DEPUTADO MÁRCIO CUNHA (PMDB)
Discurso
Comenta a nomeação da comissão de Deputados para solicitar ao Governo
Federal esclarecimentos sobre a exclusão da Região Metropolitana de Belo
Horizonte do Projeto Brasil Legal. Comenta as denúncias de corrupção no
Senado Federal envolvendo os Senadores José Roberto Arruda, Antônio
Carlos Magalhães e Senado Jader Barbalho. Questiona a validade da votação
secreta.
Reunião
234ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/05/2001
Página 15, Coluna 2
Assunto (ALMG). LEGISLATIVO.
Aparteante Rogério Correia, Luiz Tadeu Leite.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/05/2001
Página 15, Coluna 2
Assunto (ALMG). LEGISLATIVO.
Aparteante Rogério Correia, Luiz Tadeu Leite.
234ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 24/4/2001
Palavras do Deputado Márcio Cunha
O Deputado Márcio Cunha - Sr. Presidente, Sr. Secretário, Srs.
Deputados, Sras. Deputadas, dois assuntos me trazem a esta tribuna
nesta tarde. O primeiro é que o Deputado Antônio Júlio, Presidente
desta Casa, e a Mesa Diretora, na manhã de hoje, finalmente
nomearam a comissão de Deputados Estaduais para fazer uma visita à
Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, junto ao Ministério
da Integração Nacional, que irá esclarecer e tomar satisfação
junto ao Governo Federal em relação à exclusão de Belo Horizonte e
Região Metropolitana do Projeto Brasil Legal. Para que tenham uma
idéia, esse projeto disponibiliza RS$700.000.000,00 para
investimentos em vilas e favelas a fundo perdido, portanto, sem
nenhum custo para os municípios.
Em Belo Horizonte, há uma população de 500 mil habitantes vivendo
em vilas e favelas, sendo que 300 mil não possuem sequer esgoto
sanitário. Portanto, Sr. Presidente, é de fundamental importância
que a comunidade mineira, especialmente a belo-horizontina,
mobilize-se para mostrar ao Governo Federal que, além do grande
equívoco, houve uma grande discriminação, ao se deixar Belo
Horizonte e Região Metropolitana de fora.
A Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo dados
estatísticos, é a segunda ou a terceira em pobreza e tem
municípios com grandes dificuldades. Dessa forma, esta Assembléia
não pode ignorar esse fato.
Além disso, Sr. Presidente, liderados pelo Deputado Rogério
Correia, estamos assinando um requerimento solicitando uma
audiência pública na Comissão de Assuntos Municipais, o qual será
avaliado e - tenho certeza - aprovado pelos Srs. Deputados da
Comissão agora, à tarde, para que também lá possamos fazer essa
discussão.
Portanto, eu, o Deputado Rogério Correia e outros estamos
solicitando à Mesa Diretora que disponibilize estrutura, para que
nós, Deputados Estaduais, consigamos ir a Brasília mudar essa
situação.
O Deputado Rogério Correia (em aparte) - Primeiro, parabenizo V.
Exa. por estar abordando esse assunto. Esperamos poder, de fato,
fazer essa audiência pública para tratar da questão das casas
populares, da moradia em Belo Horizonte.
Um dos vetos que o Governador deu ao orçamento foi a uma emenda,
se não me engano, de autoria do Deputado João Leite, que propunha
que o Estado de Minas Gerais aplicasse - não sei quanto -dinheiro
na construção de moradias populares na região da Grande BH.
Acho que temos de estar unidos para tentar derrubar esse veto.
Aproveito a oportunidade desse requerimento que está sendo
apresentado na Comissão de Assuntos Municipais para agregar o Pró-
Pampulha. V. Exa. também é autor desse requerimento, que foi parte
de um veto do Governador Itamar Franco. Gostaria de contar com a
solidariedade de V. Exa. e dos demais Deputados votados em Belo
Horizonte para a derrubada desses dois vetos. Muito obrigado.
O Deputado Márcio Cunha - Outro assunto que me traz à tribuna é
também discutido pelo Deputado Rogério Correia. Refiro-me à
situação do Senado Federal. É difícil não me remeter à
similaridade do que aconteceu em Chicago, na década de 30, quando
um grupo de delegados federais, conhecidos como “Intocáveis”,
prenderam o grande mafioso Al Capone. Quais eram os crimes
difíceis de serem tipificados e imputados a esse criminoso? A
venda de armas ilegais, a venda de bebidas alcóolicas proibidas e
o tráfico de drogas. No entanto, vejam como Al Capone acabou sendo
preso pelo suposto, entre aspas, mal menor, que era o Imposto de
Renda. Vejam que alguns, no Senado Federal, tentam escamotear
dizendo que não é um pecado mortal, mas venial, essa questão do
decoro. Refiro-me ao episódio em que estão envolvidos o Senador
Arruda e o Senador Antonio Carlos Magalhães. Portanto, é
impossível não fazer essa ligação. O Senado Federal tem obrigação
moral com este País, ou seja, levar a termo, a julgamento esses
dois Senadores, não pelos maiores males, pelos maiores malefícios
que têm praticado, como bem lembrou aqui o Deputado Rogério
Correia, quando o Senador Arruda, numa atitude de confronto com o
Presidente da República, disse que fez coisas muito piores em nome
da Presidência da República. Portanto, Sr. Presidente, nós, hoje,
no Brasil inteiro, esperamos justiça, talvez à semelhança do que
aconteceu com Al Capone, que foi preso pelo Imposto de Renda. É
preciso tomar as devidas providências para, definitivamente,
mostrar à Nação que temos de varrer do cenário político essa
questão da corrupção.
Quero aproveitar para dizer que, como um dos fundadores do PMDB
em Belo Horizonte, como Deputado que sempre esteve no PMDB, sou
favorável a que o Presidente do nosso partido e Presidente do
Senado, Senador Jader Barbalho, renuncie à condição de Presidente
do nosso partido, por estar maculando a nossa imagem e nossa
trajetória política. Que esse Senador também seja julgado por
aquilo que lhe está sendo imputado. Acho importante termos
transparência e consciência tranqüila, pois não podemos mais
conviver com essas situações.
O Deputado Luiz Tadeu Leite (em aparte)* - Caro Deputado Márcio
Cunha, estamos ouvindo o seu oportuno pronunciamento sobre os
assuntos que movimentam hoje a opinião pública nacional. V. Exa.
tem inteira razão. Não é mais possível que o Senador Jader
Barbalho permaneça na função de Presidente do partido mais
expressivo da política nacional, que é o PMDB, após tantas
situações em que se tem envolvido. É preciso que tenha a
dignidade, a hombridade de entregar a Presidência do nosso PMDB
para o Senador Maguito Vilela, a fim de se defender. Se nada for
provado contra ele, poderá retornar à função.
Durante seu pronunciamento - que ouvi por inteiro -, V. Exa.,
referindo-se ao episódio envolvendo o Senador José Roberto Arruda,
disse, de relance, que aquele político chegou a dizer com todas as
letras que fez muitas outras coisas muito mais graves do que essa
em que foi pego em flagrante. O Brasil precisa saber que coisas
tão graves são essas. Ou ele acha que o que fez não significa
nada, e alguma outra coisa seria muito mais grave, porém nem de
tanta gravidade - e seus contornos morais não são os mesmos da
média do povo brasileiro -, ou está admitindo que fez coisas
escabrosas em benefício do Governo? Portanto, tem o dever de
revelar que coisas são essas à Comissão de Ética do Senado. É réu
confesso da violação do painel e, agora, também de outras coisas
que precisam ser mais bem investigadas. Ao que nos parece, nobre
Deputado Márcio Cunha, esse episódio é apenas uma ponta do
“iceberg”, da lama, de uma sujeira imensa que está tomando conta
do Brasil por força desse Governo neoliberal do Fernando Henrique
Cardoso. Muito obrigado.
O Deputado Márcio Cunha - Estamos fazendo coro com os ilustres
Deputados que estão solicitando que acabemos com esse instituto da
votação secreta. A população não pode mais conviver com isso, que
é resquício dos tempos ditatoriais. Portanto, a votação tem de ser
aberta, e devemos determinar isso.
Os brasileiros ainda estão estupefatos com os últimos
acontecimentos no Senado da República. O depoimento dramático ou
melodramático do Senador José Roberto Arruda - até na semana
passada Líder do Governo Federal - deixou-nos diante de uma
inquietante indagação: Qual dos depoimentos contém mais mentiras?
O primeiro, no qual lançou mão de uma arrogância que o cargo de
todo-poderoso Líder do Governo lhe emprestava, desmentindo com
veemência as declarações da ex-Diretora do PRODASEN, Regina
Borges, dizendo, ao final, que havia “matado a pau”; ou o segundo,
no qual, chorando muito, tornou-se réu confesso, perante milhões
de espectadores indignados?
As lágrimas, copiosas, visíveis e pungentes, podem convencer
muitos dos Senadores, sustando no Senado um possível pedido de
cassação do Senador Arruda e seu colega Antonio Carlos Magalhães,
ambos por faltar ao decoro parlamentar. Ambos são acusados de
mandar violar o painel eletrônico, para saber os votos secretos
dos seus colegas Senadores na votação do processo de cassação do
ex-Senador Luís Estevão, não por envolvimento dele com o Juiz
Lalau, mas por ter exatamente - vejam os senhores - faltado com o
decoro parlamentar. Confessar-se culpado, chorar perante as
câmeras das tevês pode ser a nova estratégia em curso, a de pôr
panos quentes sobre o assunto, para tudo acabar em “pizza”. Mas
não acredito que os nobres Senadores da República brasileira irão
se locupletar com toda essa lama. Como bem diz o Senador paulista
Romeu Tuma, Arruda é, no mínimo, cúmplice nesse crime, “pois ele
pôs a mão na massa”. É preciso investigar a fundo essa história,
para resgatarmos a credibilidade na política.
Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para questionar a
validade da votação secreta nesta Assembléia Legislativa. Afinal,
fomos eleitos para ser representantes de nossas comunidades, e
essa representação tem que ser objetiva e transparente. O painel
eletrônico é um avanço, pois sua modernidade permite acelerar os
trabalhos em Plenário, mas não precisamos esconder nossas posições
e nossas decisões. O cidadão que nos elegeu assim o fez por
confiar em nossas posições políticas. Assim, o fim da votação
secreta na Assembléia dará mais confiabilidade a esta Casa e
aproximará mais os Deputados dos cidadãos.
Além disso, Sr. Presidente, acho que é uma excelente oportunidade
para nós, mais uma vez, questionarmos a segurança do voto
eletrônico nas eleições. Sabemos de casos em que se questiona a
validade dos resultados eleitorais. Se o painel eletrônico do
Senado Federal pôde ser violado, por que não termos desconfiança
com relação à possibilidade da insegurança do voto eletrônico? O
voto eletrônico é uma modernidade, é um avanço, e o desejamos, mas
qual é a segurança real, a segurança que, de fato, temos? Queremos
aprofundar a discussão sobre a segurança nesse aspecto da votação
eletrônica neste País e também fazer coro com os Deputados para
terminarmos, de uma vez por todas, com esse resquício dos tempos
ditatoriais que é a votação secreta. Muito obrigado.
* - Sem revisão do orador.