DEPUTADO DELEGADO HELI GRILO (PSL)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/08/2019
Página 32, Coluna 1
Assunto AGROPECUÁRIA. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante VIRGÍLIO GUIMARÃES
74ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 21/8/2019
Palavras do deputado Delegado Heli Grilo
O deputado Delegado Heli Grilo – Sr. Presidente, Srs. Deputados, colegas, tenho visto e ouvido vários discursos a respeito da questão do que aconteceu no Rio de Janeiro. Eu não compactuo, de nenhuma forma, com a vibração em favor da morte de alguém. Primeiro porque eu acredito que o governador do Rio não estava vibrando com a morte, ele estava vibrando pelo salvamento de 37 vidas.
Ninguém sabe o que tinha lá dentro. Lá havia 6 litros de gasolina, amarrados dentro do ônibus, em pontos estratégicos. A arma era de brinquedo? Sim, mas ninguém sabia. Como é que você vai saber se o cara está usando uma arma de brinquedo?
Também não foi em razão da cor, da raça, da etnia dele, não. Se fosse, qualquer um outro também teria sofrido a mesma ação. Tentaram de todas as formas.
A questão do sniper só funciona quando não existe mais alternativa de discussão do fato, e isso aconteceu lá. Depois, o governador explicou que ele estava, realmente, comemorando o salvamento de 37 pessoas. Era uma pessoa que precisava de tratamento, estava com problema de depressão, que é uma doença do século. Agora, temos de entender que, do lado de lá, há a mãe dele, que vai chorar. Mas poderia ter sido muito pior se tivéssemos mães de 37 filhos, da mesma forma que a mãe dele, chorando. Tanto que a mãe e o pai dele pediram desculpas às famílias dos reféns que estavam dentro do ônibus. Olhem, eu só estou falando isso aqui porque sou uma pessoa que trabalhou a vida inteira combatendo a criminalidade, procurei de todas as formas fazer justiça e nunca torci para o pior acontecer. Aconteceu, infelizmente, mas de uma forma menos grave.
Gostaria, Sr. Presidente, de pedir o apoio de V. Exa. Recebi aqui lideranças dos produtores de leite do Estado de Minas Gerais, do Brasil, que sofrem muito. Estamos vendo a importação do leite do Uruguai. A gente não sabe que leite vem, qual o tipo de produção, qual a categoria do leite e como é produzido, se é bom ou ruim. Mas o leite brasileiro é da melhor qualidade. O leite mineiro representa uma bacia leiteira enorme. Precisamos ajudar o produtor de leite do Estado de Minas Gerais. Não sei de que forma, mas estamos aqui com uma proposição de criar uma frente parlamentar de apoio ao produtor de leite do Estado de Minas Gerais. Gostaria de pedir a V. Exa., que sempre foi e sempre vai ser a liderança maior dessa questão, da produção de leite... Não podemos mais deixar o produtor de leite vender o leite R$0,10, R$0,20, R$0,30 mais barato do que custa para ser produzido. Hoje, o produtor gasta R$1,50, R$1,40 para produzir 1 litro de leite, que ele está vendendo a R$1,10. A gente tem visto, através das redes sociais, produtores e mais produtores vendendo o seu rebanho, vendendo as suas vacas para evitar um prejuízo maior. Então, precisamos trabalhar.
Quero mandar o meu recado a um deputado lá de Goiás, Amauri Ribeiro, um cara que tem defendido o produtor de leite de todas as formas. Pode contar comigo, deputado. Você tem aqui, em Minas Gerais, um parceiro. Já tirei leite quando era menino. Você levantar todo dia cedo, todo dia cedo para perder menos é um absurdo! E é isso que está acontecendo com o produtor de leite.
Gostaria de falar também, Sr. Presidente – ontem, queria ter feito uma participação, mas, infelizmente, o horário já estava no final – a respeito da reunião que tivemos com a equipe de governo. Tivemos uma reunião das 10 horas da manhã até 15h30min e, às 16 horas, foi demitido o secretário de governo, que participou ativamente da reunião com a gente, eu e os deputados Sargento Rodrigues, Bruno Engler e Coronel Sandro, os deputados federais Léo Motta e Subtenente Gonzaga e as lideranças das entidades, os representantes das entidades, das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, dos sistemas socioeducativo e prisional.
Foi levada uma pauta de reivindicação, e nessa pauta constava o quinto dia útil, o 13º salário, constava a recomposição salarial de 27,5%, que já vigora hoje, e ainda o pagamento das férias-prêmio para os policiais civis. Há policial civil que se aposentou há quase cinco anos e até hoje não recebeu.
Infelizmente, o último governo não pagou muita gente. Alguns policiais que se aposentaram estão morrendo sem receber e outros, prescrevendo. Existe uma necessidade de buscar isso para não haver prescrição. Nós colocamos isso na pauta porque essas férias são direito do policial, são direito do servidor público. Eles ficaram trabalhando, não receberam, e agora é direito deles. Nós temos que buscar isso. Onde houver o direito, nós temos que ir.
Eu queria ter participado ontem, ter colocado isso. Coronel Henrique, em relação à recomposição salarial, ficou agendada uma reunião para o dia 16 de setembro, quando o governo, naturalmente, falará o que vai acontecer. Com relação ao 13º salário, existe uma engenharia financeira sendo providenciada pelo governo; e, se ele conseguir - isso foi colocado como um compromisso -, o pagamento do 13º salário sairá no dia 21 de dezembro. Caso essa engenharia não dê certo, será pago em três parcelas: nos dias 21 de dezembro, 21 de janeiro e 21 de fevereiro. Com relação ao salário, se essa engenharia der certo, o pagamento do 13º salário sairá para todos os servidores no dia 21 de dezembro, e o pagamento do salário sairá no quinto dia útil para todos os servidores. Pelo menos, isso foi colocado pela equipe do governo. Não sabemos até que ponto isso será firmado, porque o secretário foi demitido meia hora depois.
Nós temos que acreditar que o Estado vai cumprir esses compromissos. Esse foi um compromisso do Estado. Eu ouvi ontem alguns detalhes. Falaram que nós estamos buscando isso, e o governo está fazendo um compromisso só com a segurança pública. Não. O governo fez esse compromisso e falou que vai cumpri-lo com todos os servidores. E nós precisamos é disso. É claro que eu defendo a minha bandeira, que é a da segurança pública, mas eu acredito que todos devem defender a sua bandeira.
Quanto à bandeira da educação, eu sempre tive um carinho muito especial pelos educadores, os educadores que eu conheci a vida toda, que fizeram a minha formação, que formaram a minha esposa, os meus filhos. Eu tenho gratidão por aquilo que me ajudou a ser o que eu sou. Aprendi a ser uma pessoa de bem, muitas vezes, na escola, e com o meu pai e com a minha mãe. Eu tenho muita gratidão pelo professor e acho que os professores também têm que receber em dia, têm que receber a recomposição que for necessária.
Eu não sei como estão essas coisas, mas podem ter certeza de que eu serei um partícipe e um braço aliado daqueles que buscam os benefícios tanto para o professor quanto para a segurança pública. Eu tenho visto muitas policiais, companheiros meus, praticarem o autoextermínio e morrer porque não conseguem mais viver recebendo um mês, dois meses atrasado. Quando ele vai ao banco fazer um empréstimo, presidente, ele já vai com uma dívida muito maior, e ele tem que pagar isso. Então, nós precisamos trabalhar em busca de bons resultados.
Sabemos que a situação do Estado está difícil. Eu falo para muita gente: o governo pegou um estado falido, arrebentando. Pegou, mas ele sabia que ele estava se casando com uma viúva e que a viúva tinha filhos. E os filhos, quem são? São as pessoas da segurança pública, da educação e da saúde, que são obrigação do Estado. Então, é isso que eu tenho colocado, e vou estar sempre aqui para ajudar a defender essas questões.
O deputado Virgílio Guimarães (em aparte)* – Muito obrigado, deputado Delegado Heli Grilo. Eu apenas queria fazer um registro em relação ao que V. Exa. falou no início do seu pronunciamento sobre a agricultura e sobre os servidores públicos. V. Exa. fez um registro a respeito dos episódios do Rio de Janeiro. Eu também queria deixar um registro aqui. Já fui um crítico desta tribuna muito severo das injustiças cometidas com o presidente Lula, com o então juiz Sérgio Moro, com o promotor que comandou aquele espetáculo todo.
Já fui crítico às políticas do atual governo, à política armamentista do governo federal. Por isso mesmo faço questão de dizer aqui que aquele episódio do Rio de Janeiro tem que ser enxergado com lentes distintas dessas outras.
Estive no dia seguinte lá em Janaúba, no episódio da tragédia da creche daquela cidade, onde, através de produtos incandescentes, morreram 14 pessoas, inclusive o próprio agressor, que tinha problemas mentais, mas que ninguém sabia. Ele havia sido demitido, tinha suas razões, mas provocou aquela tragédia.
Então, sou forçado a dizer que é muito diferente daquele episódio a atitude que foi tomada pela polícia do Rio de Janeiro. Não quero aqui discutir a atitude do governador, se ele comemorou isso ou aquilo. É uma questão dele, e lamento que isso tenha ocorrido. Reprovo, pois não é momento para comemorar coisa alguma. É para lamentar que algo em nossa sociedade assim exista. Porém me senti na obrigação de vir aqui dizer que a atitude da polícia lá no Rio de Janeiro nesse episódio foi muito diferente do que sempre critiquei na tribuna com ênfase, com força. Nesse caso, qualquer polícia do mundo teria uma atitude como a do Rio de Janeiro.
Portanto, apenas quero fazer um registro do meu ponto de vista, que é diferenciado daquilo que critico com ênfase e daquilo que, lamentavelmente, sou obrigado a reconhecer como atitude necessária.
O deputado Delegado Heli Grilo – Obrigado, deputado.
Para finalizar, Sr. Presidente e Srs. Deputados, lamentavelmente ontem eu ouvi e li a respeito do ministro do Supremo, que impediu a prisão dos autores daquela chacina de Unaí, onde foram assassinadas pessoas trabalhadoras, que eram os fiscais, de forma covarde. E não podemos admitir que na Corte Suprema deste País apareça alguém – como sempre aparece alguém lá – para proteger e defender esse tipo de ação.
Lamentavelmente, um ministro impediu a prisão dos autores fazendo as alegações... Dizem que é um ministro extremamente legalista, mas essa legalidade não pode acontecer com quem praticou a ilegalidade abertamente. Tirar a vida de seu semelhante porque ele está trabalhando? Ora, nós temos que acabar com isso. Nós temos que acabar com isso. Não sou favorável. Ele tem que pagar pelo que fez. Eles tiraram a vida dos trabalhadores que estavam ali cumprindo o seu papel, a sua tarefa. E, para fazer as coisas erradas, o que fizeram? Foram lá e mataram os trabalhadores, os fiscais. Está errado! Este Supremo Tribunal precisa mudar um pouco o seu raciocínio. Pau que bate em Chico tem que bater em Francisco. Eles precisam tomar as mesmas medidas para todos, porque, de repente, a condenação em segunda instância não vale para alguns. Tem de valer para todo mundo.
É só isso. Sr. Presidente, agradeço a vossa excelência.
* – Sem revisão do orador.