DEPUTADO JOSÉ MILTON (PL), Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Naturais.
Discurso
Discursa sobre o tema "Água: Vida e Cidadania".
Reunião
131ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2001
Página 15, Coluna 2
Evento Ciclo de Debates Minas em Defesa das Águas.
Assunto RECURSOS HÍDRICOS. DIREITOS HUMANOS.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2001
Página 15, Coluna 2
Evento Ciclo de Debates Minas em Defesa das Águas.
Assunto RECURSOS HÍDRICOS. DIREITOS HUMANOS.
131ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 7/5/2001
Palavras do Deputado José Milton
Bom-dia a todos. Como Presidente da Comissão de Meio Ambiente
desta Assembléia, tenho o prazer e a honra de participar do debate
Minas em Defesa das Águas. Cumprimento os Exmos. Srs. Paulino
Cícero de Vasconcelos, Secretário de Meio Ambiente, representando
o Governador Itamar Franco; Luiz Márcio Viana, Secretário de Minas
e Energia; José Carlos Carvalho, Secretário Executivo do
Ministério do Meio Ambiente; Deputados Federais Tilden Santiago e
Virgílio Guimarães; Paulo Afonso Romano, Consultor da OEA; Edésio
Teixeira de Carvalho, professor do Instituto de Geociências da
UFMG; 2º-Vice-Presidente da Casa, Deputado Ivo José, Presidente
deste debate, por meio de quem cumprimento os demais Deputados
Estaduais; autoridades, imprensa, senhoras e senhores; é com
satisfação que, como Presidente da Comissão de Meio Ambiente e
Recursos Naturais, participamos deste ciclo de debates. É um
evento oportuno, respaldado em decisão do Presidente, Deputado
Antônio Júlio, e da Mesa Diretora da Assembléia, de colocar o
Legislativo Estadual à frente do Movimento Minas em Defesa das
Águas. Paralelamente, serão realizadas reuniões das Comissões
Interestaduais Parlamentares de Estudo - CIPEs - dos rios Doce e
São Francisco, com a presença de parlamentares do Espírito Santo e
de Alagoas, da Bahia e de Sergipe, Estados que compartilham com
Minas essas bacias hidrográficas.
Os temas que serão tratados têm sua importância evidenciada por
uma cruel conjunção de fatores que expõem o estado crítico a que
chegaram os mananciais brasileiros. Neste mês de maio, diversos
municípios mineiros já estão com os sistemas de abastecimento de
água em colapso. Por sua vez, os reservatórios das grandes
hidrelétricas das bacias dos rios Grande, Paranaíba e São
Francisco estão tecnicamente secos, com níveis jamais observados
ao longo da história.
É impossível atribuirmos apenas aos baixos índices pluviométricos
desse último período chuvoso o estado atual dos rios das Regiões
Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Tanto os países ricos como os
pobres deparam hoje com os problemas causados pela degradação dos
recursos hídricos. Os primeiros podem, mais facilmente, realizar
programas de recuperação de corpos de água que custam muitos
bilhões de dólares. Nesse contexto, é possível reverter quadros
agudos de poluição, a exemplo do que vem ocorrendo na Europa, em
rios como o Tâmisa e o Reno, que, antes considerados mortos,
voltaram a contar com peixes de diversas espécies em suas águas.
Entretanto, nos países pobres ou em desenvolvimento, os desafios
para solucionar tais problemas são maiores e mais complexos.
Neles, condições socioeconômicas muito adversas associam-se à
ausência de políticas públicas voltadas para o trato das questões
relativas aos recursos hídricos. Ontem mesmo, a "Folha de S.
Paulo" estampava, na primeira página, um desempregado pescando no
rio Tietê, na região do Itaim Paulista, em águas que mais pareciam
um "lixão".
No rastro do esforço para conduzir o País a um estágio de maior
desenvolvimento, intensificou-se o processo de poluição e
degradação das bacias hidrográficas, em decorrência do lançamento
de esgotos urbanos e efluentes industriais, do uso intensivo de
agrotóxicos, do garimpo, enfim, da falta de saneamento básico e de
um sem-número de atividades antrópicas nocivas ao meio ambiente.
Para complicar esse quadro, o Brasil ainda não dispõe efetivamente
de um sistema de controle racional e equilibrado de uso das águas,
o que gera inúmeros conflitos, uma vez que não se atende aos
múltiplos usuários. Vale lembrar que sempre se priorizou a geração
de energia elétrica em detrimento dos demais usos, como na
indústria, na irrigação, na navegação, no lazer, na pesca e na
aqüicultura.
No campo mais amplo da política ambiental, na qual se inserem as
questões hídricas, podem ser identificados dois períodos distintos
na estruturação do sistema brasileiro de meio ambiente: antes e
após 1972. A legislação anterior a essa data se referia a aspectos
específicos dos recursos naturais, a exemplo do Código de Águas,
de 1934, do Código Florestal, de 1965, e da lei que instituiu a
política nacional de saneamento, de 1967.
Os processos de elaboração dessas normas e de seus regulamentos
não contemplavam absolutamente uma negociação com a sociedade, que
não opinava plenamente na definição das regras que deveriam reger
tais relações. Em parte, isso determinou o não-cumprimento das
leis aprovadas hoje, neste ciclo de debates.
A Comissão pretende trabalhar a implantação e a implementação dos
comitês de bacias hidrográficas; esta é a forma mais democrática
de participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos. Está
marcada para o dia 22 de maio, às 15 horas, uma audiência pública
com as representações dos comitês já implantados e em atividade no
Estado. Na oportunidade, convidamos os presentes e os que se
preocupam com a questão da água para essa importante audiência
pública.
Por último, reafirmamos que a Comissão de Meio Ambiente e Recursos
Naturais saúda com entusiasmo os participantes deste ciclo de
debates, desejando-lhes sucesso nesta tarefa à qual se associa.