os Srs.
Thiago e André explicaram as situações em que isso ocorre. Às
vezes há o programa, o recurso, mas, na execução orçamentária,
podem ocorrer problemas com recursos no processo de licitação ou
em relação ao próprio terreno, como já disseram. Uma série de
situações pode atrasar a execução orçamentária.
No ano de 2009, tivemos o problema da crise financeira, e isso
não é mero discurso. Tivemos, para o Orçamento do Estado para o
ano de 2009, uma redução de cerca de R$2.000.000.000,00 em relação
ao que estava previsto para se arrecadar. Evidentemente que essa
redução afetou os resultados do governo. O Sr. Márcio mencionou
problemas relacionados à construção dos centros de internação de
menores, os quais podem ser verdadeiros. Todavia, da forma como
foi colocado aqui, pode-se dar a quem esteja chegando no momento,
a quem esteja começando a ouvir esta discussão, a alguém mais
desavisado - estamos ao vivo pela TV Assembleia - a impressão de
que o Estado está um caos. Preciso fazer a defesa do Estado porque
tenho acompanhado tudo sistematicamente.
Estive, quando Presidente da Comissão de Segurança Pública,
visitando um centro que foi entregue no atual governo, em Capitão
Eduardo. Quando dessa visita, fiquei preocupado com o fato de os
menores infratores terem conhecimento acerca da obra, cujas
condições eram melhores que as lá de fora. Corria-se o risco de o
menor querer ir para aquele centro, tamanha a qualidade da obra
realizada em Capitão Eduardo. Imagino que o mesmo ocorra com
outros centros.
Por exemplo, foi feita aqui a discussão sobre não haver
intercomunicação entre os órgãos do governo. A situação não é bem
essa. O Sr. André disse aqui, e posso afirmar categoricamente, Sr.
Márcio, que, se temos problemas de comunicação entre os órgãos do
governo, o que é natural, em razão da estrutura e do tamanho do
Estado de Minas Gerais, nunca na história de Minas houve uma forma
de acompanhamento do Orçamento como temos hoje.
O atual governo criou os programas estruturadores. Além disso,
são feitas reuniões pontuais dos gerentes dos programas, que são
cobrados. A cobrança é do governo relativamente à execução
orçamentária. Isso pode parecer um paradoxo, mas não é. O governo
cria programas, disponibiliza o recurso e ainda precisa cobrar dos
órgãos a execução de programas e ações. Isso também é novo em
Minas Gerais e, acredito, muito recente também no Brasil. Há um
avanço enorme nisso.
Por isso, manifesto aqui minha discordância. Se há o problema, e
pode ter havido problema relativamente a essa ação específica, o
que ocorre em Minas Gerais são avanços da maior importância. O
Deputado André Quintão falou sobre a construção de vagas nas
unidades prisionais do Estado. Para que tenham uma ideia acerca
dos avanços havidos em Minas Gerais, até 2002, nos mais de 200
anos da história de Minas Gerais, foram criadas 5 mil vagas no
sistema prisional de Minas. No governo Aécio Neves foram
construídas e entregues mais de 10 mil vagas. Ou seja, em cerca de
sete anos, foi criado o dobro de vagas criadas em 200 anos no
Estado.
Em todas as áreas do Estado, há avanços importantíssimos. Pode,
claro, haver problemas, e há problemas numa máquina como essa.
Seria muita arrogância de qualquer um de nós ou do governo dizer
que num Estado como o nosso, consideradas as suas dimensões e
diversidades regionais, não há problema. Há problemas, que
precisamos enfrentar. Não podemos jogá-los para debaixo do tapete.
Todavia, não podemos, se há um problema pontual, relativizar, ou
seja, dizer que se aqui está ruim, acabou toda a história do
Estado. Se assim agíssemos, estaríamos cometendo injustiças.
Por exemplo, foi citada aqui a construção do Centro
Administrativo. Esse tipo de citação ocorre permanentemente. Essa
obra economizará, em toda a história futura de Minas Gerais, algo
em torno de R$80.000.000,00 a R$100.000.000,00, por ano, em
aluguéis, em locomoção etc. Imaginem o sistema atual, em que um
funcionário público precisa deslocar-se de um local para outro.
Imaginem a localização dos vários órgãos do Estado na Capital.
Imaginem os gastos com locomoção, veículo, motorista, combustível,
oficina mecânica, aluguéis etc.
Agora, para ir de um órgão a outro, será necessário apenas
atravessar um corredor e fazer essa comunicação. Isso facilitará a
intercomunicação entre os órgãos, diminuindo os custos com a
máquina do Estado. O governo tem pregado a necessidade de se
gastar menos com a máquina e mais com o cidadão. A construção do
Centro foi uma obra planejada e organizada para essa finalidade.
Se há um problema ou outro na execução orçamentária de um
programa ou outro, mesmo sem ter conhecimento total dos números em
relação ao centro de recuperação de menores, o que está sendo
executado atualmente e do que foi executado no passado, acredito
que temos avançado. É preciso conferir. Há avanços no Estado,
passos largos, gigantescos no aprimoramento da máquina e na
execução orçamentária.
Sobre a questão da criança e do adolescente, vimos que há 109 mil
crianças na escola de tempo integral. Isso significa que essas
crianças, com um nível de ensino melhor, ficarão afastadas das
ruas, ficarão mais tempo na escola e não se envolverão, nas ruas,
com as drogas e com todos os problemas que isso pode gerar.
Estarão na escola aprendendo mais, ocupando melhor seu tempo.
No início, disse que há demandas intermináveis e limitação de
recursos. Sempre viveremos esse paradoxo. Se fizermos uma
comparação - mas o tema de hoje não é esse - entre o que havia há
alguns anos em Minas e o que temos hoje, registramos grandes
avanços, inimagináveis até. Pode sobrar um ou outro problema, e
não podemos relativizar.
Lembro-me de que, no início do pontificado do Papa Bento XVI, ele
disse uma frase que me marcou muito e que é tema central em várias
discussões em todos os níveis, na política e fora da política. Ele
condenou a relativização das discussões, olhar apenas o próprio
lado, a própria área de atuação. Apenas o que faço e o que me
interessa no mundo. Esse é um grande mal da humanidade. É preciso
colocar-se do lado outro, não é ver só o próprio terreiro, a
própria cozinha, os próprios problemas. O Papa Bento XVI colocou
essa discussão em um nível importante, pois é preciso olhar o todo
e não apenas aquilo que diz respeito apenas à própria situação. Se
não fizermos isso, não avançaremos.
Disse isso somente para colocar justiça nesta discussão,
reconhecendo que, nessa área específica, podemos ter problemas.
Por meio desta discussão, poderemos até avançar mais em relação ao
tema abordado aqui. Por isso discussões nesse nível são
importantes.
Aparecida Martins Pereira, do Conselho de Saúde e Conselho de
Segurança Pública deseja fazer uma pergunta. Por favor. Não se
encontra presente.
Edmar Gadelha, do Consea de Minas Gerais, deseja fazer uma
pergunta. Por favor.
O Sr. Edmar Gadelha - Bom-dia a todos e a todas. Sou Edmar
Gadelha, do Consea de Minas Gerais. Parabenizo a Mesa pela
organização, os Deputados, a Seplag. O assunto que trago já foi
abordado pelo Deputado André Quintão e pelo André Reis: a
segurança alimentar. O acompanhamento e monitoramento da
realização do direito humano à alimentação adequada é fundamental,
sobretudo porque discutimos, neste momento, a aprovação de uma
proposta de emenda à Constituição, no Congresso Nacional, para
incorporar esse direito humano à alimentação à nossa Constituição.
Minas Gerais é o primeiro Estado a ter um Consea - no dia 12
comemoramos 10 anos, com uma reunião solene nesta Casa. Temos
dificuldades de acompanhar a realização desse direito humano
devido à questão dos indicadores. No caso do PPAG, é fundamental o
monitoramento da execução físico-financeira, mas não é revelada a
situação da insegurança alimentar da população. Dessa forma, a
construção de indicadores de segurança alimentar é um passo
importante para avançarmos e avaliarmos a efetividade das ações,
das políticas, dos programas estruturadores.
Um indicador fundamental é o Sisvan, sistema de informação, cuja
implementação enfrenta enorme dificuldade nos Municípios, assim
como o acompanhamento pela Secretaria de Saúde. Ano a ano, o
Consea tem insistido nessa questão, inclusive sugerindo emendas
para viabilizar, efetivar e consolidar esse sistema. No entanto,
pouco tem sido feito. As dificuldades são enormes, e há uma certa
má vontade por parte da Secretaria de Saúde para implementar esse
sistema. Consideramos extremamente importante sua implantação,
assim como a destinação de recursos do Orçamento a fim de
consolidá-lo, para o que é fundamental a obtenção de dados sobre a
situação nutricional das crianças até 5 anos.
Outro aspecto relevante do programa, relacionado à segurança
alimentar, é a alimentação escolar. Pesquisa recente que tive a
oportunidade de coordenar pelo Ibase revela que a segunda forma
mais importante de a população beneficiada pelo Programa Bolsa
Família acessar a alimentação é a alimentação escolar. Uma lei
aprovada em junho procura aperfeiçoar a alimentação escolar,
integrando ações, como a agricultura familiar. Para isso,
precisamos avançar na construção desses indicadores, de forma que
tenhamos a efetividade desses programas, sobretudo dos
estruturadores, a exemplo do Travessia, que integra ações buscando
a intersetorialidade e trabalhando o combate à pobreza. No
entanto, fica difícil um acompanhamento mais sistemático da
população, sobretudo se não tivermos indicadores de segurança
alimentar e nutricional.
Pergunto ao André como poderíamos avançar na construção desses
indicadores de monitoramento, uma vez que você já falou que
elabora um relatório da segurança alimentar e nutricional, em
virtude de o tema da segurança alimentar ter uma concepção
intersetorial e de integração das ações. Não sei se você poderia
abordar essa questão para nós.
O Sr. André Abreu Reis - Indicador, para nós, é uma questão
bastante séria e complicada. Há uns três anos, fizemos uma visita
técnica ao governo do Estado de São Paulo, para saber como
funcionava o sistema de planejamento, de orçamento, do
acompanhamento e da regionalização, que é seriíssimo, uma vez que
Minas Gerais tem 853 Municípios, enquanto São Paulo está em
segundo lugar, com algo em torno de 650 Municípios. Temos grande
dificuldade para monitorar a execução de políticas públicas, o que
se reflete nos indicadores de forma municipalizada e
regionalizada. Quando tocamos no tema “Indicadores”, todos
começaram a rir, como quem diz: “Lá também”. Além da questão
temporal e da mensuração, há diversas dificuldades. Como isso tem
funcionado?
Falarei um pouco da nossa estrutura na Secretaria de Planejamento
e como temos trabalhado a questão junto aos órgãos. Hoje trabalho
na Superintendência de Planejamento e Programação Orçamentária,
onde cuidamos da condição de todos esses instrumentos: PPAG, LD0,
Loas, principalmente da forma e condução de sua organização no
Poder Executivo, no processo de elaboração. Temos um grupo
setorialista, que trabalha junto aos órgãos e entidades nessa
interface. Junto a esse grupo, que trabalha junto aos órgãos na
discussão desses projetos, tanto na liberação orçamentária como no
acompanhamento físico, ao longo do ano e dos indicadores, existe
um outro grupo, separado, que cuidará somente dos programas
estruturadores. Há um grupo que cuida de 57 programas e outro que
cuidará dos demais programas do Estado, que são em torno de 300.
No diálogo com os órgãos, tentamos construir em parceria, e a
questão dos indicadores tem sido um gargalo, desde o início do
governo, que tentamos melhorar. Já há uma outra estrutura, que
trabalha basicamente com indicadores e com impactos, que é o
Estado para Resultados. Há uma equipe relativamente grande
trabalhando com o desenvolvimento desses indicadores. Os
indicadores são divididos em categorias, porque não conseguem ser
necessariamente indicadores de impacto.
A produção do governo, na sua política pública, é como se fosse a
própria meta física da ação, mas um pouco mais que isso. São
indicadores mais de realização que de impacto. Os indicadores de
impacto são mais difíceis, porque essa mensuração demanda pesquisa
ostensiva por todo o Estado, e são pesquisas caras. A
centralização nesse órgão facilita um pouco o processo, que às
vezes demanda pesquisas a serem feitas em diversos Municípios,
além de também facilitar um pouco a interlocução na construção
desses indicadores.
Acompanho o trabalho realizado pelo Estado para Resultados, sei
das dificuldades na construção desses indicadores. Valemo-nos de
alguns indicadores mensurados no âmbito federal por institutos
como, por exemplo, o IBGE, o Datasus etc. Mas temos dificuldades
na construção de indicadores no Estado de Minas Gerais. É por isso
que um grupo separado foi destacado, e levarei o assunto relativo
à segurança alimentar a ele porque poderia entrar no escopo da
discussão sobre a pobreza e desigualdade na área de resultados
específicos. Mas essa é uma dificuldade nossa. Sei que o Estado do
Ceará já abandonou a perspectiva de trabalhar com indicador por
programa. Fazemos isso porque há uma portaria federal que nos
obriga a tanto. No Estado do Ceará, há mais tempo, já estão
trabalhando com a perspectiva um pouco parecida com a que
trabalhamos na área de resultados. Eu mensuro o impacto de um
conjunto de programas porque isso faz um pouco mais sentido que
esperar que haja um programa específico que traga impacto direto
numa ação, nessa relação de um para um. Isso é difícil para um
órgão, pois, se ele tem 20 programas, terá de construir 20 bons
indicadores, o que é praticamente impossível.
Trabalhamos desde 2007, 2008 com o Estado para Resultados.
Passamos muito tempo no processo de construção desses indicadores
até termos bons indicadores mensuráveis em tempo hábil.
A Gláucia falou da nossa avaliação de um plano. Essa é uma nossa
angústia interna. Temos sempre esse problema: o que entregar na
avaliação do PPAG. É basicamente uma entrega física que fazemos, e
temos essa consciência. Necessitamos de quadro técnico, porque no
Estado para Resultados conseguiu-se fazer uma seleção entre os que
tinham conhecimento nesse aspecto de construção de avaliação de
resultados no Estado e não conseguimos ter essa mesma estrutura
espalhada nos 70 órgãos do Estado, mesmo porque as pessoas
encontram-se envolvidas em diversos outros projetos e não só nessa
mensuração. O Estado resolveu destacar um grupo específico para
trabalhar com isso para ver se conseguimos alavancar o
desenvolvimento desses indicadores.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Edmar, a questão dos indicadores é
um pouco complexa. Se você ou alguém tiver a oportunidade de
verificar o PMDI, que apresenta vários indicadores, observará que
o Estado, na maioria das vezes, vai se isentar de criar o
indicador. Os indicadores já existem, o Estado apenas os incorpora
e tenta sistematizar a sua execução, estabelecer metas, justamente
para não ser o manipulador de um número. Não sendo assim, pode
dizer que a meta foi cumprida, mas quem mediu foi ele mesmo. A
ideia é ficar isento para conseguir analisar, como foi dito, o
impacto da política pública.
O André disse, de forma muito clara e óbvia, que há um problema
de relação causal. Não é o programa que gera impacto no indicador.
Não posso afirmar, por exemplo, que houve redução da mortalidade
infantil por causa do projeto estruturador Viva Vida, de
atendimento à gestante. O Estado faz a avaliação do impacto para
saber se houve redução da mortalidade infantil. Mas qual a
participação do Viva Vida nessa redução? Houve algum impacto?
Posso executar muito bem o programa, criar muitos centros e,
quando fizer a avaliação do impacto, concluir que não houve
impacto na política. Não há essa relação linear, de um para um. A
contribuição de vocês é válida nesse sentido. Não conheço todos os
indicadores da área. Sei que há indicador sobre desnutrição. Não
sei se é o melhor ou se há outros que podem ser trabalhados para
verificar o impacto da política pública. O principal nessa questão
é: os indicadores estão disponíveis. Estamos apanhando até hoje na
tentativa de criar indicadores. Como exemplo, cito o PIB do
turismo. Há três anos, estamos tentando estabelecê-lo junto à
Fundação João Pinheiro, mas não conseguimos por uma série de
dificuldades. Ao se criar um indicador, é preciso acompanhá-lo,
colocar pesquisadores para estudar a região. Isso tem custo. Por
isso também a opção de trabalhar com indicadores existentes: não é
preciso criar estrutura para estabelecer o indicador.
O Deputado André Quintão - Gostaria de comentar, Edmar, que o
Sisvan é uma das práticas nacionais do sistema de controle de peso
e altura, a partir do trabalho das unidades de saúde. O Edmar tem
toda razão. Percebo uma resistência do órgão gestor da saúde em
apoiar os Municípios na operacionalização do Sisvan. Trata-se de
apoio, pois quem operacionaliza é, obviamente, o Município. Há
duas emendas parlamentares, e o processo é muito moroso. Edmar,
esse é um exemplo do que acontece quando há resistência do órgão,
quando a ação não é prioritária no seu planejamento. A questão do
idoso, que ainda não foi mencionada, padece da mesma situação, por
exemplo, na área do esporte. Há uma certa dificuldade de
compreensão da proposta que chegou para execução.
Outra dificuldade é que os Municípios não sabem o que fazer com
os dados do Sisvan. Faz-se o diagnóstico, mas não se atua sobre
ele. Há dois problemas no Sisvan, uma questão central de governo.
É preciso discutir por que há essa resistência em implantar o
Sisvan.
Outra questão é a alimentação escolar, uma das mais antigas
políticas públicas - mais de 50 anos - e que traz mais resultados
em termos de segurança alimentar de crianças e jovens. Hoje há uma
grande oportunidade, que está sendo estendida ao ensino médio, a
partir de legislação federal, associada a proposta de emenda à
Constituição, transformando direito humano e alimentação na
Constituição, e de lei que obriga a aquisição de gêneros
alimentícios da agricultura familiar. Elogio o PPAG 2004-2007,
quando o Estado aproveitou para elencar prioridades. Falo isso,
por exemplo, em relação ao programa de universalização Luz para
Todos, uma parceria dos governos estadual e federal. Não sinto
isso em relação à alimentação escolar.
Minas Gerais, com 36 superintendências e 4 mil escolas, tem
somente uma nutricionista. Valéria, há somente uma nutricionista!
Como vamos desenvolver no Estado um programa de suporte à
alimentação escolar com apenas uma técnica? Discutimos isso com a
Emater. Temos uma emenda popular de organização do agricultor
familiar, ou seja, para que ele venda seus produtos para a
alimentação escolar. Essa emenda ainda não foi executada. Na minha
opinião, seria mais estratégico e transformador, no planejamento
da Emater - claro que a distribuição de mudas e sementes é
importante -, a organização de agricultores familiares, com
vocação regionalizada de produção, para venda no sistema da
alimentação escolar, gerando renda para o agricultor, aumentado os
recursos nos Municípios e melhorando a qualidade nutricional da
alimentação. Esse é um arranjo complexo e, depende, sim, de mais
integração dos órgãos de governo. Há aqui vários consultores do
Consea, os quais podem pensar diferente, mas, sinceramente, não
sinto que essas duas questões sejam hoje assumidas como
prioridades. Entretanto, deveriam ser assim consideradas, pois são
maiores fontes de transformação estrutural, se comparadas à mera
distribuição de mudas e sementes, por mais importante que isso
seja.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Só gostaria de complementar a
questão dos indicadores. Particularmente, fico muito feliz por ter
sido abordado esse assunto, porque, até há dois, três anos, não
falávamos em indicadores aqui. Falávamos em metas e em construção
de escolas, mas ninguém apontava melhorias na educação. Em 2007,
quando criamos o programa Estado para Resultados, dissemos que
queríamos mudar essa ótica, sair da dicotomia do Estado mínimo ou
Estado desenvolvimentista e partir para aquele que gera resultados
para a sociedade.
Eu, o André e o João Vítor somos convidados a fazer palestras
fora, em eventos, universidades e cursos de gestão de projetos.
Nessas palestras, sempre nos perguntam: “E aí, quando chegar 2010
e o governo acabar, como é que fica”? As pessoas ficam muito
encantadas de trabalhar com indicadores. Acham muito legal, a
partir de indicadores, estabelecer o projeto. Quando perguntam -
“E se acabar?” -, dizemos que esse risco existe, mas podemos
retroceder. Quando ouvimos vocês, uma das opções que expusemos é
que, se a sociedade começar a participar desse processo, teremos
bons resultados. Imagino ser a primeira vez que vemos alguém
apresentando questões sobre indicadores. Quando vemos que as
coisas começam a ganhar esse contorno, ficamos satisfeitos. Não
adianta nada dizer que deve haver indicadores, se eles não são
acompanhados. Ninguém dá valor a isso. Deve haver mais vontade.
Quando ouvimos vocês falarem sobre indicadores, ficamos muito
felizes, porque, a partir daí, começamos a criar pontos de não
retorno. E pensamos que vamos consolidar esse tipo de gestão.
O Sr. Presidente - Ainda temos várias perguntas. Portanto estamos
encerrando as inscrições. A Sra. Maria Aparecida Martins Pereira,
do Conselho de Saúde e do Conselho de Segurança, deseja fazer uma
pergunta.
A Sra. Maria Aparecida Martins Pereira - Bom-dia. Primeiramente,
quero expressar minha gratidão. Estou aqui para fazer alguns
elogios. O primeiro deles é para o Governador Aécio Neves, porque
tive a grata satisfação de ver minha filha, Jéssica, na capa do
DVD Valores de Minas 2006. Ademais, quero falar também da área da
saúde, já que fiz uma cirurgia de varizes há cinco meses. Estamos
vendo os avanços do Estado de Minas. Podemos reivindicar, mas
temos de saber também elogiar. Aprendi isso muito jovem. Sou do
grupo Fé e Política e nunca desisti de ser uma mulher que defende
tudo: saúde, direitos humanos, trabalho e alegria de viver.
Afinal, saúde combina com diversão.
Sou diretora da Canto da Alvorada, e estou convidando todos para
uma festa maravilhosa que realizaremos no dia 22 deste mês. Saúde
combina com lazer. Nessa fase bonita da vida, todos precisamos
competir e nos divertir juntos. Será na Estação 2000, a ala mais
evoluída e independente da escola de samba, e, com fé em Deus,
serei a Presidente no próximo ano. Pertenço à Liga das Escolas de
Samba de Minas Gerais, sou guerreira. Sempre gosto de dizer que
sou do campo e da cidade, pois nasci em Guanhães, Minas Gerais.
Muito obrigada pelo carinho. Podem contar comigo para tudo, porque
sei unir saúde com lazer e educação. Temos de reivindicar, sim,
mas temos de saber também elogiar. Muito obrigada.
O Sr. Presidente - Agradecemos a participação da Aparecida
Martins Pereira. Com a palavra, a Sra. Liliane Gomide, da
Defensoria Pública de Minas Gerais, que também deseja fazer uma
pergunta.
A Defensora Pública Liliane Gomide - Boa-tarde, Deputado Zé Maia,
em cuja pessoa cumprimento os demais componentes da Mesa. Boa-
tarde, demais participantes. É uma honra representar aqui a
Defensoria Pública de Minas Gerais. O Dr. Márcio Rogério saiu,
senão levaria um ligeiro puxão de orelha. Ele ressaltou que o
Ministério Público e o Judiciário deveriam estar presentes às
reuniões, mas não mencionou que o Estado defensor também deveria
fazer parte. Não se concebe, no Estado Democrático de Direito,
Judiciário e Ministério Público, sem o Defensor Público. Trabalhei
por três anos e meio com o Dr. Márcio, por quem nutro um grande
respeito. É apenas uma brincadeira, mas o tripé da Justiça passa
necessariamente pelo Defensor Público.
Queria manifestar uma pequena indignação de todos os da minha
classe. Quando da nossa inscrição, fomos dados como pertencentes à
Secretaria de Defesa Social. A Defensoria Pública de Minas Gerais
tem autonomia. Com a recente Lei Complementar nº 132, de 2009,
fomos alçados a um lugar de destaque. Não há que se falar mais em
subserviência, a não ser a advinda da própria Constituição
Federal. Fica aí o meu protesto, pois as inscrições de vários
Defensores Públicos que vão participar à tarde e nos outros dias
os coloca como subordinados à Secretaria de Defesa Social, órgão
que respeitamos muito e com o qual temos feito boas parcerias.
Portanto, a Defensoria Pública de Minas Gerais é autônoma, não
pertence e não se vincula a nenhum Poder, a não ser à Constituição
Federal.
Feitas essas considerações e parabenizando-os pela audiência, que
é muito importante, queria uma informação dos senhores. Uma vez
que a Defensoria Pública de Minas Gerais é uma verdadeira escola
preparatória para outros concursos, estamos perdendo valorosos
colegas que estão migrando para carreiras mais atrativas. Ela
estava junto com São Paulo, mas agora passou para o último lugar
do subsídio pago no Brasil. Minas Gerais é um Estado influente,
sempre arrancou na frente em tudo, politicamente falando. Sem
demérito para os Estados do Nordeste e os demais, Minas Gerais
sempre foi vanguardista e futurista politicamente. E não há que se
falar em política, porque o Rio Grande do Sul tem um governo do
PSDB, e o subsídio de lá foi equiparado ao do Ministério Público.
Aliás, já se foi o tempo de pedir equiparação com quem temos
paridade, que é o Ministério Público; hoje é com nós mesmos. O que
vai ter de bom para, no mínimo, segurar esses valorosos colegas
que estão na carreira? Hoje 90% da população são assistidos pela
Defensoria Pública do Estado. Houve a Força Nacional em Execução
Penal em Ribeirão das Neves, de que participaram 42 Defensores
Públicos de todo o Brasil. Houve mais de 1.900 pedidos deferidos,
com quase 200 pedidos de prescrição. Isso onera o Estado, tira a
dignidade do cidadão, cria problema para a família e para a
própria pessoa, porque ela perdeu a liberdade, mas não a
dignidade. Ficam, então, dois Brasis: um que pode pagar advogado,
e o outro que não pode. E afirmo a V. Exa.: o que não pode pagar
advogado estará tão bem como o que pode pagar. Acontece que a
migração é imensa, um verdadeiro rodízio, uma ciranda. Isso não
pode acontecer, pois estamos tratando dos direitos fundamentais da
pessoa humana, e refiro-me ao cidadão pobre, ou seja, àquele que
não tem acesso à Justiça. O princípio mais básico do ser humano é
o de peticionar, ou seja, de estar em juízo. Não estamos falando
em defender bandidos, mas eles também têm os seus direitos
resguardados pela Constituição Federal, apesar de terem infringido
a lei. Falamos sobre investigação de paternidade, ou seja, sobre
assuntos ligados à área da família, de que participo.
Com o advento da Lei nº 132, de 2009, que alterou a Lei
Complementar nº 80, passamos a ter legitimidade para a tutela
coletiva, ou seja, podemos representar grupos de pobres. Isso foi
um imenso avanço. Está na hora de o Estado de Minas Gerais ficar
sensível ao nosso apelo. Temos a nossa frente parlamentar de
sustentação neste Parlamento. Conheço vários Deputados e sou
vizinha dos senhores presentes. Tendo em vista que estamos,
lamentavelmente, em um país com pessoas carentes, tudo tem de
passar necessariamente pela Defensoria Pública. Na Vara da
Fazenda, há pedidos de remédios de pessoas que estão morrendo, os
quais têm de passar por um Defensor Público. Há 468 Defensores
Públicos na carreira, mas há cargos para 1.200. A realidade é
muito séria, pois há pessoas morrendo nas filas.
O que os Srs. Deputados têm de notícia para acalmarem os nossos
ânimos, pois estamos todos realmente muito preocupados com a
situação da Defensoria Pública mineira, que ocupa o último lugar
na Federação, o que é lamentável? Muito obrigada.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - O Estado de Minas Gerais reconhece
a importância da Defensoria Pública. Exporei alguns números, desde
2005, que demonstrarão inequivocamente o que disse.
A partir de janeiro de 2005, a remuneração inicial do Defensor
Público sofreu um aumento de 41%, passando de R$2.200,00 para
R$3.100,00. Em janeiro de 2006, ela passou de R$3.100,00 para
R$4.000,00. Ainda em 2006, foram criados 282 cargos, atingindo os
1.200 mencionados pela senhora. Em 2007, a fixação do valor de
subsídio passou dos R$4.100,00 para R$6.500 no período do estágio
probatório, e hoje é de R$7.000,00, podendo chegar aos
R$10.000,00. Ou seja, um salário que era de R$2.200,00 pode chegar
a R$10.000,00 atualmente. Toda essa política gerou um impacto
anual na despesa orçamentária do Estado no valor de
R$23.000.000,00. Ainda em relação aos recursos aplicados na
Defensoria, em 2003, o orçamento era de R$21.500.000,00, em 2009,
é de R$118.000.000,00 e, para o ano que vem, será de
R$121.700.000,00. O crescimento foi de 434%, no período, enquanto
o orçamento do Estado, como um todo, cresceu 95%. Vemos que, de
fato, o Estado priorizou a Defensoria Pública. Não podemos
aumentar e equiparar o salário do Defensor Público, de acordo com
as solicitações que nos chegam, de R$7.000,00 para R$22.000,00 de
uma só vez, mas, ao longo dos anos, temos trabalhado para melhorar
a situação, que sabemos não ser a melhor. A senhora comentou o
relatório, que já nos foi apresentado pelo próprio Defensor
Público-Geral e diz que Minas Gerais está em último lugar, mas
temos tentado aumentar o salário. Porém, temos de respeitar a
restrição orçamentária, mencionada várias vezes pelos Deputados
André Quintão e Zé Maia. O Deputado Zé Maia falou sobre isso de
maneira esplêndida. As demandas são infinitas, mas os recursos do
Estado são limitados. Há as demandas da Defensoria, mas há também
as da saúde, as da educação. O salário da educação é baixo, e há
greves. Os Agentes Penitenciários também fazem greve porque os
salários são baixos. Contudo, temos de respeitar a limitação
orçamentária prevista pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que não
permite que ultrapassemos aquele número que mencionei, de 46,55%.
Enviamos a proposta orçamentária já no limite. Não temos mais o
que fazer, pois a lei não permite que coloquemos mais dinheiro, a
não ser que a receita aumente e que possamos equacioná-la. Nesse
caso, teríamos de resolver também os problemas da saúde, da
educação, da defesa social e de todos os outros setores. Não
podemos resolver o problema de uma só vez. Tentei mostrar que o
salário era de R$2.200,00 e pode chegar a R$10.000,00. Temos
tentado equacionar ao longo do tempo, pois não conseguimos fazer
isso de uma só vez.
O que eu gostaria de dizer era exatamente isso, ou seja, que o
Estado de Minas Gerais dá importância à Defensoria Pública, mas
não consegue resolver o problema de um ano para o outro, da noite
para o dia. É um processo lento, mas é prioridade para o governo
de Minas Gerais.
O Sr. Presidente - Também gostaria de falar sobre a importância
da Defensoria Pública. Sou advogado. Como advoguei por mais de 12
anos, acompanhei de perto o trabalho da Defensoria Pública, que
exerce um papel importantíssimo ao levar a Justiça às pessoas que
não têm condições de contratar um advogado. Isso interfere na
lotação dos presídios, porque a atuação da Defensoria Pública
facilita a execução penal. Por falta de um acompanhamento
profissional da Defensoria ou de um advogado dativo, o preso
poderá cumprir sua pena e continuar preso por não ter alguém que
faça o pleito de sua liberdade. É fundamental o trabalho exercido
pela Defensoria Pública.
Houve grandes avanços no que diz respeito à Defensoria Pública. O
governo do Estado e a Assembleia Legislativa foram extremamente
sensíveis. A Defensoria Pública pode estar com problemas - como
você bem disse -, mas, se olharmos o seu histórico, verificaremos
que, nos últimos anos, houve avanços em Minas Gerais.
Evidentemente, esse processo continuará. Com a palavra, a Sra.
Anita, do Movimento Nacional da População de Rua.
A Sra. Anita Gomes dos Santos - Bom dia a todas e a todos. É com
imenso prazer que nós, do Movimento Nacional da População de Rua,
estamos presentes neste Plenário. Essa oportunidade nos foi
concedida a partir do PPAG passado, no qual conquistamos a
pesquisa estadual para a contagem dos cidadãos brasileiros que se
encontram jogados pelas ruas. Essas pessoas não são vistas como
seres humanos. Aqui na Assembleia, conseguimos comprovar que somos
cidadãos e temos direitos. O nosso Estado está de parabéns.
Não somos considerados nem como números pelo IBGE. Será um grande
marco para o nosso Estado. Agradecemos essa oportunidade e
solicitamos que esse processo seja agilizado, porque estamos num
momento de muitas chuvas, e as pessoas estão sofrendo pelas ruas.
Devemos olhar por toda a humanidade, pelos idosos, crianças,
adultos, enfim, por pessoas, para as quais existem políticas. Isso
é chique, maravilhoso, mas essas políticas não saem do papel.
Estamos lutando, em âmbito nacional, para que isso aconteça na
vida de todos os cidadãos. O papel aceita qualquer coisa, mas
queremos a realidade.
Deputado André Quintão, agradecemos muito a sua participação
nesse processo. Agradecemos também a todos que contribuíram para
esse reconhecimento, porque somos pessoas invisíveis para a
sociedade, não somos considerados gente, mas há muita gente boa e
produtiva pelas ruas da cidade. Precisamos de oportunidades, a fim
de nos mostrarmos não por meio de roupas, mas por meio de muitas
coisas que existem dentro de nós.
Gostaríamos que nos apoiassem nessa emenda para que sejam feitos,
depois dessa pesquisa, seminários regionais e para que seja
ampliado e divulgado esse trabalho que será realizado, para que
toda a sociedade tenha consciência de que todos somos iguais,
todos somos irmãos, todos somos gente, todos queremos contribuir
para a transformação deste país.
Na segurança alimentar, vemos que todos têm direito à
alimentação. Pensamos que ninguém quer o final, o restinho do
bolo. Queremos justiça social. Queremos direitos iguais. Que Deus
abençoe a todos e que tenhamos um bom debate.
O Deputado André Quintão - Reitero a solicitação da Anita e do
Movimento Nacional. A emenda foi aprovada no ano passado, no Plano
Plurianual para este ano. André Reis, já houve a liberação para a
Sedese. Na Conferência Estadual de Assistência Social, foi
assinado um termo de cooperação com a CNBB, com o Movimento
Nacional da População de Rua, com o apoio do Fórum População de
Rua, da Cáritas e da Pastoral de Rua. É importante que isso seja
operacionalizado de forma ágil. Obviamente, a pesquisa se
concentrará em dezenas de cidades mineiras. É a primeira vez em
que teremos um diagnóstico da situação da população de rua num
Estado fomentador de políticas públicas direcionadas a esse
público, por intermédio do Suas e de outras políticas públicas.
Reitero a importância disso.
Uma luta nacional foi verbalizada pela Anita na Conferência,
Deputado Zé Maia, ao mencionar que o fato de a população de rua
não ter endereço faz com que, além de não ser contada na
estatística, seja excluída de alguns programas sociais voltados
para essa população, como o próprio Bolsa-Família e outros
programas. O reconhecimento formal da existência da população de
rua, ainda que numa situação transitória, pode ser benéfico,
inclusive para o reconhecimento das pessoas como sujeitos e para
que tenham acesso a determinadas políticas públicas que exigem
esse reconhecimento formal. Reitero o pedido da Anita para que o
órgão gestor operacionalize essa pesquisa rapidamente.
O Sr. Presidente - A Sra. Lourdes Brandão, consultora
especialista de Brasília, da Cooperativa Trilha-Mundos, parabeniza
a Assembleia Legislativa pela iniciativa democrática do
planejamento estratégico do Estado de Minas, no PPAG 2008-2011.
Ela deixa seu “e-mail”: brandaolourdes@yahoo.com.br. Agradecemos
sua participação. O Mário, do Consea-MG, deseja fazer uma
pergunta.
O Deputado André Quintão - O Mário levou a segurança alimentar ao
pé da letra e saiu para se alimentar. É um bom Conselheiro do
Consea, pois foi se alimentar.
O Sr. Presidente - Ele está colocando a teoria em prática. O Sr.
João Lopes do Nascimento, do Fórum Mineiro de Economia Solidária,
deseja fazer uma pergunta.
O Sr. João Lopes do Nascimento - Boa-tarde a todos e a todas.
Cumprimento os componentes da Mesa, todos os Deputados presentes e
o representante do Seplag. Meu questionamento é direcionado a
Thiago Toscano, mas, como ele já se retirou, pode ser respondido
pelo representante da Seplag.
O Fórum de Economia Solidária está realizando feiras em todo o
Estado. Não deixamos de realizá-las no ano passado e neste ano
estamos na etapa final de execução. Amanhã teremos, na Praça da
Assembleia, a Feira de Economia Solidária. Teremos mais de 160
empreendimentos econômicos solidários expondo seus produtos e
mercadorias. Há uma demora expressiva no repasse dos recursos para
execução das feiras. E temos metas e prazos para sua execução, o
que dificulta a sua realização. É necessário rever o repasse dos
recursos para essas feiras.
Também queremos apresentar nossa indignação pela retirada da ação
tratando de feiras do PPAG no Orçamento para o ano que vem e para
o outro ano, 2010-2011. O movimento está preparando um manifesto
com a presença de todos os empreendedores. Vamos preparar um
documento, faixas e cartazes reivindicando ao Governador os
recursos para a execução das feiras, porque os empreendimentos
econômicos solidários estão gerando trabalho e renda para as
famílias. Por isso vamos mostrar a nossa indignação. Todo o
movimento estará na feira apresentando o seu manifesto de
indignação. Precisamos de mais recursos para a execução das
feiras, precisamos de recursos para a realização da 2º Conferência
Estadual de Economia Popular Solidária, que acontecerá no ano de
2010. Esse é o meu questionamento, é o questionamento do
movimento. Estaremos todos aqui amanhã e também teremos
representação nos grupos de estudo de hoje à tarde. Muito obrigado
a todos.
O Sr. André Abreu Reis - João, tenho acompanhado de perto a
formação do fundo de economia solidária, mas sobre a emenda,
talvez tenhamos que passar essa cobrança para o próprio gerente.
Na revisão, não apenas nesse caso específico, mas em todas as
emendas dedicadas à unidade orçamentária, como órgão central de
coordenação do planejamento, coordenamos a execução dessa política
dentro do Estado, mas não temos como obrigar o gestor a ter uma
política na sua agenda. O gestor tem autonomia para decidir se vai
continuar ou não. E o gestor pode estar sensível às demandas,
principalmente nessas audiências que acontecerão até sexta-feira.
Todos os anos, durante o processo de revisão, entramos em contato
com os gestores para falar sobre as emendas de participação
popular e mostrar a preocupação da Secretaria de Planejamento na
sua continuidade. Muitas vezes não temos sucesso e as pessoas
acabam retirando essas ações. Pedimos sempre que justifiquem o
porquê da retirada da ações, mas uma conversa a respeito dessas
motivações e o que condicionou essa tomada de decisão pode ser
colocada dentro do próprio grupo para saber exatamente o motivo da
retirada disso da agenda do governo para 2010.
No que se refere à liberação de recursos, não sei especificamente
a respeito dessa ação. Nas emendas populares, nas emendas da Casa,
houve atrasos na execução de diversos projetos do Estado, boa
parte em decorrência da crise fiscal do início do ano. Esperamos
um cenário melhor, como de fato está ocorrendo desde agosto. Nesse
caso, não sei falar a respeito da liberação. É preciso entrar em
contato com a Secretaria. A informação é de que a liberação
orçamentária - R$200.000,00 - já ocorreu. Temos que saber
exatamente por que isso ainda não chegou. Talvez o próprio órgão
da Secretaria de Desenvolvimento Social possa explicar ao senhor
com maior clareza os motivos.
O senhor falou a respeito de retirada da ação. Isso deve ser
discutido com o gestor. Na Secretaria de Planejamento, discutimos
todos os anos as emendas de participação popular e também as dos
Deputados. O gestor sabe. Publicamos as informações que temos a
respeito disso. Se elas são insuficientes, é importante que sejam
mostradas para ele. Sobre a liberação de recursos, da nossa parte
ela já ocorreu. É preciso saber na Sedese o que está ocorrendo,
para que possamos fazer com que de fato o dinheiro chegue.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - José, o André se expressou bem. Não
conseguimos instruir o órgão sobre como deve proceder. Apenas
orientamos. Eles fazem as escolhas. Em 2009, foram alocados, por
meio de emenda popular, R$350.000,00 para a economia solidária,
dos quais R$200.000,00 foram liberados. O que o órgão fez? Para
2010, a ação foi excluída porque foi aglutinada em outra, que é a
nº 4.643. Foram alocados R$617.695,00 na ação. Ela existe, não foi
excluída. Se vocês acharem que a aglutinação não é boa para a
execução da ação, é possível fazer um requerimento, uma
solicitação, preenchendo um formulário e solicitando a quebra da
ação para que volte ao que era. A ação de que estou falando é a nº
4.643, Implementação da Política Estadual de Fomento à Economia
Popular Solidária.
É interessante lembrar que, além de não ser excluída, ela deixou
de ser emenda popular e foi incorporada ao orçamento do Tesouro.
As emendas populares tinham um processo diferente. Houve problemas
e agora estão incorporadas ao orçamento e não dependem mais da
liberação da emenda, pois já são recursos do orçamento da
Secretaria de Desenvolvimento Social. Por isso essa ação está
disponível e não depende de trâmite especial. Basta executar. Há
um volume de recursos que é quase o dobro do alocado em 2009.
O Deputado André Quintão - Farei um comentário. Primeiro,
concordo com o João Lopes, do Fórum Mineiro. André, no fluxo de
liberação deste ano, houve um atraso da liberação para o orçamento
da Sedese. Esse órgão começou a organizar as feiras, cujo
calendário é anual. Não há como concentrar as feiras em um ou dois
meses, até porque o processo é concluído com a feira estadual, que
terá abertura amanhã. A Sedese começou a utilizar recurso dela, de
outra rubrica, e no dia 15 houve a liberação. Talvez seja
necessário organizar o fluxo de liberação porque as feiras têm
calendário próprio, conforme a região, e o Fórum também. Não há
como o Fórum organizar feiras regionais simultâneas. É um
processo.
A feira, para quem não sabe, além da comercialização, é um espaço
de capacitação e de estímulo ao empreendedorismo. Há nela um
sentido próprio de economia solidária, de organização de uma nova
forma de produzir, comercializar e distribuir a renda. Para a
liberação do próximo ano, o movimento tem falado sobre um fluxo
mais racional com a própria dinâmica de organização das feiras.
Parece-me, e na audiência específica dessa ação verificaremos
isso, que houve aglutinação das duas ações, da manutenção no
Orçamento, mas não ocorreu ampliação desse Orçamento. Havia uma
ação de capacitação e uma ação de realização das feiras. Houve
aglutinação na política de economia solidária, mas não houve a
soma do recurso. Teremos de verificar isso num debate específico.
Se eu estiver correto em minha avaliação, seria o caso de recompor
o recurso, até em razão de sua importância.
Reitero o convite a quem está aqui hoje e a quem acompanha nossos
trabalhos pela TV Assembleia para visitarem essa feira estadual
amanhã, quinta-feira, e na sexta-feira. Os produtos são de boa
qualidade, geram renda e estimulam uma nova forma econômica de as
pessoas se organizarem. Na Conferência Estadual de Economia
Solidária, pode-se acrescer a finalidade na ação aglutinada,
obviamente com recurso adicional.
O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. Gilberto, do Movimento
Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis.
O Sr. Gilberto Walace Chagas - Quero fazer uma observação sobre
as votações do PPAG. Para nós, é muito importante participar deste
debate como participante de um movimento social e como cidadão.
Preocupa-me, enquanto companheiro da Economia Solidária, tudo no
Estado parecer funcionar em pacotinho. Darei dez para os pobres
ali. Dez para eles, dez para os outros, e a coisa será resolvida.
Quanto ao PPAG de resíduos sólidos, havia um valor para coleta
seletiva. Se não me engano, eram R$2.000.000,00. Parece que
cortaram alguns zeros, e o recurso foi para R$200.000,00. Ouvindo
o companheiro falar, pensei nos pacotes. Caso possam me
esclarecer, queria saber se a coisa está mesmo sendo tratada
assim. Se assim for, os movimentos sociais terão de se juntar para
ocupar espaços, como já ocupamos esta Casa por várias vezes. Está
na hora de os políticos pararem com tanta balela. Eles têm de
entender que trabalham para a gente. Nós é que pagamos os salários
de vocês. Ninguém nos está fazendo qualquer favor.
Por exemplo, se o pessoal da Economia Solidária pleiteia feiras,
por que não? Tudo depende da agenda do gestor, que, se acordar de
bom humor, poderá aprovar, ou mesmo se ele “for com a cara” do
grupo A ou B. Não pode ser assim. Nós, catadores, assim como o
pessoal da Economia Solidária e da população de rua, discutimos
nossas reivindicações. Estabelecemos o porquê das coisas, que têm
de ser tratadas com mais seriedade. Gostaria de saber se essa
verba foi mesmo cortada do PPAG, quanto aos resíduos sólidos.
Obrigado.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Qual é a ação? Você possui seu
código?
O Sr. Gilberto Walace Chagas - Trata especificamente de coleta
seletiva de resíduos sólidos.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Já identifiquei. Os recursos são da
Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Na
verdade, não se trata de pacotinho. Pelo contrário, os recursos
estão dentro de projeto estruturador. Ao contrário de muitas
legislações aqui mencionadas, como está dentro de projeto
estruturador, há um pouco mais de prioridade. Não eram
R$2.000.000,00; não foram cortados zeros. Eram R$1.200.000,00, se
não me engano, mas passou para R$200.000,00. Como se dá esse
processo de elaboração? No caso da Secretaria de Meio Ambiente, os
recursos são próprios. Quando organizamos o projeto, como ela tem
o recurso definido, ela mesma faz a alocação. Quando diminuiu o
recurso nesta ação, certamente aumentou em outras ações.
O valor total do projeto é praticamente o mesmo. Caiu um pouco,
de R$10.000.000,00 para R$8.800.000,00. Nas audiências públicas
que serão realizadas à tarde, essa consideração que o senhor fez
deverá ser apresentada para o gerente do projeto, para não
incorrermos no mesmo problema do sistema socioeducativo. A Seplag
traça os limites orçamentários, mas não pode impor como o gerente
alocará os recursos em cada um dos programas, para não tirarmos a
autonomia dos órgãos. Estou impossibilitado de alterar a alocação
dos recursos. Essa abordagem é importante, mas deve ser feita ao
gerente do projeto nas discussões, nos grupos de trabalho,
especificamente no projeto estruturador Resíduos Sólidos.
O Deputado André Quintão - Thiago, reitero a intervenção do
Gilberto, do Movimento Nacional, porque alcançamos uma conquista,
que foi a Lei Estadual de Resíduos Sólidos, sancionada neste ano.
Um dos pontos mais importantes dessa lei é incentivar os
Municípios a erradicarem os lixões, estimulando a coleta seletiva.
Nesse processo, é preciso priorizar a contratação de associações e
cooperativas de catadores de materiais recicláveis, vinculando a
questão ambiental à questão do trabalho e renda. Há uma lógica
nisso. No grupo de trabalho, será importante verificarmos por que
houve essa redução.
Aproveito para lembrar que essa lei prevê a criação de um fundo
estadual de resíduos sólidos, que depende de regulamentação. Há um
debate à espera da lei nacional de política de resíduos sólidos.
Mas é importante que os recursos para a coleta seletiva não sejam
diminuídos. Depois, teríamos de identificar, pois de
R$10.000.000,00 caiu para R$8.800.000,00, diminuindo
R$1.200.000,00, Não poderei dizer que foi isso, porque temos de
ouvir a exposição, à tarde, do gestor.
Concordo com o Gilberto que, hoje, coleta seletiva é uma demanda
muito presente na sociedade brasileira e mineira.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Só complementando, Gilberto, pois
essa informação é importante para você argumentar com o gerente,
porque, no PPAG, você não conseguirá abri-la por grupos de
despesa. Em 2009, ela recebeu R$200.000,00 de custeio e
R$1.000.000,000 de capital. A execução de custeio está em
R$124.000,00, e a de capital está zerada. A pergunta a ser feita
é: por que não se está executando o investimento que está nessa
ação?
No orçamento de 2010, estão previstos R$200.000,00 para custeio.
O custeio da ação é o mesmo, mas não está havendo investimento.
Não saberei justificar por que o gerente do projeto não está
colocando o investimento para a ação. Isso deve ser discutido no
grupo de trabalho mesmo.
O Sr. Presidente - Há três perguntas escritas. Eu as farei em
bloco para a Mesa responder.
Pergunta de Florisbela Alves Mourão, da Associação Feminina
Evangélica Comunitária, ao Deputado André Quintão: “As pessoas da
melhor idade não estão sendo respeitadas pela sociedade. São
“janeladas” nos pontos de ônibus. Já cansei de ver, já reclamei, e
continua do mesmo jeito”. “Janelada” é um termo usado para quando
o ônibus passa e deixa a pessoa no ponto.
A Sra. Silvânia Barrozo, do Conselho Estadual do Idoso de Minas
Gerais, presente à Mesa, pede explicação sobre a não execução de
programas e ações voltados ao idoso no PPAG do ano passado.
O Vereador Arcanjo Nunes dos Santos, da Câmara Municipal de
Araçuaí, pergunta a Thiago Toscano: “O Vale do Jequitinhonha tem
um apelido feio, de Vale da Miséria. Isso é muito triste para seus
habitantes. Araçuaí é uma cidade-polo do Médio e encontra-se em
péssimo estado de conservação, mesmo sendo uma cidade de 138 anos,
completados no dia 23/9/2009. Como o governo poderá nos
promover?”.
O Deputado André Quintão - A Florisbela aborda uma questão que,
infelizmente, é cultural, de desrespeito da sociedade em relação
ao idoso em vários aspectos, como da acessibilidade, do respeito
afetivo, da sexualidade, do lazer. É uma discriminação própria da
sociedade capitalista que prioriza a produção. As pessoas valem
enquanto produzem.
Então, aquelas pessoas que estão fora do processo produtivo
porque já deram sua cota de contribuição ou porque têm uma cota de
produção reduzida face a alguma diferença - pessoa com deficiência
ou outra dificuldade - são excluídas. Essa é uma questão cultural,
mas depende de muita ação do Executivo. Lembro-me de que fui
Secretário de Desenvolvimento Social em Belo Horizonte, quando o
atual Ministro Patrus foi Prefeito. Nessa condição, presidi o
Conselho Municipal do Idoso, em Belo Horizonte. Uma das primeiras
iniciativas, por sugestão do Conselho do Idoso, era exatamente uma
campanha de conscientização de usuários, motoristas e cobradores,
porque o idoso tinha a carteira da acessibilidade, mas enfrentava
dois grandes problemas. Em primeiro lugar, o degrau do ônibus era
muito alto, então o idoso tinha dificuldade de subir. Num processo
gradativo, a BHTRANS rebaixou o degrau, porque o idoso tinha
problema para subir, podia cair e se acidentar. O outro problema
era o desrespeito. Os usuários não respeitavam a reserva de vagas,
e muitas vezes - não podemos generalizar - motoristas e cobradores
tratavam o idoso sem a calma necessária para esperá-lo entrar,
para esperá-lo descer, não paravam, além de tratá-lo
desrespeitosamente.
Vale aqui uma reflexão sobre as questões do transporte. No caso
do Estado, é uma ação de transporte intermunicipal. Em cada
Município há os órgãos de transporte e trânsito. A Silvânia tem
razão. Mencionei, “en passant”, que há uma baixa execução de
emendas relacionadas à terceira idade, principalmente no caso da
instituição de longa permanência - ILP. Lembro-me de que algumas
emendas foram apresentadas principalmente focadas no idoso que
está nessas ILPs. E não houve compreensão por parte do órgão
gestor de utilização daquela emenda. Por exemplo, havia uma emenda
na área de esporte para apoiar e facilitar o acompanhamento dos
idosos na ILP. Então, o responsável pela área de esporte afirmava
que estava executando o programa Ginástica na Praça, por exemplo,
que era um outro perfil. Logo, há um problema de entendimento do
órgão gestor de assimilação de ação nova.
São duas as lacunas de baixa execução, nesse caso até de
desconhecimento. Era o caso das medidas socioeducativas e o das
emendas. Foram duas as áreas com mobilização emergente ano
passado: a área de esportes e a área da política para a terceira
idade, para o idoso. Há uma lacuna. É preciso que os grupos de
trabalho tenham uma atuação decisiva, inclusive criando mecanismos
de monitoramento através do próprio Conselho do Idoso, mas
concordo que essa é uma lacuna.
Por fim, Vereador Arcanjo, de Araçuaí, posso imaginar a resposta
do André e do Thiago: “Você viu aquele quadro? O investimento “per
capita” no Jequitinhonha foi o maior de todas as regiões. Nunca,
na história deste Estado, investiu-se tanto no Vale do
Jequitinhonha”. Acho que existem iniciativas que devem ser
consideradas, sim, como o processo de aceleração da aprendizagem,
o Proacesso, e agora o trabalho da Copanor, mas, independentemente
da atuação do Estado - poderia falar o mesmo sobre o governo
federal -, há a Universidade Federal em Teófilo Otôni, haverá o
Ifet em Almenara e o Ifet na própria cidade de Araçuaí.
Farei duas reflexões, uma para o governo estadual e outra para o
governo federal, por se tratar de região que precisa de aporte de
política pública dos dois entes. Alguns projetos que o governo
desenvolveu para a região este ano, neste período foram muito
assistenciais. Acho que há necessidade de uma lógica de
desenvolvimento econômico integrado com a questão social. É uma
leitura que faço. O governo pode dizer que o Proacesso está nessa
lógica. Mas não adianta fazer o Proacesso se não houver indução de
desenvolvimento econômico. É lógico que, sem o Proacesso, fica
difícil a indução. Mas não basta ter o Proacesso.
Acho que se deve fazer uma reflexão de desenvolvimento regional e
ver, de fato, as vocações. Temos lá o grave problema de atividade
minerária clandestina. Temos ainda lacunas na formação de mão de
obra. Temos um nível de migração grande. Há cidades em que de 30 a
35% da população adulta ainda sai para o corte de cana e colheita
de café. Isso ocorre na própria cidade de Araçuaí. São questões
que Minas não comporta mais.
E temos, do ponto de vista de logística, um gargalo, que é a BR-
367. Lutamos para incluir no PAC a ligação de Minas Novas a
Chapada, Chapada a Berilo, Berilo a Virgem da Lapa. São 40 a 50km,
que hoje são de terra. E lá, na ponta, de Almenara a Salto da
Divisa. Então, tem-se 80 a 90km que cumprem a Rota do
Descobrimento, que é a ligação de Diamantina ao Sul da Bahia. Isso
é o para casa para o governo federal, que, aliás, viabilizará o
Proacesso para Santo Antônio do Jacinto e para a própria cidade de
Chapada do Norte. Acho também que é uma grande movimentação - e
principalmente a Cemig poderia ser mais parceira -, que é o Link
Faltante: José Gonçalves de Minas a Virgem da Lapa. São 40km,
passando por Lelivéldia, Distrito de Berilo. Temos ali Irapé, uma
grande obra, mas esperávamos ações complementares. Se fizermos a
vinculação do Link Faltante de José Gonçalves de Minas a Virgem da
Lapa, associando-o a outro Link Faltante - Grão-Mogol a Irapé, e
Grão-Mogol recebeu ligação asfáltica do Proacesso -,
economizaremos 150km de Araçuaí a Montes Claros. Se você tem uma
usina de biocombustível em Montes Claros e quer levar as
oleaginosas a Montes Claros - e a ideia é estimular as oleaginosas
no Jequitinhonha -, fazendo-se esses dois Links Faltantes haverá
uma economia de logística de 150km.
Poderia dar outro exemplo, mas é só para vocês verem que ali, na
região, não basta apenas pensar nas ações de assistência das
cooperativas, do que a Secretaria Extraordinária faz, do Leite
pela Vida, com dinheiro federal, do Programa de Combate à Pobreza
Rural - PCPR -, de apoio às associações, isso tudo é muito
importante. Mas eu pensaria de maneira mais estratégica, que é
tomar a questão da alimentação escolar na região e o agricultor
familiar e ver como se potencializa a Agricultura Familiar naquela
região, para concordar com o Vereador Arcanjo, usando seu
“slogan”: “É só querer que dá pra fazer”.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Silvânia, em relação à não
execução, a Regina informava-me... Depois passaremos a palavra a
você a fim de confirmar a afirmação, mas parece que a emenda a que
você se refere não foi aprovada e, por isso, não foi citada. A
emenda não desaparece dos relatórios. A Regina vai-se pronunciar.
A Sra. Regina - Na verdade, a emenda foi aprovada no ano passado.
E, na primeira revisão, em 16 de abril, foi feita uma modificação.
A informação que recebemos é que ela saiu do estruturador, não foi
aprovada como emenda, mas considerada subemenda na área de
resultado Vida Saudável, programa Incentivo ao Esporte.
Ela foi aglutinada ao programa Idosos na Praça. Mas o programa
não existe ali, ou seja, foi aprovado no PPAG do ano passado;
depois, nas revisões, foi feita modificação - nem soubemos que
tinha sido feita -, aglutinada a outro programa da Secretaria de
Saúde. Ele não apareceu no relatório que temos. Tentamos fazer um
relatório do que ocorreu. Resultado: todos reclamam em relação às
crianças e aos adolescentes; todos têm a sua demanda; mas hoje
mais de 14% da população do Estado é de idosos. As instituições de
longa permanência não têm amparo significativo nas execuções de
suas ações, que são privadas; a maioria delas, caritativas. Nosso
intuito é que o Estado efetive alguma ação na área de educação, ou
de saúde ou de esporte para somar benefício ao idoso. Não vi
ninguém aqui levantar uma ação a favor do idoso. No ano passado, a
nossa fala foi bonita, mas até agora não resultou em nada. Muitos
perguntam onde está o gestor, o recurso do Idosos na Praça, que
não aconteceu. Quer dizer, recebemos um pequeno relatório, em que
não consta nada em relação ao idoso. O que existe de modificação
consta nos Cras, nos Creas, no que está colocado para a população
de forma geral em termos de assistência social. Pergunto: de lá
para cá, o que foi feito para o idoso? Nada.
A Sra. Aparecida Maria - Cara companheira Silvânia, gostaria de
saber se você pertence ao conselho da PBH, que fica na Rua
Espírito Santo. Pois é, infelizmente você está um pouquinho por
fora. Existe o grupo Vida Saudável, do qual sou voluntária. Se
você quiser participar dele, a Dra. Ângela irá auxiliá-la
bastante. Fica na Secretaria dos Direitos de Cidadania, e a Sílvia
Helena é a nossa Secretária Adjunta. Defendemos os idosos, sim. Já
levei idoso de outra região para o Barreiro para ganhar moção dada
em Brasília. Quando mencionei que no interior de Minas os idosos
andam nos ônibus, você não aproveitou a oportunidade. Estou aqui
pedindo encarecidamente a vocês que olhem os idosos dessa forma.
Tenho 51 anos, juventude de 21, mas sei que chegarei aos 100. Sou
do signo da Dercy Gonçalves, câncer. Por isso sou muito feliz. Sou
mulher do campo e da cidade, viajo muito, faço palestras. No
entanto, você se esqueceu de dizer o que lhe pedi. Estou
complementando por você, minha cara. Muito obrigada. Tudo de bom.
Dercy chegou a 100, eu chegarei a 200; em espírito, tenho mais de
2 mil anos.
O Sr. Presidente - Quero fazer um esclarecimento. Consta aqui que
a Gláucia Barros e o Silvério ainda apresentarão questionamento.
Como já o fizeram, pergunto se farão outros questionamentos.
Apenas um minuto, Silvério. O Dr. Thiago responderá à questão
anterior.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Silvânia, a Regina estava me
explicando a questão, mas depois poderemos lhe explicar
detalhadamente. A ação foi aglutinada e, em sua finalidade,
consegue-se verificar que consta a questão do idoso. Se ainda não
estiver claro ou não atender da melhor forma, pode-se apresentar
uma emenda, do modo que você julgar mais adequado. No relatório
que me foi entregue consta a emenda, inclusive a execução
orçamentária. No final da reunião, poderemos equacionar a questão.
Em relação ao que disse o Dr. Arcanjo, o Deputado André Quintão
já falou sobre a forma como os investimentos foram regionalizados.
Quando pegamos a regionalização, vemos que a Região Norte, a do
Vale do Jequitinhonha e a do Vale do Rio Doce foram as que
receberam a maior parte dos investimentos. É a forma como está
colocado lá. Além disso, a partir de 2007, quando fizemos a
revisão do PPAG, incluímos um novo projeto estruturador de atração
de investimentos para aquela região específica, ou seja, hoje, o
Instituto de Desenvolvimento de Minas Gerais - Indi - coordena um
projeto estruturador para atração de investimentos nessa região.
Aquela usina de biodiesel da Petrobras faz parte do projeto
estruturador, e é o gerente do projeto que, com as negociações,
tenta atrair ou criar as condições para que a usina seja
implantada. Não me lembro de cabeça, mas há uma outra indústria, a
Maísa Bovinos, que, a partir desse projeto estruturador, foi
levada para a região, indo ao encontro, André, daquilo que você
disse, ou seja, criar o desenvolvimento sustentável, não o
assistencialismo na região. Além dos investimentos feitos pelo
Proacesso, há essa questão da atração de investimentos, que
acreditamos vai desenvolver a região. É óbvio que, como ele
esclareceu, isso não acontece da noite para o dia. O impacto não
acontece do dia para a noite nem em todos os Municípios da região
- 178 Municípios na região do Idene.
Em relação aos “links” faltantes, há o projeto estruturador, que
também cria projetos, mas sabemos que os recursos são limitados.
Apesar disso, têm elaborado projetos de engenharia, para que sejam
feitas obras nos “links” faltantes, que representam uma série de
demandas no Estado. Não dá para atender a todo mundo, mas temos de
ver como isso está no PPAG. Vai haver uma discussão do grupo de
trabalho Potencialização da Logística no Triângulo Mineiro e no
Alto Paranaíba. Aí há uma ação específica para as outras regiões
do Estado.
Em relação à BR-367, estivemos, em Brasília, há duas ou três
semanas, apresentando um “portfolio” de projetos dos Deputados
Federais, para que pudessem fazer emendas ao orçamento do Estado
para execução dessa obra. Eles estão com esse “portifolio” em
mãos. Na época, não me lembro qual Deputado me disse que essa obra
entraria no PAC, por isso não precisaríamos fazer emendas, mas, de
qualquer maneira, ressaltamos para os Deputados Federais essa
necessidade também.
O Sr. Presidente - Vamos ouvir a Gláucia Barros e, depois,
faremos a pergunta do Silvério do Prado.
A Sra. Gláucia Barros - Não vou fazer exatamente uma pergunta,
mas três reiterações. A primeira é ainda em relação aos
indicadores de impacto. O Sr. Tadeu entendeu perfeitamente qual
era o nosso objetivo ao solicitar uma avaliação um pouco mais
profunda das políticas públicas, desenvolvidas sob o marco do
Plano Plurianual, exatamente porque entendemos o nosso dever, o
nosso papel, como sociedade civil organizada, de tentar garantir
um diálogo fundamentado com o próximo governo acerca da defesa
daquilo que deu certo e da correção, do aprimoramento daquilo que
ainda é deficiente no Estado. Gostaria, aí, de fazer uma sugestão,
se o senhor me permite. Em várias atividades do plano, consta como
ação orçamentária a contratação de avaliações. Talvez, no escopo
desses editais, o governo pudesse incluir o levantamento de
indicadores. Além disso, a parceria com as universidades é muito
importante. Hoje há várias universidades - a PUC Minas é uma delas
- que têm bases de indicadores já consolidadas para a medição de
qualidade de vida urbana, inclusive.
Uma pessoa que estava aqui, funcionária da Seplag, que trabalha
na Auditoria-Geral do Estado, também já me deu uma dica de que se
encontra à disposição no “site” um relatório avaliativo, que
parece conter pesquisa de percepção a respeito dos programas,
especialmente os estruturadores. Esse é um desafio. Em nome dos
movimentos que represento, coloco-me à disposição para atuar de
forma integrada. Isso é muito importante para, de fato, fazermos
história.
A segunda reiteração, Drs. Thiago e André, é em relação à
solicitação da Elvira, que, na verdade, é antiga. Em outras
edições de discussão do PPAG, já solicitávamos, na apresentação
das propostas orçamentárias, um anexo contendo o OCA, que é o
Orçamento Criança e Adolescente. Seria interessante, então, que
pudesse ser objeto não só da discussão no momento da avaliação das
propostas de lei, mas também dos relatórios de monitoramento. Já é
do conhecimento dos senhores que existem metodologias consolidadas
para traçar exatamente aquelas proporcionalidades que os senhores
disseram ser complicadas, ou seja, como medir, dentro do orçamento
enorme da saúde, o que foi efetivamente destinado para a criança e
o adolescente. Já existem metodologias desenvolvidas,
especialmente no âmbito dos Municípios.
A terceira reiteração, Deputado Zé Maia, diz respeito à
avaliação, ponderações e reivindicações feitas pelo Dr. Márcio. Ao
contrário do que o senhor entendeu, não é uma avaliação pontual
nem tampouco individual. É uma avaliação que todos os movimentos
de defesa dos direitos da criança e do adolescente fazem da
política de atendimento ao adolescente autor de ato infracional no
Estado. Sinto informar que, infelizmente, temos dados que
comprovam: o sistema de atendimento socioeducativo do Estado de
Minas Gerais, sob a gestão do governo, é caótico.
O Sr. Presidente - Com a palavra, o Sr. Silvério do Prado, da
Fesempre-UGT, para a sua pergunta. As duas questões serão
respondidas em bloco.
O Sr. Silvério do Prado - Boa-tarde a todos e a todas,
principalmente o meu muito obrigado à Assembleia por dar
oportunidade a nós, cidadãos, de participar deste momento tão
importante do PPAG, um plano a longo prazo. Aliás, até gostaríamos
de ter participado também de todos os planos a curto prazo.
Agradecemos sobretudo à GPI pela dedicação que normalmente tem de
nos convidar para participarmos dessas atividades emanadas da
Assembleia. Queremos dizer que o futuro passa pela Assembleia,
sim, mas gostaríamos de ter certeza de que no futuro poderemos
dizer que temos uma Minas melhor para se viver. Estou aqui
exatamente para representar a ala educacional, principalmente
porquanto somos assessores educacionais da Federação e da UGT.
Temos um compromisso muito sério com a educação e, neste momento,
queríamos lembrar aos Deputados que precisamos muito de todos os
senhores e também do Executivo, para depois sancionar as 249
emendas das 1.002 do Plano Decenal de Educação, que aprovamos
neste Plenário e encaminhamos à Comissão de Justiça. Ela já enviou
o material aos demais Deputados, que provavelmente devem estar
emitindo seus devidos pareceres. Precisamos, e muito, que haja uma
grande sensibilização em relação a essas emendas, que foram o eco
dos anseios de toda Minas Gerais, já que - parece-me - em 2006 as
propostas apresentadas no Congresso caíram um pouco no vazio.
Gostaríamos que essas propostas fossem realmente bem analisadas,
aceitas e aprovadas.
Não poderíamos deixar de mencionar, já que estamos tratando de
PPAG, algo que realmente nos preocupa muito, que é a garantia de
recursos orçamentários para implementar as metas para a educação,
ou seja, as ações e metas traçadas em termos de aumento de
investimento em educação, no mínimo, com um valor de 1% do PIB de
Minas Gerais, a cada ano, nos próximos 10 anos, sem prejuízo
percentual em relação ao já previsto em lei; que haja realmente a
implantação do piso nacional para os professores, e que esse piso
não seja único e parado, pois queremos que ele seja apenas um
ponto de partida, para que os trabalhadores da educação tenham um
pouco mais de ânimo e desenvolvam, nos jovens, a vontade de
novamente entrar para faculdades, escolherem carreiras que,
antigamente, eram bastante apreciadas.
Esses profissionais eram bastante admirados, mas, hoje, não posso
dizer que as escolas estaduais de Minas Gerais sejam o melhor
lugar para nossos filhos estudarem, devido aos grandes problemas
que nelas acontecem. Não desejamos uma escola de referência, mas
que todas sejam de referência, pois não queremos medidas
paliativas. Gostaríamos que houvesse realmente um pouco mais de
direcionamento das verbas necessárias para o desenvolvimento da
educação. Não somos contra o Centro Administrativo faraônico, de
R$1.200.000.000,00, mas somos contra a falta de recursos para a
educação e para a saúde. Muitas vezes, esses profissionais entram
em greve e deixam os usuários em situação difícil, pois, com
certeza, não há uma gestão responsável, equilibrada e com visão de
futuro melhor, para que Minas Gerais possa respirar democracia,
como fazemos aqui, agora, respirando democracia representativa e
participativa.
Muito obrigado, Deputado e presentes que usaram o microfone para
defender os seus ideais e as suas causas. Não sabemos se haverá
possibilidade de, nos grupos de trabalho, novamente expormos todo
o Plano Decenal, mas, no “site” da Assembleia Legislativa, em que
o GPI é muito eficiente, vocês podem tomar conhecimento dele, para
que, na sexta-feira, possam reforçar o que pedimos agora. Não sei
se, na sexta-feira, estarei presente, pois participarei também de
um fórum sindical dos trabalhadores. Os problemas são muitos, mas,
com autoestima, poderemos resolvê-los. Encerrarei com uma poesia
que fiz: “Alta autoestima. Pensemos. Podemos. Passemos. Agora,
estamos, seremos, permaneceremos, queridos, amados, idolatrados.
Sabem por que? Sabemos o que queremos. Somos”.
O Sr. Presidente - Gláucia Barros, há um dado subjetivo que é
importante para a discussão. Não sei se você tem dados objetivos.
Seria importante expô-los, porque tenho realizado, na Assembleia
Legislativa, um trabalho muito grande para não ficarmos apenas na
retórica, pois isso é muito ruim, já que é muito fácil oferecer um
dado. Tenho lutado muito contra a relativização da discussão. Isso
é muito ruim.
Em relação aos centros socioeducativos, de acordo com um dado
objetivo consultado... Disse que não dispunha dos dados, mas que
acreditava que a realidade era muito diferente do que era e do que
é hoje em Minas Gerais. Da mesma forma, acompanhei muito o sistema
prisional. Nos últimos seis anos, o governo abriu o dobro do
número de vagas de toda a história de Minas Gerais. Gláucia, se o
centro socioeducativo está caótico hoje, imagine como era até
2002. Vou repassar-lhe dados objetivos. Até 2002, o governo de
Minas Gerais, em toda a sua história, abriu 375 vagas para os
centros socioeducativos. Em 200 anos de história de Minas Gerais
foram abertas 375 vagas. De 2003 para cá, foram abertas 711 vagas,
ou seja, quase o dobro. Se o sistema está caótico - não tenho os
dados, não tenho informações sobre isso -, no mínimo devemos
reconhecer que houve um esforço muito grande do governo, porque,
em seis ou sete anos, abriu um número maior de vagas.
Fiz uma visita, como Presidente da Comissão de Segurança desta
Casa, a um centro socioeducativo em Capitão Eduardo. A minha
expectativa foi que um centro desse nível estimulasse os menores a
ir para lá, porque era muito confortável, atenderia com dignidade
os menores para lá encaminhados pelo Estado, a fim de serem
recuperados.
O dado objetivo que tenho é esse: até 2002, foram abertas 375
vagas. De 2003 para cá, foram abertas 711 vagas. Parece-me que há
uma previsão orçamentária para que isso seja ampliado em 2010. Não
sei se o Thiago ou o André desejam repassar algum dado. Esses são
os dados objetivos relacionados com esse sistema. Tenho de dizer
que não há um estudo da minha parte sobre isso, mas há, pelo
menos, uma lógica do governo, que está investindo nisso. Tínhamos
5 mil vagas abertas no sistema prisional, mas hoje existem 15 mil.
Há, pelo menos, uma orientação, uma priorização nessas áreas, em
que o governo avançou muito.
Por certo, buscaremos recursos e ações para ampliarmos esses
atendimentos, porque é uma situação muito delicada. É importante
esclarecermos isso, porque as pessoas poderão imaginar que existe
um abandono completo, que a situação está fora de controle. Não é
isso, porque a situação está sendo muito bem enfrentada,
especialmente nos últimos anos. Com a palavra, o Dr. Thiago.
O Sr. Thiago Coelho Toscano - Deputado Zé Maia, concordo com suas
palavras, porque sabemos que existem problemas de execução. Os
dados mencionados por V. Exa. são da CPI Prisional, que preparamos
para a comunicação do governo. Os Deputados visitaram todos os
Estados. Minas Gerais foi considerado o Estado mais bem preparado
para enfrentar a questão prisional, mas o fato de Minas Gerais
estar mais bem preparado não significa que a situação esteja boa.
Estamos enfrentando esses problemas. Os recursos destinados à
defesa social estão crescendo ao longo dos anos. Ainda temos muito
o que fazer, mas o importante é que o Estado não está parado.
Eu disse que era importante conversarmos com o Dr. Ronaldo
Pedron, Subscretário de Atenção às Medidas Socioeducativas, porque
os recursos estão disponíveis. Foi dito que as execuções estão
baixas, mas o Estado se importa com isso, existem recursos. O
Estado está utilizando todas as ferramentas disponíveis para
combater esse problema.
O Deputado André Quintão - Farei duas observações. As palavras da
Silvânia foram muito relevantes. Se fizermos um balanço das 526
emendas, verificaremos que a área avançou muito, tanto que está
incorporada ao Orçamento, tem ações e recursos, é discutida em
conferências.
Por exemplo, no Suas, antes não havia cofinanciamento, mas agora
houve essa conquista e está com uma ação. Discutiremos agora
custeio de Cras e investimento. Universalizar até o ano que vem,
Tião, não é possível. Discutiremos, então, a ampliação de
recursos. Há filosofia de política pública de proteção básica e
especial. Em relação à segurança alimentar, temos dificuldades, em
função da concepção e da prioridade. Então isso varia de área para
área. Poderia aqui dar ótimos e péssimos exemplos, o que fiz
durante minha participação. Creio que temos duas lacunas, uma da
Assembleia e uma da sociedade civil. No caso da primeira,
avançamos quando adotamos o monitoramento semestral, que, na
realidade, é do primeiro quadrimestre; realizamos em junho, mas é
do primeiro quadrimestre. Temos ali desenho do que teve início e
do que não teve. É mecanismo coletivo da Assembleia, do qual temos
de nos apropriar bem. Podemos até repensar se não é melhor fazer
logo monitoramento semestral. É preciso compatibilizar. A verdade
é que, de maneira coletiva, é o mecanismo que temos.
Até conversei com a Regina, coordenadora da área de
acompanhamento de políticas públicas, mostrando que facilitaria
muito, por exemplo, se cada Comissão permanente da Casa tivesse
metodologia de acompanhamento. Não me refiro ao aspecto técnico,
deste a Assembleia cuida. Temos os relatórios. A própria Seplag
nos oferece isso. O problema não é a estatística da execução
orçamentária. Falarei do Sisvan. Fizemos várias reuniões para
discutir o Sisvan com a área da saúde. Se pensarmos no volume de
emendas, não será comissão ou Deputado que o fará. Deveria haver
aqui metodologia institucional de acompanhamento dessas emendas
por parte da Assembleia. Não é fácil fazê-lo, pois há o aspecto de
gestão e de prioridade. Diria até que estamos avançando. A Gláucia
e as pessoas da área da criança cobram muito isso. Melhoramos
muito. Por exemplo, no monitoramento semestral, mandamos
requerimentos. O interfórum da área da criança solicitou reuniões,
e as fizemos com os gestores. É assim mesmo. Vamos a um gestor, e
ele diz que não é com ele, é com a Setop; vamos à Setop, e indicam
outro lugar. Então há peregrinação para a execução de uma emenda.
Talvez, se houver monitoramento político das comissões em relação
ao que for aprovado, poderá haver eficácia melhor no cumprimento
dessas execuções.
Discuto muito, na área da criança, que o movimento organizado
pode também executar seu papel. Nessa área, oferecemos
acompanhamento de execução orçamentária. Ora, temos Conselho
Estadual da Criança, Conselho Estadual da Assistência, Conselho de
Segurança Alimentar. Creio que devem fazer o esforço de colocar,
em suas respectivas agendas, a operacionalização de suas emendas
de políticas públicas. Assim como ao Poder Legislativo compete
fiscalizar, ao Conselho compete participar da proposição e da
formulação. Assim deve haver compartilhamento das
responsabilidades. Estou dizendo-o de maneira muito sincera, senão
começa a haver sobrecarga. Fiz brincadeira aqui, hoje, referindo-
me ao homônimo. O exemplo da Conferência Estadual da Criança para
mim foi nítido. Garantimos, por meio de emenda popular, recurso
para a realização da conferência. A opção, motivada por vários
argumentos, foi a de realizar a conferência em determinado espaço,
que não foi adequado. No início do debate, a lógica era a culpa
ser da emenda. É preciso refletir sobre isso, caso contrário
ficaremos no equívoco. A culpa era da emenda, e não da decisão do
local escolhido. Desculpem-me, mas a Assembleia não pode carregar
essa carga, sob pena de desgastar o processo, que é muito
positivo. Assim entendo que temos de melhorar o monitoramento
político. Isso não é papel só das Comissões de Fiscalização ou de
Participação Popular. Deve haver envolvimento maior das comissões
temáticas, pois é processo gradativo na Casa. Os conselhos, os
fóruns e as frentes têm também de fazer melhor monitoramento. Essa
é minha opinião sincera.
Por fim, a última observação é sobre as medidas socioeducativas.
Vou dar o meu depoimento: faço esse acompanhamento desde o final
da década de 80, em Belo Horizonte. Há uma lacuna de políticas
públicas no cumprimento das medidas socioeducativas que é
histórica. Não estou falando do governo A, B ou C. Muita gente, em
face dessa lacuna, acha que o Estatuto passa a mão na cabeça do
adolescente que comete ato infracional porque não sabe que existem
as medidas socioeducativas em meio aberto e privado. Por exemplo,
prestação de serviço à comunidade e liberdade assistida são quase
inexistentes nos Municípios mineiros. Um adolescente que picha um
muro não pode ser colocado num centro de internação; o menino que
roubou a galinha do vizinho não pode ser colocado ao lado de um
traficante. Há um desconhecimento, e não há um programa
estruturado de apoio aos Municípios. Discuti isso com o Ronaldo
Pedron na semana passada e me dispus a ajudar tecnicamente. Acho
que temos que fazer, como fizemos no SUS, um processo de
convencimento dos Municípios a adotarem programas em meio aberto.
As assistentes sociais das comarcas dizem que não têm o programa
de atendimento para aplicar as medidas. Não têm o programa
Liberdade Assistida, não tem a prestação de serviço à comunidade,
que é muito melhor porque o adolescente fica na família, não tem
contato com pessoas que estão numa escala mais elevada de
marginalidade. Mas isso é um processo. O ideal é discutirmos mais
a prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida e
semiliberdade do que a internação. A lacuna começa aí. A
internação é importante porque o perfil do ato infracional
cometido vem se agravando. O que era roubo de galinha,
infelizmente, virou tráfico de drogas. E não é justo que o
traficante jovem não tenha condição de se reintegrar, colocando em
risco a sua vida e a de outros. O jovem marginal de hoje é uma
criança, com 12 anos de idade em média, que morre aos 20 anos. A
forma de proteger a sua própria vida é evitar que ele cometa
outros homicídios porque uma coisa leva a outra. Temos que “chegar
junto” na saúde. Temos que ampliar o atendimento ao usuário de
droga, não apenas pensar no centro de internação para o usuário
que pula de usuário para traficante. Temos mais de 300 jovens em
cadeias e temos regiões, como o Sul de Minas, que não têm vaga
para internação.
O Deputado Zé Maia tem razão no dado estatístico. Até há pouco
tempo só havia o Centro de Internação Monsenhor Messias, em Sete
Lagoas. O número ampliou, temos que reconhecer, mas a ampliação
prevista no PPAG, não a desejada, não foi cumprida por uma série
de motivos. As quatro unidades previstas para o final deste ano
não saíram do papel. Duas ficarão para o ano que vem. Uma, que
fica no Horto, já teve a ordem de serviço assinada. A outra está
em fase de finalização de entendimentos com a Prefeitura e me
parece que fica no Sul de Minas. O meio prisional tem uma
sistemática de prazo, seis meses, quatro meses, para colocar em pé
uma atividade prisional que não se tem para os centros
socioeducativos. Então, para resolver esse caso, precisamos de uma
solução política. Precisamos chegar ao Governador, ao Vice-
Governador, à luz dos dados colocados, para que haja uma
orientação política de aceleração dessa lacuna. Mas sempre gosto
de vincular as lacunas existentes nos centros de internação com as
necessidades medidas de atenção básica em meio aberto, ao
atendimento dos jovens usuários de drogas, ao acompanhamento
social de famílias, a uma rede de proteção social. Há dois
segmentos que podem reclamar de baixa execução. A área da criança,
em algumas ações, tem problema de baixa execução. E a área do
idoso é desconhecida, passa por ausência de políticas públicas.
São duas áreas críticas, o que devemos reconhecer até por
obrigação.
Deputado Zé Maia, agradeço a Presidência de V. Exa. nesta
audiência, cujo conteúdo foi muito vigoroso. Cumprimento o Thiago
e o André pela disponibilidade. Do ponto de vista do conteúdo, o
melhor debate ocorreu neste encontro, pois aprofundamos até em
questões de políticas públicas e de monitoramento e indicadores.
Os grupos que participaram com discussões prévias promoveram
discussões de qualidade. Estou certo de que assim será nos grupos,
dado o número recorde de inscrições. Obrigado e até daqui a pouco
no Grupo 2 - Redução da Pobreza e Inclusão Produtiva.