DEPUTADO JOÃO LEITE (SEMPARTIDO)
Discurso
Transcurso do 93º aniversário da Primeira Igreja Presbiteriana de Belo
Horizonte.
Reunião
59ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/08/2005
Página 75, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. RELIGIÃO.
Aparteante ANTÔNIO GENARO.
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/08/2005
Página 75, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. RELIGIÃO.
Aparteante ANTÔNIO GENARO.
59ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 24/8/2005
Palavras do Deputado João Leite
O Deputado João Leite - Sr. Presidente, gostaria de conceder um
aparte ao Deputado Antônio Genaro.
O Deputado Antônio Genaro (em aparte)*- Ouvi a discussão sobre
defesa do consumidor e gostaria de abordar uma questão. Acredito
que minha voz é como um grão de areia em uma praia. Vendo o livro
de escola da minha filha, observava a parte que mostra a evolução
do homem. Primeiro, mostra um macaquinho andando de quatro.
Depois, ele aparece tentando andar com duas pernas. Depois, um
pouco mais ereto e, por fim, completamente ereto. Somos obrigados,
na escola, a aprender essa besteira da evolução do homem. A maior
burrice existente sobre a Terra, entre tantas outras, é acreditar
na evolução das espécies. Tenho que ver minha filha estudar isso.
Nós, cristãos, pagamos impostos. Não temos o direito de modificar
o currículo escolar? Não fazem milhões de cadernos como aquele
para explicar a evolução do ser que virou pulga ou que virou vaca?
Em que momento da evolução uma árvore virou ipê amarelo? Que ser
evoluiu para virar vaca, cavalo, elefante, sapo do pescoço curto,
girafa do pescoço comprido?
É a maior burrice. Estou à disposição para discutir isso,
cientificamente. É uma burrice. Pagamos impostos para essas
pessoas ensinarem porcaria para nossas crianças.
O Deputado João Leite - Obrigado, Deputado Antônio Genaro. Saúdo
os telespectadores da TV Assembléia e todos que aqui acompanham
esta reunião.
Gostaria de usar este espaço hoje para prestar uma justa
homenagem não só à primeira Igreja Presbiteriana de Belo
Horizonte, mas a todos os irmãos presbiterianos da Capital pela
celebração, no próximo domingo, dia 28, dos 93 anos do
presbiterianismo em Belo Horizonte.
O presbiterianismo tem suas origens na Reforma Protestante do
século XVI. Podemos dizer que o movimento iniciado por Martinho
Lutero, na Alemanha, teve um enorme desdobramento na Suíça.
Segundo o historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil, Rev.
Alderi de Souza Matos, “o entendimento de que a reforma suíça foi
mais profunda em sua ruptura com a igreja medieval e em seu
retorno às escrituras fez com que recebesse o nome de Movimento
Reformado, e seus simpatizantes ficassem conhecidos simplesmente
como Reformados”.
Entre todos esses grandes homens de Deus, um destacou-se
especialmente por seu brilhantismo, inteligência, sobriedade e
profundidade teológica. João Calvino, o grande reformador de
Genebra, influenciou de maneira decisiva o florescimento e a
estruturação de todas as igrejas reformadas que surgiram naqueles
dias incríveis. Em sua principal obra, “As Institutas da Religião
Cristã”, encontramos um sistema bíblico de teologia cristã, que
depois acabou ficando conhecido como “Calvinismo”. É um grande
equívoco limitar o pensamento calvinista apenas à doutrina da
eleição incondicional ou da predestinação no que tange à salvação.
Podemos dizer que o pensamento de Calvino tinha sempre como base
a noção da absoluta soberania de Deus como criador, preservador e
redentor do mundo. Deus não é o senhor apenas da vida espiritual
do homem, mas de todos os aspectos da vida e da criação. O grande
calvinista e ex-Primeiro-Ministro da Holanda, Abraham Kuyper,
dizia que nenhuma área de nossas vidas está fora do senhorio de
Cristo.
Abro aqui um parêntese para citar um trecho das institutas de
João Calvino, que, em meio a um clima tão tenebroso e de tanto
descrédito da política, deveria nos alertar de maneira muito
profunda quanto à responsabilidade que temos ao exercer aqui nosso
ofício. Segundo Calvino: “ninguém deve duvidar que a autoridade
civil é uma vocação (...) santa e legítima diante de Deus”. Para
Calvino, a obrigação dos governantes, de acordo com a palavra de
Deus, seria promover a justiça, a segurança e a paz na sociedade.
Em seu comentário ao Salmo 82, Versículo 3, “fazei justiça ao
fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o
desamparado”, Calvino nos diz que “um governo justo e bem regulado
se distinguirá por preservar os direitos do pobre e dos
afligidos”. Enfim, o pensamento de Calvino nos lembra que a fonte
do trabalho teológico é a escritura, o propósito é a piedade e a
área de atuação é toda a vida. Calvino rompeu com uma teologia
confinada aos circuitos eclesiásticos e trouxe de volta o ideal
bíblico de uma teologia que tinha desembocadura no dia-a-dia dos
cristãos.
E é no pensamento desse grande homem que a Igreja Presbiteriana
encontra seu referencial.
O pensamento reformado que se espalhou por vários países da
Europa - França, Alemanha, Holanda, Hungria, Polônia, entre outros
- também foi levado, pela providência divina, às ilhas britânicas,
principalmente à Escócia, onde se destacou um outro grande gigante
da fé, John Knox, que acabou ficando conhecido como grande pai do
presbiterianismo. Podemos dizer que, se os presbiterianos
encontram em João Calvino o referencial em termos de
sistematização doutrinária, eles encontram em John Knox o seu
referencial em termos de formulação do governo eclesiástico.
Foi na Escócia e em parte da Inglaterra que se começou a chamar
algumas comunidades reformadas de presbiterianas. “O nome Igreja
Presbiteriana vem da maneira como a igreja é administrada, ou
seja, através de presbíteros eleitos democraticamente pelas
comunidades locais. Essas comunidades são governadas por um
conselho de presbíteros, e estes oficiais também integram os
concílios superiores da igreja, que são os presbitérios, os
sínodos e o supremo concílio” (fonte: “site” da ipb).
Aquelas igrejas reformadas não queriam uma igreja governada por
Bispos - que eram, naquela época, indicados pelos reis -, e sim
por presbíteros eleitos pelas comunidades. Seria aqui
desnecessário dizer a influência do modelo presbiteriano para a
democracia moderna ocidental e também - porque não dizer? - da
separação orgânica entre igreja e Estado, sem, contudo, a igreja
deixar de cobrar posições cristãs do Estado.
Também não podemos nos esquecer de que o processo de afirmação do
presbiterianismo na Grã-Bretanha foi cercado por um período de
tremendas guerras e enorme perseguição religiosa. Inclusive, foi
em meio a uma guerra civil que se reuniu, entre 1643 e 1649, a
Assembléia de Westminster, que elaborou a Confissão de Fé de
Westminster, documento que determinou os padrões presbiterianos de
culto, governo e doutrina e que é aceito pela enorme maioria das
igrejas presbiterianas espalhadas pelo mundo até hoje, entre elas
a Igreja Presbiteriana do Brasil.
Em meio a essas perseguições religiosas, vários presbiterianos
migraram para os Estados Unidos, nos séculos XVII e XVIII, o que
acarretou o surgimento da Igreja Presbiteriana na América do
Norte. Ali o presbiterianismo se consolidou como influente em toda
a sociedade. Por exemplo, citando novamente o trabalho do Rev.
Alderi, “durante a Revolução Americana, os presbiterianos tiveram
uma atuação destacada. O Rev. John Witherspoon (...) que foi
Presidente da Universidade de Princeton por 25 anos, foi o único
pastor que assinou a Declaração de Independência dos Estados
Unidos, em 1776. Muitos presbiterianos lutaram na guerra de
independência”.
Em 1859, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos enviou ao Rio
de Janeiro o Rev. Ashbel Green Simonton. Há 146 anos, surgia a
Igreja Presbiteriana do Brasil, fundada pelo Rev. Simonton, que,
embora tenha falecido com apenas 34 anos, devido à febre amarela,
deixou um legado que chega até nós. Hoje, segundo dados da
Secretaria Executiva do Supremo Concílio, a Igreja Presbiteriana
do Brasil possui 474 mil membros em cerca de 2.240 igrejas
espalhadas por todos os Estados.
A entrada do presbiterianismo em Minas Gerais não tardou muito.
Temos, por exemplo, na Zona da Mata, vários trabalhos já
centenários. Em Alto Jequitibá, a primeira igreja já comemorou 103
anos e é uma verdadeira referência e - por que não dizer? - o
cartão postal da cidade, juntamente com o Colégio Evangélico. Por
aquela igreja já passaram verdadeiros pilares do presbiterianismo,
entre os quais gostaria de citar o Rev. Cícero Siqueira, que
chegou àquela cidade em 1929 e ali permaneceu até 19/2/63, quando
o Senhor o chamou para junto de si. O Rev. Cícero foi uma pessoa
admirada não só por suas ovelhas, mas por toda a cidade, que
enxergava nele um homem sábio, prudente e temente a Deus.
Praticamente todas as igrejas que compõem o Presbitério do Leste
de Minas, Vale do Rio Doce, Itapemirim e Vitória são filhas ou
netas da igreja de Alto Jequitibá.
Gostaria também de citar a primeira Igreja Presbiteriana de
Manhuaçu, que comemora, este ano, seu centenário. Aproveitamos a
oportunidade para parabenizar o Rev. Anderson Sathler e todos os
irmãos daquela belíssima igreja, que tive o privilégio de visitar
no último domingo, por essa data marcante.
Ao se falar da história do presbiterianismo em Minas Gerais, não
poderíamos nos esquecer de lembrar do centenário Instituto
Presbiteriano Gammon, da cidade de lavras. Ele foi fundado em 1869
na cidade de Campinas, e foi a primeira escola evangélica do
Brasil. O instituto transferiu-se definitivamente para a cidade de
Lavras em 1893, pelo esforço abnegado de pessoas como Samuel Rhea
Gammon, Carlota Kemper, George Morton, entre outros. Quero aqui
saudar esse educandário que tanto enriquece o patrimônio
educacional de Lavras e região e que faz jus ao seu lema:
“Dedicado à glória de Deus e ao progresso humano”.
O trabalho presbiteriano em Belo Horizonte iniciou-se há 93 anos,
quando nossa hoje extremamente populosa Capital possuía por volta
de 40 mil habitantes. Após uma série de conferências do grande
pregador e evangelista Rev. Álvaro Reis, pastor da Igreja
Presbiteriana do Rio de Janeiro, o Presbitério Sul de Minas
iniciou o processo de organização de uma congregação presbiteriana
em Belo Horizonte, e, no dia 26/8/12, o Rev. Américo Cardoso de
Menezes, vindo de Lavras, instalou, na residência do Sr. Francisco
Deslandes, primeiro presbítero da 1ª Igreja Presbiteriana de Belo
Horizonte, a Igreja Cristã Presbiteriana de Belo Horizonte.
Desde esse dia, a Igreja Presbiteriana vem fazendo, cada dia
mais, parte da vida de Belo Horizonte; começando com a primeira
Igreja Presbiteriana situada no cruzamento da Av. Afonso Pena com
Getúlio Vargas - que é um referencial em nossa cidade - pastoreada
por um dos grandes defensores da fé reformada no Brasil, Rev.
Ludgero Bonilha, que está ali desde 1976 e é o atual Secretário
Executivo do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil,
até as pequenas igrejas e congregações que se espalham por todas
as partes de Belo Horizonte.
Hoje, graças ao trabalho pioneiro da primeira igreja, já temos 45
Igrejas Presbiterianas em Belo Horizonte e mais 37 na Região
Metropolitana, além de várias congregações e pontos de pregação
espalhados por toda a nossa Capital.
Cabe ressaltar que, sempre relembrando suas raízes, a Igreja
Presbiteriana não se limita ao serviço meramente espiritual, mas
se destaca como uma verdadeira bênção para a sociedade brasileira,
lutando por um mundo melhor e mais justo, baseando-se nos
princípios bíblicos, com seus trabalhos de assistência social, e
destacando-se, sobremaneira, na área da educação.
Finalizando, parabenizo toda a família presbiteriana pelos 93
anos do presbiterianismo em Belo Horizonte, e também a cidade de
Belo Horizonte, por ter sido tão abençoada nesses 93 anos pela
presença da Igreja Presbiteriana. Gostaria de congratular-me com a
primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte e com todos os
presbíteros, diáconos e membros da nossa amada Igreja
Presbiteriana do Brasil. Muito obrigado, Sr. Presidente.
* - Sem revisão do orador.