Pronunciamentos

DEPUTADO ISAURO CALAIS (PMN)

Discurso

Convida a todos para participar da instalação da Comissão Extraordinária do Idoso no dia 11 de novembro. Transcurso do 95º aniversário de nascimento do ex-deputado estadual Clodesmidt Riani, que teve o seu mandato cassado durante o golpe militar de 64.
Reunião 83ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 18ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/10/2015
Página 23, Coluna 1
Assunto DIREITOS HUMANOS. HOMENAGEM. IDOSO.
Aparteante DIRCEU RIBEIRO, NORALDINO JÚNIOR

83ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 14/10/2015

Palavras do deputado Isauro Calais


O deputado Isauro Calais* – Presidente, senhoras e senhores deputados, funcionários desta egrégia Casa, público presente, telespectadores da nossa TV Assembleia, dois motivos me trazem à tribuna nesta tarde: o primeiro, convidar os senhores deputados, as senhoras deputadas e o público presente para um encontro no dia 11 de novembro, às 16 horas, quando implantaremos a já criada Comissão do Idoso da Assembleia Legislativa.

É um passo gigante que o presidente Adalclever e a Mesa desta Casa estão dando para a valorização desse exército de idosos que a cidade e o Estado recebem a cada dia. São aproximadamente 24 milhões de idosos no Brasil. Vamos ter, seguramente, daqui a 10, 15 anos, 5 milhões de centenários no Brasil. Então há de se fazer alguma coisa, porque a pirâmide está invertendo. Há de se fazer algo para proteger o idoso em outros estados, como Juiz de Fora, em que já temos a comissão do idoso. Essa comissão, criada pelo Presidente Adalclever, vem dar um passo enorme, mostrando, presidente, a sua sensibilidade em cuidar mais da nossa terceira idade. Isso é fundamental. No dia 11, às 16 horas, será implantada a comissão do idoso na Assembleia Legislativa. Serão novos tempos para a terceira idade de Minas Gerais, se Deus quiser.

Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, que pena que esta Casa não está com todos os deputados prestigiando não este deputado, mas a fala que trago desta tribuna, nesta tarde.

Temos aqui, Sr. Presidente, a Cópia do Ato nº 1, que suspende direitos políticos.

“O Comando Supremo da Revolução resolve, nos termos do art. 10 do Ato Institucional, de 9 de abril de 1964, suspender, pelo prazo de 10 anos, os direitos políticos dos seguintes cidadãos: 1 – Luiz Carlos Prestes; 2 – João Belchior Marques Goulart; 3 – Jânio da Silva Quadros; 4 – Miguel Arraes de Alencar; 5 – Darci Ribeiro; 6 – Raul Riff; 7 – Waldir Pires; 8 – Gen. R/1 Luiz Gonzaga de Oliveira Leite; 9 – Gen. R/1 Sampson da Nobrega Sampaio; 10 – Leonel de Moura Brizola...”

O 11º foi um deputado desta Casa, um sindicalista e cidadão trabalhador, Clodesmidt Riani, que amanhã fará 95 anos ativos, de lucidez. Ele ainda está em Juiz de Fora participando, conversando e dando sua experiência para os mais jovens. Faço esta homenagem a Clodesmidt Riani – aqui está seu neto Gustavo Riani. É uma honra, um grande orgulho para nós, da Zona da Mata, ter esse cidadão com 95 anos. Ele foi deputado nesta Casa e teve seu mandato cassado por uma revolução medíocre, uma revolução maluca que tirou um trabalhador... E, diga-se de passagem, só foram cassados na Assembleia Legislativa os trabalhadores, nos demais não mexeram. Então quero ler alguma coisa aqui, presidente.

Clodesmidt Riani nasceu no dia 15/10/1920, em Rio Casca, filho de Orlando Riani e de Maria Riani. Começou a trabalhar aos 13 anos, numa fábrica de tecidos. Três anos depois, ingressou na Companhia Mineira de Eletricidade como aprendiz de eletricista.

Membro ativo do movimento sindical de Juiz de Fora, em 1950 disputou uma cadeira na Câmara de Vereadores de Juiz de Fora pelo Partido Social Progressista, mas não se elegeu. Um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Energia Elétrica de Juiz de Fora, em 1954 foi indicado pelo ministro do Trabalho João Goulart – 1953 e 1954 – para integrar a Comissão do Salário Mínimo de Minas Gerais.

Em 1954, elegeu-se deputado estadual pelo PTB, sem, contudo, abandonar os compromissos sindicais. Em 1958 foi eleito suplente de deputado estadual, assumindo o mandato em 1960. Ainda em 1960, tornou-se vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria, num congresso em que foi aprovada sua proposta de formação do Comando-Geral dos Trabalhadores, entidade que deveria reunir todos os sindicatos brasileiros. Em 1961, Riani assumiu a presidência do diretório do PTB em Juiz de Fora. Eleito presidente da CNTI em dezembro de 1961, numa composição com Dante Pellacani, vice-presidente, e Benedito Cerqueira, secretário-geral, assumiu o cargo em janeiro de 1962. Vice-presidente do CGT, efetivamente criado em agosto de 1962, empenhou-se com o presidente da entidade, Dante Pellacani, na imediata concretização do programa de reformas de base, lançando mão de diversas formas de mobilização, particularmente a greve. Em outubro, Riani reelegeu-se deputado estadual.

Em maio de 1963, nas eleições do CGT, ele e Pellacani trocaram de posições. Em setembro, o CGT apoiou a Revolta dos Sargentos, deflagrada em Brasília, e foi acusado pelo ministro da Guerra, Gen. Jair Dantas Ribeiro, de ter sido responsável pelo seu desencadeamento.

Ainda em 1963, na fundação do Pacto de Ação Conjunta, congregando 4 federações e 80 sindicatos de trabalhadores na indústria, eleito adjunto do conselho administrativo do Bureau Internacional do Trabalho – 1963 a 1966 – e reeleito presidente da CNTI, em 1964 assinou o manifesto aos trabalhadores e ao povo em geral convocando para o Comício das Reformas, realizado em 13/3/1964, no Rio de Janeiro, em frente à Estação Dom Pedro II da Estrada de Ferro Central do Brasil. O ato reuniu grande público e foi presidido pelo próprio João Goulart.

Deflagrado o golpe que depôs o presidente, em 31/3/1964 Riani tentou, sem sucesso, organizar uma greve geral em defesa da permanência de Jango. Em abril, foi preso e teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos por força do Ato Institucional n° 1, de 9/4/1964. Nesse mesmo mês, a CNTI sofreu intervenção federal. Enquadrado pela Lei de Segurança Nacional como subversivo, Riani foi condenado, em dezembro de 1965, a 17 anos de prisão. Em julho de 1966 teve a pena reduzida para 10 anos pelo Superior Tribunal Militar e, dois anos depois, para um ano e dois meses. Foi então libertado e retornou ao trabalho na Companhia Mineira de Eletricidade.

Seus problemas com a Justiça não haviam terminado, pois ainda corria um inquérito policial-militar – IPM – instaurado para apurar irregularidades na CNTI e que acusava Riani de apropriação indébita de recursos. Por conta disso, em 1969 ele foi condenado, mais uma vez, a dois anos de reclusão. Depois de cumprir um ano e meio da pena, foi posto em liberdade por bom comportamento. De volta a Juiz de Fora, à sua família e à Companhia Mineira de Eletricidade, completou o curso técnico de eletrotécnica, em 1972.

Após a anistia, em agosto de 1979, e a extinção do bipartidarismo, em novembro, filiou-se ao PMDB. Em março de 1980, elegeu-se delegado do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora e, em novembro de 1982, deputado estadual pelo PMDB. Em 1984, formou-se em direito. Em outubro de 1986, não conseguiu se reeleger. Afastado da vida pública, dedicou-se à advocacia trabalhista.

Casou-se com Norma Geralda Riani, com quem tem 10 filhos.

Aqui, uma fala do nosso deputado sindicalista e exemplo de vida, Clodesmidt Riani: “Mas a vida é essa, de luta. Lutar para viver, e não viver para morrer de fome, e nossos filhos na miséria. Feliz daquele que tem um ideal para lutar e defender”.

Então, presidente, deputadas, deputados, esta Casa já homenageou Riani ao devolver seu mandato. Ele foi um exemplo para nós como vereador e agora como deputado, e também para o povo que milita na política de Juiz de Fora e Zona da Mata. É nosso dever homenagear esse cidadão, lúcido aos 95 anos, sindicalista e deputado que honra e orgulha a mim e a todos os que o conhecem.

O deputado Dirceu Ribeiro (em aparte)* – Muito obrigado, caro deputado Isauro. Falar do deputado Clodesmidt Riani é falar de um mineiro, homem de família. Tive a felicidade e a honra de conviver com seu filho Riani, pois trabalhamos no Iapi de Ubá e fizemos uma história bonita. Hoje, encontramo-nos pelas ruas de Ubá e paramos para contar um pouco dessa história. V. Exa. descreveu com muita coragem, sensibilidade e responsabilidade a família Riani. Aqui ao nosso lado temos seu neto Gustavo, que participa conosco de forma carinhosa, que vem de berço, vem lá de trás. Ele mostra o carinho e o respeito que tem conosco. Portanto, caro Isauro Calais, quero neste momento parabenizá-lo pelas palavras, pela forma como mostrou a vida desse mineiro. Acompanhei a vida do seu filho, que trabalhava comigo no Iapi, e pude, na época, verificar como sofreu a família desse grande deputado, mineiro e brasileiro. Estou aqui para parabenizar V. Exa. e dizer que é dessa forma que mostraremos o Brasil, a forma que temos de passar aos nossos filhos e netos. Temos de construir, de mostrar o que é bom, para que eles tenham exemplo. Muito obrigado.

O deputado Noraldino Júnior (em aparte)* – Deputado Isauro, quero simplesmente parabenizar V. Exa. por seu pronunciamento e dizer, como deputado de Juiz de Fora também, que esse cidadão e deputado é um exemplo para nós. Deixo aqui meu reconhecimento pela sua vida pública e pelo exemplo de homem que é o nosso conterrâneo. Parabéns pelo pronunciamento.

O deputado Isauro Calais* – Sr. Presidente, encerro minhas palavras dizendo que visitamos o deputado Clodesmidt Riani no sábado. Lúcido, ele recebeu este deputado e o vereador Vagner, de Juiz de Fora, que está aqui na Assembleia. Falei sobre essa homenagem bonita que queria fazer a ele, aliás, que a Casa está fazendo.

Muito obrigado, presidente, deputadas, deputados.

* – Sem revisão do orador.