Pronunciamentos

DEPUTADO GUSTAVO VALADARES (PSDB)

Discurso

Agradece os votos obtidos nas últimas eleições, que o conduziram a mais um mandato na Assembleia Legislativa. Comemora a derrota do Partido dos Trabalhadores - PT - para o governo do Estado e para o Senado. Questiona quais seriam, de fato, as propostas do candidato Romeu Zema para as diversas áreas do Estado. Elogia a administração realizada por Antonio Anastasia, quando este era governador do Estado. Defende que não há velha e nova política, e sim boa e má política. Comenta que gestão pública não é a mesma coisa de gestão privada, destacando que, para o atual momento, Minas precisa de um gestor público com experiência.
Reunião 65ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 18ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/10/2018
Página 30, Coluna 1
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. ELEIÇÃO. GOVERNADOR. SENADO.

65ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 9/10/2018

Palavras do deputado Gustavo Valadares

O deputado Gustavo Valadares* – Presidente, deputado Ulysses Gomes, meu amigo, a quem já tive o prazer de cumprimentar pessoalmente pela reeleição; deputado João Leite, demais deputadas e deputados, acho que nossa obrigação no primeiro pronunciamento após a eleição é agradecer os mais de 60 mil eleitores ou, para ser exato, os 60.687 eleitores que me confiaram mais um mandato na Assembleia Legislativa. Fico muito grato e feliz em poder dar continuação ao meu trabalho nesta Casa.

Serei breve, presidente, e é bem provável que não tome os 15 minutos a que tenho direito, mas alguns assuntos nos trazem à tribuna no dia de hoje. Em primeiro lugar, deputado João Leite, nós, do bloco de oposição Verdade e Coerência, na Assembleia Legislativa, tivemos nossa primeira vitória ao conseguir, com uma única tacada, sem levantar aqui qualquer questão ou crítica pessoal a quem quer que seja, retirar o Partido dos Trabalhadores do governo do Estado e sua candidata do Senado Federal.

Para nós, do PSDB, foi uma vitória, um momento importante, porque comprovamos aquilo que sentimos quando caminhávamos pelos quatro cantos de Minas Gerais: os eleitores estavam em conformidade com o nosso discurso de oposição, com o nosso posicionamento de oposição ao governo petista, ao PT em Minas Gerais. Então, já foi uma vitória para nós, do PSDB, deputado João Leite, conseguir a confirmação daquilo que sentíamos ao andar por Minas Gerais: Minas não queria mais o PT à frente do governo nem nos representando no Senado Federal.

Agora, entramos numa nova fase, deputado João Leite. Eleição de segundo turno é uma nova eleição. Alguém, obviamente, vai sair na primeira pesquisa liderando, mas ainda há três semanas, ainda há 19 dias de campanha. É um momento interessante, é um momento em que os dois candidatos, o nosso candidato Anastasia e o candidato do Partido Novo terão a oportunidade de apresentar os seus programas e seus planos para Minas Gerais. Agora não caberá mais o discurso do corte de benefícios e de privilégios de casas legislativas, mesmo de câmaras municipais, o discurso de que não receberá salário enquanto os salários dos servidores estiverem atrasados. Minas quer mais do que isso. Minas precisa de um debate de alto nível para discutir esses planos, deputado Ulysses Gomes. Tenho certeza de que V. Exa. concorda comigo, mesmo estando nós dois em lados opostos ao longo de muitos anos de uma luta responsável na Assembleia. Minas precisa agora de um segundo turno em que as propostas sejam apresentadas.

Quais são as propostas do Partido Novo para a saúde de Minas Gerais? Quais são as propostas do Partido Novo para a educação de Minas Gerais? Qual é a proposta do Partido Novo para os servidores públicos de Minas Gerais? Qual é a proposta do Partido Novo para a área de segurança pública de Minas Gerais? Qual é a proposta do Partido Novo para a infraestrutura, para as estradas, para as ferrovias que cortam o nosso estado? Quais são as propostas de Romeu Zema para essas áreas, deputado João Leite? É isso que queremos ouvir. Vamos querer saber como resolver o problema fiscal e econômico do Estado.

O candidato Romeu Zema já deixou clara a sua disposição, a sua vontade, a sua determinação em privatizar a Cemig. Tudo bem, é direito dele fazer essa defesa. Mas, Romeu Zema, qual é a proposta do senhor, candidato, em relação ao ICMS da energia elétrica em Minas? O senhor vai abaixá-lo? Qual é a proposta do senhor, candidato, para a Copasa? Qual é a proposta do senhor para o BDMG, que é o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, esse banco fomentador do desenvolvimento do nosso estado? É isso que queremos ouvir agora.

Os dois têm discursos que vão ao encontro dos anseios da população: o corte de gastos e o enxugamento da máquina pública. Anastasia já fez isso, enquanto governador, e tínhamos 16 secretarias. Hoje há 24 secretarias. Já mostramos as nossas propostas. Fizemos um belíssimo governo com ele. Asfaltamos o acesso a mais de 224 cidades, iniciamos a construção de nove hospitais regionais, mas as obras, no final, ficaram paralisadas porque o governo do PT não deu continuidade a elas. Quais são as propostas do candidato a governador Romeu Zema para esses hospitais regionais? Como terminar essas construções? Como dar utilização a esses hospitais?

Que companhias o senhor vai querer, senhor candidato, quando for governador de Minas? É isso que nós, mineiros, queremos ouvir. É por isso que todos estamos ansiosos. E falo isso porque tenho plena consciência de que o meu candidato tem todas essas propostas na ponta da língua. Podemos discordar ou não delas, mas é um candidato preparado, experimentado e que fez deste estado um estado referência para o mundo. Enquanto tivemos Anastasia no governo do Estado, seja como secretário de Estado, seja como governador, seja como vice-governador, Minas foi respeitada mundo afora pelo seu modelo de gestão.

O deputado Carlos Henrique subiu aqui para falar da velha política e da nova política. Não conheço velha política e nova política; conheço boa política e má política. O partido do deputado Carlos Henrique, a quem respeito muito, apoiou a gestão Pimentel, nesta Casa, ao longo de quatro anos. E apoia até hoje. Isso é a velha política? O PRB diz hoje que o PT faz parte da velha política ou da nova política? Estamos vivendo o hoje, não podemos planejar. A eleição não está definida, deputado. O futuro de Minas. Então há dois grupos hoje disputando o futuro de Minas, um da velha política e um da nova política. É isso? O governo que V. Exa. apoiou aqui era da velha ou da nova política? O governo que V. Exa. apoiou e apoia ainda. A atual é a velha ou a nova? É atual? Mas ela é velha ou é nova? V. Exa. subiu à tribuna e disse que temos agora dois candidatos, um da velha política e um da nova política. O partido de V. Exa. apoiou o atual governador. Ele pertence à nova política ou à velha política? Só há duas políticas.

Deputado Carlos Henrique, só existe isso para quem quer mexer um pouquinho na cabeça do eleitor, que está bem bagunçada numa hora desta. Mas só existem duas políticas, a boa e a má. Temos hoje 35 partidos no país, e o partido de V. Exa. tem excelentes quadros. V. Exa. é um deles. Não há absolutamente nada para falar do seu mandato, da sua história aqui dentro. V. Exa. faz parte da boa política, assim como eu me considero membro da boa política.

Temos anos de mandato aqui na Assembleia, e nem por isso me considero da velha política. Não sou da velha política, não aceito esse carimbo, e acho que V. Exa. também não deveria aceitar e não deveria embarcar nesse discurso. Tem todo o direito de escolher o candidato que quer apoiar, mas com um discurso claro, falando por que apoiar o candidato A ou por que apoiar o candidato B. Esse discurso da nova e velha… Se V. Exa. quiser, estou à disposição, mas vamos parar com esse discurso de nova e velha política, porque isso não existe, isso nos deixa muito mal, a mim e a V. Exa. E eu não me considero da velha política mesmo, definitivamente. As minhas práticas são da boa política; as práticas de V. Exa. foram, ao longo desses últimos anos, da boa política. Por isso tivemos o nosso mandato renovado. Mas respeitarei qual for a decisão. Não sei se o senhor chegou a falar…

O deputado Carlos Henrique – (– Intervenção fora do microfone.)

O deputado Gustavo Valadares* – Ainda não. Respeitarei qual for a decisão, mas tenho um candidato que representa a boa política, que é um homem de bem, que é um homem preparado para assumir este estado no momento em que estamos, um momento de crise, um momento em que o Estado está praticamente falido. O que menos quero para Minas agora é alguém que não tem experiência de gestão pública. Gestão pública não é a mesma coisa de gestão privada. Bem que queríamos que fosse, mas as amarras não deixam que sejam iguais. São diferentes. Experiência de gestão pública é necessária ao próximo governador de Minas.

Querem discutir currículo? Vamos discutir currículo. Querem discutir história limpa? Vamos discutir história limpa. Querem discutir mãos limpas? Discutiremos as mãos limpas. Não me venham querer colocar o nosso candidato a governador como membro da velha política, das más práticas políticas, porque ele nunca pertenceu a elas. Jamais! Minas precisa de um bom gestor público neste momento em que se encontra praticamente falida. Para sua reconstrução, é preciso deixarmos de lado as paixões partidárias e pensarmos em gestão pública, em alguém que conheça a administração pública e se relacione com o servidor que está, no dia a dia, lutando e batalhando dentro das secretarias, em péssimas condições de trabalho.

Precisamos de um gestor que venha de uma escola de governo, que tenha dado gás aos gestores públicos que foram criados na Escola de Governo da Fundação João Pinheiro, que por pouco não acabou, porque essa era a vontade do Partido dos Trabalhadores. A previsão para o orçamento de 2019 é de R$11.000.000.000,00 de déficit. Eram R$8.000.000.000,00 na LDO, mas eles corrigiram e esse valor já está em R$11.000.000.000,00 na Lei Orçamentária Anual. Vamos discuti-la agora. Ela chegou na semana passada na Assembleia, por isso muitos ainda não sabem o valor, mas são R$11.000.000.000,00 previstos. Vamos começar a discussão agora.

Para este momento, Minas precisa de um gestor público com experiência. Não será brincadeira a situação nos próximos quatro anos, e sem aumento de impostos, porque isso não aceitamos. Esta Casa, depois de votar duas vezes aumento de impostos – com meu voto contrário, que isso fique bem claro –, não aceita isso mais. O PT quis de novo aumentar impostos no final do último ano e início deste, mas os próprios deputados da base do governo disseram: “Não, já fizemos isso duas vezes e não faremos mais”.

Então, precisamos de um gestor que saiba lidar com a arrecadação como ela está hoje. Não vai poder aumentar imposto. Precisamos de um gestor que se relacione com bancos mundiais de fomento, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, com o Banco Mundial, com banco japonês, com bancos alemães que tenham a coragem e a disposição de vir aqui emprestar dinheiro ao Estado para investirmos. Se você tiver um gestor público com experiência, deputado Carlos Henrique, com credibilidade, você terá isso. De 2004 ou 2005 a 2014, Minas teve as portas escancaradas de todos os bancos de fomento internacional. Houve erro na gestão? Sim, mas havia gestores ou condutores da gestão pública com credibilidade, experiência, e Minas precisa disso agora.

Portanto, faço votos de que tenhamos um segundo turno propositivo. Que os jargões da nova política, com a qual não concordo, fiquem para trás. Que agora possamos discutir saúde, educação, segurança, infraestrutura, relacionamento com os servidores públicos e tudo mais. Muito obrigado, presidente.

* – Sem revisão do orador.