DEPUTADO CLEITINHO AZEVEDO (CIDADANIA)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 17/07/2021
Página 19, Coluna 1
Assunto ACORDO FINANCEIRO. BARRAGEM DE REJEITOS. CRÉDITO. ELEIÇÃO. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS (MPMG). MUNICÍPIOS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. PESSOAL.
Observação Pandemia coronavírus 2020.
Proposições citadas PL 2508 de 2021
PLC 55 de 2021
PLC 58 de 2021
62ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 15/7/2021
Palavras do deputado Cleitinho Azevedo
O deputado Cleitinho Azevedo – Boa tarde, Sr. Presidente. Boa tarde, deputados e deputadas, servidores desta Casa, população que acompanha a gente pela TV Assembleia.
Quanto a essa questão muito bem esclarecida aqui pelo deputado Arlen Santiago, eu quero deixar bem claro que eu que fui um dos deputados que questionei a questão da votação da Vale, mas, em nenhum momento, ataquei deputado aqui; em nenhum momento eu faltei com o respeito com ninguém. Eu só queria que se pudesse votar o acordo aqui. Eu também fui para a rede social pedir para se votar o acordo. Eu não ataquei ninguém, não; jamais vou atacar. Se eu precisar falar com alguém, vou falar aqui na tribuna porque eu acho que é melhor.
Eu queria também falar que a gente votou um projeto aqui ontem, e até o Ministério Público questionou os deputados que votaram contra, que foram canalhas. Eu quero deixar bem claro para o Ministério Público que eu tenho o maior respeito pela instituição. Eu até acho que é uma das instituições mais respeitadas que existe no Brasil, junto com a Polícia Federal. Eu tenho amigos que são do Ministério Público, mas aqui há um posicionamento de que cada deputado tem de votar “sim” e “não”. Então, eu acho que, no momento, com a situação em que está o Estado hoje, com a situação em que se encontra o Estado, com a questão da pandemia, com o fato de haver várias pessoas desempregadas...
Como o próprio governador, que é o líder deste estado aqui, chefe de Estado, falou para a gente: “O Estado está quebrado. A gente não consegue aumentar arrecadação, a gente está com muita dívida”. Então, eu acho que não é o momento para aumentar a despesa; não foi uma questão de desrespeito com o Ministério Público. Em meu pronunciamento aqui, eu não faltei com o respeito; eu só disse que não há como aumentar a despesa. É como uma família que tem uma renda mensal de R$3.000,00, o marido fica desempregado, essa renda cai para R$1.500,00. Eu acredito que ele, que a família não vai continuar... Se, todo final de semana, ele sai para tomar um sorvete, um açaí ou vai ao restaurante, eles vão diminuir isso, não é? Porque no caso vai aumentar a despesa, e a receita diminuiu.
Então eu acho que não foi aqui um posicionamento com falta de respeito ao Ministério Público, não. Jamais! Jamais vou faltar com respeito a essa instituição. Eu tenho o maior respeito por ela. Como eu disse, é uma instituição que, para mim, tem mais respeito aqui dentro do Brasil. Então é só um posicionamento aqui de votar contra.
Eu acho que todo servidor, todo concursado que estudou e passou no concurso tem todo direito de, depois de seguir sua carreira aí, ter seus... Eu só acho que não tem como aumentar mais neste momento de crise, de pandemia. Quando a gente entrou aqui, o próprio governador disse que não teria como aumentar nada. Então não foi nada contra o pessoal, contra ninguém. Como eu disse, tenho amigos promotores e jamais vou faltar com respeito. Só deixar isso bem claro aqui que continuo tendo respeito, é só uma questão de votação. E qualquer projeto que chegar aqui de aumento de privilégio tanto para o Legislativo, para o Executivo ou para o Judiciário, eu vou votar contra. Também teve aqui uma questão dos secretários para poder ganhar mais jetons. Eu votei contra isso, então, não é nada pessoal com o Ministério Público. Qualquer projeto que chegar aqui, se for para aumentar, neste momento pelo qual a gente está passando, eu vou votar contra, vou continuar votando contra.
Eu queria falar aqui sobre essa questão do acordo da Vale. Foi muito importante ter votado esse acordo. Eu fiz uma manifestação junto com Joãozinho Jornalista na região de Coroaci, Peçanha, Nacip, Marilac, Virgolândia. Lá existem algumas estradas que precisam receber essa pavimentação. A gente já esteve com o secretário de Obras, o Fernando. Inclusive, tenho que falar aqui, o Fernando é um excelente secretário, está sempre atendendo às reivindicações não de deputados, mas da região e da população mineira. E ele fez esse compromisso que, se tivesse esse acordo da Vale aí, a MG-314 poderia ser contemplada. Então teve esse acordo ontem aí. Espero que o Fernando possa cumprir junto com o governador Romeu Zema e trazer essa pavimentação, que é um sonho da região lá de Coroaci e de Peçanha a MG-314. Estivemos lá com o Fernando, que se comprometeu que, votando o acordo, ele poderia fazer isso.
A gente fez até uma manifestação – deve ter uns três meses atrás – junto com o Joãozinho Jornalista. É o sonho de toda a região. Então, o que a gente puder fazer aqui, todos os deputados, para lutar por isso, deputados da região também, podem ter certeza de que vamos fazer. Vai ficar a LMG-744, para qual a gente pede atenção também. Quem sabe não conseguimos que ela seja concluída também com esse acordo da Vale? Acho que é importante poder contemplar isso o mais rápido possível, viu? Então quero agradecer aqui toda a região e toda comunidade que esteve com a gente aí. Fizeram essa manifestação com o objetivo de trazer a atenção do governador, da Secretaria de Obras para essa região. Então, com esse acordo da Vale, que possam contemplar o mais rápido possível.
Eu também queria falar aqui uma situação. Eu queria pedir à população brasileira que me acompanha que viralizasse esse vídeo aí para todo o País nos grupos de WhatsApp, para a gente não deixar isso acontecer no Brasil, não. Não falam que o País está quebrado? Eu sempre acho que o País nunca esteve quebrado. Eu só vou ver um país quebrado na hora em que eu vir salário de toda a classe política atrasado. Na hora em que eu vir que tem salário de vereador, de prefeito, de deputado, de governador, de presidente atrasado, eu vou falar: “Olha, o País está quebrado”. Se eu vir isso eu falo assim: “Realmente o País está quebrado”, porque o problema do País não é dinheiro e eu vou provar para vocês que o problema do País não é dinheiro, nunca foi o dinheiro. Então não caiam nessa ladainha de falar que o País está quebrado, que não tem dinheiro porque tem dinheiro. Porque numa crise dessa, onde já existe esse fundo eleitoral, que falam aí que chega a quase R$2.000.000.000,00, eles estão querendo triplicar. Parece que está no Congresso lá. Dê um zoom para eu mostrar a vocês aqui. Olhem o que eles estão querendo chegar a fazer lá no Congresso: aumentar esse fundo eleitoral para R$6.000.000.000,00. Isso aqui é um tapa na cara da população brasileira. Pergunte se o patrão, que é o pagador de imposto... porque você, que paga imposto, de tudo que consome quase 50% é imposto. Eu pergunto se você quer financiar com o seu imposto isso aqui para a campanha no ano que vem. Porque eu não vou generalizar aqui, não, mas tem muitos políticos que pegam esse dinheiro aqui, roubam de você esse dinheiro, depois se elegem e vão lhe roubar mais.
Isso precisa acabar. Se você quer fazer campanha, faça com o seu bolso. Não use dinheiro público para fazer campanha. Isso é uma afronta à população brasileira, população que está desempregada, que não tem 100% de vacina para todo mundo ainda, que está passando fome, que tem uma conta de luz. Igual eu recebi uma mensagem ontem de uma mãe chorando porque a luz dela foi cortada. Ela não conseguiu pagar sabe por quê? Porque o marido dela está desempregado. Entendeu? A conta de água é cortada também do mesmo jeito. Isso precisa acabar. Político que quiser fazer campanha faça com o seu bolso, mas não use o dinheiro público. A população que paga imposto rigorosamente em dia... Eu faço uma pesquisa aqui para toda a população brasileira: vocês querem pagar, no ano que vem, R$6.000.000.000,00 para político fazer campanha? Para vir com aquela ladainha: “Eu quero falar de saúde, segurança e educação”. Todo mundo já sabe disso. Chega na campanha e fala a mesma coisa: “saúde, segurança e educação”. Ora, a Constituição já obriga a ter saúde, segurança e educação.
Eu quero ver, na prática, fazer a saúde, a segurança e a educação funcionarem; eu quero ver os candidatos, no ano que vem, falarem que vão abrir mão do fundo eleitoral. Vamos lá, vamos começar a falar. Cadê os partidos para fazer, cadê os partidos? Engraçado – não é? –, partidos, tanto de esquerda quanto de direita, que brigam, que se matam. Mas, na hora de aprovarem isso aqui, está todo mundo unido – não é? Aí não existe ideologia – não é? –, aí é o fundão eleitoral.
Isso precisa acabar. Vocês, que são os patrões de verdade – nós somos empregados, são vocês que pagam –, é que vão pagar a conta de R$6.000.000,00. Vamos lá, gente, vamos nos mobilizar. Eu falei que eu iria fazer da política um Big Brother. Falei: tudo que chegar para mim e eu ficar sabendo, eu vou mostrar para vocês. Isso aqui é uma afronta. Isso aqui, R$6.000.000.00,00, seu dinheiro, pagador de imposto. Muita gente está desempregada por causa da pandemia, não está trabalhando e tem ainda que pagar R$6.000.000.00,00 para político fazer campanha? Para pegarem seu dinheiro agora, roubar de vocês, e depois alguns ainda se elegerem e botarem dinheiro dentro da cueca? Tem limite!
Então, espero que esse vídeo seja mobilizado, porque político funciona na base da pressão. Se vocês agora se mobilizarem e falarem que não querem pagar, eles recuarão. Mas, se ficarem quietos, vai passar debaixo do pano, e no ano que vem serão R$6.000.000.00,00 na conta da população. Eu vou repetir: várias pessoas desempregadas, várias pessoas precisando trabalhar, não têm dinheiro para colocar comida dentro de casa e ainda têm que pagar R$6.000.000.00,00 para político? Tomem vergonha na cara! O pessoal do Congresso, que está com essa iniciativa... E não posso generalizar, não posso falar que são os 513 deputados. Quem estiver com essa iniciativa, tome vergonha na cara – tome vergonha na cara! A população não tem que pagar a conta mais, não; a população não aguenta mais pagar conta. Viu?
Eu queria aqui finalizar falando que eu fiz uma indicação para a Mesa diretora – vou fazer agora essa indicação. Eu vou contar uma história para vocês, e vocês vão entender – essa história muita gente conhece: um homem morreu e está lá em cima do muro. Os anjos do céu estão dizendo assim para ele: “Venha aqui para o céu, suba para cá”. E ele está lá em cima do muro. Os anjos continuam, e São Pedro também: “Suba aqui para o céu, venha para cá”. E ele continua em cima do muro. Aí os anjos perguntam ao diabo: “Diabo, você não vai chamá-lo, não?” “Eu não, para que eu vou chamá-lo? Ele já está em cima do muro”.
Então, quero dizer para vocês que, aqui no Parlamento, eu jamais vou me abster de um voto, eu jamais vou apertar lá e dizer “eu me abstive”. Não, eu vou votar “sim” ou “não”. Para mim é “sim” ou “não”, eu sou um representante de vocês. Vocês me colocaram aqui para representar vocês, para representar vocês nas decisões que precisam ser tomadas aqui a favor do povo. Então, eu jamais... Pode até acontecer de um dia eu não ter oportunidade de votar. Aí é diferente, você pode estar doente, pode ter acontecido um monte de coisa, e você não votar. Mas, se você chegar ao Parlamento, você ter o “sim” ou o “não” e você se abster de um voto, você não deveria estar aqui para representar, não, porque quem está aqui está aqui para representar.
Então, queria que isso fosse para todo o Brasil, fosse para todas as assembleias. É uma sugestão, uma orientação para o Congresso também, para as câmaras municipais: vamos colocar isso de abstenção mais não. Quando eu era vereador, era o branco. Não existe isso, gente. O Parlamento aqui é para ter representação. Então, é “sim” ou “não”. Então, é uma sugestão, uma indicação para todos. Se você quer representar, na hora de votar você tem que ter representatividade, ter coragem de falar “sim” ou “não”. E foi isso que eu continuei fazendo aqui, foi o que eu fiz ontem. Havia um projeto para aumentar privilégio, e eu votei “não”, porque eu tenho coragem. Muito obrigado, Sr. Presidente.