DEPUTADO MARCO RÉGIS (PL)
Discurso
Apresenta balanço de sua atuação parlamentar.
Reunião
419ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/12/2002
Página 32, Coluna 1
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/12/2002
Página 32, Coluna 1
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
419ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 5/12/2002
Palavras do Deputado Marco Régis
O Deputado Marco Régis - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
imprensa, especialmente nossa TV Assembléia, que leva a
transparência desta Casa para todos os rincões de Minas Gerais,
senhoras e senhores que nos honram com sua presença nas galerias
nesta tarde, assessores da Mesa, da taquigrafia, todos os que
sempre nos dão o sustentáculo para nossa existência, ao longo
destes oito anos que aqui estive procurei ser comedido ao me
expressar desta tribuna. Não digo comedimento naquilo que
expressei da tribuna, mas no sentido de procurar não estar todos
os dias nesta tribuna, sendo cansativo para os colegas, para os
funcionários da Casa, enchendo páginas e mais páginas do “Minas
Gerais” e dos anais desta Casa, muitas vezes com palavras vãs;
porém, restam-me poucos dias de mandato, e não posso deixar de
registrar o restante do meu pensamento, porque não sei do meu
futuro. Não sei se a política morrerá para mim com essa derrota
nas urnas ou se voltarei a ser forte e vigoroso para buscar votos.
“O futuro a mim não pertence”, diz o ditado.
Gostaria de fazer um comentário a respeito de minha atividade
particular e pessoal. Lerei um artigo publicado na coluna Ação e
Reação, do radialista e jornalista da “Folha Regional de
Muzambinho”, Amauri Júnior. Podem pensar que é um jornaleco de
interior, mas quero mostrá-lo aos que me ouvem, é um dos mais
belos jornais do Sul de Minas, feito em cores, bem-escrito e bem-
posicionado.
Esse articulista diz, na edição do dia 19 de outubro: “O Deputado
é muito questionado por suas posições radicais como: pregar o
assassinato do Presidente, caso privatize Furnas; defender Furnas
à bala e mesmo exaltar Bin Laden ou atacar os Estados Unidos.
Desse Marco Régis, admiro apenas a coragem. Uma sinceridade que
ultrapassa os limites da razão. Não concordo com muitos
posicionamentos políticos do Deputado, mas, no frigir dos ovos,
isso pouco importa. Não alterou a vida de ninguém, para melhor ou
para pior. Por isso, prefiro destacar a admiração ao político
humanista, com cheiro do povo, do povo e para o povo. O político
franciscano que distribuiu solidariedade, atenção, assistência e
amor. Aquele que fará enorme falta aos mais carentes”.
Desse mesmo jornalista, cito aqui um trecho: “Homenagear quem
está no poder ou na `crista da onda´ é muito fácil. Difícil para a
maioria é ter coragem de vir a público defender alguém que acaba
de perder, que está abalado ou que não tenha nada a oferecer em
troca. Esclareço, no entanto, que minha admiração ao Deputado é
`platônica´. Tenho pouca amizade com o Deputado e sinto dele até
mesmo uma certa restrição à minha pessoa, por motivos que não sei
nem desejo saber”.
Gostaria, neste momento que falo da tribuna da Assembléia, de
abrir um parêntese ao comentário do articulista Amauri Júnior.
Esse articulista e radialista da minha cidade de Muzambinho,
Amauri Júnior, é uma pessoa boníssima, idealista, que cursou o
ensino fundamental e o ensino secundário nessa cidade. Além disso,
fez curso de contabilidade e encontrou o seu espaço na imprensa
interiorana. Dessa imprensa digna faz também digna a sua vida.
Quero homenageá-lo, nesta tarde, por seu artigo.
Gostaria também de fazer algumas citações bem ao estilo caipira:
a coruja gabando o próprio toco. Tenho de fazer isso, porque seria
difícil, no momento em que saio da Assembléia, pedir aos meus
colegas que venham fazer repercutir na tribuna todas as
manifestações de solidariedade e de conforto recebidas por mim
após o meu insucesso eleitoral, que considero relativo. Da
primeira vez, fui eleito pela Frente Minas Popular com 13.074
votos. No mandato seguinte, subi para 22.623. Na última eleição,
caí para 17.533. Esses votos foram cavados com as minhas próprias
unhas, buscados com a minha visão artesanal da política.
Recentemente, uma revista disse que eu era o político artesanal
remanescente na Assembléia.
Fico honrado com essas falas porque, na verdade, procurei fazer
uma política artesanal do diálogo e do corpo-a-corpo. Por isso
mesmo quero homenagear e agradecer às pessoas que sobre mim
falaram.
Agora falo de Paulina Zampar, jornalista de um jornal da região
da cidade de Guaxupé. Ela diz em seu artigo: “Trabalhando há 20
anos com jornalismo, enfrentando todos os obstáculos e situações
possíveis e convivendo com as mais variadas pessoas, afirmo, com
toda a minha vivência, que é difícil encontrar um homem tão
transparente como o Deputado Marco Régis”.Agradeço as palavras de
Paulina Zampar. Continuando o seu artigo: “Não arreda o pé quando
o assunto é defender as águas, a soberania nacional. É tachado,
muitas vezes, de doido! Mas quem dera o País tivesse doidos tão
politizados e conscientes do papel que representam para o povo!
Pessoas que arriscam a própria vida e trocam o lauto descanso por
questões sociais”. E, quando diz “arrisca a própria vida”, referia-
se à minha participação na CPI do Narcotráfico, quando,
denunciando a amizade do então Secretário da Segurança Pública com
o banditismo de Minas Gerais, fiz denúncias pessoais, e não da
CPI, que levaram à queda do Secretário; por isso, fui ameaçado de
morte algumas vezes. Portanto, quero agradecer a Paulina Zampar.
Cito mais um artigo de um cartunista que tem bons traços ao me
chargear, o que fez muitas vezes, e que poderia estar nos grandes
jornais do País, mas não se desgarra de sua `aldeia´, que é
Muzambinho. Seu nome é Paulo Dipe, um grande cartunista da
imprensa interiorana. Faz um artigo filosófico a nosso respeito, e
tenho que exaltá-lo da tribuna, porque inicia seu artigo da
seguinte maneira. (- Lê:)
“Entre Mark Twain e Marco Polo, que encheram de aventura e idéias
nossa imaginação, não haveria como deixarmos de descobrir um dia
em nossa vida o personagem que fizesse jus ao Tom Sawyer que ainda
havia em nós, teimando em existir desde a nossa infância. É
interessante saber que existe e é de carne e osso, mas, tal qual
aqueles mocinhos do velho oeste, que aterrorizavam os bandidos nos
seriados das matinês, fugiu um dia da tela do cinema do “Seu”
Hugo...” - dono da única sala de cinema de Muzambinho - “...e veio
viver aqui, no Muzambinho, todos os perigos e intempéries conosco,
moleques que crescemos como ele, deixando de lado os gibis e
enfrentando como os bandidos o grande bangue-bangue do tempo.”
Quero citar mais um trecho desse artigo: “...pela couraça de suas
idéias de vanguarda, em que a coragem ponteia um objetivo maior,
que é conquistar o bem-estar de todos, a segurança e a solução de
tantos problemas que ora afligem a nação”. Termina seu artigo de
forma interessante, como se fôssemos heróis do faroeste: “E antes
que mais uma vez apareça na tela o inesquecível “The end”, a sua
silhueta de cavaleiro solitário, “Dom Quixote das Montanhas
Alterosas”, recortará novamente o horizonte até sumir de vista no
céu crepuscular do Sudoeste longínquo, que o leva direto para o
coração das Minas, na grande Gerais que povoa nossa imaginação.
Obrigado Doutor...Obrigado por existir, Marco Régis, nosso herói,
nosso mestre e - na graça de Deus - nosso bondoso irmão”.
Fico emocionado, ao receber manifestações como essa. Na semana
passada recebi outra homenagem do jornal “Edição do Brasil” de BH,
pelo jornalista Expedito Antônio que fez uma síntese dos artigos
que mostrei, sob o título “Marco Régis vai fazer falta ao
Legislativo de Minas”.
Gostaria de dizer que esta ainda não é minha despedida da
tribuna; esses são registros que desejo fazer. Passados 15 dias
das eleições, concedi uma entrevista à nossa Rádio do Povo AM, de
Muzambinho, que é sintonizada em mais de meia dúzia de municípios
da minha região, e muitas pessoas usaram o telefone para se
comunicarem com o Programa “Edição de Sábado”, do jornalista
Vagner Alves, e, durante a manifestação, choraram nossa derrota.
Portanto, quero dizer com coragem que não foram as denúncias sobre
os altos salários dos Deputados que me derrotaram. Longe de querer
acreditar que a imprensa tenha sido tão portentosa, tão vitoriosa
para derrubar Deputados por intermédio de denúncias de salários,
que, se foram privilégios, o foram não só desta legislatura, mas
de outras passadas. Não diria aqui nomes, mas disse certa vez que
precisaríamos arrancar da cova um certo grande personagem da nossa
política e buscar os seus dentes de ouro para retribuir os altos
salários que aqui existiram, e que existiram em várias
legislaturas, mas o problema estourou nas nossas mãos. Não tenho
pejo, vergonha ou dor de consciência de falar sobre salários
recebidos, porque, da mesma maneira que entraram em meus bolsos,
saíram para suprir omissões do Estado, esse Estado que não enxerga
a pobreza e a miséria. Tudo o que dissemos para a imprensa em um
momento tão crítico, tenho a certeza de que o fizemos com
sinceridade. Não levarei nenhuma riqueza da Assembléia, não
construí aqui meu pé-de-meia, sairei tão classe média, até classe
média baixa, como quando aqui entrei. Se houve altos salários, não
usei o meu, em todo, para ter uma vida melhor enquanto aqui
estive.
Já passei por momentos difíceis, como na minha infância pobre.
Mas sairei da mesma maneira, para cuidar dos meus filhos, que
fazem faculdade. Retomarei a minha vida, sendo que nem profissão
tenho mais. Dizem que os Deputados têm altos salários, mas como
poderei voltar a ser médico, depois de doze anos fazendo política?
Até que me recicle, o tempo já se esvaiu. Peço desculpas aos
companheiros que tentaram me apartear. No meu entusiasmo, acabei
frustrando-os. Faltam apenas 50 segundos, mas dou-lhes a palavra
por 20 segundos e retomarei o meu discurso em outra oportunidade,
quando criticarei a corrupção política existente no Brasil.
Falarei da situação gravíssima a que chegamos, no interior também.
Não sou um Deputado que possui ressentimentos, inveja, egoísmo e
constrangimento ao parabenizar os vitoriosos e não me sinto
derrotado. Em reunião partidária, ouvi de um Deputado Federal,
eleito com mais de 100 mil votos, que precisamos acabar com esse
Brasil, onde, em cada cidade do interior, encontramos Vereadores
com plaqueta nas mãos, dizendo: “Valho R$1.000,00, R$2.000,00,
R$5.000,00, eu valho R$12.000,00”. Concluo referindo-me ao
Prefeito de Guaxupé, quando diz que os benefícios que recebe nesse
cargo devem ser pagos em votos, numa clara manifestação de
fisiologismo.