Pronunciamentos

DEPUTADO VANDERLEI MIRANDA (PMDB), Autor do requerimento que deu origem à reunião especial.

Discurso

Transcurso do 125º aniversário de fundação da Sociedade Auxiliadora Feminina - SAF - da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Reunião 51ª reunião ESPECIAL
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/11/2009
Página 75, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. MULHER. RELIGIÃO.
Proposições citadas RQS 1836 de 2009

51ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 9/11/2009

Palavras do Deputado Vanderlei Miranda


Exmo. Deputado Doutor Viana, 1º-Vice-Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, representando, neste ato, o Presidente desta Casa, Deputado Alberto Pinto Coelho; Sra. Josepha Garcia Pereira, Presidente da Sinodal de Belo Horizonte; Reverendo Ludgero Bonilha Moraes, Secretário Executivo do Supremo Conselho da Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB -; Sra. Rosaura Naves de Luces Fortes, Secretária de Causas da Igreja Presbiteriana da Confederação Nacional de SAFs; Sra. Maria Pedrinha de Almeida e Silva, liderança das SAFs em Minas Gerais; senhoras e senhores; meus irmãos e minha irmãs; servidores da Casa; senhores e senhoras que nos acompanham pela TV Assembleia, em mais de 300 cidades do nosso Estado; para mim, particularmente, é uma honra ocupar esta tribuna em noite tão especial. Gostaria de dizer que, nesses três anos que aqui exerço meu mandato, vi muitas cerimônias e muitas homenagens prestadas, mas, sinceramente, sinto-me muito honrado ao ver hoje esta Casa como nunca vi numa cerimônia desta natureza, numa homenagem como esta - se não como esta, em homenagens tão importantes como esta, que esta Casa já prestou. As galerias estão tomadas por homens e mulheres que vieram de longe, de outras cidades, mostrando que esses 125 anos das SAFs não são fruto da casualidade. Essa presença maciça de todas vocês, principalmente daquelas que têm lutado para manter viva essa chama do evangelho e do evangelismo no Brasil, mostra que esses 125 anos, na verdade, são resultado dessa presença tão significativa que temos no Plenário desta Casa nesta noite.

Quero aqui parabenizar também nossa querida amiga, irmã e assessora do meu gabinete, Giselda, que, de forma bastante aguerrida, eu poderia dizer, nesse tempo todo de preparação para a homenagem, ligou para várias de vocês, enviou cartas e falou da importância da presença de todas nesta noite. Graças a Deus por vocês estarem aqui. Na verdade, vocês são a razão desta homenagem. “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres - Salmos 126:3.” O salmista se alegra em lembrar quanta coisa boa Deus estava fazendo no meio do seu povo. É com este mesmo sentimento de alegria que estamos aqui hoje, nesta reunião especial da Casa, para fazer tão merecida homenagem à Sociedade Auxiliadora Feminina da Igreja Presbiteriana do Brasil em seus 125 anos de atuação, cumprindo a missão que Deus nos deixou, sendo verdadeiras auxiliadoras, irrepreensíveis na conduta, incansáveis na luta, firmes na fé e vitoriosas por Cristo Jesus.

Sinto-me honrado em ser o autor desse requerimento e prestar essa importante homenagem em momento tão marcante na história da SAF no Brasil. Sabemos que 125 anos é data muito importante, pois são anos de perseverança, zelo e amor pela causa. São 125 anos de história. No dia 11/11/1884, em Recife, inicia-se associação evangélica de senhoras com o objetivo de estudar a Bíblia e ajudar os necessitados. Teve como Presidente D. Carolina Smith, surgindo, então, a primeira SAF, que ainda não tinha esse nome. Após essa, muitas outras foram sendo organizadas, e hoje temos Sociedades Auxiliadoras Femininas em todos os rincões de nosso país.

Na proporção em que as SAFs foram crescendo, foi necessária a divisão em departamentos e a criação de círculos, formando-se, então, as federações, facilitando o andamento do trabalho. É bom lembrar que cada divisão ou agrupamento, para atender às necessidades das mulheres, contava com o espírito de iniciativa das senhoras das igrejas locais. Lendo o livro dos 120 anos de história, publicado pela própria SAF, e também a “SAF em Revista”, podemos ver tanta riqueza, tanto trabalho, tanta dedicação de mulheres do passado e do presente que fizeram e estão fazendo história no nosso país, trabalhando e servindo incansavelmente na obra do Mestre.

Dentre tantas marcas, queremos, nesta noite, destacar algumas irmãs que foram peças fundamentais na propagação e crescimento desta tão amada e respeitada Sociedade. Quem não se lembra de D. Eulália da Gama, que presidiu a Sociedade Feminina da Igreja de Rio Claro, que, pouco depois, passou a chamar-se Sociedade Boa Esperança? A segunda SAF no Brasil foi fundada em 8/1/1885. Em 1908, quando D. Eulália veio a falecer, passou a ter o seu nome: Sociedade Auxiliadora de Senhoras Eulália da Gama. D. Blanche Gomes Lício foi eleita a primeira Secretária-Geral do Trabalho Feminino. Dona Blanche nasceu numa fazenda, no Oeste de Minas Gerais, Município de São João Nepomuceno, onde viveu até os três anos de idade. Aos domingos e feriados, após a Escola Dominical, a família fazia o trabalho de evangelização na fazenda. Dona Blanche lecionou em Lavras, Varginha, Caxambu e Itajubá. Por tudo que fez, é considerada patrimônio admirável da Igreja Presbiteriana do Brasil. D. Genoveva Marchant chegou a Lavras em 1907 e passou a ser Diretora da Escola de Meninas, hoje Colégio Carlota Kemper. Foi Secretária Executiva da SAF e trabalhou arduamente no preparo e na elaboração do Manual do Trabalho Feminino, editado em 1937. D. Cecília Rodrigues Siqueira, em Pernambuco, converteu-se aos 11 anos de idade e enfrentou perseguição da igreja. Em 1929, mudou-se com seu marido, Reverendo Cícero Siqueira, para Alto Jequitibá, onde, em 1939, tornou-se Secretária-Geral do Trabalho Feminino. Mulher de uma eloquência espontânea e simples ao mesmo tempo, inflamada pela fé, de um espírito dinâmico e de rara inteligência. Recebeu desta Casa, Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Título de Cidadã Honorária de Minas Gerais e, na histórica cidade de Ouro Preto, recebeu a Medalha da Inconfidência pelos seus 60 anos de magistério. Em sua homenagem, foi criado o Dia da Mulher Presbiteriana, no segundo domingo de fevereiro, o mais próximo de seu aniversário.

O primeiro congresso nacional ocorreu em 1941, e o segundo, em 1954. Ambos aconteceram no Rio de Janeiro. O segundo foi quando D. Nady Werner - Maria Auxiliadora Bittencourt Werner -, assumiu a Secretaria Executiva. Foi também Secretária-Geral, substituindo D. Cecília Siqueira. D. Nady Werner era mineira. Sua cidade natal é Caratinga, minha quase conterrânea, filha de tradicional família católica, moça de finas prendas, professora de trabalhos manuais e de música. Tocava violino, órgão, harmônio e piano. Começou a ler a Bíblia às escondidas e se converteu a Cristo no dia 5/9/1931, na Igreja Presbiteriana de Alto Jequitibá. Mulher que dedicou sua vida de serviço ao Senhor, como líder de SAF, federando no Presbitério Leste de Minas, chegando a ocupar o cargo de Secretária-Geral do trabalho feminino. Foi fundadora da “SAF em Revista”, que hoje conta com uma tiragem de 40 mil exemplares por trimestre.

Minas Gerais, Belo Horizonte, foi a sede do 10º Congresso Nacional, em 1986, no Mineirinho. Ali, reuniram-se 112 federações e 27 congregações, sendo eleita Presidente D. Eunice Souza da Silva, hoje Secretária-Geral do Trabalho Feminino.

E não podemos deixar de nos lembrar de algumas mulheres operosas em Belo Horizonte, que continuam incansáveis na luta, mas já ocuparam cargos de relevância no trabalho feminino: D. Edith Pitta Costa, da 1ª Igreja Presbiteriana de BH, ex-Secretária de Espiritualidade da Confederação Nacional; D. Helenita Borja, da 8ª Igreja Presbiteriana, ex-Secretária de Cultura; D. Josepha Garcia, da 1ª Igreja Presbiteriana, ex-Secretária de Ação Social; e outras Presidentes de Confederações Sinodais, como D. Maria Lúcia Pereira, Igreja Presbiteriana Nova Vista; D. Elaine Vieira Alves, da Igreja Presbiteriana Floresta; D. Cenyr Lourenço Cunha, Igreja Presbiteriana Boa Vista; e D. Maria Pedrinha de Almeida e Silva, pedagoga e administradora de escola, que tem uma linda trajetória na SAF. Ao todo são 60 anos de SAF e 50 anos de liderança ininterrupta na SAF, na Federação e Confederação Sinodal. Atualmente é Vice-Presidente da Sinodal Pampulha BH e está conosco hoje aqui para receber a placa com D. Josepha Garcia.

Senhoras e senhores, meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, desde a sua fundação a SAF vem desenvolvendo projetos visando à evangelização, crescimento das mulheres e atendimento aos necessitados em diversas situações e hoje existem vários projetos que estão sendo desenvolvidos pela Confederação Nacional com resultados muito satisfatórios.

Neste ano de sesquicentenário da Igreja Presbiteriana do Brasil, a Sociedade Auxiliadora Feminina - SAF - está presente, sendo “Mulheres que surpreendem” trabalhando e servindo à Igreja e ao Senhor da Igreja.

Peço permissão ao Presidente para quebrar o protocolo enquanto o coral se prepara. Cometi aqui uma injustiça: não apresentei minha esposa, que deixou de fazer uma viagem que tanto queria para estar aqui. Vou pedir que fique de pé, Fátima Miranda, minha esposa. Muito obrigado.