DEPUTADO CLEITINHO AZEVEDO (CIDADANIA)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/09/2021
Página 107, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEFESA DO CONSUMIDOR. PESSOAL. TRANSPORTE E TRÂNSITO.
Proposições citadas PL 554 de 2019
75ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 2/9/2021
Palavras do deputado Cleitinho Azevedo
O deputado Cleitinho Azevedo – Boa tarde, Sra. Presidenta; boa tarde a todos os deputados e às deputadas, servidores desta Casa; boa tarde à população que acompanha a gente pela TV Assembleia.
Quero aqui agradecer todos os deputados que votaram a favor do meu projeto que congela a tarifa de pedágio. Muitas dessas empresas aí colocam essas cabines, colocam essas praças de pedágio e não acabam as obras. Então é de suma importância esse projeto. Quero agradecer aos deputados.
Quero falar sobre essa questão do pedágio e vou dar um exemplo da minha cidade: na minha cidade, para vocês terem noção, há uma obra que era para ser terminada há mais de 10 anos, e todo ano o que essa empresa faz? Ela aumenta o valor da tarifa e nunca termina a obra. Então esse projeto é importante para isso, para congelar. No caso, o mais certo, o mais justo mesmo era se abrissem a cancela, mas não tenho poder para isso.
Então quero agradecer aos deputados que votaram a favor desse projeto que vai congelar as tarifas de pedágio se as empresas não terminarem as obras. Elas precisam terminar as obras. Estive com um empresário dessas empresas, e ele teve a cara de pau de falar que está investindo mais de não sei quantos bilhões de reais. Perguntei a ele: “É de graça”? Não é de graça, porque toda a população que passa tem que pagar. Se não pagar, não abrem a cancela.
Então nunca vi uma situação como essa, em que cada dia a população tem que passar e pagar e não tem melhoria nas estradas, não tem duplicação. Então não tem que ter aumento de pedágio. Pela lógica tinham que abrir a cancela. Mas, como não tenho poder para isso, esse projeto de minha autoria foi aprovado e agora não vai deixar mais aumentar esse valor da tarifa. Então quero agradecer aqui a todos os deputados por terem votado a favor.
Eu queria aqui, humildemente, começar a minha fala dizendo à população brasileira, sem atacar ninguém, sem ofender ninguém; eu só quero fazer uma comparação porque, como deputado, eu não posso ficar calado, ficar quieto, vendo uma situação dessa. Eu estou aqui para representar vocês. Eu até não falo o que vocês querem ouvir, não; eu falo o que vocês têm vontade de falar. E é a minha obrigação poder passar isso para vocês aqui, sem atacar ninguém. Mas a população brasileira, independentemente de lado, gente, se você é de esquerda, se você é de direita, se você tem alguma ideologia... Essa pauta é de todos; por isso que eu estou aqui para representar vocês.
Eu queria fazer uma comparação. Agora o Congresso aprovou esse orçamento para o ano que vem, e aumentou o salário mínimo em R$69,00. Era R$1.100,00 e agora está indo para R$1.169,00. Então, eu queria fazer uma comparação muito simples de como está a despesa do povo brasileiro. Eu queria que você viralizasse esse vídeo para o Brasil inteiro, porque eu não vou ficar calado. Eu não vou ficar aqui, com o meu salário em dia, um excelente salário – sou um representante de vocês – e aceitar essa comparação do político com o trabalhador, com a população brasileira, que é o verdadeiro patrão. Então, não são vocês que têm que trabalhar para nós; nós é que temos que trabalhar para vocês. Do jeito como isso se encontra hoje, são vocês que estão trabalhando por nós.
Então, eu queria fazer essa comparação para vocês terem essa noção, e peço que viralizem isso para todo o Brasil. É mais ou menos uma média, gente; a gente fez uma média aqui: tem gente que paga, tem gente que não paga, mas é uma média do povo brasileiro. Em média, um aluguel hoje, gente, custa R$600,00; uma alimentação hoje custa R$500,00, no mínimo; um gás custa R$100,00 a R$110,00; higiene básica, R$500,00; água, R$150,00; energia, R$200,00. Eu coloquei a gasolina aqui para vocês terem uma noção, pois há quem usa carro e há quem não usa: o valor da gasolina hoje é R$7,00. Eu coloquei R$20,00 por dia de gasolina – não coloquei sábado e domingo; coloquei os dias úteis, de segunda a sexta. Então, R$20,00 por dia dariam R$100,00 por semana, ou seja, R$400,00 ao mês – estou colocando uma média. Então, eu vou somar o total para vocês fazerem essa comparação. Esse total que eu coloquei aqui, gente, é de R$2.460,00. Se tirar a gasolina – porque, às vezes, você pode falar “eu não tenho carro” – cai para R$2.060,00. Então, para quem não tem carro a despesa é de R$2.060,00 com aluguel, alimentação, gás, higiene básica. Agora, para quem tem a gasolina a despesa sobe para R$2.460,00 ao mês, com um salário, hoje, de R$1.100,00. Tem como o povo brasileiro pagar essa despesa, recebendo um salário de R$1.100,00? Gente, isso é uma média, e vocês podem perguntar para a população brasileira.
Agora, eu queria fazer outra média aqui, que é muito importante. É isso que eu estou falando para vocês: vocês estão trabalhando para o político, e é preciso inverter essa situação. Por isso que eu proponho a reforma política. Aqui mesmo, na Assembleia, eu já propus tirar privilégio, regalia. Aí, a gente vai fazer essa comparação aqui. Há muitas pessoas que ainda estão desempregadas e não têm o salário mínimo, não; o político está empregado, recebendo em dia um salário médio de R$25.000,00 bruto. Eu tenho que ajoelhar e agradecer a Deus; por isso eu tenho que estar aqui para lutar por vocês. Há o auxílio-moradia de R$4.000,00; há o auxílio-paletó de R$25.000,00; há o auxílio-saúde – chegaram lá no Congresso e aumentaram de R$70.000,00 para R$130.000,00. O salário mínimo aumentou R$69,00, mas, lá no Congresso, aumentaram o auxílio-saúde para R$130.000,00. E há o auxílio-alimentação também: na média do povo brasileiro é de R$500,00, e o do político é de quase R$10.000,00, ou seja, R$9.500,00.
Então, isso precisa acabar urgentemente. O País não está quebrado? O País não está numa situação de pandemia? E vai continuar pagando esse privilégio e regalia para político? Eu abri mão, eu uso sempre o que é necessário aqui, mas desses privilégios e regalias aqui eu abri mão por questão de consciência. Não se pode aumentar só R$69,00 ao salário mínimo e haver a audácia no Congresso de aumentar um plano de saúde para R$130.000,00. Então, está tudo errado. Essa pauta que eu estou mostrando para vocês aqui, independentemente de você ser de direita, de esquerda... É uma situação que eu respeito. Você pode fazer o que quiser, mas saia à rua para questionar isso também; saia à rua para poder brigar por isso também, para tirar isso do político e reduzir esse gasto, porque a gasolina está chegando a R$7,00.
Defenda quem você quiser, mas defenda você também. Você pode defender quem você quiser, mas o primeiro passo – meu pai me ensinou isso: “Olhe no espelho. A primeira pessoa que você tem que gostar é de você”. Então na hora em que você sair na rua, quem você tem que defender primeiro é a sua família. E a sua família não está aguentando mais pagar com essa situação do jeito que está. Não estou aqui apontando o dedo para ninguém. Isso aqui é uma realidade do Brasil. E eu, como político, não posso ficar aqui calado. Para mim é muito cômodo ver a pandemia. Estou recebendo em dia, o meu salário está em dia, há um monte de auxílio ainda – quero deixar bem claro que eu não uso –, mas não tem condição eu ficar aqui calado vendo uma situação dessa. Isso precisa acabar. Então, no caso, para poder diminuir isso tudo, a gente tem que cortar um pouco de despesa. Tem que cortar as despesas, elas estão caras para a população brasileira. O patrão de verdade não está aguentando pagar essa quantidade de mordomia. Não é só para político, não, viu, gente? Para os três Poderes também. Aí entra o Judiciário, entra o Executivo, entram todos os Poderes.
Já dizia um grande professor – alguns anos atrás ele era louco, mas já falava o que está acontecendo hoje: “Para a gente sair da crise vamos ter que mexer nessa estrutura do poder. E essa estrutura do poder está cara para a população brasileira”, dizia o Prof. Ernesto Carneiro. Então peço à população brasileira que viralize esse vídeo para o Brasil inteiro para a gente fazer essa comparação aqui. Deixando bem claro que eu não estou aqui para atacar ninguém. Só estou mostrando uma realidade que precisa ser mudada.
Muito obrigado, Sra. Presidente.