DEPUTADO LAUDELINO AUGUSTO (PT)
Discurso
Comenta o papel do parlamentar no cenário social.
Reunião
16ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 02/04/2003
Página 24, Coluna 3
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
Aparteante Dalmo Ribeiro Silva.
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 02/04/2003
Página 24, Coluna 3
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
Aparteante Dalmo Ribeiro Silva.
16ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 27/3/2003
Palavras do Deputado Laudelino Augusto
O Deputado Laudelino Augusto - Mineiras e mineiros, detentores
do Poder, o qual representamos nesta Casa, Sr. Presidente, membros
da Mesa, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, é a segunda vez que
ocupo esta tribuna como Deputado Estadual. Já a havia ocupado
outras vezes, como cidadão, como Vereador, quando participei de
seminários, audiências públicas. Lembro-me até de um seminário
sobre desemprego, em que pude representar o grupo presente,
entregando ao então Presidente, Anderson Adauto, uma listagem com
441 propostas para diminuir o desemprego em Minas. E, neste
momento, faço-me solidário com o grupo Associação Comunitária
Cristã do Brasil, que está aqui fazendo um manifesto contra o
desemprego.
Como Deputado Estadual, a primeira vez em que assumimos
compromisso foi no dia da nossa posse, quando, após ouvirmos os
termos do nosso compromisso com a Constituição, a democracia, a
ética, ocupamos a tribuna para dizer: “Assim o prometo”. E hoje
estou aqui para fazer algumas considerações e, quem sabe, trazer
contribuição aos debates. Esta é a Casa do parlamento.
Vamos vivendo entre angústias e esperanças, como a maioria do
povo sobrevive. As angústias são muitas, a começar pela guerra
entre Estados Unidos e Iraque. Lembro-me do meu pai, a quem presto
uma homenagem. Ele é ex-combatente da Segunda Guerra. Homenageio,
também, todos os ex-combatentes. Com a sabedoria de quem vive há
82 anos, tem sido muito entrevistado sobre a guerra e tem dito,
taxativamente, que é uma estupidez humana, traz angústia,
violência, miséria, fome.
O Brasil é o maior país agricultável do mundo, no entanto faz
campanha contra a fome. Isso traz angústia. O Brasil e o mundo têm
tudo para serem melhores e não são. Isso angustia a todos mais
ainda. Minas Gerais é um Estado maravilhoso, potencialmente rico
em pessoas, recursos naturais e não consegue resolver os problemas
básicos de seu povo. Isso traz angústia, mas, graças a Deus, a
esperança é maior.
Muitos fatores têm contribuído para aumentar nossa esperança: o
mundo que se levanta pela paz, por intermédio de manifestações, o
povo que se organiza, a sociedade que toma consciência, as
alternativas que estão sendo criadas, principalmente pelo povo
pobre. O Governo Lula, mesmo que lentamente, com tantas
dificuldades, após os 503 anos de exploração do nosso povo, está
caminhando, e logo teremos muito mais motivos para ter esperança.
Nossa missão é trabalhar para eliminar as causas das angústias e
fazer com que a esperança seja maior; trabalhar para que tenhamos
motivos concretos de esperanças para o nosso povo. Quando falo
“nossa missão” estou me referindo a nós todos: cidadãos, cristãos
- a maioria no Brasil se diz cristão - não-cristãos, pessoas de
bem, políticos. Aqui entra nossa missão muito séria neste campo da
política: exercer o poder em nome do povo, junto com o povo, para
garantir a satisfação das suas necessidades básicas. Nós, que
exercemos parcela do poder, temos um compromisso muito sério nessa
questão.
Faço uma reflexão. A doutrina social cristã diz que a razão de
ser do Estado usa o poder que emana do povo a serviço do próprio
povo. A Constituição, no seu art. 1º, § 3º, garante isso, quando
diz que o Poder emana do povo e é exercido por ele diretamente por
meio de seus representantes. É uma questão de concepção do poder,
e temos feito isso nas bases, nas pastorais sociais e nos
movimentos populares.
Afinal, o que é poder? O poder, como vantagem, como privilégio, é
um engano que subsiste por séculos. O poder é serviço e assim deve
ser entendido e vivido. Se mudarmos essa concepção de poder,
mudaremos a mentalidade e as estruturas. Aprendemos e repartimos
com todos aqui. Aprendemos com o Movimento Juízes para a
Democracia, no programa da Rede Vida de televisão. Disse que a
reforma do Poder Judiciário tem de ser também a dos demais
Poderes. Deve começar pelo nome e,se conseguirmos mudá-lo, será um
grande passo. Em vez de Poder Executivo, Serviço Executivo; em vez
de Poder Legislativo, Serviço Legislativo e em vez de Poder
Judiciário, Serviço Judiciário.
A competência dos chamados Poderes é servir à sociedade.
Poderíamos incluir um quarto Poder: o da comunicação. Poder não,
serviço da comunicação. A sociedade, como um todo, precisa
crescer, e não um partido, um Presidente, um Governador ou um
Deputado. Ela precisa organizar-se e elaborar o projeto a ser
realizado. Aí, sim, elegerá pessoas para implementá-lo e, então,
podemos falar de cidadania.
Somos representantes do povo, e não substitutos. Cidadania
decorre da participação ativa da sociedade. É o único remédio
contra dominação, e a única maneira de a conquistarmos é
construindo o poder popular.
A carta do manifesto de fundação do PT diz que este participará
de eleições a fim de colocar o poder político a serviço do
popular. Com essa concepção de política e de poder, questiono o
termo oposição. Oposição a que e a quem? Temos certeza de que
precisamos mudar a referência do Poder Legislativo e colocá-lo
onde deveria estar, ou seja, junto à população organizada. A
Bancada PT-PCdoB é da Oposição, mas a que e a quem?
Somos eleitos para fazer o projeto da sociedade mineira
acontecer, mas questiono a representatividade da população. Como
ele foi discutido e elaborado? Está sendo colocado em prática, e
as primeiras ações do Governo são questionadas por vários setores
da sociedade. Se fosse um projeto da sociedade, não seria contra.
O Governo Lula ouviu a população. Outros partidos participaram da
elaboração do programa de governo. Precisamos conseguir
participação mais efetiva da sociedade, para que tenhamos como
referência o projeto da sociedade.
Assim, fará oposição quem estiver contra o projeto da sociedade.
Diante da minha representatividade nesta Casa, solicitaram-me que
fizesse essa reflexão. O projeto foi aprovado em 1º turno, mas o
povo mineiro não pôde debatê-lo. No Sul de Minas, região que
represento, o Governador Aécio Neves não participou de debates
eleitorais. Aliás, morou pouco tempo em Minas. Os mineiros não o
conhecem ainda. Há quem diga que o eleito foi Tancredo Neves, por
causa das propagandas eleitorais, com 10 minutos de programa na
televisão. Precisamos realizar audiências públicas, ouvir a
opinião da sociedade organizada sobre o projeto que Minas deseja.
Aí, estaremos usando melhor o termo oposição.
Sou natural do Sul de Minas, região do Alto e Médio Sapucaí, do
circuito das águas, nascido e criado em Caxambu, estância
hidromineral. Ontem, fez 30 anos que cheguei a Itajubá, onde fui
muito bem acolhido. Fui Vereador por aquela cidade durante seis
anos. Agora, fui eleito Deputado Estadual. Temos discutido vetos e
projetos, sempre com o pensamento em prol do povo mineiro. Não
estou sozinho. A nossa campanha foi feita juntamente com a
sociedade organizada. Representamos movimentos de base, populares
e eclesiásticos. Ajudamos a fundar o PT em diversas cidades do Sul
de Minas. O Conselho Político Pró-Cidadania nos acompanha antes de
exercer o mandato de Vereador. Temos ainda a Associação para o
Desenvolvimento Integrado dos Municípios da Região da BR-459, que
denominamos de Rota Tecnológica 459. Apesar de ser uma experiência
tímida, está realizando um trabalho muito interessante, levando em
consideração diferenciais como educação, ciência, tecnologia e
turismo, no circuito das águas. Com a participação da sociedade
conquistaremos o objetivo que desejamos.
O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) - Deputado Laudelino
Augusto, estamos ouvindo suas palavras e felizes em recepcioná-lo,
pela extraordinária vocação e vida exemplar na sua querida
Caxambu, particularmente em Itajubá, onde prestou grandes serviços
à Câmara Municipal. Sempre tive o maior apreço e respeito por V.
Exa., além da certeza de que seria legítimo representante do povo
sul-mineiro. A filosofia adotada como paradigma que norteia sua
vida me conforta, é salutar, porque V. Exa. gosta do jogo
democrático, visando à paz social, particularmente à ética na
política. Esse exercício é bom para a democracia. O parlamento
mineiro está enriquecido com a sua presença, representando a nossa
querida bancada do Sul de Minas. Peço a Deus que abençoe seu
trabalho nesta Casa, como abençoou o seu longo tempo de serviço
prestado à Câmara Municipal de Itajubá. Parabéns. Conte sempre
conosco.
O Deputado Laudelino Augusto - Obrigado, Deputado Dalmo Ribeiro
Silva. Precisamos unir as nossas forças, porque temos como
referência o projeto da sociedade. Em volta da mesa, com a
sociedade, com certeza estaremos unidos para o bem do povo
mineiro.
Farei algumas reflexões acerca das minhas primeiras impressões
desta Casa. Durante um mês fiquei observando e ouvindo. Confesso
que ainda estou um pouco perplexo, porque a dinâmica é muito
grande. Sou caxias e gosto de estar presente em tudo. Aliás, tenho
essa obrigação, porque fomos eleitos para isso. Estou sempre com o
desejo de servir e realizar a missão para a qual fomos eleitos.
Estou sendo muito bem atendido pela bancada - muito acolhedora -,
pelas Deputadas, Deputados e funcionários, a quem agradecemos.
Manifesto, também, meus agradecimentos à população. Contamos com a
paciência de todos, a fim de aprendermos juntos a fazer o que é
certo, além de sermos fiéis. Fomos eleitos para isso.
Contribuiremos para que o Poder Legislativo preste bons serviços a
Minas Gerais. Obrigado.