Pronunciamentos

DEPUTADO FELIPE ATTIÊ (PTB)

Discurso

Declara posição contrária ao Substitutivo nº 1 ao projeto de lei que extingue a autarquia Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais - IO- MG - e dá outras providências.
Reunião 20ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 18ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/08/2016
Página 54, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IOMG). ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. PESSOAL. SECRETARIA DE ESTADO DE CASA CIVIL E DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS (SECCRI).
Proposições citadas PL 3511 de 2016

20ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 9/8/2016

Palavras do deputado Felipe Attiê

O deputado Felipe Attiê* – Sr. Presidente, deputado Adalclever Lopes, que nos honra com sua presença na sessão de hoje, Srs. Deputados, imprensa presente, essa reforma do governo do Estado está muito parecida com a operação que estamos vendo nas Olimpíadas para servir bebida, água e comida aos estrangeiros e brasileiros. O que está acontecendo no Rio de Janeiro representa a nossa bagunça: essa reforma do governador não serve para nada.

Os brasileiros são capazes de montar as Olimpíadas com oito arenas no Parque Olímpico, cada uma delas com seus barzinhos. Na Arena do Futuro, devem caber 5 mil pessoas, e, na parte de cima, para atendê-las, há seis caixas para três bares – o lado credenciado é fechado. A pessoa que quer comer ou assiste ao jogo, ou compra algo. E, quando acaba o jogo, eles fecham o bar, pois o carioca está preocupado em contar suas mercadorias para ver se houve roubo. Assim, fecham na cara dos turistas e não devolvem o dinheiro, pois as máquinas da Visa não conseguem cuspir o dinheiro para trás.

Vocês já viram montar um atendimento em que o caixa não se comunica com a cozinha, que, por sinal, não se comunica com o balcão? Não há linha de produção, eficiência. Parece-nos que quem montou aquilo no Rio de Janeiro não conhece pesquisa operacional, que consiste em se fazer estudos do tempo de fila, do tamanho necessário da chapa para uma quantidade satisfatória de hambúrgueres etc. Além disso, informática existe para se organizar uma linha de produção contínua; o caixa precisa comunicar com o balcão e com a cozinha. Sabem como eles estão pegando sanduíches para levar até as oito arenas? Estão usando caixinhas de isopor, como na praia; não sabem de quanto precisam, o que está vendendo no caixa; vão a pé buscar sanduíches na caixinha de isopor.

Esse é o governo Pimentel, esse é o Brasil. Não existe logística, não há pesquisa operacional. Se a pessoa quer organizar algo de massa, deve seguir Fayol e Taylor, os primeiros teóricos da administração que trataram da linha de produção contínua, de organização, de eficiência, de aumento de produtividade. Os Estados Unidos inventaram o fast-food, uma linha de produção da indústria automobilística empregada na produção de comida. Mas o brasileiro, até hoje, deve estar montando carroça, pois montou lá uma porcaria de atendimento que nos envergonha. Não fizeram testes, estimativa de quanto tempo um estrangeiro, falando inglês, gasta com uma atendente que só fala português – o dobro, o triplo do tempo. É importante saber isso e também calcular, enquanto as pessoas vão vender os ingressos, quantos sanduíches cada um vai colocar; e também avaliar qual deve ser o tamanho das chapas. Tudo deve se comunicar: bar, cozinha e caixa. Entretanto, lá nada se comunica: o caixa é para um lado; o balcão, para outro; e a cozinha, centralizada. É um fracasso, não há produtividade nem pesquisa operacional nem eficiência.

Que reforma? O Brasil é o País da piada, da incompetência, da desorganização, da falta de logística, do improviso. Gente, o mundo político não entende o que é preciso fazer. Os senhores deputados e os políticos estão andando em uma onda e em uma velocidade, enquanto a sociedade está exigindo outra. Eles não dão conta de fazer o que é preciso para aumentar a produtividade e a eficiência. E aí vemos essas coisas malfeitas. Vocês acham que um país que, em 23 anos, teve 15 ministros da Saúde pode funcionar? O que vocês acham desse país? Vocês pensam que é possível comandar um país lá de Brasília?

E ainda tem esse negócio de os partidos políticos ficarem nomeando secretário. Aqui mesmo, o governador criou três secretarias do bolso do colete, caso ele seja cassado na Assembleia, para poder distribuir secretaria aos outros. Ele pode criar essas secretarias por decreto. Pessoal, o Brasil ainda é colonial. Temos os mesmos hábitos daquele gordinho que aqui chegou de Portugal, o chamado D. João VI. O hábito é o mesmo. A mentalidade dos políticos brasileiros não muda. Eles não têm lógica, não têm eficácia e eficiência, palavras que não existem. Aliás, é a mesma coisa que acontece com o voto. Jogam com o povão que não entende nada disso em troca de benefícios e favores do voto. Essa é a falida democracia brasileira de 33 partidos que não têm técnicos, que não primam pela meritocracia e que não fazem ou que não conseguem fazer nada.

Imaginem uma pessoa de Cingapura vendo uma anarquia como essa. Para pegar um tax free em Cingapura, basta pegar o passaporte e os tíquetes de compras em lojas, dirigir-se ao autoatendimento, com o passaporte, passar o cartão na maquineta, e o dinheiro cai na hora, na sua conta do Visa ou do Credicard. Não leva 5 minutos para fazer isso. Por outro lado, em Portugal, se você for pegar o tax free ou a devolução dos impostos, haverá um atendente para 35 pessoas. É aí que você se encontra com aquelas africanas de Angola e Moçambique, com 12 malas de muamba, para pegar o tax free. São 25 “negos” na fila para um atendente. Só pode ser para se perder o tax free. Estou falando daquela funcionária pública-padrão. Mas, em Cingapura, você não gasta 5 minutos para fazer isso, ou seja, para ter o dinheiro depositado na sua conta.

O padrão asiático vai dominar o mundo, mas estamos colocando o sistema francês e italiano – égalité, liberté e fraternité – em descrédito com a população. Os sistemas autoritários da China e de Cingapura, bem como o sistema autoritário de um paisinho pobre feito a Tailândia, funcionam melhor do que o brasileiro, que é o égalité, porque eles têm eficiência e organização. É por isso que a democracia fica desacreditada e de cabeça para baixo.

Resumindo, essa reforma dele não economiza nem gerencia nem organiza nada. É a reforma de um Estado que está falido. Estamos falando de um Estado em que, todo mês, faltam R$850.000.000,00 para o pagamento da folha. Na verdade, esse dinheiro está sendo pago porque deixaram de pagar a dívida interna. Foram lá ao Temer para chorar, e agora são menos R$400.000.000,00. Todo mês faltam R$450.000.000,00. Vão empurrando. Uma hora param de pagar a marmita, outra hora não pagam as emendas dos deputados para pagar a folha de pagamento. A partir de outubro, não pagarão mais nada para juntar o dinheiro da folha de pagamento. Os salários são parcelados. A despesa deste ano, com a folha de pagamento do ativo e do inativo, é de R$45.500.000.000,00. O Brasil não tem eficiência. Essa reforma do Pimentel é igualzinha ao atendimento de refrigerante, pipoca e guaraná na Olimpíadas: um fracasso. “Nego” vai lá e passa fome.

Sabem quantos milhões de dólares, de venda, eles perderam por dia, no Parque Olímpico? Foram US$2.000.000,00, Sr. Nuzman. Não me arruma “nego” que vende sanduíche na praia, não. Queremos um sistema igual ao americano, que é um sistema de produção contínua, de linha de produção contínua e informatizada, para que os pedidos sejam organizados na cozinha e no balcão. Só assim saberemos a necessidade dos estoques de carne ou de pão. É mal-gerenciado mesmo. É “firmeca” de vender sanduíche natural na praia organizando jogos olímpicos internacionais. E o povo da Coreia, do Japão e de Cingapura está lá vendo aquilo, e eu aqui querendo esconder a cara debaixo da poltrona, da bagunça que é o brasileiro.

A mesma coisa vale para o BRT. O metrô está funcionando, mas o BRT é a mesma bagunça. O povo sai do estádio à meia-noite, mas o metrô do Maracanã fecha à meia-noite. Eles fazem o “nego” andar 2km a pé, de madrugada nas ruas, igual a uma boiada estourada, para pegar o metrô na próxima estação. O prefeito e os cariocas devem estar querendo dormir cedo. Foi por isso que fecharam o metrô do Maracanã, com 8 ou 10 mil pessoas querendo pegar o metrô, à meia-noite. Essa ineficiência do serviço público brasileiro é triste e está na alma do nosso povo e nos políticos. Não me olhem, não, porque é o povo que tem mania de dizer que os políticos é que não enxergam. Na verdade, é o povo que vota nos políticos, e os políticos são o espelho do povo.

O País não tem produtividade. As reformas gerenciais que são feitas no Brasil não funcionam. Os partidos políticos querem indicar pessoas que não têm perfil, que não sabem nada, que não entendem nada, que não estudam e que não têm competência e eficiência.

Por isso há muita gente sentindo saudade do regime militar. É lógico. Vocês estão pondo a democracia em risco. São 33 partidos. Por quê? Na democracia eram feitas perguntas. Alysson Paulinelli entende de agricultura? Entende. Aureliano Chaves entende de minas e energia? Entende. Os militares nomeavam por eficiência. Aqui nomeiam o João da Botina, que não sabe nada, para cuidar da saúde. Nomeiam o José Antônio para não sei o quê, que não sabe nem tampar buraco de rodovia, que não sabe nem o que é massa asfáltica. Esse é o Brasil dos políticos. Estão arrebentando tudo. O País não consegue competir na economia globalizada. Seremos dominados pelos asiáticos, queiram ou não. Logística deveria ser a primeira matéria nas escolas brasileiras, já que o País tem 200 milhões de habitantes, já que o País possui 5.500 municípios, já que o País é do tamanho de um continente. Essa deveria ser a primeira matéria para ensinar nossos jovens a ter eficiência e produtividade. O Brasil não funciona sem logística. O brasileiro não conseguiu nem vender comida nas Olimpíadas. Nem isso. Transporte também é vergonhoso. O BRT merece nota 7; o metrô merece nota 9. As coisas precisam melhorar. Os brasileiros precisam ter estudo.

Essas nossas escolas estaduais passam os alunos sem saberem nada. O sujeito não sabe medir pressão. Por esses dias, lá no Praia Clube, eu estava vendo o sujeito medir a pressão de forma errada. Fiquei olhando. Falei a minha mulher, que é dentista, que aquele rapaz media a pressão de maneira errada. Falei que ela iria lá comigo, pois ela sabe fazer a medição. Ela viu o rapaz fazendo a contagem errada. Os estudantes, coitados, saem dessas escolinhas de 2º grau como enfermeiros, mas não sabem medir pressão.

Então, Sr. Presidente, nosso ensino está um lixo. O povo não sabe matemática, nem geometria plana, nem geometria espacial, nem trigonometria, nem álgebra. Não sabem nada. Esses alunos fingem que aprendem. As professoras fingem que ensinam. Apliquem uma prova a esses estudantes e verão o que vai dar. Nada. Não sabem pesquisa operacional. Vão para trás de um balcão e fazem bagunça e confusão.

Este é um paisinho de segunda categoria. Não adianta ficarmos aqui com aquele ufanismo do Hino Nacional. Precisamos trabalhar mais. Precisamos fazer as coisas mais bem-feitas. Estão achando que isso é brincadeira? A não ser que queiram ficar igual a índio, na sombra, sem badulaqueira, que é carro, moto, celular, casa, praia, viagem, essa trenheira do mundo moderno.

Então, Sr. Presidente, na verdade precisamos melhorar este país. Este país está indo de mal a pior. Essa reforma do governador é “incomentável”. Ela não passa de uma reforma politiqueira, a la D. João VI. Não resolve nada. É para inglês ver. É da “morcegagem”, da incompetência, da ineficiência. Não resolverá nada no Estado de Minas Gerais. É uma vergonha deste país, lamentavelmente, assim como o atendimento dos bares e restaurantes na Copa do Mundo e o BRT, que não está funcionando muito bem. Está uma bagunça. É a velha bagunça brasileira.

* - Sem revisão do orador.