DEPUTADO MARCO RÉGIS (PL), Autor do requerimento que deu origem à reunião.
Discurso
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/11/2001
Página 27, Coluna 4
Assunto HOMENAGEM. EDUCAÇÃO.
299ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 25/10/2001
Palavras do Deputado Marco Régis
Exmo. Deputado João Paulo, Exmos. Srs. Profa. Lindalva Maria de Moraes Bueno, Prof. João Marques de Vasconcelos, Desembargador Hugo Bengtsson, Desembargador Tibagy Salles de Oliveira, Dr. Sérgio Arlindo Paoliello, Luiz Fernandes Francisco, Maria Lília de Almeida Matos, Cap. Felício Teixeira, Deputados Jorge Eduardo de Oliveira, da nossa Machado; Fábio Avelar; Ambrósio Pinto, da nossa Itajubá; Sebastião Navarro Vieira, da nossa querida Poços de Caldas; Sávio Souza Cruz, da nossa Esmeraldas; Álvaro Antônio, que, quando Secretário de Transportes, participou muito da vida da nossa região, levando empreendimentos para Muzambinho e Juruaia; Deputado e amigo João Leite, que, embora seja de Belo Horizonte, nos trouxe a surpresa de mais um muzambinhense que não conhecíamos até então, Vereadores Carlos Roberto Gonçalves, Gilmar Labanca e Célio Magalhães; Coral do Centenário; professores da Escola Salatiel de Almeida; alunos; muzambinhenses radicados em Belo Horizonte, que compareceram em grande número; amigos de Muzambinho aqui também radicados, que nos prestigiam com sua presença; demais convidados; imprensa da Capital; imprensa regional, representada pela Sociedade Rádio Rural de Muzambinho, pela “Folha Regional”, de Muzambinho, pelo “Jornal da Região”, de Guaxupé, e pelo “Quarto Poder”, de Alfenas.
Os nomes sobrevivem aos homens. Estes nascem, vivem e morrem. Tudo isso em pouco tempo, porque a vida é curta de causar tristeza. Efemeramente, as gerações se renovam sobre a terra. É sempre a mesma cantiga monótona, inevitável e dolorosa para cada indivíduo: os homens nascem, os homens vivem, os homens morrem. Deles, revive apenas na lembrança dos pósteros um nome que os representa, um nome que esses pósteros estimam e conservam ou desestimam e olvidam.
Recordar é viver, mas reviver com mais poesia, reviver com mais encanto. A saudade ressuscita; a saudade espiritualiza; a saudade embeleza. Um dia nós todos passaremos. Cada um de nós levará, como um escudo, a consciência do bem praticado e deixará na terra tudo o que é material, até mesmo o próprio corpo.
Essas palavras introdutórias não são minhas. Repeti aqui a mensagem contida num documento histórico, num álbum de assinaturas entregue no dia 25/9/26, quando esse educandário, que hoje homenageamos, completava seu jubileu de prata. Essas palavras, tão apropriadas para solenidades como esta, são um resgate da história daquilo que tem representado a Escola Estadual Prof. Salatiel de Almeida ao longo da história de Minas Gerais.
Sr. Presidente, Deputado João Paulo, representando o Deputado Antônio Júlio, o educandário de Muzambinho não se circunscreve aos limites territoriais do município. Já foi cantado e decantado em prosa e verso pelos mais distantes rincões do País. Poderia dizer, Sr. Presidente, Srs. Deputados e senhores presentes que, por ocasião desse mesmo Jubileu de Prata, em 1926, pelos 25 anos de comemorações da existência do Liceu de Muzambinho, várias instituições enviaram suas mensagens para Muzambinho.
A repercussão foi muito grande. Na imprensa regional, várias cidades, como Passos, Paraguassu, São Sebastião da Grama e Varginha, pronunciaram-se, assim como a grande imprensa. Posso citar aqui o órgão oficial de Minas, o “Minas Gerais” da época, o “Diário de Minas”, de Belo Horizonte, “O Globo”, do Rio de Janeiro, “O Estadão”, de São Paulo, “O Correio Paulistano”, “O Diário da Noite” e tantos outros, matutinos ou vespertinos, que deram repercussão à comemoração do Jubileu de Prata do então Liceu Municipal de Muzambinho.
Vultos importantes, expressivos, que são nomes de ruas em Belo Horizonte registraram mensagens nessa revista do colégio, como o Prof. Arduíno Bolivar e Noraldino de Lima. Mas a mensagem que me calou fundo foi a da professora americana Emma Christine, então Diretora do Instituto Metodista Izabela Hendrix, que disse, entre vários tópicos, que “o Liceu Municipal de Muzambinho tem atraído talentos privilegiados, porque é uma instituição de renome, e, como tal, Muzambinho é, hoje, havida na conta de uma das mais cultas cidades de Minas Gerais”. Essas foram as palavras da então Diretora do Instituto Metodista Isabela Hendrix, de Belo Horizonte, cidade essa que também enviou sua mensagem por meio de autoridades políticas: o então Secretário de Estado de Interior, recebeu mensagem do Instituto Dom Silvério, do Colégio Belo Horizonte, do Comandante da 4ª Região Militar e 4ª Divisão de Infantaria, General Pamplona; de religiosos, jornalistas, professores, enfim, dos educadores de Minas Gerais. Dizemos isso para que todos saibam, para que todos tomem conhecimento e reconheçam a expressiva importância do Liceu Municipal de Muzambinho na vida deste Estado e do País. As próprias matérias dos jornais da Capital paulista diziam da importância de Muzambinho para a educação, ensino e cultura nesses dois Estados, porque estamos em região limítrofe com São Paulo.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, senhores convidados, quero citar a presença do Deputado Miguel Martini, votado em Muzambinho. Quero ainda fazer um reparo, cumprimentando o Vice-Prefeito da cidade de Monte Belo, Prof. Humberto Fernandes Maciel, que também é ex-aluno desse colégio e o Vice-Prefeito do Município de Juruaia, João da Silva Paraná; ambos nos honram com sua presença.
Voltando ao Liceu Municipal de Muzambinho, fundado no 26/9/1901, pelo idealismo de nomes como o próprio Salathiel Ramos de Almeida, cidadão nascido em Lambari, aqui representado pela sua única filha viva, com toda a sua jovialidade, Profa. Lília Almeida Matos. O Prof. Salathiel de Almeida cursou a Escola Normal de Campanha, naquela época a segunda instituição do gênero em Minas Gerais - só existia uma anterior, que era a de Ouro Preto. E, logo depois, em 1906, instalaríamos a Escola Normal em Muzambinho. Percebam a importância desse educandário na vida de Minas Gerais e do Brasil. O Prof. Salatiel de Almeida foi tido como o maior dos educadores de seu tempo, pelo escritor e pensador católico Jackson de Figueiredo. Não é o maior de Muzambinho, é o escritor e pensador Jackson de Figueiredo que o reputa como o maior dos educadores do seu tempo. Transcendia os limites do município, da região e do Estado, como um dos maiores educadores deste País. O Prof. Salathiel de Almeida ainda criaria, em Muzambinho, em 1920, o Patronato Agrícola. Ele, que era conhecido não só pelos trajes dos tempos estudantis, apelido de seus colegas, mas reforçado pelo título de Reitor do Liceu Municipal de Muzambinho, porque naquela época o título era de Reitor, e não de Diretor, era chamado de “Velho Beca”, apelido carinhoso dado por seus colegas do tempo de faculdade, e que repassou a sua legião de alunos.
Do sonho de construção de uma escola de grande porte na cidade de Muzambinho, participaram ainda, e até pioneiramente, o Dr. Fernando Avelino Correia, também natural de Campanha.
Quem não se lembra que nossa Campanha era um dos pólos irradiadores da educação e da cultura de Minas Gerais! O Dr. Fernando Avelino, fez Medicina na Faculdade de Medicina da Praia Vermelha, do Rio de Janeiro, onde se formou em 1885. Inicialmente, foi para Carmo do Rio Claro, cidade próxima, a 80km de Muzambinho, e depois se transferiu para Muzambinho, onde, além de cuidar de suas atividades profissionais na área de saúde, cuidou da educação do povo de Muzambinho.
Diria que, antes que chegasse o século XX, ainda no século XIX, no final dos anos 1890, o Dr. Fernando Avelino com o Dr. Urbano davam aulas particulares, formando o primeiro embrião de uma instituição modelar em Muzambinho. O Dr. Fernando Avelino, ao lado de outro cidadão importante de Campanha, o Prof. Júlio Brandão Bueno, aqui nesta solenidade representado “post mortem” por sua filha Profa. Isolda Bueno, a quem saudamos. Com muito justiça, aplaudimos a Profa. Isolda, que aqui traz para nós a lembrança do Prof. Júlio Brandão Bueno, como disse, nascido em Campanha, cuja avó, Policena, era prima da heroína mineira do movimento da Inconfidência Mineira, Bárbara Heliodora, que, após os seus estudos na Escola Normal de Campanha, foi fazer Agronomia em Viçosa.
O Prof. Júlio Brandão Bueno dedicou-se a uma multiplicidade de tarefas. Foi um homem dinâmico, escritor, jornalista, professor, músico, político aguerrido, lutador pelas causas abolicionistas e republicanas. Companheiro de Quintino Bocaiúva, de José do Patrocínio e tantos expoentes das lutas abolicionistas e republicanas. Ao lado de um cidadão da nossa vizinha Cabo Verde, Cel. Francisco Navarro de Moraes Salles, na época, Agente Executivo da Câmara Municipal de Muzambinho ou Presidente da Câmara Municipal de Muzambinho, que acumulava, então na Velha República, o cargo de Agente Executivo da Câmara, que equivaleria ao cargo de Alcaide, Prefeito Municipal.
O Cel. Francisco Navarro de Moraes Salles, que era descendente do Barão de Cabo Verde, fez carreira também no magistério em Muzambinho. Tivemos ainda tantos outros que idealizaram a construção, o nascimento desse educandário. Muitos auxiliaram esses principais vultos que aqui mencionamos, inclusive o Dr. Urbano Galvão, que foi o precursor do estabelecimento, quando lecionava ao lado do Dr. Fernando Avelino. O Dr. Urbano, ao se mudar de Muzambinho, foi substituído pelo Prof. Salatiel de Almeida.
Dissemos que em 1906 foi criada a Escola Normal de Muzambinho e, em 1926, o Lyceu Municipal de Muzambinho, por decreto federal. Foi equiparado ao Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, significando que estava técnica e pedagogicamente nivelado e legalizado com aquele colégio. Foi a primeira instituição de ensino com essa qualidade no interior de Minas Gerais, antes mesmo de Juiz de Fora ou outras cidades importantes do Estado.
Em 1929, pelo Decreto nº 9.025, do saudoso Governador Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, e com a assinatura de um assessor não menos importante, o famoso Francisco Campos, era criado um ginásio na cidade de Muzambinho. (- Lê:)
“O Governador de Minas Gerais, usando as atribuições que a Constituição lhe confere e tendo em vista a autorização contida no art. 11 da Lei nº 1.052, de 28/9/28, resolve criar o ginásio na cidade de Muzambinho, o qual será instalado depois que a Câmara Municipal fizer a entrega ao Estado, sem ônus, do edifício em que funciona atualmente o Lyceu de Muzambinho”.
Temos aqui, senhores presentes, alguns documentos interessantes e importantes do Lyceu e seu regulamento com expedientes endereçados pelo Cel. Francisco Navarro de Moraes Salles, Agente Executivo da Câmara Municipal, então Prefeito, ao Prof. Salatiel de Almeida, ao Dr. Luiz Paulielo, ao Dr. Fernando Avelino e ao Cel. Valério Lacerda. A data está neste documento manuscrito, atestando que, na Lei Municipal nº 145, de 26/9/01, é criado o Liceu Municipal de Muzambinho. Foi estadualizado em 1929, depois transformado em colégio estadual e recentemente adotou definitivamente o nome de Escola Estadual Prof. Salatiel de Almeida, numa justíssima homenagem àquele que foi seu fundador, seu Diretor por 33 anos, aquele que por mais longo tempo ocupou a direção da escola.
Tenho certeza de que isso faria jus às palavras do Dr. Wladimir Pinto, um advogado paulistano e ex-aluno, que na festa dos 25 anos disse representando os ex-alunos: “O Lyceu recebe as palmas agradecidas da multidão que nele bebeu os ensinamentos puros nas suas inesgotáveis fontes cristalinas”. Esse extraordinário acontecimento nos interessa muitíssimo. Formulamos ardentes votos a Deus para que o Lyceu Municipal, atravessando o século, de vitórias em vitórias, leve às gerações vindouras o culto fervoroso que tributamos ao seu atual e grande Diretor, Exmo. Sr. Dr. Prof. Salatiel de Almeida”.
Não são palavras proféticas, mas ditadas pela intuição de que aquele educandário atravessaria o século e veria um novo milênio começar exaltando aquele que foi um de seus maiores vultos: o Prof. Salatiel de Almeida.
Gostaria de terminar a mensagem contida no álbum de assinaturas entregue ao Prof. Salatiel, em 1926. “Este álbum também ficará. Muitos, porém, dos outros que hão de vir, muitos daqueles que nascerão depois de nós, hão de tomá-lo em suas mãos. Hão de ler esta dedicatória, hão de ler, um por um, os nossos nomes. E de sua boca sairá o maior dos elogios. Muzambinho, 25 de setembro de 1926”.
Não poderia, neste momento, como autor do requerimento que ensejou esta reunião, requerimento este aprovado em fevereiro deste ano, na reabertura desta sessão legislativa, deixar de cumprir o desejo explicitado nesta mensagem. Permitam-me fazer a leitura de todos os nomes aqui contidos, daqueles ex-alunos que deixaram esta mensagem. Através da assinatura do nome desses signatários, que ressoa como um eco distante, há 75 anos, passo à leitura dos nomes: Lydio Machado Bandeira de Mello, Joaquim Vergílio de Macedo, Urinte Floriano Carli, José Alfredo de Magalhães, Áureo Araújo, Othildes Laura Araújo, José Poli, Augusto Botelho, Maria Luna Botelho, Tito Lívio Navarro, Lindolpho Cecílio de Assis Coimbra, Camilla Cecília Coimbra, Lúcia Cecília Coimbra, Julieta Coimbra, Thereza Magalhães Cabral, Carlos Annechinne, Antônio Mário, Áurea Leite Cesarino, Elvira Magalhães Prado, Carlos Prado Filho, Geralda Prado, Domingos Cerávolo, Dionésia de Carvalho Cerávolo, José Maria Paoliello, Joana Annechine, Josephina Diotisalvi, Emília Campedelli, Lygia de Assis, Ruth de Assis, Armando Coimbra, Wanda Rimoli; Augusta Jordão, Emilia de Araújo Menezes, Maria Henriqueta de Araújo, Olavo Rímoli, Francisco Vianna, Arthur Paulino, Dalila Coimbra de Araújo, Benedicto Ribeiro de Paiva, Lauro Campedelli, Ludgero de Freitas, Josephina Bueno, Thereza Fazzi, Pedro Modesto dos Santos, José Olyntho Brandão, Alcides Gabriel da Silva, Maria Amore, Vera Paoliello, Archimedes Manso Vieira, Izolina Manso Vieira, Giovani Conde, Marianna Pereira, Antônio Cândido Prado, Adalberto Hugo da Costa, Jurema Cabral, João Januário de Magalhães, Paschoal Gaspar, Gabriel Filho, Maria Cerávolo da Costa, Levindo José Alves, Abílio Martins Oliveira, Antônio Martins de Oliveira, Amélio Martins de Oliveira, Alípio Martins de Oliveira, Alcindo Dias Soares, Fausto de Oliveira Coimbra, Fábio de Oliveira Coimbra, José Prado de Araújo, Joviano Tavares, Fernando Lacerda, Oswaldo Oliveira, José Coragem, Moacyr Polli Sobrinho, Omar Ramos Nogueira, Roque Marchesi, Luiz Alves de Almeida, José de Carvalho Filho, José Soares da Silveira, José da Silveira Teixeira, Roque Alegrette, Ivani Fragozo, Angelina Santos, Tereza Zuppi, Isaura Siqueira, Vitor Bueno, Petronilha Innaccarato Bueno, Adélia Leite Coelho, Antônio Sobrinho, Victor Fraissat, Clarinda Tardelli Bonelli, Próspero Cecílio Coimbra, João Vianna de Figueiredo, Thomaz Paula Gaspar, Jacy de Assis, Rômulo Cardillo, Luiz Sallles Navarro, Nicolau Introncaso, Roque de Souza Dias, Francisco Teixeira Branco, Alfredo Januário de Magalhães, José Barbosa da Luz, José Fraissat Almeida, Luiz Alfredo de Magalhães, Marianna Pinheiro, Paraíso Tardelli, Alfredo Poli, João Eugênio de Almeida, José Ary de Almeida, Stella Rios Pinto, Maria Corina de Almeida, Antônio Magalhães Alves, Hortênsia Coimbra, Lélio de Almeida, José Rios Pinto, Theophilo Dias Castejon, Luiz Amaral Pimenta, Irondina Siqueira Assis, Jovino Machado, João Gabriel Ribeiro, João Ubirajara Moreira, Andrelino Luiz de Figueiredo, José Bruno de Souza, Cincinato Gaspar, Luiz Leite, Wladimir Resende Pinto, Magnólia Pinheiro Guimarães Alves, Júlio Costa, Domingos Vômero, João de Moraes de Miranda, Jaime Xavier, José de Castro, Lúcia Cesarina dos Anjos, Maria Antonieta Coimbra Costa, Salathiel de Almeida Jr., Joaquim de Almeida Pinto, Maria Navarro Paoliello e Antenor Gaspar.
Cumpro os desígnios do tempo e o desejo daqueles alunos, lendo, um por um, seus nomes, na Casa do povo mineiro, com a emoção que toma conta de mim.
Ao ler esses nomes, tenho certeza de que citei o sobrenome da maioria das famílias que povoam o Município de Muzambinho atualmente. Algumas outras vieram depois, mas são essas as raízes da vida do município. Alguns nomes são de outras cidades, como Castejon, da família do ex-Deputado Castejon Branco, de São Sebastião do Paraíso, e Fraissat.
Tomo a liberdade de pinçar alguns nomes. Cito Lydio Machado Bandeira de Melo, cuja filha aqui está Profa. Amalia Bandeira de Mello, honrando-nos com sua presença. (- Palmas.) Ele encabeça a lista dos alunos e tornou-se professor de Direito Penal da Faculdade de Direito da UFMG, ensinando, por 20 anos, na principal escola de Direito da Capital mineira, de 1951/71.
Temos também Joaquim Vergílio de Macedo, pai de Antônio Nilo de Macedo, médico da mais expressiva capacidade, que serviu Muzambinho durante todos esses anos, depois de ter se especializado na Suíça e nos Estados Unidos. Hoje, é representado, em Belo Horizonte, pelo Dr. Ricardo Jacob Macedo, filho médico; Andréa Macedo, filha enfermeira que atua no Hospital do IPSEMG; e Rodrigo Macedo, odontólogo e, em Muzambinho, por outro filho médico, Dr. José Roberto Macedo, cirurgião. A linhagem de Lamartine Macedo deu origem ao Juiz de Direito Ivan de Macedo.
Da linhagem de D. Cidinha Macedo Bócoli, com inúmeros filhos. Destacaria José Alfredo de Magalhães, pai de Heloísa, Maura e Neusa, moradoras de Belo Horizonte. Infelizmente, apesar de tanto vibrarem com a difusão da cultura de Muzambinho, não puderam estar entre nós, porque Neusa Maria de Magalhães, minha colega de 4ª série ginasial, está severamente enferma.
Quero ainda falar da Profa. Petronilha Innacarato Bueno, Diretora da Escola Cesário Coimbra, familiar do recém-aposentado Juiz do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais, Dr. Luiz Marcelo Innacarato, e do Desembargador, nascido em Muzambinho, Dr. Jacomino Innacarato, já falecido.
Temos também Clarinda Tardelli Bonelli, Diretora da escola estadual mais importante do Município de Monte Belo; Luiz Leite, um mito da advocacia em todo Sul de Minas; e Fábio de Oliveira Coimbra, que, sendo eu filho de ferroviário, atendia-me como médico da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro. Ele é irmão do saudoso Dr. Ismael de Oliveira Coimbra, grande vulto da medicina e da política de Muzambinho, que aqui está presente, com sua filha, ex-Diretora Maria Antonieta Coimbra Campedeli.
Cito ainda o Sr. Nicolau Introncaso e o Dr. Jacy de Assis. Quem era o Dr. Jacy de Assis?
Dr. Jacy de Assis, filho de Muzambinho, poderia ser reverenciado aqui, hoje, como uma das figuras importantes da vida da nossa cidade, fruto desse colégio, ele que foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Uberlândia e, por 20 anos, seu Diretor, um dos criadores da Universidade Federal de Uberlândia. É bom poder lembrar de Geraldo Freire, Deputado Federal, que enviou a mensagem para a cerimônia de Muzambinho, ele que foi um dos líderes dos governos militares da época de 1964, um dos vultos mais prestigiados da política mineira lá na Câmara dos Deputados. Gostaria de lembrar do pai de um meu colega de turma de Medicina, do Prof. Orlando de Carvalho, que, nascido em Pouso Alegre, estudou em Muzambinho e foi um dos grandes vultos desse Liceu Municipal; chegou a Reitor da UFMG, lecionou direito constitucional desde 1938, na Faculdade de Direito da UFMG, e desde 1954, até sua aposentadoria, lecionou Teoria Geral do Estado. Minha mulher teve o privilégio de ser sua aluna, e muitas vezes, quase se aposentando, com idade avançada, sempre perguntava para a minha mulher como estava a minha filha Fabíola. Uma memória fantástica do Prof. Orlando de Carvalho. E diria que ele foi muito mais do isso: estudou da Sorbone, foi Reitor da Universidade Federal de Ouro Preto, em 1974, e foi Secretário de Estado da Educação no Governo Milton Campos. Era uma figura que outrora passava nos trens da ferrovia, da Mogiana e pernoitava no Distrito de Juréia, estudando no Liceu de Muzambinho, filho de Pouso Alegre, dos mais expressivos nomes desse educandário. E temos tantos outros. Espero que o Prof. João Marques, na sua fala de ex-Diretor, possa refrescar minha memória com mais alguns nomes, pois gostaria de resumir neste momento alguns desses nomes importantes que tenho que citar. E, ao citar os nomes desses filhos do Liceu de Muzambinho, do seu Colégio Estadual, do seu Ginásio Mineiro, da Escola Salatiel de Almeida, devo dizer que boa parte dessa Mesa é composta de ex-alunos do Liceu, excetuando o nosso representante do Corpo de Bombeiro, que é jovem e que é de Belo Horizonte, não conheceu o Liceu. Temos aqui o Desembargador Hugo Benson Júnior, ex-aluno do Liceu, hoje uma das maiores expressões do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Presidente do TRE-MG, ao lado do recém-empossado Governador Tibagy Salles de Oliveira, expressiva figura da magistratura mineira, filho de Muzambinho, ex-aluno do Liceu Estadual; O Prefeito Sérgio Arlindo Paoliello; o próprio Dr. João Marques, que também estudou no Colégio São José. Mas o Dr. João Marques foi mais do que ex-aluno, foi Diretor por oito anos, e tive o privilégio de ser aluno do Colégio Estadual de Muzambinho, na época até de transição do Reitor para o Diretor João Marques de Vasconcelos. Com muito orgulho e com muito respeito, refiro-me à sua pessoa, Prof. João Marques, porque, na verdade, se hoje posso estar aqui ocupando esta tribuna, muito lhe devo; muito devo ao Prof. Paulo Vilhena, de Latim, aos professores irmãos Sebastião Mariano Franco de Carvalho e José Mariano Franco de Carvalho; muito devo à Profa. Olga Cerávolo Bueno de Resende, já falecida, mas devo à Diretora da minha época, Olga Santos Neves, aqui presente (- Palmas.), com quem pude desfrutar os ensinamentos da História. Ela que me incutiu meus primeiros sentimentos da luta libertária deste Estado de Minas Gerais ao nos ensinar a belíssima página dos movimentos libertários de Minas Gerais e, ao mesmo tempo repudiar a opressão da conquista do México, pelos espanhóis, de Cortês, da conquista do Peru, dos Incas, por Pizzaro.
Todos são exemplos de opressão, que a senhora nos ensinou. Talvez isso tenha transformado a nossa personalidade, fazendo-nos um dos parlamentares que lutam pela defesa dos oprimidos, pelos pobres, pelos países do Terceiro Mundo e pelo Sul, contra a prepotência do Norte dos ricos. Agradeço a essa estirpe de professores, ao Sr. Walter Cipriani, ao Sr. Títio, ao Welington de Oliveira, à Profa. Odila, à Profa. Mafalda Tardelli e à Profa. Maria Antonieta Varoni, D. Netinha, com filhos na Capital. Tenho de louvar também um ex-aluno, o Presidente da Câmara, Dr. Luiz Fernandes Francisco. Vejo, neste Plenário repleto, o nosso historiador, Ivon Vieira, ex-aluno do Colégio, que tem contribuído com o resgate da história do nosso município; a Profa. Daclé Vilma de Carvalho, que é de Juréia, professora de Enfermagem da UFMG e doutora em Enfermagem pela USP; a minha esposa, Adalete Nunes, advogada, ex-aluna e minha brilhante assessora; Dr. Cênio Itamar Vieira; e seu irmão Sérgio Vieira. Registro a presença do nosso vizinho, Deputado Dilzon Melo, de Varginha; do ex-Juiz, Advogado Elson de Paula; e do odontólogo e amigo particular, Lázaro Casiano Pereira Filho. Exalto a presença do ex-Presidente da Sociedade Mineira de Ortodontia, filho de uma das expressões do Colégio, a Profa. Lourdes Costa, o Dr. José Ferreira Rocha Filho. Gostaria de enumerar todos os nomes, mas acredito que o Presidente da Mesa, daqui a pouco, fará soar a campainha, cortando a minha fala. Peço desculpas por não enumerar os nomes de todos os presentes, mas não poderia deixar de falar do meu ex-Chefe de Gabinete, quando fui Prefeito de Muzambinho, João Batista Dias, hoje gerente de uma empresa multinacional de Belo Horizonte; do meu ex-assessor, ex-aluno do Colégio, locutor de rádio, Waldir Abraão; de dois amigos de Muzambinho que por lá passaram: o ex-gerente do Banco do Brasil, Marinho Margarida Vieira; e do ex-gerente do Banco do Brasil, José Galvão; e da Profa. Meiga Vilas Boas Vasconcellos, esposa do nosso Diretor João Marques. A vida dessa personalidade é das mais profícuas, não apenas como mãe de família, com um prole numerosa e bem sucedida, mas também como professora dedicada, artista plástica e escritora. Poderia falar de tantos vultos de Muzambinho, mas o tempo não me permite.
Cito ainda um ex-aluno do Colégio, que nos mandou uma mensagem, o Deputado Federal Walfrido dos Mares Guia, irmão do ex-Secretário da Educação, João Batista dos Mares Guia, cujo pai Dr. José Maria dos Mares Guia, nasceu em 1906, em Santo Antônio do Monte, e faleceu recentemente. Ele foi professor universitário, sempre exaltado pelos seus filhos, como um produto expressivo do Lyceu de Muzambinho.
Vou encerrando minhas palavras, mas não poderia deixar de mencionar os ex-diretores. Falará por eles o Prof. João Marques, mas lembraria além de seus fundadores, Profs. Fernando Avelino Correia e Salatiel Ramos de Almeida, o Prof. Saint’Clair de Magalhães Alves, que está aqui com seu filho Zuza, de Juiz de Fora, e Antônio Magalhães Alves, que era pai do ex-Deputado Jairo Magalhães Alves, residente hoje em Itabira, mas nascido em nossa região. O Prof. Antônio João Magalhães Alves deu-nos 3 filhos importantes: Cláudio, o ex-Deputado Jairo Magalhães Alves, que, infelizmente, na última hora, não pôde aqui comparecer, e Graco. Todos nasceram em Porto das Flores, então distrito de Juiz de Fora. Seus familiares estão presentes aqui na galeria superior, bem como os Profs. João Marques de Vasconcelos; Olga Santos Neves; Reinaldo Benassi, radicado em Campinas; Válter Cipriani, Sr. Títio; Isac da Silva Brandão, também radicado em Campinas; Maria Antonieta Coimbra Cambedeli, que já mencionamos, cujo filho trabalha conosco no gabinete; José Carlos Ribóli, meu companheiro de turma; Maria Estela Resende Pereira; Roberto Bianchi e Maria Antonieta, Presidentes da Câmara, cada um em um biênio na época que fui prefeito; Helena Lúcia Elias Ribóli; Valdir Balaben, nascido em Limeira, São Paulo; Nílson Luís Bortolotti, que, por longos anos, foi Diretor do Colégio e Prefeito por duas vezes; Zélia dos Santos Tavares, nascida em Jacuí, uma das cidades mais antigas do Sul de Minas, a sede do bispado mais antigo do Sul de Minas; Maria Aparecida Batista Ribóli; Elza Maria Viana, nascida em Cabo Verde e radicada em Muzambinho; Lindalva Maria Morais Bueno, diretora dinâmica e combativa que hoje exerce a direção da escola e promoveu, durante um mês, festividades comemorativas do centenário do colégio, com todo amor e dedicação - não é muzambinhense, mas delfinopolitana, nascida naquele paraíso chamado Delfinópolis, às largas da represa de Peixoto, perto de Passos -, que está de parabéns e a quem homenageamos sinceramente nesta ocasião.
Depois de falar tantos nomes, de citar tantas pessoas, de rememorar tantos vultos, de mostrar para Minas Gerais, através desta tribuna do povo, tudo isso, não poderia deixar de dizer que Muzambinho não é aquilo que uma falsa leitora do “Estado de Minas” disse. Criticou-me por razões salariais e por minhas posições convictas sobre os atentados terroristas nos Estados Unidos. Disse que eu era escória de um canto geográfico perdido de Minas Gerais. Ao falar o que disse sobre o Lyceu Municipal de Muzambinho, o Ginásio Mineiro de Muzambinho, o Colégio Estadual e a Escola Estadual Prof. Salatiel de Almeida, refuto e repilo essas críticas, em nome dessa jóia de Minas Gerais que se chama Muzambinho. Repilo e refuto que minha cidade adotiva, Muzambinho, seja, por motivos pessoais contra mim, chamada de canto perdido de Minas Gerais. O que mostramos aqui, hoje, é que é uma das estrelas mais importantes da constelação de municípios mineiros e, quiçá, brasileiros. Embora queira repelir também as acusações contra mim, eu as admito como livre manifestação do pensamento.
Tenho, em mãos, a carta da pessoa. Poderia até processá-la - tenho a carta comigo - por me chamar de ladrão por causa dos salários que a Assembléia Legislativa paga, há muito tempo, aos seus Deputados. Essa não é uma questão para o momento, mas houve excessos, por parte da imprensa de Minas Gerais, que bateu muito, bombardeou muito com bombas cibernéticas esta Casa, como se quisesse desmontar o Poder Legislativo. Respondo a isso com a frase do nosso 1º-Secretário, Deputado Mauri Torres: o parlamento pode custar caro ao povo, ao Estado e ao País. Que fechem o parlamento, mas sujeitem-se a viver sob as garras da ditadura, porque um Estado sem parlamento é um país de ditadura. Submetam-se a viver sob as garras da ditadura, com todos os seus efeitos, como a falta das garantias e direitos individuais, com a falta da liberdade democrática. Aí, sim, teremos um Estado que não custa nada.
É claro que havia distorções e exageros nos salários, mas não precisava a imprensa de nosso Estado desmoralizar, achincalhar e enxovalhar tanto um parlamento, como aconteceu com esta Casa, nos últimos tempos. Não aceito as críticas nos moldes em que foram feitas. Sabemos todos que, quando a imprensa quer, é destrutiva. A maioria dos Deputados desta Casa que se manifestou contra esse episódio teve suas frases de 5 ou 6 segundos meramente pinçadas para servir de prova contra si mesma. A imprensa jamais nos deu oportunidade de falar 5 ou 10 minutos ao vivo, para defendermos certos aspectos do Legislativo.
Quero fazer disso também o meu protesto, porque, hoje, podem conhecer este Deputado que fala da tribuna para Minas Gerais. Não é a escória de um recanto perdido dos cantões de Minas Gerais. Está provado, hoje, que somos fruto de um educandário que nos ensinou a ser humano acima de tudo, que nos ensinou a descobrir que o maldito mercado da globalização tem matado, que a valorização do ter, que os meios de comunicação apresentam para a população, acima do ser, destrói o humanismo. O consumismo, o erotismo, isso tudo é criação da mídia dos tempos modernos. Realmente, um dia, temos de desnudar isso para o povo menos culto, menos inteligente, que somente lê as manchetes muitas vezes despudoradas da própria imprensa.
Quero terminar a minha fala com a frase tão prometida de um mineiro de Muzambinho, o ex-aluno do Liceu Jaci de Assis, expoente do direito mineiro, Diretor da Faculdade de Direito na Universidade Federal de Uberlândia. Nós, gerações de várias épocas, nos inseriremos em sua frase, com a qual quero terminar o meu pronunciamento nesta tarde emocionante. Filho de ferroviário, que sonhava ser Deputado antes de ser médico, aqui cheguei sem um empurrão de dinheiro de quem quer que seja, sem apadrinhamento de quem quer que seja, mas unicamente por aqueles que conheceram minha vida profissional na medicina e por aqueles que acompanharam os meus primeiros trabalhos políticos, no Colégio Estadual de Muzambinho, como Presidente do seu grêmio, onde fui colega de Maria de Lourdes Ferreira, aqui presente como coordenadora do Coral.
Chegamos a esta Assembléia devido aos ensinamentos desse educandário, dos ensinamentos da minha família e dos ensinamentos religiosos, que me propiciaram não ser uma escória - como muitos pensam de mim -, mas cidadão de uma cidade mineira altamente evoluída e politizada. De tão altamente politizada e evoluída, é capaz de produzir parlamentares como eu, que tem a coragem de, nesta Casa, falar com autenticidade o que pensa, porque não sou daqueles políticos que acham que devem falar o politicamente correto. Falo o que politicamente penso.
Neste momento, não tenho por que deixar de reconhecer isso ao meu Colégio. Lembro-me do Prof. João Marques incentivando-nos a ouvir a “Cadeia da Legalidade”, num momento de crise institucional do País, quando a ditadura ameaçava abater-se sobre nós. Queríamos a preservação da democracia. Agradeço ao regente do coral, o meu amigo Acácio Donizete Vieira, que muito me ajudou a ser Prefeito de Muzambinho. (- Palmas.) Agradeço a presença do Cel. Antônio Carlos, que foi Comandante da Polícia Militar no Governo Azeredo, do Cel. Edevar de Oliveira, nascido em Muzambinho, do Cel. Vérter Santa Cecília, também Muzambinhense dos Carnevalli. Agradeço ao Cel. Herbert Magalhães, também nascido em Muzambinho, que foi Chefe do Estado-Maior da Polícia Militar no Governo Azeredo. Agradeço ao colega que acaba de chegar, o Deputado Aílton Vilela, de Três Corações. Agradeço a todos os que vieram de Muzambinho, em três ônibus, e aos que vieram em seus carros particulares. Não perderam o seu tempo. Se alguém perguntar o que vieram fazer em Belo Horizonte, neste momento, eu diria que vocês vieram numa cruzada cívica pela conservação do espírito educacional do Liceu de Muzambinho. Isso é o bastante.
O Dr. Jaci, no dia 25/9/26, na sessão da saudade, quando o colégio completava o jubileu de prata, disse: “Eu me revejo no Liceu, anos atrás, vivendo esta mesma hora emocional. Volvo os meus olhos para esta Casa, que sempre será minha, todo contrito no enternecido deleite dessa lembrança. Neste santuário querido afloraram os sonhos mais queridos da minha vida”. Muito obrigado.