DEPUTADO PAULO PIAU (PP)
Discurso
Transcurso do 70º aniversário de fundação do Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais - CREA-MG - e da
Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos - SMEA-MG.
Reunião
7ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 28/04/2004
Página 24, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO.
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 28/04/2004
Página 24, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO.
7ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 23/4/2004
Palavras do Deputado Paulo Piau
Peço permissão a todos para cumprimentá-los nas pessoas do
Presidente destes trabalhos, Deputado Antônio Andrade, Marcos
Túlio, Presidente do CREA, e Rodrigo, Presidente da SMEA.
Cumprimento os presentes na pessoa do Dr. Gilman Viana Rodrigues,
Presidente da FAEMG, amigos, companheiros, engenheiros.
Uma saudável combinação entre a biologia e a engenharia resultou
na Engenharia Agronômica, na qual tive a honra de me graduar pela
Universidade Federal de Viçosa.
Como engenheiro, tenho o prazer de ser associado ao CREA-MG, que
está completando 70 anos de relevantes serviços prestados ao nosso
Estado, no alicerce do desenvolvimento agrícola, industrial,
agroindustrial e tecnológico, cujas ações ultrapassam as
fronteiras de nosso Estado. Merece destaque a infra-estrutura
urbana e rural de apoio ao desenvolvimento do setor produtivo.
Por outro lado, sinto-me duplamente honrado, porque também sou
associado à querida Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos
que, nesta solenidade, ao lado do CREA, recebe as honrarias desta
Casa também pelos seus 70 anos.
No bojo da cidadania e com vistas às constantes mudanças impostas
pelo mundo globalizado, a Engenharia Agronômica, ao lado da
Arquitetura e de todos os outros ramos da engenharia ou com ela
sistematizada, vem desempenhando papel preponderante no
desenvolvimento socioeconômico brasileiro.
A agricultura irrigada, a mecanização agrícola, a armazenagem de
grãos, as máquinas e equipamentos agrícolas, a agroindústria, as
construções rurais e a tecnologia de alimentos são alguns dos
segmentos que propiciam a interação da biologia com as
engenharias, colocando o engenheiro agrônomo no meio desse
complexo que alavanca o progresso, gerando renda, abrindo
oportunidades de emprego, fornecendo matéria-prima para a
indústria e colaborando decididamente com a pauta de exportações
brasileiras.
Gostaria de acrescentar duas atividades modernas no mundo das
engenharias que têm forte interação com a agronomia: a engenharia
ambiental e a engenharia genética. Embora cercadas de pressões
ideológicas, religiosas, políticas e econômicas, constituem fator
de preocupação e de avanço tecnológico, não só pela
sustentabilidade do desenvolvimento, mas também pela solução de
problemas ligados à fome, à desnutrição, à redução de custos e de
perdas.
Como atividade mais recente, não podemos deixar de registrar o
avanço da agricultura de precisão com o auxílio de satélites – um
grande desafio para o melhor rearranjo dos fatores na propriedade
agrícola, por meio de seu planejamento adequado. O
geoprocessamento é um recurso que, utilizando-se da topografia
tradicional, de fotografias aéreas, de modernas imagens de
satélites e de GPS, permite esse planejamento racional que indica
áreas para agricultura, pastagens, açudes, barragens, estradas
etc.
Num contexto dessa natureza, as engenharias se misturam na
síntese do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia. No ambiente festivo desta manhã, com orgulho e honra, e
na condição de um dos autores do requerimento que deu origem a
esta solenidade, quero congratular-me com o CREA-MG, na pessoa de
seu Presidente, engenheiro civil Marcos Túlio de Melo, e com sua
equipe, que com brilhantismo coordena os festejos dos 70 anos de
nosso Conselho. Da mesma forma, quero cumprimentar o Presidente da
Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos, Dr. Rodrigo de Almeida
Pontes, engenheiro agrônomo que, com sua competência e
inteligência, tão bem dirige nossa sociedade nesta festa magna de
70 anos de criação.
Nesta oportunidade, gostaria de registrar algumas importantes
realizações que contaram com a ação decisiva de engenheiros
agrônomos, propiciando um salto na agropecuária mineira, tanto sob
o ponto de vista técnico como sob o político.
A criação da Escola Superior de Agricultura e Veterinária de
Viçosa - ESAV -, em 1920, e o início de seu funcionamento em 1927,
deram origem a amplo programa de defesa sanitária animal e a
realização de bem sucedidas experiências com o plantio de arroz no
Vale do Rio Grande, e de Algodão no Vale do São Francisco.
A antiga ESAV deu lugar à atual e moderna Universidade Federal de
Viçosa. De lá, o professor Tuneo Sediyama iniciou, há mais de 30
anos, pesquisas com soja, no cerrado, numa série cumulativa de
melhoramento genético, hoje difundida em vários Estados.
Em 1912, o Estado subvencionava alguns colégios particulares que
se destinassem a ministrar o ensino médio agrícola. Um desses era
a Escola Agrícola de Lavras, embrião da futura Escola Superior de
Agricultura, que se transformou mais recentemente na Universidade
Federal de Lavras, em que, entre tantas importantes frentes de
trabalho, se destaca o progresso tecnológico do café para o
Estado, cujo serviço de defesa em relação aos cafezais, em 1928,
era evitar a entrada da broca do café em Minas Gerais.
O Estado sempre esteve preocupado com o ensino agrícola como
forma de regeneração agrária, buscando uma solução geral para o
problema. Por isso, na década de 20, o Governo, com a decisiva
participação do engenheiro agrônomo, mantinha quatro aprendizados
agrícolas: “José Silva”, em Ouro Fino; “Borges Sampaio”, em
Uberaba; “Barão de Camargos”, em Ouro Preto e “Carlos Prates”, em
Itambacuri, além de três institutos em Belo Horizonte, Itajubá e
Mar de Espanha.
Com pesquisadores da EPAMIG e do Ministério da Agricultura, como
Gerson Pereira Rios, na década de 70, e mais recentemente Neilson
Arantes, da EPAMIG-EMBRAPA de Uberaba, a soja vem ajudando a
ocupar racionalmente o cerrado mineiro e brasileiro, criando
oportunidades de emprego, melhorando a arrecadação dos municípios
e aumentando a balança comercial. Ressalte-se, também, a alta
contribuição dos engenheiros agrônomos da EMBRAPA nesse processo.
Em 1971, a chamada Reforma Paulinelli deu novo e amplo impulso ao
desenvolvimento do Estado de Minas, evidenciando o projeto Jaíba,
que imprimiu forte interseção nas engenharias civil, agrícola,
agronômica e mecânica, entre outras, no Norte de Minas.
Outro importante projeto, desta feita para o cerrado, foi o
Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba - PADAP -, a
grande porta de entrada para a exploração técnica e racional do
cerrado. Entre muitos engenheiros agrônomos dessa espetacular
frente de desenvolvimento agropecuário, destaco Alysson Paulinelli
e Aluísio Fantini Valério.
Vale ressaltar que, nos últimos 13 anos, a área agrícola expandiu
24%, enquanto a produção cresceu 125%, devido a um trabalho de
pesquisa e desenvolvimento tecnológico dos engenheiros agrônomos.
O salto de produtividade que permitiu esse notável avanço deve-se,
sem dúvida, aos abnegados esforços desses profissionais. Os
90.000.000ha ainda disponíveis para a agricultura poderão contar
com o exercício profissional dessa classe, que, em Minas Gerais,
chega a constituir a cifra de 7 mil.
A criação da CAMIG, impulsionando a mecanização agrícola; da
CASEMG, na década de 50; do Instituto Agronômico, no Horto, em
Belo Horizonte; do Serviço Especial do Café; da ACAR, hoje EMATER;
da EPAMIG, na década de 70 - presto homenagem ao Dr. Flamarion
Ferreira, seu ex-Presidente, que, em sua cadeira de rodas, se
esforçou para comparecer a esta reunião -; e do IEF, com destaque
para o engenheiro agrônomo Carlos Eugênio Thibau, ex-Presidente da
SMEA e também ex-Presidente do CREA, foram iniciativas
governamentais que contaram com a inteligência e dedicação de
engenheiros agrônomos de diversas especialidades.
Ainda no âmbito das engenharias, destaco a criação da RURALMINAS,
com o objetivo de desenvolver uma extensa área de 110.000km2 no
Noroeste mineiro, atuando em linhas de transmissão e distribuição
de energia elétrica, estradas de penetração, armazéns,
abastecimento de água, colonização agrícola, projetos de
irrigação, distrito agroindustrial etc.
Programas como o POLOCENTRO, para o desenvolvimento dos cerrados;
o PROVÁRZEAS, para aproveitamento técnico das várzeas mineiras; o
PRODEMATA, para recuperação econômica da Zona da Mata; e tantos
outros tiveram a efetiva participação de nobres colegas
engenheiros agrônomos e tantos outros engenheiros, como os
mecânicos, eletricistas, civis, agrimensores e de minas, além dos
arquitetos, que fizeram a engenharia do agronegócio até aqui e
continuarão a fazer o progresso de Minas e do Brasil em atividades
que exigem, cada vez mais, entrosamento profissional e
sistematização de projetos.
Ontem, tivemos a grande alegria de participar das despedidas de
um engenheiro agrônomo, o Prof. Paniago, da Câmara Municipal de
Viçosa. Como professor Ph.D. do Departamento de Economia Rural,
muito contribuiu para a economia agrícola de Minas.
Presto homenagens a todos os engenheiros-agrônomos que têm a
coragem de encarar a vida política. Precisamos de mais, porque sou
o único nesta Casa. Precisamos participar mais da vida política.
Agradeço ao CREA pela defesa e pela disciplina da nossa profissão,
valorizando-a cada vez mais. Obrigado.