DEPUTADO LAFAYETTE DE ANDRADA (PSDB)
Discurso
Declaração de posição contrária às supostas críticas do Senador Hélio
Costa, pré-candidato ao cargo de Governador do Estado pelo Partido do
Movimento Democrátio Brasileiro - PMDB -, à administração do Governador
Aécio Neves, publicadas no jornal "Hoje em Dia". Declaração de posição
favorável às reivindicações dos servidores e professores da rede pública
estadual de ensino em greve e contrária à suposta exploração política do
movimento grevista pelos partidos de oposição, visando às eleições.
Reunião
35ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2010
Página 49, Coluna 1
Assunto GOVERNADOR. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ELEIÇÕES. COMUNICAÇÃO. EXECUTIVO. PESSOAL.
Aparteante DOMINGOS SÁVIO.
Proposições citadas PL 4387 de 2010
Normas citadas LEI nº 18802, de 2010
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2010
Página 49, Coluna 1
Assunto GOVERNADOR. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ELEIÇÕES. COMUNICAÇÃO. EXECUTIVO. PESSOAL.
Aparteante DOMINGOS SÁVIO.
Proposições citadas PL 4387 de 2010
Normas citadas LEI nº 18802, de 2010
35ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 12/5/2010
Palavras do Deputado Lafayette de Andrada
O Deputado Lafayette de Andrada - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
na verdade, venho a esta tribuna depois de algum tempo, porque
fiquei espantado com algumas palavras pronunciadas pelo Senador
Hélio Calixto da Costa, fazendo críticas ao governo de Minas.
Essas palavras foram publicadas ontem, no jornal “Hoje em Dia”. O
Senador Calixto critica a gestão do Estado de Minas Gerais. Até
recentemente ele elogiava o Governador Aécio Neves, o ritmo de
gestão de Minas, dizendo até mesmo que era motivo de orgulho para
o Brasil. Entretanto, agora resolveu criticá-lo.
Entre as várias besteiras que disse, o que demonstra o seu total
desconhecimento de gestão pública - aliás, não sei se é
desconhecimento ou vontade deslavada de mentir para enganar a
população -, lerei algumas: “Como pode? A dívida do Estado era de
“R$32.000.000.000,00” e hoje é de R$55.000.000.000,00? Sabe por
quê? Porque não se paga um tostão dessa dívida”. Senador, como
sempre, V. Exa. está mal-informado. O Estado de Minas paga, por
ano, mais de R$2.000.000.000,00 dessa dívida, que cresce, do
governo de Minas com a União. Sabe por quê? Porque os termos da
dívida estabelecidos nos idos de 1995 e 1996, na época altamente
vantajosos para Minas, assim como para todos os Estados, eram de
7,5% mais o IGP-DI. É importante nos lembrarmos de que estamos
falando do princípio do Plano Real. Até então, todo o Brasil vivia
aqueles juros de 40%, 50%, 60% ao mês. Negociou-se uma dívida de
7,5% ao ano mais o IGP-DI, que, naquela época, era negócio da
China. Com a evolução e a estabilização do Plano Real, hoje uma
dívida de 7,5% mais o IGP-DI é impagável. Nem agiota cobra isso.
Quando era Ministro, o Senador Calixto não fez um movimento
sequer, ou seja, não moveu uma palha para tentar modificar e
renegociar essa dívida do Estado com a União, que, aliás, não é só
de Minas, mas de todos os Estados. Quer dizer, aquela negociação
aconteceu com todos os Estados.
Hoje, em Brasília, está acontecendo uma CPI da Dívida para apurar
isso. Não é possível o governo federal massacrar os Estados
cobrando juros que nem agiota cobra. Além disso não aceita
renegociar essa dívida, o que impede o crescimento dos Estados, e
vem o Calixto da Costa dizer que Minas Gerais não a paga. De
acordo com o contrato da dívida, nenhum Estado pode pagar mais que
13% da sua Receita Corrente Líquida - RCL. Hoje a RCL de Minas
Gerais é de aproximadamente R$20.000.000.000,00. Dessa forma, 10%
seriam R$2.000.000.000,00. Aliás, estou mencionando números
grosseiros. Isso é o que Minas paga todos os anos. Os juros da
dívida são de aproximadamente R$4.000.000.000,00,
R$5.000.000.000,00. Minas Gerais paga só R$2.000.000.000,00.
Aliás, não pode pagar mais que isso, pois o contrato não o
permite. Com isso, a dívida só vem aumentando. Agora vem o Dr.
Hélio Calixto dizer que a dívida está crescendo porque não se paga
um tostão dela.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Prezado Deputado
Lafayette de Andrada, é extremamente oportuno que V. Exa. traga
essa matéria com a sobriedade de sempre e a lucidez e o espírito
público que norteiam as suas ações. Estamos num período chamado de
“pré-campanha”. Parece que algumas figuras que respeitamos e que
têm destaque na vida nacional assumem um papel de desespero e
começam a baixar o nível antes de a campanha começar.
O Deputado Lafayette de Andrada - Deputado Domingos Sávio, minha
dúvida é se ele desconhece essa realidade - e assim estaria
mostrando bem o quilate do possível candidato - ou se conhece, mas
fica dizendo mentiras para enganar a população, o que é pior
ainda.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Qualquer das duas
hipóteses é inaceitável. Acompanhei tudo atentamente. Ontem me
surpreendi também quando li essa matéria no jornal, de uma maneira
muito clara. Diante de uma declaração dessa natureza, a própria
imprensa já põe manchetes para esse tipo de ataque eleitoreiro.
Qualquer cidadão que acompanhou os quase oito anos do governo
Aécio Neves testemunhou que o Presidente Lula deu declarações,
assim como, por inúmeras vezes, os Ministros - aliás, o próprio
Ministro Hélio Costa -, de reconhecimento à seriedade, à
competência, ao exemplo e à referência que passou a ser o governo
de Minas por ter conseguido superar graves dificuldades que
encontrou no início, promovendo um choque de gestão para
modernizar as suas ações e sair de um déficit orçamentário de
caixa, mês a mês, para um superávit.
Aí ele tenta negar isso, querendo confundir o cidadão, como se
dívida indicasse que não houve superação desse déficit público.
Qualquer pessoa que entenda o mínimo de contabilidade sabe que
déficit se caracteriza quando se gasta mais do que se arrecada,
quando não se tem capacidade alguma para investir. Todas essas
pessoas que agora fazem essas críticas sabem que o governo Aécio
Neves retomou a capacidade de investimento; não só elas, o povo
mineiro sabe. Se não fosse assim, como um governo conseguiu
asfaltar tantas rodovias, como conseguiu fazer convênio com todas
as prefeituras do Estado, de modo especial com as do PT, do PMDB,
sem distinção?
O Deputado Lafayette de Andrada - Iniciando obras importantes nos
Municípios.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Iniciando obras
estratégicas e desenvolvendo o Estado, porque foi governo que
efetivamente corrigiu os erros do passado, fez o Estado avançar,
colhendo resultados para a população. Então, vem figura que todos
respeitamos e, na condição de pré-candidato, traz declaração...
O Deputado Lafayette de Andrada - Declaração burra.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Falta coerência. Foi
lembrado, há poucos dias, como possível aliado do Governador Aécio
Neves. No momento em que a aliança não se torna factível ou que,
por alguma razão...
O Deputado Lafayette de Andrada - Ou que passou a ser ruim.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Aí vira adversário. O
cidadão, por mais simples que seja, está ficando vacinado contra
esse tipo de ataque político.
Nós, Deputados, às vezes sofremos com isso. Quando se aproxima a
eleição, começam a nos atacar, a turma da Oposição começa a
inventar mentira, a caluniar. O cidadão não embarcará nisso. O
governo Aécio Neves foi exemplo; o Governador Antonio Anastasia
hoje é exemplo de competência, de seriedade. Portanto, parabenizo
V. Exa. Devolvo-lhe a palavra, porque seu raciocínio está
perfeito. Não podemos fazer campanha baixando o nível ou optando
por ataques que não têm fundamento, que não guardam relação alguma
com a verdade.
O Deputado Lafayette de Andrada - Digo mais. Olhe o despreparo
deste homem, não sei se é despreparo ou vontade de falar mentira:
“O Senador disse que os tucanos têm medo da derrota, já que a
Cemig, em 2010, tem previsão de investimento de R$3.000.000.000,00
e, para 2011, R$850.000,00”. Será que o Senador acredita no que
ele disse? Será que ele acha que empresa do tamanho da Cemig, a
maior empresa de energia do País, da América Latina, em um ano tem
previsão de investimento de R$3.000.000.000,00 e, no ano seguinte,
de R$800.000,00? Uma prefeitura pequena do interior investe
R$800.000,00 em um ano. Será que ele acredita no que ele falou?
Será que ele consegue avaliar o tamanho da burrice que ele disse,
em público, aos jornais? Ou ele está demonstrando total
desconhecimento sobre a matéria, total desconhecimento sobre
gestão pública - e aí mostra quem é o pré-candidato, quem deseja
ser o futuro Governador de Minas Gerais, desejo dele - ou, ao
contrário, o que é pior ainda, porque aí é maldade, dolo, ele tem
conhecimento da verdade e quer mascarar os fatos e ludibriar a
população. Por uma questão de bom senso, não creio que ele
acredite nessas palavras; não pode ser.
Sr. Presidente, subi a esta tribuna porque senti necessidade de
fazer esse esclarecimento. Mas quero dizer ainda um pouco mais: o
governo federal, ao qual pertencia o então Ministro Hélio Costa,
arrecada, todos sabemos, quase 70% de tudo o que é produzido no
País. Os Estados e os Municípios ficam com 30%. Mas quase 70% dos
investimentos que acontecem no País são bancados pelos Estados e
pelos Municípios. Olhe o contrassenso: o governo federal, que
arrecada 70%, investe menos de 30% de tudo o que é investido; e os
Estados e os Municípios, comprimidos, espremidos, com arrecadação
achatada, fazem o dobro de investimento do governo federal. É esse
o governo federal a que pertenceu o Ministro Hélio Calixto da
Costa. Minas Gerais tem um exemplo muito tranquilo, que todos
veem. Por meio do Proacesso, todos sabem, o governo de Minas
asfaltou e está asfaltando todos os Municípios que não tinham
acesso asfáltico. São 219 Municípios. O asfalto não chegou a
quatro rodovias que pertencem ao governo federal. O governo de
Minas ficou oito anos pedindo pelo amor de Deus; implorou,
explicou a necessidade de asfaltar 10km, 16km, 15km em quatro
rodovias. O governo de Minas asfaltou 215, mas o governo federal
não deu conta de asfaltar quatro. É essa a realidade.
Por fim, depois de mostrar as palavras estapafúrdias do ex-
Ministro, quero fazer pequena referência à greve dos professores.
Parece que hoje pela manhã houve grande entendimento na
Assembleia, liderado pelo Presidente Alberto Pinto Coelho, com os
sindicatos e a Secretária de Planejamento, Renata Vilhena. Parece
que chegaram a um denominador comum, e tudo indica que a greve
terminará. A greve é legítima, os professores dizem que ganham
pouco, e realmente ganham, e a greve é instrumento para
pressionar. Mas não posso deixar de frisar que, durante esse
movimento da greve, houve gente que manipulou os fatos,
distorcendo a verdade completamente, usando-os politiqueiramente e
tentando enganar a população quanto aos Deputados desta Casa. O
fato foi este: foi concedido a todos os servidores de Minas
Gerais, inclusive aos professores, o aumento de 10%. Foi concedido
no último prazo que a legislação eleitoral permitia, no princípio
do mês de abril, seis meses antes da eleição. A partir daí, era
proibido qualquer tipo de aumento. Os sindicatos dos professores
se mobilizaram e deflagram a greve, uma greve que sabiam que não
tinha para onde ir, porque o governo está impedido de conceder
novos aumentos, a lei não permite. Alguns Deputados e
sindicalistas resolveram usar isso para fazer demagogia e jogar
mentiras para os professores e para a população, inclusive com
cartazes, contendo retratinhos de Deputados que teriam votado
contra os professores. Qual Deputado na Assembleia votaria contra
os professores? Tenho certeza de que, se não todos, quase todos
aqui têm parentes professores. Todos temos uma prima, ou tia, ou
sobrinha, ou mãe, ou irmã professora. Todos sabemos que professora
ganha mal em todo o País e também em Minas Gerais. Quem votará
contra os professores? Mas soltaram cartazes com retratos dos
Deputados, inclusive o meu, dizendo que eram traidores dos
professores e que haviam votado contra eles. Votaram contra por
quê? Porque, no limite legal, votamos aumento de 10%; a partir
daí, não era possível fazer mais nada. Alguns Deputados,
demagogicamente, apresentaram emendas inteiramente
inconstitucionais, sugerindo aumento de 40%, até 60%, algo que não
prospera. Baseados nessas emendinhas ilegais, inconstitucionais e
demagógicas, resolveram lançar cartazes para Minas Gerais inteira,
dizendo que Deputados da Assembleia votaram contra os professores.
É mentira deslavada. É isso que quero criticar, não a greve em si.
A greve é instrumento que os professores e os sindicatos têm para
pressionar o patrão, no caso o governo, para melhorar seus
vencimentos. Mas se utilizaram da greve de maneira demagógica,
para criticar Deputados que não fizeram nada, que ao contrário,
buscaram, ao máximo, o entendimento com o governo antes da greve,
para fazer com que o aumento fosse o maior possível. Do que
adianta dar aumento que não se pode pagar? Foi dado o aumento
possível. Isso é matemática simples. Só se pode conceder aumento
até onde é possível pagar. Mais do que isso não se pode aumentar.
Foi o que aconteceu. É muito claro. Alguns usaram esse fato de
maneira capciosa, com má-fé, para jogar os professores e a
população contra o governo e os Deputados, colocando cartazes
mentirosos, com retratinhos dos Deputados, o que não nos dá medo.
Só quero esclarecer a população sobre esses cartazes e retratos -
figuro em todos eles, meu retrato está em todos -, que são
mentirosos e não dizem aos professores e à população a verdade dos
fatos. A verdade é que todos os Deputados da Assembleia lutaram,
suaram e tentaram, ao máximo, dar o maior aumento possível aos
professores e aos servidores da educação. E foi o possível. O
aumento dado aos professores foi o mesmo aumento dado às demais
categorias. Na categoria da educação, os técnicos administrativos
tiveram aumento muito superior ao das demais categorias. Houve
quem teve 20% e 30% de aumento. O fato é que usaram
demagogicamente essa greve. Por sorte, chegou-se a um
entendimento, houve discussão ampla hoje, e, ao que tudo indica,
os professores voltarão às aulas, como desejam os familiares, os
alunos e os próprios professores. A Assembleia Legislativa está de
parabéns. Parabéns ao nosso Presidente, Deputado Alberto Pinto
Coelho, pela condução dessa negociação. Enquanto os professores
precisarem, todos nós, Deputados da Assembleia Legislativa,
estaremos firmes, lutando por eles. Obrigado.